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A Nossa Nova Identidade no Senhor Jesus Cristo

Partilho aqui a mensagem bíblica que tive a oportunidade de pregar no passado domingo, dia 9 do corrente mês, na minha Igreja. O tema que constituiu o objecto da minha pregação foi “A Nossa Nova Identidade no Senhor Jesus Cristo”, tendo como base o texto sagrado de 2 Coríntios 5:16-21. 

Aproveitei também para reduzir por escrito todo o conteúdo da mensagem, que se encontra igualmente disponível no vídeo que acompanha esta publicação. Poderá, assim, ler o texto na íntegra, se assim o entender, ou, em alternativa, assistir apenas ao vídeo. O conteúdo de ambos é exactamente o mesmo. 

Desejo-lhe uma excelente leitura ou, caso opte pelo vídeo, uma proveitosa visualização da mensagem. Que DEUS o abençoe ricamente e o assista continuamente com a Sua graça e a Sua paz. 

A NOSSA NOVA IDENTIDADE NO SENHOR JESUS CRISTO – 2 CORÍNTIOS 5:16-21 

A identidade, como sabemos, é aquilo que caracteriza cada ser humano. É precisamente por essa razão que temos um documento de identificação. Hoje, naturalmente, falamos do cartão de cidadão, que substituiu o antigo bilhete de identidade, mas a sua finalidade essencial permanece a mesma: identificar-nos. 

Através de um documento de identificação, conseguimos obter determinadas informações sobre uma pessoa e, de algum modo, compreender a sua origem, a sua naturalidade, quem são os seus pais, a sua data de nascimento e outras informações relevantes, embora algumas delas sejam atualmente omitidas por razões de privacidade. O cartão de cidadão, que corresponde ao antigo bilhete de identidade, permite-nos conhecer a nossa proveniência, as nossas origens, a nossa filiação e a nossa idade. Sabemos, aliás, que há pessoas que têm alguma dificuldade em revelar a sua idade e que, por vezes, procuram ocultar o documento precisamente porque, através dele, é possível conhecer a idade que têm. 

Mas a identidade é muito mais do que um simples documento. É aquilo que nos qualifica, que nos caracteriza e que está relacionado com a forma como nos apresentamos e com a maneira como os outros nos percecionam. Todos nós temos uma identidade. Não há ninguém que não tenha uma identidade. Somos cidadãos e, nesta sala, encontramos pessoas com identidades diversas. Algumas pessoas têm mais do que uma identidade no sentido da nacionalidade. Há pessoas que possuem uma nacionalidade; outras têm dupla nacionalidade; outras, ainda, podem ter tripla nacionalidade, etc. 

Essas nacionalidades e essas identidades são elementos que nos qualificam, mas também nos colocam perante determinados direitos e obrigações. A identidade é, portanto, a forma como nos apresentamos e como demonstramos quem somos. Quando uma pessoa olha para nós e conhece a nossa proveniência, consegue, de algum modo, compreender quem somos. Naturalmente, pode haver equívocos, mas, pelo menos, consegue formar uma determinada perceção acerca da nossa origem e daquilo que podemos revelar sobre nós próprios. Por isso, a identidade é algo importante. Todos temos uma identidade e não há qualquer problema em assumirmos essa identidade numa perspetiva humana e social. 

Mas sabemos que existe uma dimensão muito mais profunda da identidade. Há outras formas de identidade. É precisamente sobre essa dimensão que eu gostaria de falar: a nossa nova identidade no Senhor Jesus Cristo. 

Quando falamos de uma nova identidade no Senhor Jesus Cristo, pressupõe-se que anteriormente tínhamos outra identidade. Tínhamos uma identidade antiga e passamos agora a possuir uma nova identidade. Esta nova identidade, para além de nos unificar, confere-nos uma posição de destaque perante Deus, porque elimina os vestígios da nossa velha identidade, dessa identidade transitória e pecaminosa, própria desta vida, e estabelece a nossa ligação com a nova identidade no Senhor Jesus Cristo. Aliás, é precisamente sobre a nossa nova identidade no Senhor Jesus Cristo que vamos refletir. 

E, tomando rapidamente como ponto de partida o texto bíblico que acabámos de ler e que foi objeto da leitura, isto é, 2 Coríntios 5:16-21, procuremos compreender aquilo que esta passagem significa e quais são as suas repercussões espirituais para a nossa compreensão da nova identidade no Senhor Jesus Cristo. 

O autor sagrado diz, logo no versículo 16: «Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo» (2 Coríntios 5:16). Ele começa por introduzir esta ideia de «daqui por diante». Esta expressão aponta para uma nova perspetiva, uma nova realidade, uma nova forma de ver e de encarar as coisas. Ou seja: «daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne». Isto significa que já não julgamos as pessoas segundo critérios meramente humanos. 

O julgamento segundo critérios humanos, que anteriormente fazíamos, já não deve orientar a nossa nova identidade em Cristo. O Apóstolo Paulo mostra-nos que já não devemos julgar as pessoas segundo esses critérios, tal como também acontecia relativamente à forma como Jesus Cristo era visto. 

Nós sabemos que, de certo modo, todos somos juízes – não no sentido profissional do termo, mas porque constantemente avaliamos, julgamos, tiramos conclusões e formamos opiniões. Ouvimos determinados factos, por vezes sem conhecermos todas as circunstâncias e, ainda assim, tiramos as nossas conclusões. Isso é próprio da natureza humana. O ser humano tende constantemente a formular julgamentos, inclusive julgamentos precipitados. Costuma dizer-se que existem diferentes tipos de tribunais. Há, por exemplo, aquilo a que podemos chamar o tribunal popular, que é extremamente rápido nos seus julgamentos. Não são necessárias muitas informações. Basta ouvir uma versão dos acontecimentos para, imediatamente, se tirarem conclusões, proferirem sentenças e, muitas vezes, condenar ou absolver alguém. 

A justiça popular é rápida, mas é falível. Porquê? Porque o julgamento não pode ser precipitado e rápido. Se uma pessoa nos conta apenas uma versão da história, essa versão pode impressionar-nos e condicionar o nosso entendimento. Mas, quando ouvimos a outra versão – aquilo que juridicamente se designa por contraditório –começamos a ter uma perspetiva diferente e reunimos elementos que nos permitem julgar de forma mais correta. O tribunal popular, muitas vezes, julga sem ter em consideração todos esses elementos. 

Depois, temos também os tribunais formais, designadamente os tribunais civis, nos quais os processos podem ser muito mais demorados, precisamente porque é necessário conhecer todas as implicações de determinada situação antes de se poder proferir uma decisão. Por vezes, os processos levam anos. Sabemos também que alguns acabam por prescrever, infelizmente, mas muitos chegam ao seu termo e são proferidas sentenças. Mesmo essas sentenças, contudo, não significam necessariamente que o julgamento seja absolutamente correto, porque os seres humanos são falíveis. É precisamente por isso que existem mecanismos de recurso: para permitir a reapreciação das decisões e procurar corrigir eventuais injustiças. 

Temos, portanto, o tribunal popular, que é célere, e os tribunais formais, que são mais demorados, mas que também são suscetíveis de erro. Mas existe um terceiro tribunal: o tribunal Divino. Este tribunal é infalível. Quando Deus julga, porém, não baseia o Seu julgamento em versões, rumores, factos aparentes ou qualificações humanas. Deus não julga segundo esses critérios. Deus julga segundo critérios objetivos, claros e justos. 

Apesar disso, sabemos que, quando olhamos para as pessoas segundo os critérios humanos, segundo a lógica da velha vida e do mundo em que vivemos, tendemos a fazê-lo através dos nossos olhos humanos. E, quando olhamos através dos olhos humanos, avaliamos as pessoas tendo em conta a sua proveniência, as suas origens, as suas qualificações, as suas famílias e a sua posição social. Tudo isso influencia a nossa avaliação da realidade. Porquê? Porque julgamos segundo critérios humanos. E esses critérios humanos são frequentemente critérios de afinidade, de pertença, de convergência, de proximidade e de conveniência, acabando por adulterar aquilo que deveria ser um verdadeiro julgamento. 

O Apóstolo Paulo está precisamente a mostrar-nos que também fazíamos isso, sobretudo relativamente a Jesus Cristo. Quando olhamos para a vida do Apóstolo Paulo, percebemos que ele próprio perseguiu o Senhor Jesus Cristo porque O julgava segundo uma perspetiva humana e racional. Ora, quando fazemos julgamentos exclusivamente segundo uma perspetiva humana, corremos muitos riscos, porque tendemos a concluir que aquilo que parece ser corresponde necessariamente àquilo que é. E, quando olhamos para Jesus Cristo, percebemos que a Sua vida, segundo os critérios humanos, não despertava necessariamente nas pessoas uma perceção da Sua verdadeira natureza Divina. 

O Senhor Jesus Cristo encarnou na humildade e na simplicidade. Era um homem inserido num contexto social desfavorecido. Viveu de forma simples, rodeado de pessoas simples, sem as marcas exteriores de poder, riqueza ou prestígio que, segundo os critérios humanos, poderiam conferir-Lhe autoridade. Não tinha uma posição social de destaque, não fazia parte das elites e, segundo os padrões humanos, não reunia as características que muitos esperariam encontrar numa figura com uma missão Divina, principalmente messiânica. E, sobretudo, a forma como foi crucificado contribuiu para que muitos O vissem como um marginal, como alguém derrotado e condenado. 

Como poderia uma pessoa assim ser o Salvador do mundo? Como poderia alguém naquela condição trazer alguma coisa de bom? Segundo os critérios humanos, não havia nada naquela pessoa que justificasse a expectativa de salvação. É precisamente isso que estou a dizer: as aparências e os critérios através dos quais, muitas vezes, julgamos as pessoas – critérios de influência, de poder, de posse, de nobreza e de estatuto – condicionam profundamente o nosso julgamento. O ser humano faz esse tipo de julgamento. 

O Apóstolo Paulo também o fazia, sobretudo relativamente a Jesus Cristo. Mas essa realidade mudou, porque a nova identidade já não nos permite julgar as pessoas segundo esses critérios humanos. A nova identidade em Cristo não nos permite avaliar uma pessoa pela sua cor, pela sua aparência, pela sua qualificação, pelo seu nível social ou pelas suas posses. O crente no Senhor Jesus Cristo já não deve proceder dessa maneira. Se o fizer, estará novamente a julgar segundo os critérios humanos. 

É isso que o Apóstolo Paulo pretende demonstrar quando afirma: «Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo» (2 Coríntios 5:16). Já não olhamos para Jesus Cristo como um homem fracassado, como muitos O olharam – quer os gentios, quer até o próprio povo de Deus. Passamos a contemplá-Lo segundo uma perspetiva diferente: uma perspetiva espiritual e Divina. Esse novo olhar permite-nos reconhecer o Seu brilho, as Suas qualidades, as Suas virtudes e, sobretudo, contemplar n’Ele o Salvador que verdadeiramente é. 

Por isso, o Apóstolo Paulo afirma que já não fazemos esses julgamentos segundo os antigos critérios. E, depois, no versículo 17, apresenta-nos uma verdade extraordinária: 

"E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2 Coríntios 5:17). Ou seja, esta nova identidade permite-nos adquirir uma visão mais abrangente e mais profunda da realidade. Permite-nos evitar precipitações, raciocínios falaciosos e julgamentos motivados pela conveniência, pelo desejo de agradar ou por interesses pessoais. A nova identidade permite-nos olhar para as pessoas com um olhar Divino. E, quando olhamos para as pessoas com esse olhar, reconhecemos nelas dignidade, respeito e consideração. Tratamo-las com humanidade. Não fazemos isso apenas relativamente àqueles que consideramos merecedores de destaque. Fazemo-lo também relativamente àqueles que, segundo os critérios humanos, poderiam não merecer esse reconhecimento. É a nova identidade em Cristo que nos permite ter esse olhar Divino. 

O próprio Senhor Jesus Cristo viveu dessa maneira. Ele não excluiu as pessoas. Procurava ajudá-las, servi-las e devolver-lhes dignidade, inclusive àquelas que, segundo os padrões sociais e religiosos do Seu tempo, eram marginalizadas. Vemos isso em diversas histórias das Escrituras: na mulher adúltera, no publicano Zaqueu e em tantas outras pessoas que Jesus encontrou, incluindo aqueles que sofriam de diversas enfermidades e opressões. Jesus procurava ver a pessoa para além da sua condição. Afinal, somos criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus e, por isso, possuímos dignidade. 

Mas a nova identidade permite-nos precisamente esse olhar. É um olhar que reflete aquilo que contemplamos no Senhor Jesus Cristo e em Deus, porque já somos novas criaturas em Cristo. Esta nova criatura e esta salvação que nos foram concedidas permitem-nos também adquirir uma forma mais objetiva e justa de olhar para a realidade. Por isso, Paulo diz: "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas". 

Nós já temos uma nova identidade. E essa nova identidade permite-nos despir a velha identidade – a identidade deste mundo, marcada pela parcialidade, pela injustiça, pela discriminação, pela vaidade, pela violência, pela violação e por toda a espécie de maldade e malignidade. Uma nova identidade em Cristo permite-nos viver uma vida eficaz, uma vida santificada, uma vida de virtude e, acima de tudo, uma vida capaz de dar um testemunho coerente do Senhor Jesus Cristo. As coisas antigas – a nossa velha natureza, os vícios, a carnalidade e a vida pecaminosa – são abandonadas, e passamos a viver uma nova identidade em Cristo Jesus. As coisas velhas passam, e as coisas novas passam a fazer parte da nossa vida, conduzindo-nos a uma permanente novidade de vida. 

Mas tudo isto não é obra do acaso. Não acontece por mérito nosso nem pelas nossas próprias forças. Como vemos no texto, tudo provém de Deus: "Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação" (2 Coríntios 5:18). Que grande afirmação encontramos aqui! Tudo isto provém de Deus. 

Nós somos agentes passivos nesta ação. Por isso, vemos que a salvação é de Deus. É um ato unilateral de Deus. Não parte do homem. É Deus quem chama o ser humano para a salvação. Mas, antes de tudo isso, vemos que Deus nos chamou e nos concedeu o ministério da reconciliação. Deus tomou a iniciativa. «Tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação» (2 Coríntios 5:18). Deus reconciliou-nos por intermédio de Jesus Cristo. 

Sabemos que, para haver reconciliação, tem de existir um problema. Ninguém precisa de se reconciliar com alguém com quem está plenamente reconciliado. Se uma pessoa está bem com o seu irmão ou com o seu amigo, não existem motivos para reconciliação. Só há reconciliação quando existe um problema. E, para haver um problema, existe um ofendido e um ofensor. Existe alguém que sofreu o dano e alguém que o provocou. É essa a razão pela qual é necessária a reconciliação. Mas por que razão isso aconteceu? Sabemos que a queda de Adão e Eva originou a inimizade. E essa inimizade permanece até aos nossos dias. 

O ser humano é um ser gregário. É verdade. Mas, ao mesmo tempo, também é um ser conflituoso. É por isso que existem conflitos em todas as dimensões da vida: no domínio familiar, nas amizades, no contexto profissional e até dentro da própria Igreja. As pessoas estão constantemente envolvidas em conflitos e problemas. Há uma máxima que diz: mais contacto, mais problemas; menos contacto, menos problemas. Somos seres gregários; juntamo-nos uns aos outros e, inevitavelmente, acabamos por nos magoar. Por vezes, de forma deliberada; outras vezes, de forma inconsciente. Mas acabamos frequentemente envolvidos em situações de conflito. E é também por essa razão que, humanamente, existe necessidade de reconciliação. 

O pecado cria problemas, intrigas, inveja, dano, dor, sofrimento e separação. As pessoas magoam-nos, e nós também magoamos outras pessoas. Há, portanto, inúmeras situações que exigem reconciliação. O problema existe entre todos nós, e ninguém pode afirmar que nunca magoou outra pessoa. Todos nós, de forma consciente ou inconsciente, sem excepção, já magoámos alguém. Do mesmo modo, todos nós já fomos magoados. Não há aqui ninguém que possa dizer que nunca foi prejudicado, ferido ou magoado por outra pessoa. 

Todos carregamos essas cicatrizes. Por vezes, alguns carregam cicatrizes mais profundas, que acabam por produzir consequências duradouras na sua vida, na sua autoestima e na forma como se afirmam perante os outros. Mas todos somos, de algum modo, afectados por essas situações de conflito que, em casos extremos, podem culminar em violência e até na morte. Esta realidade é uma das consequências do pecado original de Adão e Eva. 

A partir do momento em que ocorreu o pecado, surgiu a inimizade. Houve inimizade entre Deus e o ser humano, em consequência do pecado de Adão e Eva no princípio da criação, pecado que colocou toda a humanidade sob a condenação e a perspectiva da perdição eterna. E, para que a inimizade seja quebrada, torna-se necessária a reconciliação. Para que haja reconciliação, uma das partes tem de tomar a iniciativa. Alguém tem de dar o primeiro passo e procurar construir a paz. Por isso, o texto sagrado diz: "Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação" (2 Coríntios 5:18). 

A ofensa que cometemos contra Deus, através do pecado, da rebelião e da desobediência, colocou-nos numa situação de afastamento que jamais conseguiríamos reverter pelos nossos próprios meios, de modo a restabelecer a paz com Deus. Estávamos completamente afastados de Deus e destituídos da Sua glória. A nossa condenação era a morte, como afirma a Palavra de Deus: "O salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23). Mas, em contraste com esta realidade, a mesma Palavra declara: "O dom gratuito de Deus é a vida eterna" (Romanos 6:23). 

É precisamente com base nesse dom gratuito e na graça de Deus que Ele nos reconciliou consigo mesmo através do Senhor Jesus Cristo, mediante a morte expiatória de Cristo na cruz do Calvário. Deus reconciliou-nos consigo. Ou seja, perdoou-nos, estendeu-nos a mão e permitiu-nos voltar a fazer parte da Sua comunhão. Aleluia! 

É precisamente isso que acontece quando as pessoas se reconciliam. Quando estavam afastadas, voltam a estabelecer uma relação. Se não falavam, passam a falar. Se tinham cortado relações, voltam a reatar. Essa realidade aplica-se às relações pessoais, mas também às relações entre comunidades, sociedades e até entre países. É necessário haver reconciliação. E a reconciliação tem um dos seus pressupostos fundamentais: o perdão. Se uma pessoa não perdoa, não pode haver verdadeira reconciliação. Pode até aparentar que houve reconciliação, mas, quando surgir uma oportunidade, a pessoa poderá procurar vingar-se. Sabemos que existem pessoas que dizem: "Eu reconciliei-me com fulano", quando, na realidade, talvez estejam apenas a procurar ganhar a confiança da outra pessoa, aproveitar a sua vulnerabilidade e, posteriormente, destruí-la. 

Quando falamos de verdadeira reconciliação, porém, temos de falar de algo genuíno. E aquilo que Deus fez connosco foi genuíno. Deus perdoou-nos. Para além de nos perdoar aquilo que merecíamos – a morte –, porque Cristo morreu por nós na cruz do Calvário, Deus também nos conferiu o ministério da reconciliação. Ou seja, Deus reconciliou-nos consigo e concedeu-nos também um ministério de reconciliação. 

E o que envolve esse ministério, que faz parte da nossa nova identidade? Envolve apaziguamento, porque a reconciliação implica paz, concórdia e a criação de um ambiente saudável de relacionamento. O texto afirma: 

"Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação" (2 Coríntios 5:18). Esse ministério da reconciliação existe para que também possamos reconciliar-nos com os outros. Nós tínhamos uma dívida para com Cristo. Cristo perdoou-nos, e nós também devemos perdoar aqueles que têm alguma dívida para connosco. Mas este ministério da reconciliação não se refere apenas aos nossos problemas pessoais. É também o ministério do Evangelho que fomos chamados a partilhar com o mundo perdido, porque o Evangelho possui o poder de conferir uma nova identidade. E essa nova identidade traz consigo o poder da reconciliação. 

Depois, o autor sagrado afirma "que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação" (2 Coríntios 5:19). Vejam bem: Deus reconciliou-nos consigo. Não teve em consideração aquilo que nós merecíamos nem as nossas transgressões. Como já dissemos, para haver reconciliação tem de existir um ofendido e alguém que provocou a ofensa. Foi isso que aconteceu na nossa relação com Deus. Mas Deus não apenas deixou de imputar-nos as nossas ofensas: perdoou-nos e confiou-nos o ministério da reconciliação. 

Por isso, quando analisamos estes versículos, podemos identificar alguns pontos fundamentais. Em primeiro lugar, existe uma necessidade imperiosa de reconciliação entre o homem e Deus. Depois, o ministério da reconciliação tem a sua origem em Deus e passa de Deus para o homem. Mas a reconciliação é também uma experiência pessoal. Não é uma experiência que passe automaticamente de pai para filho, de filho para pai ou de cônjuge para cônjuge. É uma experiência pessoal. Cada pessoa tem de estar aberta a beneficiar dessa reconciliação e a manifestá-la através da sua nova identidade em Cristo. Este ministério estende-se, portanto, a todo o universo e aponta também para a eliminação da condenação. 

Mas o Apóstolo Paulo continua e, no versículo 20, apresenta uma afirmação extraordinária: 

"De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio" (2 Coríntios 5:20). Somos embaixadores de Cristo. Isto significa que a nova identidade que temos em Cristo Jesus nos confere um estatuto privilegiado. Não é um estatuto qualquer. É o estatuto de filhos de Deus. Não somos apenas perdoados; passamos também a ser filhos de Deus. E esse estatuto inclui o privilégio de sermos embaixadores do Senhor Jesus Cristo. Ora, ser embaixador é um grande privilégio. 

Muitas pessoas, ao longo da vida, sobretudo aquelas que fazem carreira diplomática, não conseguem chegar ao grau de embaixador, porque não é fácil alcançar essa posição. Uma pessoa pode passar vinte e cinco ou trinta anos na carreira diplomática sem necessariamente chegar a esse topo. Para entrar na carreira diplomática e percorrer os diferentes graus até alcançar a posição de embaixador, é necessário reunir diversas competências. As vagas são poucas e os candidatos são muitos. Esses candidatos precisam de ter conhecimentos sólidos sobre o país, a sua história, a sua realidade política e social, além de uma forte componente jurídica. É uma área multifacetada, que exige conhecimentos históricos, sociológicos, jurídicos e outras competências. 

Entrar na diplomacia, contudo, não constitui garantia de que alguém chegará a embaixador. Muitos diplomatas não alcançam esse grau. Também sabemos que o cargo de embaixador é um cargo de confiança. Há embaixadores que chegam a essa posição através da carreira diplomática, mas existem também pessoas que, não tendo feito toda a carreira, são nomeadas para desempenhar essa função. Porquê? Porque se trata de um cargo político e de confiança. Não se coloca qualquer pessoa nessa posição. Escolhe-se alguém que mereça inteira confiança e confia-se-lhe a representação do país num Estado estrangeiro. Ser embaixador constitui, portanto, uma grande honra. É um privilégio e um estatuto, porque essa pessoa passa a representar o seu próprio país. 

E nós somos chamados a ser embaixadores do Senhor Jesus Cristo. Esse embaixador de Cristo, como disse, possui um estatuto. Somos nós. Temos o ministério da reconciliação. E este ministério da reconciliação, em última instância, é o próprio Evangelho, porque fomos comissionados a anunciar a boa-nova da salvação (Mateus 28:16-20). 

Logo, o primeiro ponto que podemos observar é que o embaixador possui o ministério da reconciliação, como vemos no versículo 18 do capítulo 5 de 2 Coríntios. Deus não só reconciliou o mundo consigo mesmo, como também comissionou os Seus mensageiros para proclamarem as Boas-Novas da salvação. O embaixador tem, portanto, um ministério de reconciliação. 

Mas podemos também observar que um embaixador proclama a mensagem da reconciliação. O homem não tem poder, por si mesmo, para reconciliar-se com Deus. A reconciliação é efetuada pela morte de Cristo. E, a partir do momento em que somos embaixadores de Jesus Cristo, não estamos a fazer a nossa vontade, a apresentar as nossas convicções ou aquilo que nos apetece. Estamos em representação. Quem está em representação não está simplesmente a fazer aquilo que pensa ou aquilo que quer. Está a representar alguém. Logo, um embaixador do Senhor Jesus Cristo é alguém que proclama a mensagem da própria reconciliação. 

Mas sabemos também que um embaixador normalmente vive em terra estrangeira. Nós temos uma nova identidade. E, nessa nova identidade, a nossa pátria é celestial. Já não somos deste mundo. Somos peregrinos e estrangeiros neste mundo. A nossa pátria não é aqui. Se voltarmos aos versículos iniciais deste capítulo, veremos que o apóstolo Paulo utiliza a metáfora do tabernáculo. A nossa tenda terrena está a desfazer-se, e nós caminhamos em direção ao céu. Estamos a caminhar para a nossa pátria celestial, para a terra prometida para a qual estamos orientados. 

Logo, o embaixador vive em terra estrangeira. A partir do momento em que recebemos uma nova identidade, este mundo torna-se estranho para nós. Porquê? Porque os valores deste mundo não são os valores que devemos assumir. Temos nele a corrupção, a maldade, o pecado, a incredulidade, o secularismo, o materialismo e tantas outras realidades que entram em contradição com Deus. Nenhum Cristão pode fazer do mundo a sua referência última. A Bíblia Sagrada é clara nesse sentido: quem é amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tiago 4:4). Ninguém pode servir simultaneamente a Cristo e ao mundo (Mateus 6:24). 

Logo, somos estrangeiros neste mundo. Quando uma pessoa é estrangeira num determinado país, não está imediatamente integrada na cultura desse país. É precisamente por isso que se fala frequentemente da necessidade de integração dos imigrantes. Se uma pessoa não se integra na cultura e na sociedade do país onde vive, poderá enfrentar diversos problemas. Existem diferenças culturais e sociais que, se não forem bem conjugadas, podem desencadear conflitos. A atualidade política tem discutido amplamente esta questão: como devem os imigrantes integrar-se, de que forma devem participar na sociedade e como devem relacionar-se com os seus hábitos e costumes? Uma pessoa integra-se quando adota e aceita determinados hábitos e costumes da sociedade em que vive. 

Mas nós, enquanto filhos de Deus, não somos chamados a integrar-nos neste mundo no sentido de adotarmos os seus decadentes valores. O Apóstolo Paulo, na Carta aos romanos, diz: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12:2). Ou seja, não somos chamados a conformar-nos com este corruptível mundo. Se nos conformarmos com este mundo, entraremos em contradição com a própria Palavra de Deus. 

Por isso, o embaixador do Senhor Jesus Cristo vive numa terra estrangeira, mas não está ali para conformar a mensagem do seu país aos valores daquela terra. Está ali para transmitir a mensagem do seu país. É assim que vemos os embaixadores acreditados nos diferentes países: eles representam os interesses do Estado que os enviou. Da mesma forma, nós somos representantes do Reino de Deus. 

Mas há outra característica importante do embaixador: ele fala em nome do seu governo. Quando um embaixador fala, aquilo que transmite não é simplesmente a sua opinião pessoal. Ele transmite a posição do seu governo e representa a política do Estado que o enviou. Se deixar de seguir essa orientação, poderá sofrer consequências e até ser afastado das suas funções. 

Nós, como embaixadores do Senhor Jesus Cristo, também temos de falar em nome de Deus. Falar em nome de Deus significa entregar a mensagem, a Boa-Nova da salvação e o ministério da reconciliação tal como nos foram confiados. Não devemos acrescentar à Palavra de Deus aquilo que não está nela, mas também não devemos retirar aquilo que Deus revelou. 

No entanto, vemos que muitas pessoas procuram adaptar a Mensagem Cristã aos valores deste mundo. É por essa razão que, cada vez mais, encontramos correntes teológicas, biblistas, exegetas e intérpretes que procuram fazer interpretações da Bíblia à luz da evolução social e cultural contemporânea. O que significa essa interpretação? Significa que a Bíblia passa a ser interpretada à luz das transformações sociais que estão a ocorrer. E é por essa razão que algumas pessoas consideram, por exemplo, o divórcio como algo normal e natural, procurando apresentar diversos motivos que não estão claramente estabelecidos na Bíblia para o legitimar. 

Quando as pessoas procedem dessa forma, estão a adaptar a interpretação da mensagem bíblica às correntes do mundo. Poderíamos dar outros exemplos, mas a questão fundamental é esta: o embaixador não tem autoridade para alterar a mensagem que recebeu. A mensagem não pertence ao embaixador. A mensagem pertence ao seu governo. Da mesma forma, aquilo que nós anunciamos não deve ser simplesmente a nossa convicção pessoal. É a Palavra de Deus que fomos chamados a proclamar. 

Há ainda outro pormenor importante: o embaixador tem nas suas mãos a honra do seu país. Se um embaixador viver de forma desonesta ou corrupta, o que acontece? Envergonha o seu próprio país, porque é um reflexo desse país. Imagine-se um embaixador envolvido numa situação de flagrante violação da lei ou do Estado de direito. Esse indivíduo poderá ser considerado persona non grata. E ser declarado persona non grata significa que deixa de ser bem-vindo naquele país. Isso terá repercussões porque, através do seu comportamento, envergonhou o Estado que representava. 

Nós também somos assim. Qualquer crente no Senhor Jesus Cristo que não se comporte corretamente está, de certa forma, a envergonhar o Evangelho e o bom nome do Cristianismo. E isso torna-se ainda mais grave porque os filhos de Deus, aqueles que se identificam como Cristãos, podem criar obstáculos e escândalos que prejudicam o testemunho do Cristianismo no mundo. As pessoas observam a nossa vida. Se a nossa vida não as conduz ao Evangelho, pode, pelo contrário, afastá-las dele. Logo, o nosso testemunho é extremamente importante, sobretudo naquilo que fazemos. 

O embaixador tem de preservar a honra do seu país. Nós, como filhos de Deus, também temos de preservar a honra do Evangelho. Estou a utilizar estas ilustrações para nos ajudar a compreender estas realidades. Mas vemos também que o embaixador recebe mensagens solenes e urgentes. Quais são essas mensagens? O embaixador transmite a mensagem que recebeu. Ele fala em nome do seu governo e transmite a mensagem que lhe foi confiada. Ele não cria a mensagem. Ele transmite-a. O embaixador entrega a mensagem do rei com a autoridade do rei. Não fala como substituto do rei, mas em nome deste.Por isso, alterar a mensagem do Evangelho para agradar aos homens ou para obter lucro constitui uma grave infidelidade à Missão recebida. 

Muitos fazem isso, infelizmente. A exploração do Evangelho para benefício próprio, à semelhança do que faziam os falsos profetas, constitui um ato de rebelião contra Deus e contra a Sua Palavra. 

Mas vemos também que, pela natureza da sua missão, o embaixador vai para onde o seu país o envia. O embaixador não escolhe simplesmente para onde quer ir. Quando é convocado, tem de estar disponível. É uma pessoa que está ao serviço do seu país e pode ser chamada a desempenhar funções em lugares distantes. O mesmo acontece connosco, enquanto filhos de Deus. Temos o testemunho de muitas pessoas que deixam o seu país e partem em missão. Os missionários não fazem isso simplesmente porque lhes apetece ou porque consideram que fica bem. Fazem-no porque receberam um chamamento e porque desejam proclamar a Boa-Nova da salvação. O embaixador vai para onde o seu país o envia. Não determina livremente o lugar para onde quer ser enviado. Ele está ao serviço do seu país. 

Da mesma forma, o embaixador de Cristo é um servo da Missão e não alguém autónomo que dirige a sua própria agenda. A nossa agenda é a agenda do Reino de Deus. É a agenda do Senhor Jesus Cristo. 

Mas há outro ponto que gostaria de salientar: o embaixador não se naturaliza no país onde está acreditado. Um embaixador pode permanecer num país durante muitos anos, mas continua a representar o Estado que o enviou. Ele está naquele país como representante de outro Estado. A razão é simples: o embaixador está em representação dos interesses do seu país. 

Da mesma forma, nós, que somos embaixadores de Cristo, não podemos tornar-nos cidadãos deste mundo no sentido de adotarmos os seus valores como nossos valores fundamentais. Aliás, nós não somos deste mundo. Jesus disse, na Sua oração, que não era deste mundo e que os Seus discípulos também não eram deste mundo (João 17: 15-16). Se não somos deste mundo, os nossos valores também não podem ser os valores deste mundo. Não podemos simplesmente adaptar-nos ao mundo, muito menos suavizar ou modificar a mensagem para agradar a homens e mulheres. Não fomos chamados para fazer isso. O facto de não sermos deste mundo significa que defendemos interesses que não são determinados pelos valores deste mundo, mas que são compatíveis com a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

Por fim, vemos também que o embaixador possui uma mensagem solene e urgente: a proclamação da Boa-Nova da salvação. A mensagem que anunciamos é a maior, a mais importante, a mais vital e a mais urgente mensagem que um ser humano pode ouvir. É a mensagem da reconciliação. O Deus que reconciliou o mundo consigo mesmo através da morte do Seu Filho apela agora ao mundo, por intermédio dos Seus embaixadores, para que se reconcilie com ELE. 

É precisamente isso que significa a nova identidade que temos no Senhor Jesus Cristo. Esta nova identidade não nos concede apenas privilégios. O privilégio de sermos filhos de Deus significa que passamos a fazer parte do Reino de Deus, mas significa também que recebemos a responsabilidade de transmitir a mensagem da reconciliação. E esta mensagem de reconciliação é a Boa-Nova da salvação. É a mensagem do amor. É a mensagem do perdão. É a mensagem da justiça. É a mensagem da paz e do apaziguamento. É a mensagem da liberdade. É a mensagem da alegria. É isso que Deus espera de nós. 

É também este o desafio que quero deixar convosco: que possamos interiorizar estas verdades salvíficas nos nossos corações e procurar aplicá-las no nosso dia a dia, para glória e louvor do nosso Grande e Todo-Poderoso Deus. Que assim seja.

A Páscoa de Cristo à Luz da Teologia da Salvação


Celebra-se hoje a Páscoa, razão pela qual me sinto compelido, no bom sentido do termo, a partilhar convosco uma brevíssima reflexão sobre “A Páscoa de Cristo à Luz da Teologia da Salvação”, isto é, no processo de redenção da humanidade. 

Desde logo, importa dizer que o Senhor Jesus Cristo veio a este mundo e viveu verdadeiramente como homem, participando da nossa condição humana, embora sem pecado (2 Co 5:21). Porém, quando faltava pouco tempo para passar desta vida para a eternidade, o Senhor Jesus Cristo tomou a firme decisão de ir a Jerusalém (Lc 9:51). 

Não se tratava de uma decisão qualquer ou leviana, mas de uma resolução consciente, esclarecida e profundamente determinada, pois implicava a sua humilhação, sofrimento e morte. Ainda assim, o Senhor Jesus Cristo não desfaleceu no ânimo; antes, avançou firmemente para cumprir a vontade do Pai. Foi assim que o Senhor Jesus Cristo entrou triunfalmente em Jerusalém, enquanto a multidão lhe rendia o devido louvor, clamando:Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o Reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” (Mc 11:9-10). 

Passados poucos dias, porém, o Senhor Jesus Cristo confrontou-se com a dura realidade: foi preso, açoitado, humilhado e morto na cruz do Calvário (Lc 23:33). Contudo, ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos e manifestou-se com provas irrefutáveis, assinalando este grande marco da história do cristianismo (Mt 28:5-7). 

Por essa razão, este acontecimento central foi narrado nos quatro Evangelhos – Mateus, Marcos, Lucas e João. O apóstolo Paulo, de forma ainda mais aprofundada, desenvolve esta verdade em 1 Coríntios 15, salientando que, sem a ressurreição, vã seria a nossa fé; a fé cristã estaria desprovida de sentido, fundamento e esperança (1 Co 15:12-23). Mas nós sabemos e proclamamos que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. Ele é a esperança viva de todos aqueles que nele esperam (1 Co 15:20; Mc 16:6; Jo 11:25-26; Rm 10:9). 

É também importante traçar o paralelismo entre o Senhor Jesus Cristo e o homem caído, representado em Adão. O primeiro homem, Adão, desejou ser como Deus. Inflamou-se na soberba, no orgulho e na pretensão de igualdade com o Criador. Como consequência, foi humilhado: destituído da glória original da sua criação, expulso do Jardim do Éden e submetido à morte (Gn 3:16-23). Jesus Cristo, porém, sendo Deus, não se apegou egoisticamente aos privilégios da sua glória. Antes, como afirma a Escritura, “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2:7-8). 

Por isso, “Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl 2:9-11). 

Vemos aqui um profundo contraste entre Adão e Cristo. Adão quis exaltar-se e foi humilhado. Cristo humilhou-se voluntariamente e foi exaltado. Adão procurou elevar-se pela desobediência (Gn 3:5-6; Cristo foi elevado pela obediência perfeita (Gn 3:5-6). Adão trouxe condenação e morte (Rm 3:23; 5:12-15); Cristo trouxe justificação e vida eterna (Gl 2:16; Rm 5:1-2). 

Eis uma grande lição para nós: o caminho para o verdadeiro crescimento espiritual e para a comunhão com Deus não passa pelo orgulho, pela arrogância ou pela exaltação pessoal. Pelo contrário, passa pela humildade. Como o próprio Senhor ensinou: “Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Lc 14:11; Mt 23:12). 

Jesus Cristo foi exaltado acima de todos os nomes, e toda a humanidade – os que já partiram, os que vivem hoje e os que ainda hão de vir – reconhecerá um dia o seu senhorio (Fl 2:11). Uns para salvação e vida eterna (Mt 25:32-34; Ap 7:14); outros para juízo, por terem rejeitado a graça durante a sua peregrinação terrena (Mt 25:41). 

Todavia, apesar de todas as vicissitudes da paixão, o Senhor Jesus Cristo ressuscitou. Ele é a esperança e a certeza de todos os que nele confiam. Sem a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, a fé bíblica não teria fundamento. A ressurreição constitui o alicerce, a garantia e a esperança da nossa fé. Cristo é a esperança de todos aqueles que existiram, existem e existirão; dos que creram no passado, dos que hoje abraçam a fé e dos que no futuro ainda se renderão ao Evangelho. 

Mas tudo isto confronta-nos com um desafio: renunciar a nós mesmos, tomar a nossa cruz e seguir determinadamente Jesus Cristo todos os dias (Lc 9:23). Isto implica abandonar o ego, rejeitar os prazeres pecaminosos, a corrupção e a maldade deste mundo (1 Pd 2:1-2), para nos convertermos sinceramente a Deus. Só assim demonstramos que “nascemos de novo”, que somos filhos de Deus e que fomos transformados pela sua graça (Rm 12:1-2). Essa obra realiza-se em nós pela acção do Espírito Santo (1 Co 12:3; Rm 8:11; Ef 1:13-14; Tt 3:5), embora também exija da nossa parte uma disposição sincera para corresponder à mensagem salvífica da Boa Nova (Rm 10:8-11). 

Essa mensagem centra-se na encarnação, vida, morte e ressurreição gloriosa do Senhor Jesus Cristo. Sabemos que Jesus Cristo morreu e ressuscitou ao terceiro dia (Mt 28:6). A morte não teve domínio sobre Ele (At 2:24). Aquele que durante o seu ministério ressuscitou mortos (Mc 5:35-43; Jo 11:1-45), também ressuscitou pelo poder de Deus, vencendo definitivamente a morte (Rm 6:9; Hb 2:14-15). Por outras palavras, tal como escreve o Apóstolo Paulo, o Senhor Jesus Cristo “não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” (2Tm 1:10). 

Por isso, somos chamados a confiar nesta mensagem salvífica, a entregar o coração ao Senhor Jesus Cristo e a permitir que a verdade da ressurreição transforme a nossa vida. Somos igualmente chamados a anunciá-la àqueles que estão ao nosso redor (Mt 28:18-20). 

Que Deus nos abençoe, que Deus nos ajude a interiorizar estas verdades e, acima de tudo, a vivê-las diariamente. 

Jesus Cristo ressuscitou. Ele é a certeza e a esperança da nossa fé. Aleluia! Aleluia! Aleluia! 

A Alegria do Dia do SENHOR

O domingo, o dia do SENHOR, é um grande dia da salvação. É também um dia do testemunho Cristão e de proclamação da mensagem salvífica do Senhor Jesus Cristo. O domingo é sagrado e deve ser livremente respeitado e guardado com amor por todos os filhos de DEUS. Nenhum autêntico Cristão jamais prescindirá este importante dia na sua vida e, muito menos, negligenciá-lo na sua agenda eclesiástica. O domingo deve ser vivido e celebrado com bastante alegria no coração na presença do nosso Magnífico e Bom DEUS. Nenhuma actividade secular pode ofuscar ou sobrepor-se ao sagrado Dia do SENHOR, excepto situações extremamente atendíveis e justificáveis à luz das Escrituras Sagradas. Todos os Cristãos devem, de forma consciente e obediente, na medida possível, estar na Igreja com os irmãos nesse dia da salvação para cultuar o nosso Todo-Poderoso DEUS, através do Senhor Jesus Cristo. 

Num mundo, cada vez mais secular e ímpio, em que tudo que é Divino é completamente negligenciado, ridicularizado e liminarmente rejeitado por causa do ateísmo, do egocentrismo, do sincretismo, do materialismo, do hedonismo e na busca insaciável pela vida de boémia e de auto-satisfação, impõe-se a todos os eleitos filhos de DEUS a reafirmarem, com força e vigor, o seu inabalável compromisso com a Causa Evangélico-Missionária, dando assim um poderoso testemunho do Evangelho do Senhor Jesus Cristo para o mundo perdido. Devemos, tal como a Palavra de DEUS nos exorta, ser o sal da terra e luz do mundo, com vista a resplandecer a nossa luz diante dos homens, para que vejam as nossas boas obras e glorifiquem a nosso Pai, que está nos céus (Mt 5:13-16). 

O domingo, o primeiro dia da semana, é o dia especialmente consagrado para os Cristãos. É um dia de descanso dos afazeres seculares para, desta forma, dedicar exclusivamente os assuntos do Reino de DEUS. É um dia a ser santificado por todo o Cristão com uma caridade operosa, disponibilizando-se para estar na Igreja e servir de acordo com os nossos dons e talentos. Também este dia dominical deve ser canalizado para o repouso, o silêncio, a meditação, o estudo, a oração e o ministério da hospitalidade e visitação, que enriquecem e favorecem o crescimento da vida espiritual. Os fiéis devem distinguir-se, também neste dia, sustenta a Igreja Católica Romana na sua Doutrina Social da Igreja, “pela sua moderação, evitando todos os excessos e as violências que não raro caracterizam as diversões de massas. O dia do Senhor deve ser sempre vivido como o dia da libertação, que faz participar da assembleia festiva dos primogénitos que estão inscritos nos céus” (Heb 12, 22-23) e antecipa a celebração da Páscoa definitiva na glória do céu”. 

Estive hoje, com imensa alegria no coração, tal como de costume, na minha Igreja, a cultuar ao nosso Omnipresente DEUS com os meus irmãos na Fé. Primeiro, na Escola Bíblica Dominical (EBD) e depois no Culto de Adoração ao Altíssimo DEUS. Foi um culto onde foi celebrada a Ceia do SENHOR – uma das ordenanças mais importantes do Cristianismo.  Realmente, foi um tempo agradável e de edificação na presença gloriosa do nosso Bom DEUS. Que assim seja. 

Uma Guerra Pode Ser Considerada Justa à Luz do Cristianismo?

Depois de atermo-nos no artigo anterior a debruçar sobre se uma guerra pode ser ou não justa, de acordo com as disposições do Direito Internacional Público (LER), vamos procurar também aqui analisar se, realmente, o conceito da guerra justa tem ou não algum acolhimento bíblico para depois dar no final a nossa humilde opinião. 

Desde logo, como devotos, convictos e fiéis Cristãos Evangélico que somos, dizer que a generalidade dos destacados teólogos Cristãos defende manifestamente o conceito da guerra justa, seguindo a mesma esteira do pensamento de Santo Agostinho, embora vincando algumas atenuantes bastantes consideráveis. Por outras palavras, advogam estes ilustres teólogos, “a guerra deve ser declarada só quando é necessário, e para reduzir a injustiça; e para que através dela Deus possa livrar os homens da necessidade e preservá-los em paz”. Mesmo na guerra, sustentam ainda, “o espírito do pacificador deve ser estimado (…) a sua conduta deve ser justa – manter a fé com o inimigo, cumprir promessas, evitar a violência desnecessária, o espólio, o massacre, a vingança, as atrocidades e as represálias”. 

Esta concepção foi amplamente defendida e difundida por Santo Tomas de Aquino, arrastando posteriormente os grandes Reformadores Protestantes, especialmente Martinho Lutero, João Calvino. O Anabaptista Menno Simões, um dos importantes teólogos protestantes, foi o único que se distanciou radicalmente deste entendimento, defendendo uma posição do pacifismo, ou seja, contra a guerra. Menno Simões, formulando a sua oposição a guerra, baseou-se no facto de “o cristão ser seguidor do Príncipe da Paz, tendo recebido a ordem expressa de amar os seus inimigos e fazer bem aos perseguidores, dando a outra face a quem lhe bater” para rejeitar categoricamente a possibilidade de um Cristão participar na guerra, ou mesmo defendê-la. Importa ainda salientar que este pacifismo foi posteriormente adoptado pelo Pastor Baptista e Activista Político americano, Martin Luther King Jr., na sua grande luta pelos direitos iguais entre os negros e os brancos nos Estados Unidos da América (EUA). 

Feito este brevíssimo enquadramento geral, cabe dizer que nada nos surpreendem quando vemos pessoas não crentes ou não Cristãs no Senhor Jesus Cristo a defenderem ideologicamente a legitimidade da guerra ou “guerra justa”. É natural que eles tenham esse entendimento de “ajustes de contas” e de “vingança” para com o inimigo, visto que não têm o temor de DEUS nos seus corações, diferentemente dos Cristãos. Somos inteiramente contra a guerra e também contra a denominada “guerra justa”, independentemente da sua justificação legal, política, moral, ética e económica. Por mais chocante que possa ser uma situação, como tem acontecido inúmeras vezes, de vermos pessoas inocentes a serem maltratadas, mortas de forma bruta e injusta, precisamos sempre de consciencializar que o nosso Eterno DEUS está sempre no controle da situação e que no devido tempo ELE manifestará o Seu soberano poder para repor a Justiça e punir os malfeitores. 

Nada, mais nada do que é feito neste maldito mundo, transcende o domínio efectivo DEUS ou, porventura, que ELE não saiba. Devemos procurar sempre aplacar os nossos ímpetos de vingança e esperar pacientemente em DEUS. O papel que nos cabe, como seus filhos, é, simplesmente, o de dobrar os nossos joelhos em oração, intercedendo incessantemente a favor destes flagelos e tragedias humanas, pedindo a ajuda Divina e intervenção para a sua eficaz resolução. Jamais esperançando que a guerra é solução ideal dos problemas. Não é com a guerra que se faz a Paz, tal como o mundo apregoa, mas sim com o espírito do diálogo e da paz, procurando humildemente alcançar os consensos das partes beligerantes. Só assim poderemos fazer pontes viáveis e exequíveis e construir solidamente o caminho da tão ambicionada Paz entre os seres humanos, os povos e os países em geral. 

Perante tudo que ficou exposto, sem qualquer tipo de hesitação, consideramos extremamente desprovido do fundamento bíblico a tese dos grandes teólogos que supra mencionamos e de tantos outros Cristãos que, ao longo dos tempos, e ainda hoje, continuam a defender convictamente a legitimidade da “guerra justa” – como sendo solução para os reais problemas que afectam a Humanidade. Apropriando-nos das inspiradoras palavras do Teólogo Menno Simões, perguntamos a estes nossos irmãos na fé: “digam-me, como é que um cristão pode defender biblicamente a retaliação, a rebelião, a guerra, o golpear, o matar, o torturar, o roubar, o espoliar e o queimar cidades e vencer países? … Toda a rebelião é da carne e do diabo … Oh abençoado leitor, as nossas armas não são espadas nem lanças, mas a paciência, o silêncio e a esperança e a Palavra de Deus”. 

Consideramos que qualquer tipo de guerra está sempre subjacente as forças do mal. A guerra, seja justa ou não, é do diabo e dos seus agentes no mundo inteiro. A guerra é uma coisa bruta, sangrenta, horrorosa e macabra. Ela é inequivocamente maléfica, injusta, trágica e diabólica. Com a guerra morrem inúmeras pessoas, principalmente pessoas inocentes. Morrem as criancinhas indefesas, juniores, adolescentes, jovens e adultos. Morrem pessoas doentes, morrem pessoas incapacitadas, morrem os pobres e os ricos, bem como morrem os fracos e os poderosos, morrem as mulheres, morrem as grávidas, morrem os idosos, morrem os homens, morrem, acima de tudo, os seres humanos. Morrem os sonhos e triunfa o ódio, a vingança, as bombas, a destruição, a matança, a carnificina, os horrores, a maldade e a malignidade. As forças do mal conseguem com a guerra abafar transitoriamente as forças do bem. Nós, os Cristãos, somos os discípulos do “Príncipe da Paz”, o Senhor Jesus Cristo, e devemos seguir sempre o Seu Evangelho da Paz, que é viver holisticamente na paz, promover a paz, defender a paz, transmitir os ideais da paz, estar em paz com tudo e todos à nossa volta. 

A paz do Senhor Jesus Cristo habilita-nos a reconciliar primeiramente com DEUS, connosco, com os nossos semelhantes e com tudo à nossa volta. Não é uma paz débil, podre, momentânea ou de fachada e, tão pouco, delimitada no curso do tempo. Ela é efectiva e eterna na vida de todos os homens e mulheres de “boa vontade”. Ela tem o poder para sarar as feridas, transformar o carácter, libertar dos corrosivos vícios e salvar do pecado. É a Paz de DEUS que excede qualquer tipo de arbítrio ou entendimento humano (2 Co 5:17-18, Lc2:14, Fp 4:7). 

Com a vinda do Senhor Jesus ao mundo, a palavra paz passou a ganhar o mais elevado significado teológico e teleológico. A começar, desde logo, com o jubiloso anúncio da grande multidão de milícia celestial que entoava alegremente: “glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem”. E, ainda, nos momentos precedentes, a ascensão do Senhor Jesus aos céus, Ele encorajou os seus discípulos com as afectuosas palavras de determinação e perseverança: “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”. A paz que, em última instância, sem dúvida, traduz a presença constante do Espírito Santo na vida daqueles que verdadeiramente “nasceram de novo”. Estas inequívocas verdades salvíficas estão também contempladas no Evangelho Lc 2:13-14 e Jo 14:27. 

Tanto a encarnação do Senhor Jesus como a Sua glorificação enceraram com a palavra paz. Por isso, o Senhor Jesus Cristo proclamou incessantemente a paz, durante todo o Seu ministério terreno, sem fazer excepção de pessoas, confirmando assim pelo Seu impoluto testemunho de vida ser o “Príncipe da Paz”. Ele não presenteou os pobres pastores com nada que não fosse a paz, emanada pelos anjos e personificada na Sua humilde manjedoura. Da mesma sorte, o único legado que ELE deixou aos seus discípulos, aquando da Sua assunção aos céus, foi a mesma paz de DEUS. É uma paz que consegue na perfeição preencher plenamente todo o vazio do ser humano e, concomitantemente, despertá-lo para os sublimes Princípios e Valores da vida consagrada e de entrega incondicional ao Senhor Jesus Cristo. Cristo, sustentava o Apóstolo Paulo, para reforçar esta manifesta verdade salvadora, “é de facto a nossa paz”. O Senhor Jesus, reafirmamos pela fé e de forma convicta, é realmente a nossa Paz (Ef 2:14 a17 e Is 9:6). 

O nosso mundo está bastante descrente, corrompido, desnorteado, conflituoso e na deriva espiritual sem precedentes, porque teima em declinar a maravilhosa paz do Senhor Jesus (Is 55:1-13), preferindo refugiar-se nas efémeras ilusões que não proporcionam uma vida bem-sucedida, realizada e feliz. A Paz de DEUS está visceralmente ligada à harmonia, ao amor, ao perdão, ao gozo, à bondade, à esperança e à herança da vida eterna. Ela é a manifestação visível do fruto do Espírito na vida dos eleitos filhos de DEUS e infalíveis garantias das bem-aventuranças eternas (Is 55:1a13, Gl 5:22 e Mt 5:1a12). 

Por isso, para terminar, sigamos vivamente o nobre exemplo do Senhor Jesus Cristo, que é o “Príncipe da Paz”. Rejeitemos firmemente todo e qualquer tipo de engano, descrença, mundanismo, pecado, guerras ou conflitos, porque são de trevas e do diabo. Nós, os Cristãos, somos filhos de DEUS para andarmos na luz e na paz. Somos salvos pelo Senhor Jesus Cristo, através da acção do Espírito Santo em nós, para encarnarmos plenamente a paz, viver em paz, proclamar a mensagem da paz, defender afincadamente a paz para a glória e honra do nosso Todo-Poderoso DEUS. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no nome Bendito do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém, Amém e Amém! 

Os Pressupostos Teológicos da Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo


Partilho aqui este excerto da minha pregação sobre “Saber Discernir o Tempo em Que Vivemos” (Mateus 24:1-14). Procurei abordar os pressupostos teológico-doutrinários da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, nomeadamente no que toca à manifestação da Graça de DEUS pelos eleitos para a salvação; a pregação do Evangelho para todas as nações; a grande tribulação; apostasia dos últimos dias; a depravação moral; o surgimento da figura do anti-Cristo; a proliferação de guerras em todas as dimensões, etc. 

Tenha um proveito na visualização e auscultação do vídeo. 

Os Últimos Momentos de Vida do Senhor Jesus Cristo


Partilho aqui este excerto do estudo que dei num passado recente na minha Igreja sobre a crucificação e morte do Senhor Jesus Cristo. O Filho de DEUS foi rejeitado pelo mundo, preso, humilhado, açoitado e morto na Cruz do Calvário, mas ao terceiro dia ressuscitou dos mortos apresentando-Se com provas irrefutáveis, rompendo assim todas as barreiras de inimizades que outrora existiam entre DEUS e os seres humanos. Sem a morte do Senhor Jesus Cristo não teríamos a reconciliação com DEUS e, muito menos, a salvação. Graças a morte e ressurreição gloriosa do Senhor Jesus Cristo que passamos a ser chamados filhos de DEUS.

A Mulher Adúltera e a Sua Absolvição pelo Senhor Jesus Cristo


Partilho aqui a pregação que fiz no domingo passado na minha Igreja intitulada “A Mulher Adúltera e a sua Absolvição pelo Senhor Jesus Cristo (João 8:1-11 – LER).  Esta mulher traiu deliberadamente o seu marido na Festa dos Tabernáculos dos judeus que, contra todas as evidencias humano-sociais, achou graça, amor e perdão por parte do Senhor Jesus Cristo (v 11). Ela acumulava simultaneamente várias infracções no seu acto pecaminoso, fazendo com que merecesse a pena de morte, tal como preceituava a Lei de Moisés. 

Mesmo assim, o amor venceu o legalismo hipócrita, a misericórdia a religiosidade, a verdade a mentira, a vida a morte. O Senhor Jesus conferiu um novo estatuto a esta pobre mulher, restaurando-lhe completamente a dignidade, como faz com todos aqueles que beneficiam da Sua graça salvífica. O Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para justificar e salvar os miseráveis pecadores. Aleluia! 

A Paz Perpétua do Reino do Messias Salvador


Partilho aqui convosco, para terminar um longo e grande dia de celebração natalícia, este curto vídeo que gravei no ano passado sobre “A Paz Perpétua do Reino do Messias Salvador” (LER). Tenham um bom proveito na sua visualização e auscultação. 

Um feliz e abençoado Natal na Paz do Senhor Jesus Cristo. DEUS vos abençoe e vos guarde na Sua Graça e Paz.  

A Incompatibilidade da Teologia do Novo Testamento Com a Guerra


Nesta terceira parte do meu podcast refutei, com os argumentos bíblicos, todos aqueles Cristãos que manifestamente defende(ra)m o conceito da guerra justa. A Teologia do Novo Testamento é toda ela pacífica e contra qualquer tipo do uso de força para impor a verdade, a justiça, a paz e a vontade de DEUS no mundo. 

Tanto que, por esta razão, o Senhor Jesus Cisto rejeitou liminarmente a visão zelota sobre o Reino de DEUS, encarnando exclusivamente a mensagem da paz. Por outras, o Senhor Jesus deu a primazia a paz e esta passou a ganhar o mais elevado significado teológico. A começar, desde logo, com o Seu nascimento, ministério, morte, ressurreição e ascensão aos céus. A Paz do Senhor, que é o Espírito Santo de DEUS, foi o único legado que o Senhor Jesus Cristo nos deixou, a Sua Igreja, razão pela somos chamados para viver em paz, proclamar a mensagem da paz, defender afincadamente a paz para a glória e honra do nosso Eterno e Todo-Poderoso DEUS. Que assim seja. E assim sempre será. 

A Precariedade da Vida Humana


A vida é precária em todas as suas dimensões humano-antropológicas. Tão precária que ela é que hoje estamos aqui e amanhã já não estamos. Estamos sempre a correr sérios riscos de vida a todos os níveis. Riscos que acautelamos e riscos que não conseguimos acautelar. Riscos previsíveis e riscos imprevisíveis. E, por fim, riscos visíveis e riscos invisíveis. Somos seres condicionados, vulneráveis, limitados, transitórios, mortais e finitos. A nossa vida é extremamente curta e passageira. Passa tão rápido que nos ultrapassa completamente. 

Por isso, somos meros peregrinos e forasteiros neste maldito mundo em que abundam desgraçadamente a miséria, a traição, a decepção, o ódio, a vingança, a guerra, a dor, o sofrimento e a morte. Viemos a este mundo para morrer, infelizmente (LER)Esta é a nossa pior tragédia. A tragédia das tragédias que herdámos do pecado original de Adão Eva. A nossa existência é manifestamente insignificante perante o tamanho desafio da morte que nos espera a todos, razão pela qual não nos serve de nada encarnar a soberba, a maldade e toda a sorte de desumanidade no nosso substrato identitário. É contraproducente incorporar tais malévolos vícios, tendo em conta a fugacidade da vida e a nossa finitude. O certo, e mais sensato e proveitoso, é reconhecermos a nossa inutilidade e cultivar diariamente a virtude do amor, tolerância, perdão, solidariedade e reconciliação com DEUS e com o próximo à nossa volta, preparando assim, da melhor forma possível, a nossa passagem para o além. 

A vida é realmente curta, madrasta e efémera. Tanto que, por esta razão, os autores sagrados convergiam unanimemente em adjectivar a vida de “sopro”, “neblina” e “sombra passageira”, confirmando deste modo a sua transitoriedade e finitude. O rei David, no seu famoso Salmo, considerava que “o homem é como um suspiro; a sua vida passa como uma sombra” (Sl 144:3). O servo Tiago questionava os seus leitores em tom exortativo, demonstrando-lhes a insignificância da natureza humana e a fragilidade da vida: “que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece” (Tg 4:14). Na mesma esteira do pensamento, o sábio Salomão escrevia que “nem do sábio nem do ignorante ficará recordação que dure para sempre. Com o passar dos tempos, tudo se esquece. Tanto morre o sábio como o ignorante. (…). Sim, tudo é ilusão. É correr atrás do vento!” (Ec 2:16-17). 

Não obstante esta grande verdade exposta, que todos nós conhecemos e sabemos, doem-me imensamente o coração das perdas de vidas que vamos reiteradamente assistindo e ouvindo. Perdas vindas de perto e de longe. Perdas repentinas dos nossos familiares, amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos e semelhantes nossos. Perdas que acontecem por causas naturais e acidentais, bem como perdas precipitadas pelas acções deliberadas do Homem. Perdas, sobretudo, provocadas pelas hediondas guerras que matam milhões de pessoas em todo o mundo e deixam rastos de destruição funestas e incalculáveis. 

Entristece-me profundamente a alma todas essas sistémicas e sistemáticas catástrofes, tragédias e desgraças sem fim à vista, a que vamos impotentemente presenciando, de perto e de longe, através das notícias que nos vão chegando. Tudo isto reforça ainda, cada vez mais, a minha descrença completa no ser humano e no mundo em geral. A minha inabalável fé e esperança estão unicamente firmados no Todo-Poderoso DEUS e no Seu Unigénito Filho Jesus Cristo, o meu eterno e Senhor e Salvador. 

A vida, em suma, é demasiado passageira e nós não somos absolutamente nada sem DEUS. Eis a grande e inequívoca verdade soteriológica, que precisamos interiorizar na nossa árdua e instantânea peregrinação neste “Vale de Lágrimas”, que tem impreterivelmente os dias contados pela mortalidade no curso do tempo.

Natal de Cristo: Contexto e Implicação Teológica para a Humanidade

Partilho aqui convosco este meu artigo no jornal Observador intitulado “Natal de Cristo: Contexto e Implicação Teológica para a Humanidade” (LER)

Faço votos que estejamos todos a ter um óptimo momento de confraternização, lembrando sempre da razão primária e última da encarnação do Filho de DEUS neste mundo, que é a nossa salvação. Que haja, por isso, da nossa parte, uma autêntica e inteira predisposição em aceitar fielmente no nosso coração o Senhor Jesus Cristo como o único Salvador nas nossas vidas. 

Um feliz Natal a todos na graça, paz e o amor do nosso Eterno DEUS. Que assim seja. 

Teologia de Natal e a Matança das Criancinhas


“Em Ramá se ouviu um grito,

choro amargo, imensa dor.

É Raquel a chorar os filhos;

e não quer ser consolada,

porque eles já não existem” (Mateus 2:18).  



O nascimento do Senhor Jesus Cristo e o Seu ministério terreno foram profundamente marcados por grandes e reiteradas conspirações por parte dos filhos da perdição, com a finalidade última de liquidá-Lo fisicamente e, deste modo, frustrar os salvíficos planos de DEUS para com a Humanidade. Apesar de todas estas orquestrações diabólicas bem montadas, o Todo-poderoso DEUS jamais perdeu o controle da história e o curso dos acontecimentos. As vãs tentativas contra o Filho Unigénito de DEUS acabaram meramente por cooperar para o cumprimento escrupuloso das profecias bíblicas a respeito do Messias outrora prometido. 

A passagem bíblica supramencionada é o reflexo manifesto de várias conspirações falhadas contra a vida do Senhor Jesus. O rei Herodes, de forma dissimulada e mentirosa, garantiu aos magos do oriente a sua falsa intenção de ir também adorar o infante Jesus, ordenando-lhes para se informarem “cuidadosamente acerca do menino e, quando o encontrarem, venham-me dizer para eu ir também adorá-lo” (Mt 2:8). Quando se apercebeu que os magos partiram para sua terra, sob a Divina orientação, depois de terem previamente adorado o Senhor Jesus, aumentou ainda mais a sua fúria “e mandou matar, em Belém e nos arredores, todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele tinha apurado pelas palavras dos sábios” (Mt 2.16). O objectivo do rei Herodes era exclusivamente matar o inofensivo menino Jesus. Este foi sempre o seu plano inicial quando soube do nascimento do novo Rei dos reis em Belém da Judeia. 

O rei Herodes, descrevia Hernandes Dias Lopes no seu comentário expositivo de Mateus, “era paranoico em relação ao poder. Foi um rei truculento, egoísta, assassino e tirano. Era a essência da crueldade e do terror. Governou com mão de ferro e esmagou impiedosamente todos aqueles que julgava serem uma ameaça ao seu governo. Assassinou seus rivais um após o outro. Foi esse rei cruel que quis eliminar o infante Jesus, mandando matar todas as crianças de Belém e arredores de 2 anos para baixo”[1]. Confirmando holisticamente este carácter tresloucado e perverso do rei Herodes, Joseph Ratzinger sustenta que este “no ano 7 a.C., justiçara os seus filhos Alexandre e Aristóbulo, porque sentia o seu poder ameaçado por eles. No ano 4 a. C., pelo mesmo motivo eliminara também o filho Antípatro. Herodes raciocinava apenas segundo as categorias do poder; a notícia de um pretendente ao trono, que ouvira dos magos, deve tê-lo alarmado. Tendo em conta o seu caráter, é claro que nenhum escrúpulo poderia detê-lo”[2]. 

O rei Herodes era um homem vil, implacável, prepotente, cruel e desumano, que não tinha nenhuma hesitação em matar os seus opositores, inclusive familiares, por causa do poder ou para obter o poder. O seu currículo estava completamente manchado por crimes horripilantes e de sangue. Mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo, julgando que conseguiria desta forma matar o menino Jesus. Felizmente, pela providência Divina, Maria e José haviam previamente fugido com Jesus para o Egipto. E, assim, escaparam da desgraça mortal promovida por Herodes em Belém e nas regiões circunvizinhas. 

Depois da mortandade das criancinhas em Belém, o Evangelista Mateus relata-nos o pranto generalizado que tomou conta das mães judias que perderam injustamente os seus filhos pelo maquiavélico decreto de Herodes, personificada na mulher de Jacob – Raquel. Narra o autor sagrado que “Em Ramá se ouviu um grito, /choro amargo, imensa dor. /É Raquel a chorar os filhos;/e não quer ser consolada,/porque eles já não existem” (Mt 2:18), citando assim o texto original de Jeremias 31:15, como o cumprimento da referida profecia do Antigo Testamento. Raquel, a mulher predilecta do patriarca Jacó, simbolicamente a mãe das tribos do Norte, chora amargamente pelo desaparecimento dos seus filhos, pois já não existiam mais. A mãe Raquel, comenta sobre o alcance teológico deste versículo a Bíblia de Estudo de Genebra, “representa todo o Israel em suas lágrimas, a partida de Cristo para o Egipto é como a partida dos filhos de Raquel, José e Benjamim para o Egipto (Gn 37.28; 43.15)”[3]. 

Este grande pranto da desolada mãe Raquel para com os seus filhos desaparecidos, Israel de DEUS, a nosso ver, pode igualmente ser enquadrado lato senso na destruição e conquista do reino do Norte pelos assírios em 722 a. C., bem como no penoso cativeiro babilónico profetizado por Jeremias (2 Rs 17:1-6; 18-9-15; 2 Rs 24:8-17; 25:1-21; 2 Cr 36:9-21).  O Evangelista Mateus interpreta este acontecimento no tempo de Jeremias, como uma profecia do clamor que se ouviu na matança das crianças em Belém. Tasker, citado por Hernandes Dias Lopes, formula que “quando a fina flor da população de Jerusalém foi deportada pelos babilónios, deve ter parecido que Deus tinha abandonado o seu povo; e Jeremias nessa notável passagem retratou Raquel lamentando a sorte desses exilados passando cambaleantes diante do túmulo dela em Ramá, a caminho de uma terra estranha”[4]. 

Raquel, que teve um processo de parto dificílimo e trágico a caminho de Efrata, tal como nos contam os relatos bíblicos, morreu depois ter dado à luz Benjamim. Raquel morreu e foi sepultada junto do caminho para Efrata, isto é, em Belém (Gn 35:16-20). O biblista Matthew Henry, colaborando com o título atribuído a Raquel de “mater dolorosa”, e justificando esta profecia bíblica com a letra e o espírito do Novo Testamento, comentava que “o sepulcro de Raquel estava junto a Belém (Gn 35:16-19). O coração de Raquel estava sobre os seus filhos, como estava sobre o seu filho naquele trabalho de parto que a levou à morte e a quem ela deu o nome de Benoni, que significa filho do meu sofrimento. Essas mães eram como Raquel, moravam perto do seu túmulo e muitas delas eram suas descendentes. Portanto, seus lamentos foram elegantemente representados no pranto de Raquel”[5]. 

O alcance teológico e teleológico desta passagem bíblica em apreço não pode ser dissociado – primeiramente – das verdades soteriológicas do cativeiro do Egipto e, posteriormente, assírio e babilónico. Todos estes cativeiros humilhantes que Israel de DEUS teve de enfrentar foram uma autêntica dor para as mães judias, simbolicamente representadas por Raquel, porque envolviam expropriação, exílio, escravatura e morte, razão pela qual choravam dolorosamente a desgraça dos seus filhos e não se deixavam consolar, “porque eles já não existiam mais”. Choravam desconsoladamente o desaparecimento dos seus filhos que foram brutalmente massacrados e assassinados. Não estão mais no mundo dos vivos. Uns, neste vasto leque de filhos, morreram barbaramente e outros foram levados pelas terras estranhas e distantes para serem escravos. 

Sabemos, no entanto, que estas duras realidades que Israel teve de enfrentar visava, em última instância, moldar o povo de DEUS para o caminho certo e para uma verdadeira adoração. Em todos estes cativeiros “Egipto”, o Eterno DEUS providenciou-lhe um salvador, enquanto ainda não tinha aparecido o maior e o único Salvador de todos: o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Mas, para isso, seguindo a narrativa de Mateus, era importante que o Messias fugisse momentaneamente para o Egipto “para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egipto chamei o meu Filho (Mt 2:15).” Assim, foi dada a resposta cabal da fuga de Maria, José e o menino Jesus para o Egipto. Além do cumprimento efectivo da profecia de Oseias 11:1 que encerra esta pertinente fuga, o Egipto também era a terra da escravidão para o povo de DEUS e, concomitantemente, da salvação. Um paradoxo, não é? O Todo-poderoso DEUS usou o patriarca Moisés para libertar o seu povo do cativeiro dos faraós egípcios, assim também usou poderosamente o Seu Filho Amado Jesus Cristo, com alcance ainda maior e perfeito, para salvar definitivamente o Seu povo da escravidão do pecado. 

Há, por este motivo, o paralelismo entre Moisés e o Senhor Jesus no processo da salvação do povo de DEUS. Assim como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, escreve o evangelista João para ilustrar esta grande e inequívoca verdade salvífica, “assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3:14-15). Hernandes Dias Lopes, citando Tasker que comenta o alcance teológico da profecia bíblica de Oseias 11:11, sustenta “que o Messias é a personificação do verdadeiro Israel antigo e também que ele era um segundo Moisés, maior que o primeiro. Sua suprema obra de salvação tinha como modelo o poderoso ato de salvação realizado por Deus por meio de Moisés em favor do povo escolhido. E, tal como Moisés foi chamado para ir ao Egito e libertar Israel, filho primogênito de Deus (Ex 4.22), da escravidão física, assim também Jesus foi chamado do Egito em sua infância, por meio da divina mensagem transmitida a José, para salvar a humanidade da escravidão do pecado”[6]. Joseph Aloisius Ratzinger, nesta mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de considerar que “a história de Israel recomeça do princípio e de modo novo com o regresso de Jesus do Egipto à Terra Santa. Certamente, o primeiro chamamento para se regressar do país da escravidão tinha falhado sob muitos aspetos. (…). Com a fuga para o Egipto e o seu regresso à Terra Prometida, Jesus opera o êxodo definitivo. Ele é verdadeiramente o Filho. Ele não sai de casa para se afastar do Pai; Ele volta a casa e conduz a casa. Ele está sempre a caminho para Deus e assim conduz da alienação à «pátria», àquilo que é essencial e próprio. Jesus, o verdadeiro Filho, saiu Ele mesmo, em sentido muito profundo, para o «exílio» a fim de nos trazer a todos da alienação para casa”[7]. 

Este regresso definitivo a casa do povo de DEUS concretizou-se com a morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Antevendo de longe esta realidade, o Profeta Jeremias, ainda na mesma profecia desoladora, consola de forma peremptória o povo com as seguintes palavras: “Não chores mais — diz o Senhor, e limpa as lágrimas dos teus olhos. Tudo o que fizeste terá a sua paga e os teus filhos regressarão da terra do inimigo. Há esperança para o teu futuro; os teus filhos voltarão para casa. Palavra do Senhor!” (Jr 31:16). Na tristeza do exílio babilónico, “uma nova vida se tornou possível para um Israel revivificado. Semelhantemente, a tristeza das mães privadas de seus filhos assassinados por Herodes estava destinada, na divina providência, a resultar em grande recompensa”, fundamenta Tasker[8]. Por outras palavras, as lágrimas desoladoras transformar-se-iam agora em alegria contagiante e permanente (Sl 126:1), através da milagrosa libertação do povo de DEUS. 

Diferentemente da profecia de Jeremias, que contém logo a seguir esta mensagem de esperança para os que foram torturados, mortos e espalhados com o cativeiro, em Mateus não foi descrita esta esperança.  Porquê?  Porque o Evangelista Mateus não tinha ainda dado a conhecer a ressurreição e glorificação do Senhor Jesus. O autor sagrado preocupou-se apenas, numa primeira fase, em evidenciar na sua abordagem o processo do nascimento do Messias, no cumprimento das profecias bíblicas e a mão poderosa de DEUS no curso dos acontecimentos. A resposta da esperança em Mateus só veria a luz do dia com a morte expiatória do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário e a Sua eterna glorificação – onde recebeu todo o poder no céu e na terra (Mt 28:18). Um entendimento previamente defendido por Joseph Ratzinger, que esclarece que “em Mateus, a palavra do profeta – a lamentação da mãe sem a resposta consoladora – é como um grito dirigido ao próprio Deus, um pedido da consolação não dada e ainda esperada: um grito ao qual realmente só o próprio Deus pode responder, já que a única verdadeira consolação – que vai para além das simples palavras – seria a ressurreição. Só com a ressurreição seria superada a injustiça, revogada a palavra amarga «já não existem»”[9]. 

Sim, com a morte expiatória do Senhor Jesus Cristo e a Sua gloriosa ressurreição foram banidos todo o pecado: a escravidão, a dor, a lágrima e a morte para todos os eleitos filhos de DEUS. ELE poderosamente enxugou todas as lágrimas dos seus olhos e já não haverá mais morte nem luto nem pranto nem dor” (Ap 21:4). A nossa esperança e eterna salvação estão unicamente firmados nos méritos do Senhor Jesus Cristo. Por isso, nenhuma mãe jamais chorará o desaparecimento físico dos seus filhos ou algum ente querido. Não haverá mais sofrimento, desgraça, maldade e pecado. Tudo transformar-se-á em eterno gozo, louvor e adoração ao nosso DEUS Altíssimo para todo o sempre. Que assim seja. Vai ser sempre assim. E assim sempre será.

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[1] Hernandes Dias Lopes, in Comentário Expositivo de Mateus (Jesus, o Rei dos reis), Hagnos, São Paulo, 2019, p.62 e 63. 

[2] Joseph Ratzinger/Bento XVI, in Jesus de Nazaré [A Infância de Jesus], Principia, Cascais, 2012, p. 92. 

[3] Bíblia de Estudo de Genebra, in comentário bíblico de Mateus 2:18. 

[4] Hernandes Dias Lopes, in Comentário Expositivo de Mateus, p. 75 e 76. 

[5] Matthew Henry, in Comentário Bíblico do Novo Testamento (Mateus a João), Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro, 2008, p. 15 e 16. 

[6] Hernandes Dias Lopes, in Comentário Expositivo de Mateus, p.75. 

[7] Joseph Ratzinger/Bento XVI, in Jesus de Nazaré (A Infância de Jesus), p. 94. 

[8] Hernandes Dias Lopes, in Comentário Expositivo de Mateus, p. 76. 

[9] Joseph Ratzinger/Bento XVI, in Jesus de Nazaré, p. 95 e 96.