Uma das vantagens
assinaláveis que os círculos baptistas tradicionais têm em comparação com as
outras denominações evangélico-protestantes é a importância cimeira que damos
ao ensino minucioso da Palavra de DEUS, que advém da Reforma Protestante. E a
nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, neste aspecto, tem acolhido na
medida possível este relevante e determinante desiderato espiritual. O sucesso
Cristão passa inevitavelmente pelo conhecimento das Escrituras Sagradas. É um
pressuposto assente e indiscutível, razão pela qual a minha Igreja tem
investido consideravelmente nesta importantíssima área do ministério
eclesiástico, proporcionando pontuais acções de formação e gratuitidade da
Revista da Escola Bíblica Dominical da Convenção Baptista Portuguesa para todos
os seus respectivos membros.
No domingo passado,
depois de termos finalizado com bastante sucesso o estudo do livro de 1 e 2
Reis, iniciámos agora a nova revista com o estudo do Profeta Amós, Jonas, Oseias
e Miqueias.Por outras palavras, nos
próximos três meses, na classe de Jovens e Adultos, estaremos a estudar estes
“profetas menores”. Calhou-me dar esta primeira lição intitulada “Escuta Deus”,
baseada no texto de Amós 2:4-16. Foi um juízo de DEUS para com o seu povo
eleito, tendo em conta o desvio doutrinário e práticas deliberadas de inúmeros
pecados em que se deixou envolver, tal como fizeram os seus antepassados,
nomeadamente pecados contra os desprotegidos/pobres, a heresia doutrinária, a
idolatria, a promiscuidade sexual, profanando assim o Nome do Todo-Poderoso
DEUS.
Por isso, dizia o autor
sagrado sobre a sentença do Senhor sobre o povo transviado, “vos esmago como o
carro carregado de feixes esmaga a calçada. As pessoas velozes não hão de encontrar
refúgio, as fortes hão de perder a sua força, e os guerreiros não hão de poder
salvar as suas vidas. Os arqueiros não se poderão manter de pé, os corredores
velozes não hão de poder escapar e os cavaleiros não hão de poder fugir.
Naquele dia, até o mais valente dos heróis deixará as suas armas e há de
fugir.» Palavra do Senhor” (Amós 2:13-16).
A partir de
hoje deixou de vigorar o uso obrigatório de máscaras em Portugal. Nunca fui
apologista de obrigar coercivamente as pessoas a usarem a máscara. Elas devem
ser inteiramente livres de fazerem as opções que julgarem mais convenientes para
as suas vidas, sem qualquer tipo de paternalismos ou tutela estatal. As minhas profundas
reservas para com a não obrigatoriedade do uso da máscara não têm nada a ver
com a esfera secular, mas sim com a sua dimensão espiritual.
A máscara,
a todos os níveis, tem uma conotação bastante negativa do ponto de vista Cristão.
Ela é manifestamente incompatível com os Princípios e Valores do Cristianismo.
A Palavra de DEUS exorta-nos vivamente a afastarmo-nos do mal e também de toda a
aparência do mal (1 Tessalonicenses 5:22). Por isso, faz-me imensa confusão a
máscara ser, neste momento, o nosso importante “aliado” no sagrado culto que
prestamos a DEUS (pelos menos desde quando despoletou a maldita pandemia do
coronavírus). Vemos a promoção – até à exaustão – das máscaras nos nossos
púlpitos, bancos de igrejas e congregações em geral. Um desfile interminável de
máscaras: máscaras a serem usadas nas pregações, na Escola Bíblica Dominical, no
louvor e adoração, sob o falso pretexto de “protegermo-nos” uns aos outros e obedecer
aos ditames das autoridades, que decretam o seu uso obrigatório nos templos.
A Igreja
deveria ter feito finca-pé para não aceitar a máscara nas suas instalações,
reclamando com maior alcance a excepção que os restaurantes beneficiavam. Faz
algum sentido estar a pregar ou louvar a DEUS com máscara? Obviamente que não.
Toda esta trapalhada
e deriva eclesiástica deve-se ao facto de as lideranças das igrejas decidirem,
unilateralmente, sem base bíblica, fechar a Casa de DEUS, antes de ser
propriamente decretado o estado de emergência, condicionando posteriormente a
imposição do Estado na liberdade do culto dos crentes. Se as autoridades das igrejas
não tivessem inicialmente alinhado na agenda mundana do Estado este, em
circunstância alguma, ousaria obrigar à proibição das celebrações religiosas,
uma vez que não tem competência constitucional para fazê-lo. A propósito disso,
do fecho das igrejas, escrevia o ilustre Professor Catedrático Jorge Bacilar
Gouveia, que “não esteve bem a hierarquia católica, que foi mais drástica do
que o poder político, tomando e até antecipando uma proibição que nem o próprio
Estado teve a ousadia de aplicar com tanta severidade”.
E mais, a
declaração do estado de sítio ou do estado de emergência “em nenhum caso pode afectar
os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade
civil e à cidadania, a não retroatividade da lei criminal, o direito de defesa
dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião”, tal como preceitua a
Constituição da República Portuguesa (art.º 19.6). Mas, infelizmente, as
igrejas optaram erradamente por alinhar na onda do fecho generalizado e na
subserviência sem precedentes ao poder político em detrimento da Palavra de
DEUS e da saúde espiritual dos fiéis, distorcendo inclusive o alcance teológico
da passagem bíblica de Romanos 13:1-7 para justificar o injustificável, isto é,
o fecho das igrejas.
O dia da libertação das máscaras chegou finalmente hoje. Espero que não
seja momentaneamente um até já, mas sim uma libertação permanente. Espero
igualmente que o uso de máscara não seja mais obrigatório, mas sim facultativo,
para o bem de todos. Espero, por fim, que as máscaras abandonem definitivamente
os nossos púlpitos e portas das nossas igrejas para assim podermos proclamar e
louvar livremente o nosso Eterno DEUS, sem qualquer tipo de obstáculo, sufoco ou
impedimento.
Caros leitores,
partilho aqui convosco o vídeo que gravei intitulado “O Reino de DEUS Pode ou
Não Ser Tomado de Assalto Com Base na Afirmação do Senhor Jesus Cristo em
Mateus 11:12? Este vídeo vem na sequência do artigo anterior que publiquei
sobre a mesma questão teológica (LER), bem como da celebração do décimo quarto aniversário deste espaço – “As
Verdades” (LER). Tenham um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo.
“E, desde os dias
de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força
se apoderam dele.” (O Senhor Jesus Cristo, Evangelho segundo Mateus 11:12).
Temos, nos últimos sete anos, demorado
imenso a matutar e a digerir sobre o alcance teológico desta misteriosa
afirmação do Senhor Jesus Cristo. A nossa dúvida prendia-se, mais, especialmente,
com o seguinte questionamento: será que o Reino de DEUS pode mesmo ser tomado
de assalto, tal como fez transparecer o Senhor Jesus nessa Sua peremptória
afirmação? E de que maneira? São estas pertinentes questões que nos levaram a
vasculhar vários comentários bíblicos para nos tentarmos reconciliar
definitivamente com esta passagem bíblica, sem prejuízo obviamente daquele que
sempre foi o nosso convicto entendimento inicial sobre ela.
Confessamos que, por razões várias, os
inúmeros comentários que lemos ao longo deste tempo todo, até então, não nos
convenceram na sua generalidade. Muitos deles pareceram-nos abstratos e
colaterais do real cerne da questão. Por outras palavras, ficaram bastante
aquém. A título exemplificativo, por todos eles, excluindo nesta abordagem a
referência de teólogos e intérpretes bíblicos que também tivemos o cuidado de
ler, a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, com afinidades mais com a doutrina
Pentecostal, considera que existem três interpretações comuns para essa
afirmação do Senhor Jesus e passa a enumerá-las: “(1) Ele pode
referir-se ao esforço das pessoas para se aproximar de Deus, que havia começado
com a pregação de João Baptista. (2) Pode ter usado a expectativa dos
activistas judeus que de que o Reino de Deus chegaria por meio de uma violenta
derrota de Roma (que representa o mundo). (3) Pode estar dizendo que, para
entrar no Reino de Deus, é necessário ter coragem, fé inabalável, determinação
e resignação, porque a crescente oposição se manifesta a todos os seguidores de
Jesus”. Diferentemente dessas interpretações, a Bíblia de Estudo de
Genebra, da ala tradicional e conservadora do protestantismo, comentando o
mesmo trecho bíblico, considera que “o Reino está avançado
poderosamente, embora homens violentos como Herodes, que havia aprisionado João
Baptista, tentassem sobrepujá-lo pela força. Não são, porém, os fortes e
poderosos que alcançam o reino, mas os fracos e humildes (vs. 28:30), que
conhecem suas próprias fraquezas e estão dispostos a depender de Deus (cf. Lc
16:16, nota)”.
Há, como se pode constatar, vários
entendimentos e patentes divergências doutrinárias sobre esta afirmação do
Senhor Jesus Cristo. De forma subsumida, há os que entendem que aqueles que
tomam o Reino
de DEUS à força são agentes que foram convocados pela mensagem do Reino que se
iniciou com a pregação do Profeta João Baptista, razão pela qual corresponderam-na
imediatamente nas suas vidas e, deste modo, pela força, se apoderam dele. São,
com base neste entendimento, as pessoas que fariam parte do Reino de DEUS pela
soberana vontade de DEUS – e que o tomam de assalto, beneficiando assim da
salvação que foi reservada por elas antes da fundação do mundo. Diferentemente
desta leitura, outros entendem que os que usam de violência para conquistar o
Reino de DEUS são elementos estranhos a ele, procurando a todo o custo, com
força do maligno, tomá-lo de assalto e, consequentemente, obstruir a sua
vigorosa mensagem evangelístico-salvífica. Por isso, conseguiram concretizar
tal diabólico plano com a decapitação do Profeta João Baptista e,
posteriormente, com a horrenda morte do Senhor Jesus Cristo na Cruz do
Calvário. São, de acordo com este entendimento, pessoas que querem obstruir e
destruir definitivamente a mensagem do Evangelho, levando-os a humilhar,
perseguir e matar todos aqueles que são os verdadeiros filhos do Reino de DEUS.
Há ainda outras posições intermédias que, a nosso ver, julgamos inoportunas
reproduzir aqui, uma vez que os dois importantes entendimentos opostos esboçam na
íntegra a problemática teológico-doutrina de Mateus 11:12.
Antes de manifestar a nossa humilde opinião sobre esta
afirmação do Senhor Jesus, importa, desde logo, definir para os leitores o
Reino de DEUS para assim poderem estar holisticamente dentro do assunto. O Reino
de Deus, tal como formula inspiradamente a Declaração da Fé Baptista Portuguesa,
que também subscrevemos na íntegra, “inclui a sua soberania geral sobre o
universo e sobre todos os homens que espontânea e voluntariamente O reconhecem
como Rei e Senhor. Todos os crentes devem orar e esforçar-se para que o reino
de Deus venha em plenitude e a sua vontade seja feita sobre a Terra. A
consumação plena do seu reino aguarda a segunda vinda de Jesus Cristo e o fim
da era presente” (LER).
Posto isto, estamos agora em condições de responder
diretamente à pergunta do título do artigo: Sim, a nosso ver, o Reino de DEUS pode
ser tomado de assalto, aliás, é claramente isso que se pode depreender da
afirmação do Senhor Jesus na passagem bíblica em apreço. Até aqui nada de
surpreendente ou anormal, uma vez que a querela doutrinária não se prende com o
facto de o Reino de DEUS ser tomado de assalto, mas sim quem são os tais “violentos”
que o conquistam pela força. E isto remete-nos novamente para a exegese do
texto de Mateus 11:12 e o seu alcance teológico e teleológico, isto é, para
aferir com precisão quem são os ditos violentos que se apoderam do Reino de DEUS
pela violência – se são ou não agentes afectos ao próprio Reino.
Para responder a
esta última questão, julgamos que é imprescindível perceber se o verbo “tomado
por esforço” está na voz activa ou passiva, tal como desdobram vários
biblistas com o intuito de perceber da melhor forma o alcance da afirmação do
Senhor Jesus. Isto é amiúde determinante para concluirmos se o Reino de DEUS,
na passagem bíblica em questão, está sendo atacado num sentido positivo ou
negativo. As duas realidades são extremamente importantes para compreender o
alcance prático da afirmação do Senhor Jesus, insistimos. A referida passagem
bíblica, fazendo fé aos inúmeros comentários que lemos, é de difícil
compressão. Não está manifestamente claro se o verbo grego “tomado por
esforço” está na voz activa ou passiva. No entanto, tendo em consideração o
contexto e a afirmação do Senhor Jesus, não hesitamos em concluir que o verbo “tomado
por esforço” está na voz passiva, fazendo com que o Reino de DEUS seja
apoderado desfavoravelmente pelos“violentos” (LER).
Na nossa leitura,
respondendo agora directamente à pergunta em questão, as pessoas que fazem
violência ao Reino de DEUS, e pela força se apoderam dele, são elementos
estranhos a ele, que procuram pela força de Satanás controlar o Reino de DEUS.
Não são filhos de DEUS, mas sim filhos da perdição. Há dois factores que nos
levam a chegar esta conclusão. A primeira prende-se sobretudo com duas palavras
manifestamente pejorativas do ponto de vista bíblico, que encerram a frase do
Senhor Jesus no referido texto, nomeadamente a “força” e a “violência”
que os violentos usam para se apoderarem do Reino de DEUS. Nós sabemos, pela
revelação Divina, “não por força nem por violência, mas sim pelo meu
Espírito” que triunfaremos ou ganharemos a simpatia do Todo-Poderoso DEUS (Zacarias
4:6). E mais, a violência, seja ela qual for, é manifestamente censurada e
reprovada nas Escrituras Sagradas. Por isso, o Senhor Jesus rejeitou
liminarmente a visão zelota de empreender a força e a violência como meios
legítimos para fazer vincar a todo o custo a vontade de DEUS. Acresce ainda ao facto
de, considerando inversamente que os “violentos” que tomam de assalto o
Reino de DEUS são as pessoas que se esforçaram legitimamente para se beneficiar
da salvação, entrar flagrantemente com a doutrina da graça e da eleição que nos
ensinam manifestamente que a salvação é toda ela fruto do trabalho exclusivo do
nosso Omnisciente DEUS, excluindo qualquer tipo de colaboração humana nela (Efésios
2:8-10). Ninguém é salvo por alguma obra ou espontânea decisão sua, mas
tão-somente pela imerecida graça de DEUS. O Todo-Poderoso DEUS escolhe quem ELE
quer salvar e os salva. Se é assim, como é que é possível as pessoas, por
iniciativa delas, conquistarem por mérito o Reino de DEUS, tal como sustenta a
tese oposta?
A par dos
argumentos e contra-argumentos que acabamos de expor, há ainda um conjunto de
situações que apoiam a tese que estamos a defender. A começar, desde logo, com o
arbítrio aprisionamento e decapitação do Profeta João Baptista nos capítulos
subsequentes (Mateus 14:1-12, Marcos 6:14-29, Lucas 9-7-9), bem como o
próprio Senhor Jesus Cristo e a ininterrupta perseguição e martírio, sem
precedentes, que os filhos de DEUS têm sido objecto ao longo de toda a história
do Cristianismo persistindo até à data
presente, com vista a impedir a proclamação do Evangelho. E isto evidencia-se
tanto para os declarados inimigos da Fé e concomitantemente com os falsos
profetas e cristãos, que vêm a nós, os filhos de DEUS, disfarçadamente em
ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores (Mateus 7:15). Com efeito, “eles mataram o Senhor Jesus e os
profetas e perseguiram-nos também a nós. Eles não agradam a Deus e estão contra
toda a gente, pois querem impedir que preguemos a salvação aos não-judeus. Isto
acabou de encher completamente a medida dos seus pecados e por isso o castigo
de Deus caiu finalmente sobre eles”(1 Tessalonicenses 2:15-16). São
eles que tentaram tomar pela violência o Reino de DEUS e consequentemente
impedir a propagação da Boa Nova da Salvação. Esta inequívoca verdade vai
ganhando contornos e implicações esclarecedoras na parábola do “trigo e
joio”, tendo como pano de fundo o Reino de DEUS representado soberanamente
pelos seus filhos como “trigo” e os inimigos do Reino representados pelo
“joio”. O Omnisciente DEUS é o semeador, ou seja, responsável máximo do
Reino. Enquanto semeou a boa semente no seu campo fértil, isto é, no Reino,
veio também o inimigo do Todo-Poderoso DEUS, semeando o joio no meio do trigo e
foi-se embora. Quando as plantas cresceram
e se começaram a formar as espigas, diz o texto sagrado, apareceu também o
joio. No entanto, o Eterno Jeová recomendou que deixassem-nos crescer os dois
até ao tempo da ceifa. Nessa altura dirá aos ceifeiros: “apanhem primeiro o
joio e atem-no em feixes para ser queimado no fogo, mas recolham o trigo para o
meu celeiro” (Mateus 13:24-30). A mesma verdade, é ilustrada na parábola do
“Bom Pastor”, que encerra vários figurantes, nomeadamente a porta, o curral,
as ovelhas, o ladrão e salteador, o Bom Pastor das Ovelhas, o porteiro, o
mercenário (João 10:1-18). Há nesta parábola uma usurpação do ladrão e
salteador ao Reino de DEUS, coadjuvados neste premeditado assalto às ovelhinhas
do Senhor Jesus pelo assalariado, isto é, os falsos profetas, os falsos pastores
e falsos líderes Cristãos, com o intuito de “a roubar, a matar, e a
destruir” os filhos do Reino do Reino (João 10:10). O Senhor Jesus,
por conseguinte, é “o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o
lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.
Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu
sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”
(João 10:11-14). Esta passagem bíblica esboça muito bem como o Reino tem
sido atacado ferozmente e tomado de assalto pelos inimigos da Cruz, que se vai
traduzir com a manifestação visível do anticristo “que se revolta e se coloca
acima de tudo o que se considera divino ou sagrado. Chegará mesmo a tomar
assento no templo de Deus, apresentando-se a si mesmo como deus” (2 Tessalonicenses
2:4). Porém, tal como admoesta ainda as Escrituras Sagradas sobre esta diabólica
figura, “o rebelde há de manifestar-se a seu devido tempo. Com efeito, as
forças misteriosas do mal já estão em atividade. Mas para que tudo se realize é
preciso que aquele que está a impedi-lo saia da sua frente. 8Então aparecerá o
rebelde e o Senhor Jesus vai vencê-lo com o sopro da sua boca e dominá-lo com o
esplendor da sua vinda. O rebelde aparecerá com a força de Satanás e fará
falsos milagres, sinais e prodígios. Utilizará todas as artimanhas do mal para
enganar os que se vão perder, porque não acolheram nem amaram a verdade a fim
de serem salvos. Por isso, o Senhor permitiu que fossem dominados por uma força
enganadora que os leva a acreditarem na mentira. Assim se faz o julgamento
daqueles que não acreditam na verdade, mas preferem praticar o mal” (2 Tessalonicenses
2:6-12).
Estes inimigos da
Fé Cristã tomam pela violência o Reino de DEUS, tal como os fariseus e doutores
da lei se apoderavam da chave do conhecimento religioso, sentando na cadeira de
Moisés (Mateus 23:2), mesmo assim não tomando posse da vida eterna,
impedindo deliberadamente os que gostariam de o fazer (Lucas 11:52). Em
consequência disso, “fecham-lhes na cara a porta do reino dos céus” (Mateus
23:13). São pessoas sem escrúpulos e autênticos malfeitores. Aproveitam-se
das suas posições privilegiadas dentro das congregações para sedimentar e
propagar heresias destruidoras de vidas humanas. Com as suas acções vergonhosas
descredibilizam a imaculada imagem do Evangelho aos olhos do mundo. Esta mesma
verdade aplica-se até aos dias de hoje: de pessoas que estão nas igrejas aparentando
serem “nascidas de novo”, inclusive muitas delas com posições de relevo
na Igreja, porém são autênticos agentes de Satanás dentro das congregações. Não
fazem parte do Reino de DEUS, mas infiltrados que entram nele com o objectivo
de fracassar os planos Divinos. São pessoas que não querem que se fale da santificação,
da vida consagrada de oração, da denúncia do pecado, de Missões e
Evangelizações. Estão nas congregações para, a todo o custo, impor uma agenda
contrária aos impolutos Princípios e Valores das Escrituras Sagradas, vedando a
materialização do avanço do Cristianismo. São dissimuladamente anticristos, uma
vez que tentam fechar as portas das Igrejas, perseguindo os filhos de DEUS e
até, em casos extremos, ceifando-lhes a vida. Usam a Igreja como antro de
promiscuidade, convertendo-a em plataforma para auto-promoções, tráfico de
influências, conluios, rivalidades, represálias, desvios de fundos,
enriquecimentos ilícitos, imoralidade sexual, idolatria, sincretismo, liberalismo,
misticismo e corrupção. Os falsos pastores e falsos cristãos apresentam-se
disfarçados em ovelhas, mas por dentro não passam de patronos de fraude e lobos
devoradores (Mateus 7:15). Disseminam sorrateiramente falsas doutrinas
dentro das congregações, arrastando consigo os inúmeros discípulos, com o
intuito de destruir, em última instância, a Igreja de Cristo (Actos 20:
29-30). São pessoas de mentes corrompidas e que andam longe da verdade. Têm
a religião como um negócio e fonte de lucro, escrevia o Apóstolo Paulo a seu
respeito (1 Timóteo 6:5). O Santo Pedro, seguindo a mesma esteira do
pensamento, vai ao ponto de considerá-los “atrevidos e arrogantes. Encontram
prazer em satisfazer as suas paixões em pleno dia. Os seus olhares são imorais
e os seus apetites sensuais, insaciáveis. Seduzem as pessoas menos firmes e
estão cheios de cobiça. É uma gente amaldiçoada. Afastaram-se do bom caminho e
perderam-se” (2 Pedro 2:10; 13-14). Leitura igualmente reforçada por Judas,
servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, lamentando o comportamento deles em tom
reprovador “ai deles”, traçando o seu destino final como “reservada a
sombria escuridão, para sempre” (Judas 1:11; 13) (LER).
Se é verdade que
estes filhos da perdição, os “violentos”, que tomam pela força o Reino
de DEUS, procurando inutilmente frustrar os planos de DEUS, jamais conseguirão
vencer ao ponto de travar o galopante progresso do Evangelho no mundo. O Reino
de DEUS vai continuar permanentemente a expandir poderosamente em todos os
cantos e direções da face da Terra, contra a vontade destes declarados inimigos
da Fé Cristã. Eles usam a violência para tomar o Reino de DEUS, obviamente com
a permissão Divina, mesmo assim não conseguirão ter o controlo Dele. O Autor e Consumador
da nossa Fé, o Senhor Jesus Cristo (Hebreus 12:2), através do Espírito
Santo, não permitirá que eles tenham sucesso nos amados filhos de DEUS, visto
que somos de Deus e vencer-lhes-emos, os falsos profetas e falsos cristãos, porque
aquele que vive em nós é mais forte do que aquele que está nos que são do mundo
(1 João 4:4). Por isso, não tenhamos medo de nada, porque são mais os
que estão connosco do que os que estão com eles (2 Reis 6:16). O
Todo-Poderoso DEUS continua soberanamente a ter o efetivo e absoluto controle
no Seu Reino e a guiar pela mão poderosa os seus eleitos filhos no caminho da
fé, do amor, da graça, da bondade, da justiça, da humildade, do perdão, da
santificação, da Evangelização e Missões, da esperança e da vida eterna. A
constante oposição destes violentos, que assaltam pela força o Reino DEUS, em
circunstância alguma, obstruirão os planos salvíficos Divinos e, muito menos,
travarão a vitória garantida dos filhos de DEUS.Em todas estas coisas, “somos mais que
vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37). Os tais anticristos
serão, em tempo oportuno, definitivamente derrotados pelo poder de DEUS e,
simultaneamente, lançados para o fogo do inferno para sempre. Ao passo que a
Igreja do Senhor, os verdadeiros agentes do Reino de DEUS, vai sempre sair
vitoriosa em todas as ocasiões, contextos, circunstâncias e conjunturas, máxime
da letargia, dos escândalos, dos pecados, das traições, das perseguições, dos
falsos pastores, dos falsos líderes, dos falsos teólogos, dos falsos cristãos,
dos ímpios e destes violentos que assaltam pela força o Reino de DEUS. As
portas do inferno, em circunstância alguma, prevalecerão contra a Igreja de
Cristo (Mateus 16:18). A predeterminada visão gloriosa se cumprirá e a
Igreja Vitoriosa em paz repousará sobre as Bem-aventuranças Eternas. Que assim
seja. E assim sempre será (LER). Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Orar é uma marca
indelével na vida dos Cristãos. É uma das formas solenes e especiais que
dispomos para interagirmos com o nosso Pai Celestial. Somos chamados a orar sem
cessar (1 Ts 5:17), tendo em conta os grandes desafios que a vida espiritual
comporta a todos os níveis. Devemos orar com a postura adequada e com o temor
reverencial que se espera dos filhos do Todo-Poderoso DEUS, sobretudo de
joelhos. Orar de joelhos traduz, em última instância, a postura mais correcta
de se apresentar diante do nosso Magnífico DEUS. Também diz muito sobre o grau
da reverência que demonstramos para com ELE. É uma boa prática religiosa que já
vinha desde a mais antiga tradição judaica. Os profetas do Antigo Testamento
comummente oravam de joelhos. O Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigénito de DEUS,
subscreveu na íntegra este modelo de espiritualidade e orava de joelhos. Os
seus discípulos, da mesma sorte, oravam de joelhos, bem como a Igreja
primitiva.
No entanto,
por vicissitudes várias e supervenientes, orar de joelhos é uma boa prática que
a ala tradicional do protestantismo postergou na sua liturgia pública e privada.
Praticamente não se ensina na Escola Bíblica Dominical (EBD) e nos cultos
congregacionais, fazendo com que a generalidade dos fiéis não o coloque em
prática nas suas orações devocionais e espiritualidade em geral. Somente se
verifica esporadicamente nos cultos da ordenação pastoral e de casamento, tendo
em conta a imposição das mãos do presbitério perante os consagrados. Mesmo nos
círculos pentecostais ou neo-pentecostais, onde se costuma enfatizar
efusivamente o conceito de oração, acabam sempre por esvaziar este
importantíssimo pressuposto espiritual e ficar bastante aquém na postura mais correcta
que se deve seguir diante do SENHOR para orar.
Orar de
joelhos, tal como sustenta sabiamente Joseph Ratzinger,
“é a posição de oração que exprime a extrema submissão à vontade de Deus, o
abandono mais radical a Ele; uma posição que a liturgia ocidental prevê ainda
na Sexta-Feira Santa, na Profissão Monástica e também na Ordenação Diaconal e
nas Ordenações Presbiteral e Episcopal”. O Senhor Jesus ora de joelhos no Monte
das Oliveiras– momentos antes de enfrentar a dolorosa Cruz (Lc 22.41). Hernandes
Dias Lopes, na mesma esteira do pensamento, escreve que “o Deus eterno, criador
do universo, sustentador da vida está de joelhos, com o rosto em terra. O Rei
da glória está prostrado em humílima posição”. O Evangelista Mateus regista que o Senhor Jesus “prostrou-se sobre o seu rosto, orando” (Mt 26:39). Marcos
narra que ele “prostrou-se em Terra” (Mc 14:35). Lucas, diferentemente dos dois
evangelistas, descreve que o Senhor Jesus “pondo-se de joelhos, orava” (Lc
22:41). No chão duro, e sem qualquer tipo de suporte ou comodidade, o Senhor
Jesus orava de joelhos, renunciando assim qualquer tipo de conforto na Sua
intercessão.
A Bíblia Sagrada ensina-nos várias formas de oração e/ou postura a adoptar.
Com efeito, orar de joelhos ou deitar-se no chão para orar normalmente envolve
casos de grandes contradições, intensas lutas espirituais, perigos iminentes,
situações de ruptura e pedidos de urgência. Tanto que, por esta razão,
antevendo a Sua morte horas depois, o Senhor Jesus Cristo colocou-Se de joelhos
a orar, trançando assim uma bitola para os seus discípulos nos momentos
cruciais e determinantes da batalha espiritual. Tomando por base a posição de
oração, sustenta ainda Joseph Ratzinger, “insere esta luta nocturna de Jesus no
contexto da história da oração cristã: Estevão, durante a lapidação, dobra os
joelhos e reza. (cf. Act 7, 60); Pedro ajoelha-se antes de ressuscitar Tábita
da morte (cf. Act 9, 40); Paulo ajoelha-se quando se se despede dos anciãos de
Éfeso (cf. Act 20, 36), e outra vez quando os discípulos lhe dizem para não
subir a Jerusalém (cf. Act 21, 5). A propósito, diz A. Stoer: «Todos eles,
perante a morte, rezam de joelhos; o martírio não pode ser superado senão
através da oração. Jesus é o modelo dos mártires”(LER).
Perante a
verdade exposta, precisamos urgentemente de despertar e readoptar esta posição
de oração de forma regular nos nossos cultos público-congregacionais e, deste
modo, estimular os crentes a seguir o mesmo nas suas rotineiras orações em
casa. A Igreja deve servir de exemplo neste sentido. E para isso impõe-se
libertar humildemente de perniciosos comodismos, conformismos, complexidades, atrofiamentos,
resignações e marasmos obstrutivos, que em nada contribuem para o verdadeiro crescimento
e fortalecimento da nossa adoração. Que DEUS nos perdoe e nos ajude a superar
estes importantes desafios espirituais no nome Bendito de Jesus Cristo. Que
assim seja.
Um artigo
bastante esclarecedor do Constitucionalista e Professor Catedrático Jorge
Bacelar Gouveia sobre o estado de emergência (LER). Vai praticamente na mesma
linha do pensamento com o meu manifesto de repúdio sobre o fechamento das Igrejas (ALI) e (AQUI). As autoridades das Igrejas
decidiriam fechar de forma drástica a Casa de DEUS antes de ser decretada o
estado de emergência, com o mero perecer de polutos homens, condicionando
posteriormente a imposição das autoridades neste sentido. Uma decisão
precipitada, inédita, infeliz e sem precedentes na História do Cristianismo
(sinais dos tempos... Dias mesmo do fim!). Nem no estado de alerta, nem no
estado de emergência, nem no estado de sítio ou necessidade e nem em qualquer
outro tipo de “estado” a Igreja deve baixar a guarda ao ponto de fechar as suas
portas para reduzir arbitrariamente ao confinamento. E mais, a Igreja de Cristo
deve estar sempre preparada para resistir com fé qualquer tipo de leviatã,
inclusive estatal, que possa surgir para condicioná-la na sua actividade ou
actuação até às últimas consequências.
A outra
questão pertinente é a de saber se, de facto, um Cristão baptizado poderá deliberadamente
privar-se da Ceia do Senhor? Entendemos obviamente que
não. Jamais um crente poderá abdicar de comungar da Ceia do Senhor, uma vez que
é uma ordenança bíblica que transcende o seu livre-arbítrio. Uma ordenança é
uma ordem, mandado, lei e, portanto, revestido de força obrigatória geral. Não
está à disposição do particular, neste caso do Cristão, razão pela qual tem
imperiosamente de ser reverenciada e escrupulosamente cumprida. Ademais, ela
retrata a comunhão visível do crente com o Senhor Jesus e a sua Santa Igreja. E
todo o redimido no Senhor Jesus não está autorizado a furtar-se a tão sagrada
comunhão eclesiástica, mesmo que seja temporária. O vínculo
com DEUS é permanente e eterno.
No entanto, tendo em
atenção tais importantes observações, importa ainda salientar que o crente
também não pode tomar a Ceia de forma indigna, sob penade ser culpado do corpo e do sangue do
Senhor Jesus (1 Coríntios 11:27). Por outras palavras, o crente não pode
tomar a Ceia do Senhor em condições de pecado. Precisa esclarecidamente estar consciente
da sua condição espiritual, no sentido de não ter qualquer tipo de diferendo
com DEUS ou com o seu próximo, para assim poder comungar da Ceia[1].
Por isso, zelar diariamente pela nossa santidade é condição indispensável para
a vitória espiritual.Infelizmente, na
generalidade das situações, não é isso que acontece. Mesmo assim, não é
desculpa para não estar em devida comunhão com DEUS. Podemos sempre pedir-Lhe
perdão dos nossos pecados, bem como reconciliar-se oportunamente com Ele e com
o nosso próximo o mais rápido possível.Se for possível, quanto depender de nós, exortava inspiradamente o
Apóstolo Paulo, “tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18). Assim
sendo, nesta linha de orientação, de acordo ainda com a revelação da Palavra de
DEUS, “se trouxeres a tua oferta ao altar e te lembrares de que teu irmão
tem alguma coisa contra ti, deixa ali mesmo diante do altar a tua oferta, e
primeiro vai reconciliar-te com teu irmão, e depois volta e apresenta a tua
oferta” (Mateus 5:23-24). O mesmo critério se aplica no tocante a Ceia do
Senhor. Se tivermos algum pecado temos a total liberdade de confessá-lo a DEUS
e consequentemente tomar a Ceia, contando que a confissão seja realmente
genuína. Não há pecado que DEUS não perdoe, excepto a blasfémia contra o
Espírito Santo que não será perdoada aos homens, nem neste século nem no futuro
(Mateus 12:31-32). Cremos que um autêntico Cristão jamais cometeria este
pecado, tendo em conta a sua natureza abominável. O crente jamais poderá
abdicar de tomar a Ceia do Senhor, insistimos, da mesma forma não pode tomá-la
em condição de pecado. Por isso, como advertia o Apóstolo Paulo, “examine-se,
pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o
que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não
discernindo o corpo do Senhor”. Por causa disto, prosseguia ainda, “há
entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem” (1 Coríntios 11:28-30).
Esta é uma das consequências inevitáveis de tomar a Ceia do Senhor
indignamente, sem previamente examinar-se a verdadeira condição espiritual. Acreditamos,
da mesma sorte, que todos aqueles crentes que deliberadamente privam-se da Ceia
do Senhor incorre exactamente nas mesmas penalidades acabadas de se mencionar,
isto é, fraqueza espiritual, doença e, por fim, morte física, não obstante
continuarem a ser salvos e assegurados a promessa da vida eterna em Cristo Jesus.
A finalidade última de serem infringidos estas “penalidades” por Omnisciente
Jeová, segundo ainda o Apóstolo Paulo, é para não serem condenados com o mundo (1
Coríntios 11:32). A condenação do mundo é para a perdição eterna. Ao passo
que esta condenação dos Cristãos do versículo trinta e dois do capítulo onze de
primeira Coríntios visa meramente poupar os Cristãos infractores da Ceia do
Senhor a serem condenados com o mundo incrédulo.
É sempre conveniente
pedir sistematicamente perdão a DEUS, especialmente nos momentos antecedentes à
Ceia, e não se furtar dela, como alguns crentes fazem como “antídoto”.
Isto porque, como diziam alguns conceituados teólogos, o Diabo tem usado de
forma distorcida os versículos 28 até 30 do capítulo 11 de 1 Coríntios para
afastar os crentes da comunhão da Ceia. O objectivo das referidas passagens
bíblicas não é para os crentes ficarem assustados ou temorosos em não tomar a
Ceia do Senhor. Apenas servem para despertar ainda mais a nossa consciência e
permanente vigilância espiritual sobre o temor reverencial perante tão grandiosa
ordenança – de modo que a postura correcta do crente não é fugir da Ceia, mas
sim fugir do pecado e, deste modo, comungar da Ceia. O segredo é
sempre pedir perdão a DEUS e procurar ter uma vida espiritual regrada, comprometida,
santa e irrepreensível.
[1] Mais uma vez, chamamos a atenção
que este vídeo é bastante curto, tendo em conta a problemática doutrinária que
encerra no juízo do Cristão tomar ou não a Ceia do Senhor, razão pela qual,
para não induzir ninguém a cair no erro teológico, recomendamos também a
leitura na íntegra do artigo incorporado ao nosso vídeo para ficar mais bem
esclarecido.
Desde
logo, sem quaisquer tipos de reservas, entendemos que nenhum Cristão Baptizado
poderá abdicar de tomar a Ceia do Senhor, da mesma forma não pode tomá-la em
condição de pecado, sob pena de cair nas penalidades dos versículos 28 até 30
do capítulo 11 de 1Coríntios. Entendemos ainda que o crente tanto caí nestas
penalidades, tomando indevidamente a Ceia do Senhor, bem como recusando
deliberadamente comungar dela. A Ceia do Senhor é uma ordenança com força
obrigatória geral para todos os Cristãos “nascidos de novo”.
Depois
dos enquadramentos teológicos que fizemos sobre o alcance último da Ceia do
Senhor e o significado dos elementos contidos nela(LER), levanta-se agora a pertinente questão: Quem são as pessoas que poderão tomar
a Ceia do Senhor? Numa leitura descuidada à primeira vista esta pergunta poderá
parecer bastante facílima de responder e, até de alguma certa forma, inoportuna
de fazer, tendo em conta a convicção reiterada de obrigatoriedade que vigora
praticamente em todas as denominações Cristãs, que somente conferem o
privilégio de tomar a Ceia aos membros baptizados. E ainda em alguns círculos
Evangélico-protestantes aplica-se o conceito restrito da Ceia, isto é, só a dão
para os membros da mesma denominação e, em casos extremos, exclusivo apenas a
membros da referida Igreja. Essas observâncias, importa salientar, não têm
nenhum fundamento bíblico e constituem uma clara distorção do alcance teológico
da Ceia do Senhor. Não há nenhuma passagem bíblica que diz expressamente que
para tomar a Ceia é necessário de antemão ser baptizado e pertencer a uma
determinada denominação e/ou ser membro de uma igreja local[1].
O Senhor Jesus, na inauguração do mesmo sacramento, apenas celebrou-o com os
seus discípulos (Mateus 26:18; Marcos 14:14, Lucas 22.11) pelo que,
entendemos, que o crivo e o requisito indispensável para comungar dela é a
pessoa “nascer de novo”. E sabemos que, em casos excepcionais, pode-se
nascer de novo, sem corresponder momentaneamente o mandamento do baptismo por
imersão. É verdade que as duas realidades são concomitantemente intrínsecas,
indissociáveis e irrenunciáveis. Não se pode ser discípulo do Senhor Jesus, sem
almejar concomitantemente cumprir todas as suas ordenanças. Crer no Senhor
Jesus leva-nos indubitavelmente a querer dar também o testemunho público da
nossa profissão de fé. Não há ninguém que se converta genuinamente e jamais se
queira baptizar. Se tal, porventura, acontecer é porque não foi uma autêntica
conversão. Sabemos, contudo, que em determinadas situações, nem sempre tal
acontece por razões de várias ordens.
A começar, desde logo, pela burocracia de certas igrejas que
levam algum tempo a baptizar o recém-convertido, com o intuito de “atestar”
realmente a veracidade e firmeza da sua decisão, bem como alguma patente
ignorância por parte do próprio convertido que vai adiando o testemunho público
da sua conversão no Senhor Jesus, somando outros imprevisíveis entraves que vão
surgindo-lhe pelo caminho, adiando-lhe assim provisoriamente tão importante
decisão. E nestas circunstâncias excepcionais, parece-nos que não há qualquer
impedimento bíblico para o recém-convertido não comungar da Ceia, visto que ele
já faz parte pleno do corpo de Cristo – por ter sido baptizado no Espírito
Santo, tal como todos os santos e eleitos filhos de DEUS. Já passou pelo
processo da justificação, regeneração e percorre paulatinamente a santificação,
tendo como meta final a glorificação. A única diferença é que ainda não deu o
testemunho público da sua conversão, pelas razões supostamente supramencionadas
ou objectivamente cognoscíveis. Mas que vai acabar sempre por fazê-lo. E
durante este “compasso de espera” não faz qualquer tipo de sentido ele
não tomar a Ceia, como obstaculizam a generalidade das Igrejas (para não dizer
todas).
A
nosso ver, compreendemos muito bem o alcance prático dessa barreira
eclesiástica – de não conferir de imediato a Ceia a quem ainda não é baptizado
por imersão –, uma vez que a genuína conversão automaticamente impõe o baptismo
do arrependimento (Mateus 3:8; 11; Actos 26:2). Também, numa outra
perspectiva, é uma forma sábia de pressionar, no bom sentido do termo, o
recém-convertido a baptizar-se. Mesmo assim, sem prejuízo desta santa
preocupação, na nossa humilde opinião, ela não devia ser rigidamente inultrapassável.
As lideranças das igrejas deveriam procurar sempre aplicar a “justiça do
caso concreto” nessas situações para depois tomar uma decisão final, que se
coadune com a impoluta verdade bíblica. E não meramente negar a priori a
Ceia a quem ainda não for baptizado.
[1] Chamamos a atenção que este vídeo
é bastante curto, tendo em conta a complexidade da pergunta em apreço e o facto
da nossa posição ter ido em “contramão” daquilo que tem sido a prática
generalizada e reiterada dentro do Cristianismo, razão pela qual, para não
induzir ninguém a cair no erro teológico, recomendamos também a leitura na
íntegra do artigo incorporado ao nosso vídeo para ficar melhor esclarecido.
Desde
logo, sem quaisquer tipos de reservas, não subscrevemos a posição
inultrapassável que somente confere o privilégio da Ceia do Senhor aos irmãos
baptizados. Também somos manifestamente contra o conceito restrito da Ceia que
algumas Igrejas continuam erradamente a aplicar, isto é, só a dão para os
membros da mesma denominação e, em casos extremos, exclusivo apenas a membros
da referida Igreja. Essas observâncias não têm nenhum fundamento bíblico e
constituem uma clara distorção do alcance teológico da Ceia do Senhor.
A Ceia do Senhor, à
semelhança do Baptismo, faz parte do sacramento deixado pelo Senhor Jesus
Cristo antes da Sua gloriosa assunção. É um ritual que nos remete
indubitavelmente ao sacrifício expiatório do Messias em favor dos eleitos de
DEUS e aponta-nos futuramente para o grande banquete celestial das “bodas do
Cordeiro”(Apocalipse 19:9). Foi expressamente narrada nos
Evangelhos e também na 1 Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios 11:23-32,
confirmando assim o carácter importante que ela reveste na história e vida da
Igreja. A Ceia do Senhor, de forma subsumida e abreviada, segundo a profissão
da Fé Baptista Portuguesa, “é um acto de obediência pelo qual os membros da
Igreja participam do pão e do vinho, comemorando juntos a morte de Jesus Cristo
e apontando para a sua segunda vinda. Esta ordenança da igreja local representa
também a nossa comunhão espiritual com Ele, a nossa participação na sua morte e
o testemunho vivo da nossa esperança” (LER).
Não há, no entanto,
patente divergência no meio Cristão sobre o seu sentido teleológico e
teológico. A querela doutrinária prende-se, mais, sobretudo, com a sua datação,
os elementos contidos nela e como se deve ajustar ao dinamismo da Igreja, razão
pela qual procuraremos humildemente tentar descortinar estas seculares
divergências e equívocos teológico-doutrinários. Apesar disso, não tencionámos
abordar a aparente contradição na datação seguida pelos Evangelhos sinópticos e
o Evangelista João, sem prejuízo obviamente da pertinência que o debate em
apreço comporta. A primeira narrativa reduzida a escrito sobre a Ceia do Senhor
foi a do Apóstolo Paulo que, nas sugestivas palavras de alguns reputados
biblistas, terá sido posteriormente seguida pelo evangelista Lucas,
diferentemente da narrativa de Marcos que Mateus seguiu. As quatro narrativas
não diferem umas das outras no seu substrato teológico. Apenas evidenciam
algumas diferenças pontuais que, a nosso ver, têm mais a ver com o estilo
literário dos referidos autores. Por isso, não tencionámos destacar os dois
modelos descritivos sobre a Ceia do Senhor, visto que ambos convergem
manifestamente no seu núcleo e alcance soteriológico.
O Apóstolo Paulo, o
primeiro autor sagrado a escrever sobre esta importantíssima temática
eclesiástica, que Lucas seguiu, insistimos, dizia expressamente: “porque eu
recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em
que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o
meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também,
depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu
sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque
todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando
a morte do Senhor, até que ele venha (1 Coríntios 11:23-26). O Evangelista
Mateus, por sua vez, seguindo na mesma esteira do pensamento de Marcos sobre
esta nobre ordenança, escrevia nestes termos: “e, quando comiam, Jesus tomou
o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei,
isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo:
Bebei dele todos; Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que
é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora,
não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no
reino de meu Pai. E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras”
(Mateus 26:26-30). Os intérpretes bíblicos, ao longo da História do
Cristinismo, têm questionado de que forma o Apóstolo Paulo terá “recebido”
do Senhor a narrativa sobre a última Ceia. Alguns admitem a possibilidade de
ter sido através de revelação directa (2 Coríntios 12:1-4; Gálatas 1:12).
Outros, com um entendimento diferente, sustentam que Paulo recebeu as palavras
da Ceia no seio da comunidade primitiva, oriunda dos discípulos. Tendemos mais
para este último entendimento. É o que nos parece mais plausível. Apesar de
argumentos e contra-argumentos que se poderão invocar sobre as duas leituras, a
verdade é que o Apóstolo Paulo “recebeu” do Senhor e fidedignamente “entregou”
a Igreja às sagradas instruções, sem adulterá-las. Já quanto às fontes do
Evangelista Marcos não se levantam grandes questões. Os estudiosos não têm
margem de dúvida que foi através do Apóstolo Pedro. Papias, Bispo de Hierápolis
e mártir da Igreja no segundo século, refere-se a Marcos como o “interprete
de Pedro”.
Depois desta breve
consideração, importa enumerar as três clássicas posições doutrinárias
predominantes sobre o sentido dos elementos pão e vinho na Ceia do Senhor.
Desde logo, a tese da “Transubstanciação”. Ela foi abraçada, desde muito
cedo, pela Igreja Católica Romana. Preconiza que o pão e o vinho tornam-se
realmente o corpo e o sangue de Cristo – a eucaristia. Tal acontece quando o
sacerdote diz: “isto é o meu corpo” durante a celebração da missa.
Quando o sacerdote diz isso, escreve Wayne Grudem na sua Teologia Sistemática, “o
pão é levantado (elevado) e adorado. Esse acto de elevar o pão e de
pronunciá-lo corpo de Cristo só pode ser feito por um sacerdote”. Quando
isso acontece, segundo a doutrina católica, concede-se graça aos presentes ex
opere operato, isto é, “realizada a obra”, mas a quantidade de graça
dispensada ocorre em proporção à disposição subjectiva de quem recebe a graça.
Além disso, toda vez que se celebra a missa, o sacrifício de Cristo é repetido
(em algum sentido) e a igreja católica é cautelosa em afirmar que se trata de
um sacrifício real, embora não corresponda ao sacrifício que Cristo fez na
cruz. O Reformador Martinho Lutero demarca-se deste dogma do Vaticano,
formulando a tese da “Consubstanciação”, isto é, que o pão e o vinho não
se transformam, de facto, no corpo e sangue do Senhor Jesus, mas ganham o seu
cunho. Por outras palavras, o corpo do Senhor Jesus está presente através das
preposições “em”, “com” e “sob” o pão e o vinho da Ceia do
Senhor. Acontece que, por razões de divergências doutrinárias, a generalidade
dos teólogos Evangélico-protestantes discordam liminarmente de Lutero e da
Igreja Católica, formulando um entendimento diferente que consiste na doutrina
da “Substanciação”, ou seja, que os elementos contidos na Ceia do Senhor
não passam meramente da presença simbólica e espiritual do Senhor Jesus. Este é
o entendimento que ganha mais relevo e acolhimento favorável no mundo
Evangélico-protestante.
A nosso ver a doutrina
da “Transubstanciação” defendida pela Igreja Católica Romana não tem
qualquer tipo de suporte bíblico, uma vez que se limita apenas a fazer uma
interpretação literal das palavras do Senhor Jesus sobre os elementos da Ceia.
Uma interpretação, segundo as regras da hermenêutica, não deve cingir-se
unicamente à letra. Deve procurar através da letra o espírito do autor, “pois
a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6). Quando o Senhor
Jesus afirma: “isto é o meu corpo e sangue” estava apenas a usar de uma
análise analógica, tal como tem feito ao longo de todo o Seu ministério
terreno, nomeadamente nas afirmações “eu sou o pão da vida”(João 6:48-59),
“eu sou a porta” (João 10:9), “eu sou o bom pastor” (João 10:11-16), “eu sou
a luz do mundo” (João 12:8), “eu sou o bom pastor”, “eu sou o caminho, e a
verdade e a vida” (João 14:6), respectivamente. É nesta lógica que as
palavras “isto é o meu corpo e sangue” devem ser enquadradas, extraindo
depois as verdades salvíficas que elas encerram. E mais, há ainda uma tamanha
incongruência da Igreja Católica de não servir o vinho aos seus fiéis,
limitando-o apenas aos sacerdotes, entrando assim em flagrante contradição com
o sentido da sagrada ordenança – que é para todos e de todos os fiéis.
Quanto à tese da “Consubstanciação”
também fica bastante aquém. O argumento esgrimido que o pão e o vinho não se
transformam no corpo e sangue do Senhor Jesus, mas ganham o Seu “cunho”
é um raciocínio falacioso. Desde logo, sabemos que DEUS é Omnipresente e “toda
a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6:3). Porque, tal como dizia o
Senhor Jesus, “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu
no meio deles” (Mateus 18:20), confirmando assim a presença constante do
Senhor Jesus nas nossas vidas, bem como em todo o Universo. Logo, nesta ordem
de pensamento, podemos concluir que todas as coisas de alguma certa forma
ganham “cunho” da presença do Senhor Jesus, sem cairmos no erro de
julgar que os elementos da Ceia acompanham o corpo do Filho de DEUS. E, por
fim, a tese da “Substanciação” parece-nos, em abono da verdade, ser a
que se coaduna melhor com a afirmação do Senhor Jesus. O pão e o vinho não
passam exclusivamente de meros elementos. Não mais que substâncias que foram
usadas pelo Senhor Jesus para transmitir a grande verdade soteriológica sobre a
Santa Ceia, razão pela qual subscrevemos integralmente esta tese: há apenas a
presença simbólica e espiritual do Senhor Jesus na Ceia. Os elementos pão e
vinho não sofrem nenhuma metamorfose. Apenas servem como ilustração daquilo que
o Senhor Jesus fez por nós. Julgamos que, sem qualquer tipo de hesitação
prévia, é assim que os discípulos interpretaram as analógicas palavras do Senhor
Jesus sobre o pão e o vinho.
Estou manifestamente indignado com a posição da
Aliança Evangélica Portuguesa sobre a pandemia do coronavírus no que toca à sua
última nota, recomendando vivamente as igrejas e comunidades evangélicas a não
abrir as suas portas para cultos e outras actividades eclesiásticas nas
próximas semanas (LER), levando assim algumas igrejas a tomar esta decisão desproporcional e
infundada à luz das Escrituras Sagradas. Estou ainda mais indignado com as
igrejas que, apesar desta questionável recomendação da Aliança Evangélica,
decidiram precipitadamente cair nesta onda de susto secularista e ditadura do
instantâneo, perdendo a oportunidade singular de dar um firme testemunho de fé
nestes dias obscuros, de pânicos e de incertezas para milhares e milhões de
pessoas em todo o mundo.
É inconcebível fechar as portas das igrejas só
porque o governo declarou o “estado de alerta” para todo o país (LER). O estado de alerta, na ordem jurídica
portuguesa, não comporta assim grandes repercussões práticas na vida das
pessoas. Tanto que, por esta razão, apesar de estarmos já a vivê-lo, a vida
continua a fluir normalmente, excepto alguns pontuais ajustamentos que foram
feitos para mitigar o surto do coronavírus, nomeadamente a paralisação total de
aulas e outras medidas extraordinárias que, em circunstância alguma, colocou em
causa os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.
O estado de alerta, de uma forma subsumida,
significa que os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança do estado estão em prontidão para responder com eficiência. Mesmo no estado de sítio ou
estado de emergência, que são os mais gravosos na ordem jurídica portuguesa, e só
podem ser declarados “nos casos de agressão efectiva ou iminente por forças
estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional
democrática ou de calamidade pública” (art.º 19, nº 1 da Constituição), em
nenhum caso podem afectar os direitos fundamentais inerentes à condição
humano-social, especialmente a liberdade de consciência e de religião art.º 19
alínea 1 da Constituição). Por outras palavras, mesmo nestas situações excepcionais,
a Constituição da República Portuguesa continua a assegurar aos santos de DEUS
a possibilidade de cultuarem, se assim o entenderem.
Perante o exposto, entendo que a opção de suprimir
as actividades dominicais e consequentemente fechar as portas das igrejas por
causa do surto do coronavírus foi uma
decisão prematura, drástica, radical e sem qualquer suporte bíblico, aliás, tal
como se pode ver na referida recomendação da Aliança Evangélica Portuguesa que
está claramente despida do texto sagrado e na generalidade dos comunicados
tautológicos emitidos pelas igrejas, que decidiram concomitantemente alinhar
nesta onda do “fechamento”. Este fechamento das igrejas consubstancia
indubitavelmente uma sonolência espiritual e grave crise da fé em que estamos
infelizmente submergidos, “que não se alarma com o poder do mal no mundo,
com toda a injustiça e com todo o sofrimento que devastam a Terra. É um
embotamento que prefere não se dar conta de tudo isso (…), podendo deste modo
continuar a autocomprazer-se na sua própria vida saturada. Mas este embotamento
das almas, esta falta de vigilância seja quanto à proximidade de Deus, seja
quanto à força ameaçadora do mal confere ao maligno um poder no mundo”(LER).
Com isso, não estou a minorar ou a subestimar o
impacto pernicioso que o corona vírus representa na saúde pública, máxime na
dos cidadãos. Não estou a colocar em causa as previsões catastróficas que
poderão acontecer brevemente em Portugal, tal como já está a suceder noutros
países, se não houver medidas preventivas adequadas para mitigar esta maldita
doença. Não estou a colocar em causa o zelo que as igrejas devem ter para com
os seus membros nos momentos mais desafiantes das suas vidas. Não estou também
a pôr causa a vida dos que já morreram e possivelmente vão continuar a morrer
nos próximos dias e semanas. Longe de mim tal insensibilidade e desumanidade.
Estou plenamente consciente que estamos todos a correr sérios riscos de vida e
se brincarmos podemos contrair o coronavírus e este revelar-se extremamente
fatal. Estou bem actualizado da gravidade de toda esta situação e
simultaneamente solidário com as autoridades nacionais e internacionais, as
equipas médicas nos hospitais e especialmente todos os que neste momento estão
entre a vida e a morte.
No entanto,
fechar as portas das igrejas, a meu ver, tem de ser mesmo em situações que
ultrapassam todos os limites – onde não há mesmo condições mínimas para haver a
reunião; onde todo o mundo é obrigado a estar de quarentena por causa da
calamidade pública ou por motivos de guerra, ficando completamente paralisada a
vida profissional e social de todos os cidadãos. Nestes casos, sim, as igrejas
têm mesmo, por força das circunstâncias, fechar por inexequibilidade prática.
Não é, contudo, o que está a acontecer neste momento em Portugal, graças a
DEUS. As pessoas continuam a trabalhar, embora com alguns condicionalismos
extras, e a viver praticamente na normalidade, cientes naturalmente das
precauções que devem tomar no seu dia-a-dia e sobretudo dos malefícios que o
coronavírus comporta.
Por isso, não consigo compreender o fecho das
igrejas nas próximas semanas. É a primeira vez que estou a viver tal situação. Não
consigo, por isso, interiorizar esta prematura decisão, sob pretexto de estar a
proteger os membros das igrejas para não contraírem o coronavírus e, ao mesmo
tempo, incorporando uma tamanha contradição do ponto de vista espiritual. Será
que o culto que prestamos ao nosso Eterno e Todo-Poderoso DEUS não se enquadra “nas
actvidades estritamente essenciais” que o governo decidiu salvaguardar
neste estado de alerta em que estamos a viver? Faz algum sentido um Cristão
passar quarenta e cinco horas no trabalho durante a semana e não poder estar
apenas duas horas na Igreja num culto de domingo? Será que é mais fácil
contrairmos o coronavírus num culto dominical do que nos sobrelotados
transportes públicos, nomeadamente comboios e metros, que a generalidade dos
irmãos da Igreja usam para ir trabalhar ou tratar de outros afazeres? Podemos
ir trabalhar sem ter medo de coronavírus e não podemos ir à igreja cultuar o
nosso DEUS por medo do coronavírus? Quer dizer então que os Cristãos podem
fazer parte significativa da sua rotina do dia-a-dia, nomeadamente trabalhar,
andar de transportes públicos, fazer compras e dar passeios… só ficam
amedrontados em ir à Igreja por causa do coronavírus, não é? As más
conversações, já dizia o Apóstolo Paulo, corrompem os bons costumes (1
Coríntios 15:33). De facto, as más conversações pervertem os bons costumes.
Admito que as Igrejas poderiam tomar algumas
decisões excepcionais, sobretudo aconselhar alguns irmãos idosos, os que sofrem
de doenças crónicas, grávidas e crianças a não tomarem parte, por enquanto, nos
cultos e resguardarem-se exclusivamente em casa até que seja ultrapassada esta
calamitosa situação e não cancelar de imediato todas as actividades
eclesiásticas. E mais, importa ainda salientar que não é pelo facto de não
irmos à Igreja ou estarmos a tomar as devidas precauções que ficamos imunes ao
coronavírus. Todas as precauções são insuficientes se não tivermos a protecção Divina
para nos livrar deste maléfico vírus. E só Ele é capaz de nos livrar de todo o
perigo e mal, mentalizando-nos sempre que estamos a
viver os “Sinais dos Tempos”(ALI)
e (AQUI) , bem como ancorando-nos na absoluta certeza de que em todas estas coisas somos mais do que vencedores,
por aquele que nos amou, uma vez “nem a morte nem a vida; nem os anjos nem
outras forças ou poderes espirituais; nem o presente nem o futuro; nem as
forças do alto nem as do abismo. Não há nada nem ninguém que nos possa separar
do amor que Deus nos deu a conhecer por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos
8:29-37). Louvado seja DEUS.
Em suma, busquemos em primeiro lugar a DEUS, principalmente
neste momento de incertezas, de aflição e pânico mundial, de todo o nosso coração.
Não no fechamento temerário das portas das igrejas, mas sim entrando intrepidamente
pelas suas portas com acção de graças, e em seus átrios com louvor (Salmo
100:4). Que DEUS ricamente nos abençoe e nos guarde de todo o perigo e mal,
particularmente desta maligna pandemia do coronavírus em nome do Senhor Jesus Cristo. Que
assim seja. E assim sempre será pela fé.
“A consciência da transitoriedade da «figura
deste mundo» (cf. 1Cor 7, 31) não isenta de nenhum empenho histórico, muito
menos do trabalho (cf. 2Ts3, 7-15), que é parte integrante da condição humana,
mesmo não sendo a única razão de vida. Nenhum cristão, pelo facto de pertencer
a uma comunidade solidária e fraterna, deve sentir-se no direito de não trabalhar
e de viver à custa dos outros (cf. 2Ts 3, 6-12); todos, antes, são exortados
pelo apóstolo Paulo a tomar como um ponto de honra o trabalhar com as próprias
mãos, de modo a não serem «pesados a ninguém» (1 Ts 4, 11-12) e a praticar uma
solidariedade também material, compartilhando os frutos do trabalho com «necessitado»
(Ef 4, 28) (…) Os crentes devem viver o trabalho ao estilo Cristo e torná-lo
ocasião de testemunho cristão em presença dos «de fora» (1 Ts 4, 12). (…)
Mediante o trabalho, o homem governa com Deus o mundo, juntamente com Ele é
sempre seu senhor, e realiza coisas boas para si e para os outros. O ócio é
nocivo ao ser do homem, enquanto a actividade favorece o seu corpo e o seu
espírito. O cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o pão, mas
também por solicitude para com o próximo mais pobre, a qual o Senhor ordena dar
de comer, de beber, de vestir, acolhimento, atenção e companhia (cf. Mt 25,
35-36). Cada trabalhador, afirma Santo Ambrósio, é a mão de Cristo que continua
a criar e a fazer o bem.[1]”
[1]Extraído no Compêndio da Doutrina
Social da Igreja, p. 179-180, Principia, 2005