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A Morte de Um Justo

Tomei conhecimento ontem, com muita tristeza no coração, do desaparecimento físico do meu estimado irmão em Cristo, o Pastor José Seleiro Gonçalves. Era um homem devotado e profundamente comprometido com as nobres causas do Reino de DEUS. Procurou servir fielmente o Senhor Jesus Cristo, da melhor forma possível, durante a sua peregrinação neste mundo. Sentia muito orgulho em ser pastor e em ser chamado pastor. 

O Pastor Seleiro Gonçalves amava genuinamente as pessoas e gostava, com humildade, de servir. Relacionava-se com qualquer pessoa que se cruzasse no seu caminho; não era indiferente a ninguém. Tinha um trato fino e sincero, bem patente no seu demorado aperto de mão e/ou abraço. Era um homem afável e completamente desprovido de preconceitos ou de tiques de superioridade. Dava-se bem com qualquer pessoa, independentemente da sua origem, proveniência, estatuto social ou condição de vida. Era, por assim dizer, amigo de toda a gente. Para além de todas estas qualidades distintivas, manifestas na sua vida, o Pastor Seleiro era também um homem de serviço e profundamente comprometido com a Causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. 

Conheci o Pastor José Seleiro Gonçalves através do meu irmão Evaristo Vieira. Ambos eram amigos e colegas no Seminário Teológico Baptista (STB). Não obstante a assinalável diferença de idade entre ele e o meu irmão, nada o impediu de ser um amigo próximo, primeiro do meu irmão e, posteriormente, meu. O meu irmão chamava-lhe carinhosamente “the president of America”, alcunha que ele aceitava de bom grado. 

O Pastor José Seleiro Gonçalves era meu amigo e também amigo da minha família. Era, da mesma forma, amigo de muitos africanos; aliás, não se cansava de vincar constantemente a sua forte ligação a África, através da sua mãe. O Pastor Seleiro esteve depois na Guiné-Bissau e, mais tarde, em Angola, reforçando assim os laços de proximidade com o nosso continente. Sentia os problemas e as dores de África como se fossem seus. Tal como a sua mãe estendia a mão para ajudar os necessitados e os pobres em geral, sem fazer acepção de pessoas, o Pastor Seleiro herdou essas características humano-sociais. Ajudou muitas pessoas, inclusive a mim, sem fazer alarido dessas benfeitorias. 

O Pastor José Seleiro Gonçalves era um homem bom e humilde. Amava a DEUS acima de todas as coisas e demonstrava, pelas suas obras, que era um fiel discípulo do Senhor Jesus Cristo. Deixava-se usar pelo Espírito Santo. Era pastor de ovelhas e, simultaneamente, um fervoroso missionário. Tinha uma noção clara do seu propósito de vida nesta terra, que era glorificar o Senhor Jesus Cristo através do seu testemunho de vida. 

Por isso, estou profundamente triste com o seu desaparecimento físico, não obstante saber que foi promovido à glória. O Pastor José Seleiro Gonçalves, servo bom e fiel, foi chamado à Casa do nosso Pai Celestial. “Bem-aventurados”, dizem as Sagradas Escrituras, “os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham” (Ap 14:13). Que as piedosas obras do Pastor José Seleiro Gonçalves o acompanhem na eternidade, entrando com elas no gozo do nosso Salvador Jesus Cristo (Mt 25:21). Que assim seja. 

O Ministério Pastoral e a Família do Pastor: Da Interdependência à Indissociabilidade

A chamada Divina para o ministério pastoral é um dos mais nobres, relevantes, importantes e poderosos exercícios espirituais que um filho de DEUS possa almejar nesta momentânea vida. É um acto unilateral e manifestamente altruísta em prol da Causa do Evangelho. É renunciar, de forma deliberada e consciente, à carreira profissional, ao sucesso material e aos negócios seculares desta vida para servir fielmente de pastor para o precioso rebanho do Senhor Jesus Cristo. É assemelhar-se, em última instância, ao outrora papel abnegado do Filho de DEUS durante a Sua humilde encarnação neste hostil mundo como o Sumo Pastor das ovelhas. 

O ministério pastoral é benéfico a todos os níveis, profícuo no seu alcance objectivo e bastante rico em termos espirituais para quem o deseja de forma genuína. Se alguém deseja o episcopado, diz peremptoriamente a Palavra do SENHOR, excelente obra deseja (1 Tm 3:1). A pessoa em questão, deseja dedicar exclusivamente a sua vida para servir na Obra de DEUS e ser o mentor das ovelhas de Cristo. Deseja ser instrumento de bênçãos nas mãos do Todo-Poderoso DEUS para proclamar ousadamente o Evangelho da salvação para o mundo perdido e, em consequências disso, ganhar muitas almas, através da acção do Espírito Santo, para os céus. Não há exercício maior e melhor no mundo do que este. Não há profissão e ganhos mundanais ou glórias desta vida que se possam equiparar ao sublime ministério pastoral. Nada mesmo. Literalmente nada. O ministério pastoral excede, em larga medida, as polutas aspirações dos homens e todas as vaidades do mundo. 

Por isso, o ministério pastoral é excelente em todos os seus propósitos e fins. É excelente para o eleito pastor e, sobretudo, para a maravilhosa obra que este realizará em nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. Além deste assente e magnífico privilégio humano-espiritual, que o ministério pastoral comporta e encerra no seu substrato, a verdade também é que ser autenticamente pastor não é “pêra-doce” ou incólume aos problemas, especialmente nos nossos conturbados, anárquicos, violentos, promíscuos, descrentes, corruptos, heréticos e pecaminosos dias pós-modernos. Não é uma tarefa consensual ou facílima, tal como aparenta aos olhos de muitas pessoas e do mundo em particular.  O ministério pastoral é extremamente exigente, complicado na sua concretização prática e amiúde difícil. Envolve sempre a priori o chamado Divino, a renúncia, a sabedoria, o discernimento, a moderação, a tolerância, a paciência, o sofrimento, o amor, o perdão e a entrega incondicional à Obra de DEUS. 

O pastor deve estar, acima de tudo, inteiramente apto e predisposto para arcar com todas as consequências inerentes ao ministério pastoral – tanto nos aspectos positivos como nos aspectos negativos. O eleito pastor deve ter uma ampla capacidade de suportar as privações da madrasta vida, as injustiças provocadas pelos terceiros, as adversidades da função pastoral, as maldades dos falsos Cristãos, a rejeição do mundo e o sofrimento em geral. As pressões, as incompreensões, as provocações, as calúnias, as difamações, as conspirações, as perseguições e as injustiças – provenientes de dentro e fora da Igreja – fazem parte do cardápio e dinâmica da vida pastoral. E o pastor deve estar completamente ciente de todas estas contradições no seu percurso pastoral e saber lidar com elas com espírito de mansidão, bem como ter a capacidade suficiente e a sabedoria Divina para responder positivamente a todos estes conhecidos desafios espirituais à luz das Escrituras Sagradas. 

A génesis de todos estes premeditados e vis ataques contra a figura do pastor vem do diabo, dos seus demónios e filhos da perdição, que estão ao seu serviço no mundo para confundir os fiéis Cristãos e separá-los de DEUS. É o diabo que tenta, a todo o custo, atacar o pastor, denegrindo-lhe a imagem, a reputação e o bom nome para, desta forma, fragilizá-lo e consequentemente dividir a Igreja. Só que usa os ímpios e os Cristãos ingénuos para atingir este maléfico desiderato. O pastor deve estar plenamente consciente e preparado para enfrentar esta dura realidade espiritual no seu percurso de vida, com as armaduras de DEUS (Ef 6:10-18). Só assim será realmente um obreiro aprovado por DEUS e inteiramente habilitado para toda a Boa Obra. 

É evidente que o ministério pastoral é abrangente em todas as suas dimensões e propósitos. Ele é abrangente do ponto de vista objectivo e do ponto de vista subjectivo. Naquele é abrangente na sua concretização prática e finalidade salvífica das ovelhas. Neste é abrangente no que toca ao círculo pessoal, familiar e relacional do pastor, isto é, se este for casado e posteriormente tiver filhos menores ou alguém sob os seus cuidados, contando que a parentela esteja na sua casa e sob a sua inteira dependência. Daí que, sem quaisquer tipos de hesitações prévias ou equívocos doutrinários, não se pode dissociar o ministério pastoral da família do pastor (se for casado, bem entendido. Isto porque uma pessoa pode ser pastor e não ser casado e, muito menos, ter filhos. Logo, neste caso, não se lhe aplica a responsabilidade e responsabilização da sua família no ministério pastoral, uma vez que não dispõe nem de esposa nem de filhos). 

O ministério pastoral está intrinsecamente ligado à família do pastor e vice-versa. As duas realidades estão simultaneamente interligadas e são indissociáveis uma da outra. O pastor, em circunstância alguma, deve isolar a sua família no seu ministério eclesiástico. Da mesma sorte, a família do pastor não deve ficar alheio ou indiferente ao ministério do pastor. As duas realidades estão concomitantemente interligadas e indissociáveis uma da outra. A bitola de Josué de “eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Js 24:15) deve reger e fazer parte constante do ministério pastoral e da vida familiar do pastor. 

No entanto, por vicissitudes várias e supervenientes, tem havido um esforço indisfarçável e desmesurado, nas últimas décadas, por parte de alguns teólogos e pastores, para autonomizar o ministério pastoral da família do pastor, reduzindo-o estritamente à figura do “pastor contratado” à moda secular, através de um esgrimido argumento tautológico, falacioso e despido de qualquer tipo de suporte bíblico. Esta tese ardilosa, aparentemente consistente, para ludibriar os menos atentos na fé, visa sobretudo profissionalizar o ministério pastoral e dissolvê-lo numa libertária secularização, desresponsabilizando assim, no seu todo, a família do pastor no ofício eclesiástico. Não tem qualquer tipo de fundamento bíblico nem acolhimento romper este cordão umbilical do ministério pastoral com a família do pastor, antes pelo contrário as duas realidades estão manifestamente interligadas e são imprescindíveis no sucesso ministerial do pastor. 

A título exemplificativo, para testar esta nossa afirmação, se a família do pastor não está enquadrada na ortodoxia bíblica e desviada dela, obviamente que isto terá repercussões extremamente negativas dentro da Igreja e será um factor perturbador e determinante na desqualificação do pastor para o ministério pastoral, independentemente do seu bom carácter, da sua honorabilidade e da integridade espiritual.  O pastor deve, tal como formula inspiradamente a Palavra de DEUS, “ser um bom chefe da sua própria família e saber educar os filhos no respeito, com toda a dignidade. Pois se alguém não é capaz de ser um bom chefe da sua própria família como pode assumir responsabilidades na igreja de Deus?” (1Tm 3:4-5). É claro que não tem condições objectivas para assumir o ministério pastoral ou continuar a exercê-lo com dignidade – por não ter a autoridade espiritual requerida para exortar os irmãos na fé, mormente no que toca à ética familiar e o papel dos maridos, esposas e os filhos na Igreja. 

A teologia subjacente no ofício pastoral é a de a família pastoral ser unidamente um exemplo na Igreja e coadjuvante do pastor na prossecução do ministério eclesiástico. A esposa do pastor, os seus filhos e todas as pessoas que estão sob a sua alçada são partes essenciais no sucesso ou insucesso do ministério do pastor. Tanto que, por esta razão, as próprias Escrituras Sagradas vão dando algumas directrizes sobre a postura irrepreensível que deve caracterizar a família pastoral. A começar, desde logo, com a mulher do pastor. Esta deve apresentar-se com dignidade, modéstia, sem grandes penteados, nem ouro, nem jóias nem vestidos luxuosos, mas sim como convém à mulher que se preocupa principalmente em agradar a DEUS pelas boas obras (1 Tm 2:9-10), evitando máxime o pecado do materialismo, da ostentação, da bisbilhotice, da murmuração, da sensualidade e sumptuosidade. 

Da mesma forma, espera-se um comportamento decente e congruente dos filhos do pastor com os impolutos Princípios e Valores Cristãos, pois fazem parte essencial do ministério pastoral. A família pastoral deve ser modelo para todas as famílias da Igreja – tanto na espiritualidade, na oração, no serviço aos santos, na comunhão, na hospitalidade, na solidariedade, na visitação e na Evangelização e Missões. A mulher do pastor deve ser particularmente exemplo para toda a comunidade, assim como os filhos, com vista a “aliviarem” o ministério do pastor, colaborando de forma edificada no ofício pastoral, livrando assim o pastor de “não se tornar motivo de difamação nem cair na armadilha preparada pelo diabo (1 Tm 3:1-9). 

A família do pastor faz parte integrante do ministério pastoral e deve estar com o pastor na “linha da frente” no exercício eclesiástico. Deve estar preparado para acolher com amor todos os irmãos da igreja, especialmente os irmãos que carecem mais de acompanhamento e orientação, através do ministério de aconselhamento, de hospitalidade e de visitação. Nestes ministérios, é imprescindível a colaboração da mulher do pastor para a sua eficaz concretização. É decisiva a sua predisposição neste sentido para que o pastor seja realmente bem-sucedido em tais importantes ministérios. A mulher do pastor é a “terceira visão”, o “quarto ouvido” e o “sexto sentido” do pastor dentro da igreja. Olha aquilo que o pastor muitas vezes não vê ou negligencie. Escuta mais do que aquilo que o pastor escuta e consegue ter mais a noção real da vida da Igreja do que propriamente o pastor. 

A mulher do pastor leva um lado feminino para o ministério pastoral e ajuda a aplacar muitos ímpetos negativos na congregação e revoltas evitáveis contra a autoridade da igreja, catapultando com o seu gesto de simplicidade o apaziguamento, a harmonia e o despertamento para o serviço.  Se a mulher do pastor for sensível e aberta consegue seguramente inspirar mais confiança de muitos irmãos na igreja, penetrando eficazmente em determinados ângulos ministeriais a que o pastor jamais conseguiria chegar. Consegue atenuar várias tensões e problemas desnecessários entre os irmãos e estes com o pastor e vice-versa.  Ela é o maior activo e o escudo protector do pastor contra os mal-entendidos, as desavenças e revoltas que, de vez em quando, surgem nas igrejas. Daí que ela não pode ser relegada, secundarizada ou desvalorizada no ministério pastoral, até porque se for uma pessoa desleixada e fechada em termos espirituais vai certamente fechar muitas portas de oportunidades no ministério do pastor. 

Se a mulher do pastor e os seus filhos não participam nas actividades regulares da Igreja ou não têm uma conduta Cristã decente, que autoridade espiritual o pastor terá para exortar os outros irmãos na fé a terem uma vida diligente, devotada e santificada? Obviamente que perde toda a legitimidade e autoridade espiritual requerida na Palavra de DEUS para fazer tais chamadas de atenções, tendo em conta o mau exemplo que tem na sua própria casa e que não consegue resolver. E não há dúvida que esta “convulsão familiar” será muito bem aproveitada pelo diabo para difamar o pastor, levando-lhe, em casos mais extremos, a cair na armadilha preparada astutamente por ele, tal como ficou há bocado demonstrado pelo texto sagrado citado. 

Faz sentido que a mulher do pastor não exerça os dons espirituais na Igreja local em que o seu marido pastoreia? Ou que não esteja regularmente nos cultos dominicais, reuniões de oração e de senhoras ou vigílias? É plausível que a mulher do pastor esteja a congregar numa igreja diferente da igreja que o seu marido pastoreia? É congruente com a Palavra de DEUS que ela não acompanhe o seu marido nas actividades eclesiásticas e tenha uma conduta de vida censurável? Os filhos e parentes dependentes do pastor podem ter qualquer tipo de conduta? Estes podem dar ao luxo de ter uma orientação flagrantemente incompatível com a vida sacrossanta, nomeadamente envolvidos na promiscuidade sexual, alcoolismo, vícios de droga ou mundanismo? Obviamente que as respostas para todas estas pertinentes questões são manifestamente negativas, por razões várias que dispensam explicações. 

A família do pastor não pode, sob pena de desestabilizar e afectar drasticamente o mistério do pastor, não colaborar com o pastor no ministério pastoral e ter condutas desviantes à luz da Palavra de DEUS. Espera-se da família do pastor que seja modelo de espiritualidade para toda a Igreja. E isto envolve, desde logo, o próprio pastor, a sua esposa, os filhos e todos os dependentes a seu cargo. São estas mesmas pessoas que assistirão o pastor nos momentos mais difíceis, desanimadores e desafiantes do ministério, dando-lhe apoio incansável e forças suficientes para continuar firmemente a “combater o bom combate da fé”. 

A mulher do pastor e os filhos devem ser modelos dentro da Igreja e fora dela, insistimos. Devem estar com o pastor na “linha da frente” no exercício pastoral, com vista a estimular os outros irmãos da Igreja a seguirem o mesmo consagrado testemunho de fé. Vai, se assim não for, seguramente, afectar negativamente a autoridade do pastor dentro da congregação e obstaculizar o seu ministério. A família do pastor é o “espelho” da Igreja e modelo de referencial para todos os fiéis. Deve dar o exemplo no testemunho, na consagração, na dedicação, na hospitalidade e no amor ao serviço do Reino de DEUS. 

É claro que a família do pastor não é perfeita e nem se pode esperar dela a perfeição. Não é disto que estamos a falar nem tencionamos passar tal ideia nesta nossa humilde crónica. Também não somos da opinião de exigir muito mais do que aquilo que se pode exigir do pastor e da sua família. O máximo que se pode exigir do pastor e da sua família é o mínimo do ponto de vista espiritual: ser unida, dar testemunho fiel da Palavra de DEUS, comprometida com a Igreja do Senhor Jesus Cristo e exemplo de serviço para os santos. 

É verdade que há, cada vez mais, uma exigência anormal e maldosa dos crentes para com a família do pastor. Também há, cada vez mais, um conluio deliberado e maléfico por parte de irmãos que se deixam instrumentalizar pelo diabo para desestabilizar a família do pastor. É verdade que as congregações esperam muito mais do que aquilo que o pastor e a sua família podem oferecer às Igrejas. É ainda verdade que há uma pressão brutal sobre a família pastoral, levando-lhe, em determinados casos, a perder o ânimo e o fervor missionário. E, por fim, é verdade ainda que muitos pastores e as suas famílias têm sido reiteradamente enxovalhadas, humilhadas, vilipendiadas e perseguidas nas suas congregações – e com todas as repercussões negativas que isto comporta no equilíbrio espiritual das mesmas, principalmente na vida dos filhos. Estamos plenamente conscientes de toda esta triste e vergonhosa realidade. É um comportamento repugnante e atentatório aos elevados Princípios e Valores consagrados na Palavra de DEUS e ao amor Cristão que devem nortear os crentes. 

O pastor é um ser humano como qualquer outro crente no Senhor Jesus Cristo: tem inclinações, desejos, vulnerabilidades, falhas e limitações. O pastor é um pecador regenerado à semelhante dos demais eleitos filhos de DEUS. Esta verdade soteriológica também se aplica na íntegra à família do pastor. A única diferença é que o pastor foi separado para conduzir o povo de DEUS. Não se pode exigir perfeição de quem não é perfeito. Não se pode exigir infalibilidade de quem é falível. Não se pode exigir uma coisa que a pessoa não tem. Todavia, não se pode confundir as duas realidades ou misturá-las no mesmo saco. Uma coisa é a pressão desmedida e exigência exagerada que muitas igrejas fazem à família pastoral ou esperam dela. Outra coisa, e bem diferente, é desresponsabilizar completamente a família do pastor no ministério eclesiástico. 

O Pastor e a sua família devem estar preparados para vivenciar coisas boas do ministério, assim como as coisas menos boas dentro das congregações. Não é com queixumes e lamúrias que se vai aplacar as reiteradas investidas diabólicas e pressões no ministério. Julgamos que os pastores que passam mais a vida a lamentar da sua sorte ministerial, das duas uma: ou desconhecem as implicações teológicas de ser pastor, ou não receberam um autêntico chamado Divino para serem pastores. Um pastor de verdade não está constantemente a lamentar a sua sorte e está habilitado a sofrer até ao fim na Obra de DEUS, pelo amor do Senhor Jesus Cristo, tal como os heróis da fé e santos homens e mulheres de DEUS fizeram ao longo da história do Cristianismo. 

E mais, estamos em crer que os pastores que passam a vida a lamentar no ministério ou a fazerem alarido daquilo que estão a vivenciar não são, de todo, os que mais sofrem ou estão a sofrer. E são tais pastores que não cansam de procurar igrejas mais “favorecidas” ou “afortunadas” para acomodarem as suas expectativas humanas, nomeadamente a estabilidade financeira, a locupletação e o conforto da vida material. Estes, seguramente, não são verdadeiros pastores, mas sim assalariados, visando apenas os seus egocêntricos interesses e não do Senhor Jesus Cristo. E há muitos assim no nosso meio Evangélico-protestante, para grande tristeza nossa, infelizmente... 

Não se vislumbra qualquer tipo de sucesso ministerial do pastor onde a sua família não está devidamente incluída e integrada. A família do pastor é alicerce crucial e retaguarda indispensável para o bom ofício do pastor. Ela tem um papel de coadjuvação no ministério bastante importante e relevante. E deve contribuir para acompanhar, apoiar, orar, encorajar o pastor, principalmente, nos momentos mais sombrios, complicados e de desânimo. Se a família do pastor não colaborar com ele no ministério decerto que este não terá um frutuoso e bem-sucedido ministério. Fica vulnerável, circunscrito na sua acção, refém de tais fragilidades e condicionado do ponto de vista espiritual, ficando assim significativamente limitado na sua autoridade espiritual, sendo depois motivo de escândalo para a Igreja. 

A premeditada tentativa de desresponsabilizar a família do pastor nos ministérios da Igreja, nos círculos evangélicos tradicionais como nos círculos pentecostais, colide frontalmente com os pressupostos axiológicos da Doutrina Bíblica e resvala num profissionalismo secular subjectivista. Ela visa unicamente incorporar e legitimar biblicamente parte das pretensões teológicas dos movimentos progressistas dentro do Cristianismo que, a todo o custo, reclamam uma interpretação actualista das Escrituras Sagradas, absorvendo o mundanismo para dentro da Igreja. 

Os princípios que estão na génesis da instauração do ministério pastoral são todos de conjugação, agregação e de sinergias. A Igreja alberga no seu corpo várias e diversificadas pessoas, tendo o Senhor Jesus Cristo como a sua cabeça (Cl 1:18; Ef 5:23). O pastor é chamado a conduzir o rebanho do Senhor Jesus Cristo e estes, por sua vez, são chamados a viver unidos e em completa harmonia e comunhão, cooperando uns com os outros na prossecução, expansão e avanço do Evangelho para que o mundo creia que Jesus Cristo é o Senhor (Jo 17:21). Não há nada que, do ponto de vista da eclesiologia, estimula ou apela para o individualismo (vede, por todos os exemplos bíblicos, os dons espirituais e as suas finalidades em 1 Co 12:1-31 e Rm 12:4-8, respectivamente). 

A Igreja é a conjugação das partes para o mesmo fim: a edificação dos santos e glória do Senhor Jesus Cristo (Ef 4:12-13; 1 Co 12:7). O ministério pastoral, igualmente, é trabalho de equipa, não obstante ter o pastor como o líder principal da igreja local. E em todas estas colaborações e diversificações, a família pastoral é peça central e “guia” da Igreja. Logo, ela é parte integrante do ministério e a membrasia deve contar com ela na Obra e poder responsabilizá-la, e ao pastor, em casos de desvios comportamentais flagrantes. 

Nunca se pode equiparar o ministério pastoral com o regime de prestação de serviço secular, tal como muitos teólogos e pastores se têm, de forma explícita, desdobrado a fazer. O ministério pastoral é uma vocação e não tem nenhum paralelismo com o do assalariado. E o pastor e a sua família têm impreterivelmente de estar vocacionados para trabalharem juntos na igreja local que escolheram pastorear. Isto não quer dizer literalmente que a esposa do pastor, os seus filhos e paraninfos têm necessariamente de trabalhar a tempo integral ou serem obrigados a exercer funções proeminentes na Igreja. Nada disso. Podem optar por trabalhar a tempo inteiro, isto é, se a Igreja assim o entender, bem como podem não ocupar nenhum cargo na Igreja em que estejam congregados. No entanto, de modo algum, podem prescindir do compromisso com a Igreja, a vida santificada, o exemplo de vida Cristã e a predisposição para servir como qualquer outro membro da Igreja. 

A família do pastor tem toda a liberdade e deve ser encarada como qualquer outra família na congregação, sem prejuízo naturalmente de não descurar o seu papel acrescido na representação das famílias da Igreja. Não pode relaxar e deve pautar a sua conduta como uma verdadeira família pastoral. A mulher do pastor deve ser modelo refletivo para todos os membros da comunidade e das mulheres da Igreja em especial. Os filhos do pastor, da mesma sorte, devem ser motivo de orgulho e satisfação pelo pastor. Conjugando devidamente todas estas realidades e absorvendo-as, há mais manobras para o pastor exercer pacificamente, com maior autoridade e tranquilidade, o seu ministério eclesiástico, reduzindo consideravelmente muitas investidas do inimigo e do diabo em especial. 

Por isso, não compreendo minimamente os defensores da dissociação do ministério pastoral com a família pastoral. Esta pretensão não acautela a maior protecção que o pastor dispõe no ministério: a sua família. A família do pastor é, falando humanamente, retaguarda e reduto do pastor nos momentos decisivos do ministério. É na sua família que o pastor encontra carinho, incentivo, estímulo para continuar a prosseguir com o ministério. Retirar ao pastor esta peça fundamental no seu compromisso com a igreja é retirar-lhe a retaguarda em tempos de adversidades e um autêntico paradoxo em termos bíblicos. Não há nenhum ganho espiritual em excluir a família pastoral do ministério do pastor, antes pelo contrário potencia mais riscos, escândalos, prejuízos para ele e o seu ministério em geral. 

Em suma, o ofício pastoral e a família do pastor estão manifestamente interligados, interdependentes e indissociáveis nos ministérios da Igreja, independentemente das várias formulações teológicas que tentam defender o contrário. O serviço pastoral, em última instância, envolve também a casa do pastor e é neste prisma que ele deve ser concebido, entendido e aplicado. Que assim seja. E assim sempre será para glória do Senhor Jesus Cristo. Amém. 

O Senhor Jesus Cristo: O Sumo Pastor da Igreja

 

Estive no passado domingo a pregar na minha Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora (IEBA). O tema objecto do meu sermão foi: “O Senhor Jesus Cristo – O Sumo Pastor da Igreja”, baseado no texto bíblico do conhecido Salmo vinte e três. O Messias veio de uma linhagem pastoral (real, bem entendido), através do patriarca David que primeiramente pastoreou as ovelhas e posteriormente o povo de DEUS por longos anos. Nasceu igualmente no meio dos pastores e estes foram os primeiros a receber “a boa nova de grande alegria para todo o povo” aquando do Seu nascimento em Belém de Judeia (Lucas 2:10). Durante o Seu imaculado percurso de vida aqui na Terra apascentou incansavelmente as pessoas, alimentando-as, curando-as das suas enfermidades, libertando-as do poder do Diabo, ressuscitando-as e dando-lhes a vida eterna. O Senhor Jesus Cristo conhece muito bem as particularidades, necessidades, limitações, vulnerabilidades e aspirações das suas ovelhinhas, razão pela qual protege-as, guiando-as por caminhos de felicidade, suprindo assim todas as suas imperfeições e faltas. O Senhor Jesus é, por excelência, o Sumo Pastor de todos os Filhos de DEUS, aliás, tal como o próprio vai reclamar durante o Seu ministério terreno como sendo “O Bom Pastor; o Bom Pastor que dá a Sua vida pelas ovelhas” (João 10:11;14-16). E este belo Salmo encerra indubitavelmente esta grande verdade salvífica. 

Ora, uma vez que o Senhor Jesus Cristo é o nosso Pastor “nada nos faltará”. No entanto, este “nada nos faltará” não se traduz propriamente na ausência completa de dificuldades, carências, tribulações e contradições na vida dos crentes, antes pelo contrário os Cristãos estão sujeitos aos problemas de várias ordens, nomeadamente à falta de saúde, falta de trabalho, falta de comida, faltas materiais e demais outras faltas que fazem parte da dinâmica da vida cívico-terrena. Mesmo assim, apesar destas momentâneas faltas, continuamos pela fé cheios do Espírito Santo nas nossas vidas que nos vai proporcionando o amor, alegria, reconciliação, harmonia, paz, gratidão, satisfação e uma vida bem-sucedida, plena e feliz, fazendo com que nada nos faltasse para a nossa sobrevivência. Por outras palavras, estamos plenamente servidos, saciados e preenchidos a todos os níveis. Preenchidos espiritualmente, moralmente e materialmente em Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador, porque reconhecemos a Soberania de DEUS nas nossas vidas – quer seja nos momentos bons ou menos bons –, por esta ser a vontade DELE, em Cristo Jesus, para connosco (1 Tessalonicenses 5:17). Por isso, nesta mesma esteira do pensamento, podemos suportar todas as coisas no Senhor Jesus que nos fortalece, tal como dizia o Apóstolo Paulo (Filipenses 4:13)

É por esta razão que o nosso Sumo Pastor faz-nos deitar em pastos verdejantes e concomitantemente conduz-nos a lugares de águas tranquilas. Levam-nos para estes lugares de fartura com o intuito de alimentar-nos espiritualmente e preparar-nos para podermos fazer face às tentações e provações que vamos tendo no mundo e, deste modo, corresponder satisfatoriamente com todas as exigências da vida Cristã. Estando nós bem nutridos na Palavra de DEUS nada nos faltará, e jamais nos poderá faltar, pois somos controlados e guiados pelo Espírito de DEUS. Tudo isto tem a ver com a protecção, provisão e direcção que o Sumo Pastor opera nas nossas vidas, saciando-nos assim de todas as nossas necessidades físico-espirituais, através de boa alimentação da Palavra de DEUS. 

No final do versículo dois, depois de ter sido bem nutrido de pastos verdejantes, o salmista é igualmente agraciado pelas águas tranquilas que, em última instância, remetem-nos para a acção do Espírito Santo na vida dos Cristãos. Estas águas tranquilas, de forma milagrosa, têm o efeito remidor de refrigerar a alma e criar um ambiente de sinfonia, reconciliação e apaziguamento na vida de todas as ovelhinhas do Senhor Jesus Cristo. Nenhum Cristão, portanto, pode viver em permanente estado de ansiedade, desânimo, tristeza, frustração e depressão ou sobressalto interior, porque está amparado pelo Espírito Santo. A sua alma está completamente confortada e refrigerada. O choro pode inclusive durar uma noite, mas a alegria vem logo pela manhã (Salmos 30:5). A nossa alma está consolada nas infalíveis promessas salvíficas do Senhor Jesus Cristo. Está descansada e espera somente em DEUS. Dispõe de plena harmonia, paz, amor, luz, esperança e salvação, seguindo firmemente com fé pelas veredas da justiça. Todos estes feitos têm como autor o Eterno Jeová. É ELE que conduz as ovelhas para os pastos verdejantes. Da mesma sorte, é ELE que as guia mansamente a águas tranquilas, bem como pelas veredas da justiça, por amor do Seu Grande nome. Justiça, em primeiro lugar, para com DEUS, as próprias e o próximo. Justiça na maneira de ver e encarar os enormes desafios da madrasta vida, sobretudo a vida espiritual. É DEUS, através do Seu Amado Filho Jesus Cristo, que nos habilita a encarnar a virtude da Justiça no nosso relacionamento e percurso de vida. 

Já no versículo quatro o salmista muda radicalmente de discurso para um cenário de turbulência, dificuldades, problemas, contradições, que vai consubstanciando num possível andar pelo “vale da sombra da morte”. Este versículo é bastante crucial e determinante para compreendermos, de forma holística, o alcance teológico e teleológico deste famoso Salmo. Todos os filhos de DEUS, sem excepção, têm que atravessar este doloroso “vale de lágrimas” para assim poderem estar completamente habilitados para entrar no Céu, obviamente com graduações diferentes, dependendo da experiência e realidade de cada um em particular. Os vales envolvem, acima de tudo, as adversidades e o sofrimento que vão surgindo no nosso percurso de vida Cristã.  A Fé Bíblica e o sofrimento estão visceralmente ligados, uma vez que somos chamados soberanamente para o sofrimento (1 Tessalonicenses 3:3). Consciente desta grande e inequívoca verdade, o Apóstolo Paulo vai ao ponto de sustentar que “nós sentimos alegria nos nossos sofrimentos, porque o sofrimento produz a perseverança; a perseverança provoca a firmeza de caráter nas dificuldades e a firmeza produz a esperança. Esta esperança não nos engana, porque Deus encheu-nos o coração com o seu amor, por meio do Espírito Santo que é dom de Deus” (Romanos 5:3-5)

E mais, todos aqueles que são autênticos filhos de DEUS jamais se sucumbirão na travessia dos “vales”. Somos habilitados pela Palavra de DEUS e acção do Espírito Santo em nós para ultrapassarmos todos estes temíveis “vales” e inclusive desertos rumo à Terra Prometida, visto que “todos os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas serão niveladas” para a manifestação do nosso Sumo Pastor Jesus Cristo e a libertação definitiva do Seu povo eleito (Isaías 40:4; Mateus 3:3; Marcos 1:3; João 1:23). Tal como Baraque venceu os cananeus no vale de Jezreel, Josafá os amonitas, os moabitas e habitantes dos montes de Seir no vale de Beraca (2 Crónicas 20:26-27), Gideão os midianitas no vale de Moré (Juízes 7: 1), David os edomitas no vale do sal (2 Samuel 8:13; 1 Crónicas 18:12), etc., assim também venceremos todos os “vales” que aparecerão no nosso caminho para nos estorvar o percurso à Pátria Celestial. 

Por isso, a Sua vara e o Seu cajado nos consolam, habilitando-nos, com esta perfeita disciplina Divina, a sermos, cada vez mais, melhores crentes, melhores cidadãos, melhores Cristãos e melhores filhos de DEUS em todas as esferas da vida. O bordão e o cajado são elementos importantíssimos, indispensáveis e irrenunciáveis que os pastores usam para guiar, da melhor forma possível, as suas ovelhinhas e simultaneamente dispersar, com eles, os putativos inimigos destas, razão pela qual dão-nos segurança para continuarmos a confiar inteiramente na graça redentora, no amor, no perdão, na protecção e providência do nosso Eterno e Todo-Poderoso DEUS. 

O salmista, no versículo cinco e seis, mudou novamente para um discurso mais vitorioso e triunfante. Falou, em primeiro lugar, de um banquete especial que lhe foi amavelmente preparado pelo “Bom Pastor” à frente dos seus detestáveis inimigos, assim como da forma honorável como foi acolhido nesta referida festa, tendo sido servido até transbordar. É curioso notar que, neste banquete triunfante, diferentemente do discreto do versículo dois, é feito à frente dos inimigos. Uma elevação ao mais alto nível – tanto do ponto de vista humano como espiritual e celestial.  

É importante ainda frisar que todos os seres humanos à face da Terra têm inimigos, principalmente os filhos de DEUS. Uns manifestamente declarados e conhecidos por nós. Outros, por razões várias, dissimulados e desconhecidos. São pessoas que impiedosamente nos odeiam e querem apenas o nosso fracasso e mal. Conhecendo de antemão esta triste realidade humana, ao longo dos séculos da nossa História, muitos destacados pensadores têm-se desdobrado incansavelmente em construir teses, doutrinas e receitas como antídotos necessários para lidar com o inimigo ou inimigos. Por todos eles, “A Arte da Guerra” de Sun Tzu e “Como Tirar Proveito dos Inimigos” de Plutarco. O primeiro autor, na sua formulação de como combater o inimigo nos seus vastos planos e vencê-lo, sustentava que “sempre que um adversário quer fazer-me guerra, tomo a dianteira e arruíno os planos dele antes mesmo que tomem forma. Mas se sou eu que planeio uma ofensiva, trato de liquidar os planos de defesa que ele já tiver formado”, concluindo que “quem conhece o inimigo como a si mesmo, em cem guerras, será cem vezes vitorioso. Quem ignorara o inimigo mas conhece-se, vencerá uma vez em cada duas. Quem ignorara o inimigo e a si mesmo, só contará os combates pelas derrotas” (Sun Tzu, in A Arte da Guerra, Guerra & Paz, Lisboa, p. 28 e 30, 2020). Ao passo que este segundo autor dizia que “o inimigo está sempre à espreita e a espiar as tuas coisas e procurando a ocasião por todas as partes, recorrendo sistematicamente à tua vida, não olhando apenas através azinheira como Linceu, nem através de ladrilhos e pedras, também através do teu amigo, do teu servo e de todos os teus familiares, indagando naquilo que lhe for possível, o que fazes, e esquadrinhando e explorando as tuas decisões”, aconselhando depois para a necessidade de maior prudência, maior vigilância, maior empenho, maior austeridade e maior proactividade, máxime “se o acusas de ser mal-educado, aumenta em intensidade o teu amor ao estudo e ao trabalho; se o acusas de ser cobarde, mostra mais a tua valentia e audácia; se o acusas de ser libertino e desesperado, apaga da tua alma qualquer vestígio de amor pelo prazer que tenha passado despercebido” (Plutarco, in Como Tirar Proveito dos Inimigos, Coisas do Ser, Lisboa, p. 13 e 17, 2008)

Todas estas receitas dos classicistas, e demais dos outros conceituados autores, não obstante a sua pertinência objectiva, são falíveis humanamente se não for a graça Divina para nos ajudar a vencer os nossos inimigos. Sabemos, por experiência própria, que o inimigo é muito mais astuto e implacável do que aquilo que a priori julgamos em termos racionais, pois não temos a capacidade suficiente de conhecê-los todos e nem sabemos o tempo exacto em que vão nos atacar. A começar, desde logo, pelos inimigos visíveis como os invisíveis. E esta realidade torna-se ainda mais gravosa quando se trata de nós, os Cristãos, os amados filhos de DEUS, porque temos o mais temível de todos os inimigos que há no mundo – que é também o nosso inimigo número um: o Diabo, os seus demónios e todos os seus agentes que estão sistematicamente a maquinar planos maléficos para nos arruinar a vida e, desta forma, destruir-nos completamente. É, justamente, por isso, denunciava oportunamente o reputado Teólogo João Calvino, considerando que “Satanás […] mil vezes por dia nos tira do caminho certo. Não digo nada acerca do fogo, e da espada, e dos exílios, e de todos os furiosos ataques a nossos inimigos. Não digo nada acerca de difamações e outros vexames similares. Quantas coisas piores do que essas existem aqui dentro! Homens ambiciosos atacam-nos abertamente, epicureus e lucianistas redicularizam-nos, homens insolentes insultam-nos, hipócritas enraivecem-se conosco, os sábios segundo a carne ferem-nos, e somos atormentados de muitas formas diferentes por todos os lados” (João Calvino, citado por Timothy George em Teologia dos Reformadores, p. 244, Vida-Nova/São Paulo, 2004). O Teólogo Martinho Lutero, no seu famoso hino “Castelo Forte é Nosso Deus”, considerava que “com força e com furor nos prova o Tentador, com artimanhas tais e astúcias infernais que iguais não há na terra”. O Apóstolo Pedro, já anteriormente advertia-nos a sermos incessantemente “prudentes e estejam alerta, pois o vosso inimigo, o Diabo, anda à vossa volta, como um leão a rugir, procurando a quem devorar”, enxotando-nos a resistir-lhe firmemente na fé e sem vacilar (1 Pedro 5:8-9)

Mesmo assim, apesar de todos estes riscos associados à conjectura da nossa vida, somos mais que vencedores por meio do Senhor Jesus que nos amou (Romanos 8:37). No versículo cinco deste magnífico Salmo ficou manifestamente patente esta grande verdade teológica e soteriológica: todos os nossos inimigos vão poder vislumbrar, de forma impotente e a contragosto, a nossa sublime conquista, sucesso, realização, vitória e felicidade eterna, sem terem a capacidade de travar isso ou alterar o cenário da nossa exaltação e glorificação. Tudo isto será à frente deles num banquete especial patrocinado pelo nosso Grande Sumo Pastor Jesus Cristo. A nossa mesa será preparada pelo Senhor Jesus Cristo bem à vista do inimigo, ungindo-nos a cabeça com óleo, o nosso cálice transborda e transbordará para sempre. 

Em suma, pelo poder de DEUS, venceremos todos os nossos inimigos humanos, os nossos inimigos conhecidos e desconhecidos, os nossos inimigos visíveis e invisíveis. Venceremos o Diabo e todos seus demónios e agentes. Aleluia! 

O autor sagrado, continuando ainda na sua proclamação triunfante, sustentava que a bondade e a misericórdia lhe seguirão todos os dias da sua vida (v.6). Realmente todos aqueles que são amados filhos de DEUS encarnarão, sem dúvida, as maiores e melhores virtudes humano-espirituais nesta vida e no além. Sabemos que todos os seres humanos à face da Terra almejam e buscam afincadamente as nobres virtudes como forma de atingir a felicidade, mesmo desconhecendo, na generalidade de situações, no que elas realmente consistem ou as vias mais correctas de encontrá-las. Com efeito, para os eleitos filhos de DEUS, estas virtudes ilustradas na bondade e misericórdia nos seguirão durante a nossa peregrinação neste mundo. Elas nos cercarão e permanentemente nos perseguirão, tal como formulava alguns biblistas, todos os dias da nossa vida. Bondade em vivenciar inteiramente a Palavra de DEUS nos nossos corações e prontidão em anunciá-la para o mundo perdido.  Misericórdia na rectidão, no perdão, na reconciliação e especialmente na demonstração do amor ao próximo. Nenhum Cristão pode omitir ou furtar-se a estas elevadíssimas virtudes no seu testemunho diário de vida, sob pena de ser um pseudo-cristão, porquanto tais virtudes são marcas visíveis da acção do Espírito Santo nas nossas vidas. 

A bondade e a misericórdia inevitavelmente nos perseguirão e, deste modo, conduzir-nos-ão definitivamente à Casa do Senhor. E habitarei na casa do Senhor por longos dias, vincava peremptoriamente o salmista David (v.6). Morarei na Casa do Senhor para sempre. Residiremos na Casa de DEUS para toda a eternidade. Louvado seja DEUS eternamente. Que assim seja pela fé no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. Será sempre assim. E assim sempre será. 

Os Sonhos Que Ficaram Por Realizar, por Martin Luther King Jr. (3)

“Saí esta manhã de Atlanta, e quando íamos a levantar o voo – éramos seis – o piloto disse pelo altifalante: «Pedimos desculpa pelo atraso, mas temos connosco no avião o Dr. Martin Luther King. E para ter a certeza de que todas as bagagens eram inspeccionadas e de que estava tudo bem no avião, tivemos de verificar tudo com muito cuidado. E tivemos o avião sob protecção e vigilância durante toda a noite.» Depois cheguei a Memphis. E ouvi falar das ameaças, ou dos rumores de ameaças que andaram no ar, de actos que estariam preparados contra mim por alguns dos nossos irmãos brancos de mente doentia. 

Pois bem, não sei o que vai acontecer agora; temos pela frente dias difíceis. Mas isso para mim já não tem importância, porque já cheguei ao cume da montanha. E não me importo. Como qualquer outra pessoa, gostava de ter uma vida longa – a longevidade é uma coisa boa. Mas agora não estou preocupado com isso. Só quero fazer o que for da vontade de Deus. E Ele permitiu-me subir ao cume da montanha. E olhei de lá de cima e vi a terra prometida. Pode ser que não a alcance convosco. Mas quero que saibais esta noite que o nosso povo há-de alcançar a terra prometida. E eu estou feliz, esta noite. Não estou preocupado com nada. Não estou com medo de ninguém. Os meus olhos viram a glória da chegada do Senhor.[1]


[1] Últimas palavras de Martin Luther King Jr., extraído na sua autobiografia, in Eu Tenho Um Sonho, p. 398, Bizâncio, Lisboa, 2003. Este foi o último discurso do Pastor Baptista e Activista dos Direitos Humanos, Luther King, no templo do bispo Charles J. Mason, em Memphis. Um dia depois desta famosa alocução, 4 de Abril de 1968, foi barbaramente assinado no Motel Lorraine. 

Luther King inspirou-se, nestas suas últimas palavras, no legado do Patriarca Moisés que subiu ao cume das campinas de Moabe ao monte Nebo, ao cume de Pisga, que está defronte de Jericó para vislumbrar a Terra Prometida – depois de ter liderado abnegadamente o povo de DEUS no deserto por aproximadamente quarenta anos. Viu a Terra Prometida, mas não chegou de entrar nela.  Assim, diz as Sagradas Escrituras, “morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor” (…) E os filhos de Israel prantearam a Moisés trinta dias, nas campinas de Moabe; e os dias do pranto do luto de Moisés se cumpriram” (Deuteronómio 34:1-8).

A Terra Prometida que Luther King vislumbrou, antes de dar o encontro definitivo com o Seu Salvador Jesus Cristo, é a mesma Terra Prometida que Obama procurou, de forma um pouco desconfigurada, desvendar no seu recente livro A Terra Prometida (que já estou a ler). 

Os Sonhos Que Ficaram Por Realizar, por Martin Luther King Jr. (2)


 “(…) Sim, se quiserdes dizer que eu fui um chefe da banda, dizei que fui um chefe da banda de justiça. Dizei que fui chefe da banda da paz. Fui um chefe da banda da rectidão. E tudo o resto, as outras coisas comezinhas, não conta. Não terei dinheiro para deixar em herança. Não terei as coisas valiosas nem os luxos da vida para deixar em herança. A única coisa que quero deixar em herança é uma vida de militância. E era só isto que vos queria dizer. 

Desde que possa ajudar alguém por quem passo, desde que possa animar alguém com uma palavra ou um cântico, desde que possa mostrar a alguém o caminho que deve seguir, a minha vida não terá sido em vão. Desde que possa cumprir o meu dever de cristão, desde que possa trazer a salvação ao mundo, desde que possa espalhar a mensagem que o meu mestre me ensinou como lição, a minha vida não terá sido em vão.[1]”.


[1] Últimas palavras de Martin Luther King Jr., extraído na sua autobiografia, in Eu Tenho Um Sonho, p. 399, Bizâncio, Lisboa, 2003. Este foi o último discurso do Pastor Baptista e Activista dos Direitos Humanos, Luther King, no templo do bispo Charles J. Mason, em Memphis. Um dia depois desta famosa alocução, 4 de Abril de 1968, foi barbaramente assinado no Motel Lorraine. 

Um Dia, Um Aniversariante


O Pastor Marcos Mendes Ferraz faz anos hoje. Foi meu Professor no Seminário Teológico Baptista (STB) e na Escola Bíblica Dominical da nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora (IEBA). É actualmente meu Pastor na referida congregação (LER)

Muitos parabéns e feliz aniversário, estimado Pastor Marcos Mendes Ferraz. Votos de ricas e poderosas bênçãos terreno-celestiais na Graça e Paz do nosso Salvador Jesus Cristo. Todas as felicidades do tempo e da eternidade. 

As Qualificações dos Oficiais da Igreja



Os Oficiais da Igreja devem ser irrepressíveis na sua postura eclesiástica, familiar, social, relacional e em toda a sua convivência diária. Não devem ser pessoas, tal como exorta expressamente a Palavra de DEUS, dadas ao vinho, nem a levantarem conflitos ou serem interesseiras, orgulhosas, nem ter mau génio ao ponto de levarem uma vida reprovável. Devem, antes pelo contrário, ser sujeitos de boa reputação, fiéis na vida conjugal e bons pais de família, sóbrios, prudentes, equilibrados, hospitaleiros e terem capacidades suficientes para ensinar (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:6-9). Os Pastores, os diáconos e as diaconisas devem ser exemplos na comunidade e na vida fora, especialmente os Pastores. Estes não podem, em circunstância alguma, descurar a sua espiritualidade. Devem estar sempre na linha da frente na intransigente defesa da Sã Doutrina, da Ética Cristã, da Moral e dos Bons Costumes. O ministério pastoral dos Pastores não está dissociado dos seus familiares, entendemos nós, isto é, no caso de serem casados, das suas esposas, filhos e todos aqueles que estão sob os seus cuidados. 

Por esta ordem de ideias, a mulher do Pastor deve apresentar-se com dignidade, modéstia, sem grandes penteados, nem ouro, nem jóias nem vestidos luxuosos, mas sim como convém à mulher que se preocupa principalmente em agradar a Deus pelas boas obras (1 Timóteo 2:9-10), evitando sobretudo o pecado do materialismo, da bisbilhotice, da murmuração, da sensualidade e sumptuosidade. Da mesma sorte, espera-se um comportamento decente e congruente dos filhos dos Pastores com os impolutos Princípios e Valores Cristãos, uma vez que fazem parte essencial do ministério pastoral. A família Pastoral deve ser modelo para todas as famílias da Igreja – tanto na espiritualidade, na oração, no serviço aos santos, na hospitalidade, na solidariedade, na visitação e na Evangelização e Missões. A mulher do Pastor deve ser – particularmente – exemplo para toda a comunidade e concomitantemente os filhos dos Pastores, com vista a “aliviarem” o ministério do Pastor e, deste modo, colaborarem de forma edificada no ofício pastoral, livrando assim o Pastor de “não se tornar motivo de difamação nem cair na armadilha preparada pelo Diabo (1 Timóteo 3:1-9). Isto porque, como dizem as Escrituras Sagradas, “se alguém não é capaz de ser um bom chefe da sua própria família como pode assumir responsabilidades na Igreja de DEUS?” (1 Timóteo 3:1-5). Obviamente que não está habilitada para ser Pastor do rebanho do Senhor Jesus Cristo. A mesma verdade se aplica também aos diáconos, diaconisas e demais responsáveis da Igreja. 

Acontece que, por vicissitudes várias, infelizmente, tem havido uma manifesta negligência no que toca à “postura irrepreensível” que deveria nortear a família pastoral e de todos os Oficiais da Igreja. Há cada vez mais um esforço de tentar dissociar o ministério do Pastor da sua família, praticamente desvinculando a mulher do Pastor e os seus filhos como parte fundamental do referido ministério, através de um discurso tautológico aparentemente “consistente” de vitimização sobre a demasiada pressão que as comunidades colocam na família Pastoral. Apercebemo-nos claramente disso quando estávamos a estudar no Instituto Bíblico das Assembleias de DEUS e posteriormente no Seminário Teológico Baptista, bem como nas conversas que temos mantido com inúmeros Pastores e Líderes de várias denominações Evangélico-protestantes. Jamais poderemos compactuar com este discurso redutor e sem qualquer sustentáculo bíblico. 

É verdade que o Diabo tem usado muitas pessoas na Igreja para propositadamente caluniar, humilhar, magoar e ofender o Pastor e a sua família. Também é verdade que, nalgumas igrejas, tem havido uma agenda direcionada a colocar em causa a reputação da família pastoral, através de suspeitas infundadas, maledicências, inverdades grosseiras e toda a sorte de ataques vis contra o bom nome do Pastor e da sua família. É verdade ainda que há uma utópica visão dos Cristãos que julgam que a família Pastoral deve ser perfeitíssima em tudo, sem possibilidade de humanamente falhar. Qualquer recaída é motivo para colocar logo em causa todo o bom trabalho e reputação do Pastor. Não estamos a desvalorizar tais subjacentes realidades nas nossas congregações e, nem tão pouco, as pressões descabidas que parte significativa dos Pastores e as suas famílias vivem. Estamos plenamente cientes disso. No entanto, esses ataques do adversário fazem parte do ministério pastoral e a família do Pastor deve saber muito bem conviver com eles, procurando na medida do possível não ofender a consciência dos ímpios e nem da igreja de DEUS. Ser, acima de tudo, delicado para com todos, não pelo seu interesse, mas pelo bem de todos, para que possam salvar-se (1 Coríntios 10:32-33). Por isso, o Pastor “deve tratar toda a gente com delicadeza, deve saber ensinar e ser capaz de suportar o mal. Deve saber corrigir os seus adversários com mansidão, pois talvez Deus os leve a arrependerem-se para reconhecerem a verdade. E assim escapam da armadilha do Demónio que os traz amarrados para fazerem o que ele quer (2 Timóteo 2:24-26). E tudo isto passa, em última instância, por Pastor ser um exemplo de testemunho para todos os fiéis, juntamente com toda a sua família. Eis o maior e melhor remédio para todas essas artimanhas do Diabo. Que assim seja.  

Dia do Pastor


(O Pastor Marcos Mendes Ferraz, a mulher e os seus filhos. Na foto, em ordem crescente: Isaque, Jónatas, Rubem, Mateus, Margarida e o Pastor. A foto foi extraída no facebook da irmã Margarida). 



Dentro de algumas horas estaremos na nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, a celebrar peculiarmente o "Dia do Pastor". Nunca tive nenhumas reservas sobre as datas comemorativas, que as sociedades, associações e instituições de várias ordens estabelecem para homenagear publicamente determinadas classes de pessoas pela importância cimeira que representam na comunidade, contando que não se extravasem os limites do bom senso e da razoabilidade requeridas. Cumprindo estes nobres pressupostos sociais não encontro qualquer pretexto ou oposição para não dar também a minha anuência a essas importantes efemérides, antes pelo contrário. Dito por outras palavras, enquadro-o sempre no brocardo bíblico de "a quem temor, temor; a quem honra, honra" (Romanos 13:7). 

No meu já longínquo percurso de vida Cristã, desde a mais tenra idade, tive oficial e formalmente quatro pastores, nomeadamente o Pastor Luís Baptista, António Cabral, Manuel Alexandre Júnior e Marcos Mendes Ferraz, respectivamente. Os dois primeiros são os meus conterrâneos guineenses. Pastorearam-me na Igreja Evangélica de Bandim onde, pela soberana vontade Divina, actualmente, o meu querido irmão Evaristo Vieira é Pastor adjunto do Pastor António Cabral na referida congregação (LER). Estes quatro pastores tiveram um papel amiúde preponderante na minha vida espiritual, bem como a minha querida família e tantos outros servos e servas que o Altíssimo DEUS colocou no meu caminho para me coadjuvar  a consolidar a minha fé no Senhor Jesus Cristo. 

O meu primeiro Pastor foi Luís Baptista. Converti-me, aos 17 anos de idade, em 2001, com o Pastor António Cabral, na Igreja Evangélica de Bandim, em Bissau. Fui Baptizado pelo Pastor Manuel Alexandre Júnior, no templo da Igreja Evangélica Baptista da Amadora, Portugal, em 2006 (LER). O Pastor Marcos Mendes Ferraz é, neste momento, o meu Pastor. Guardo, como se pode notar, boas memórias destes preciosíssimos servos do SENHOR e poderia lançar-me em prolegómenos para confirmar esta afinidade eclesiástica. No entanto, julgo inoportuno fazê-lo. Talvez, quem sabe, no futuro, venha a fazê-lo num outro artigo. Por agora, cingir-me-à a minha consideração meramente ao Pastor Marcos Mendes Ferraz, uma vez que é actualmente o meu Pastor. 

Conheci o Pastor Marcos Mendes Ferraz no Seminário Teológico Baptista, em Queluz. Mais tarde veio a assumir o pastorado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, como adjunto do Pastor Manuel Alexandre Júnior, passando assim por inerência a ser também o meu Pastor (LER). Posteriormente foi meu Professor no Seminário Teológico Baptista (STB), dando-me a cadeira de Teologia do Novo Testamento. Foi, da mesma sorte, meu Professor na Escola Bíblica Dominical e pude ainda trabalhar com ele em alguns ministérios da nossa Igreja, máxime na área da Educação Cristã, na Direcção da Igreja (LER) e no Evangelismo e Missões. O Pastor Marcos Mendes Ferraz é uma pessoa inteligente, discreta, humilde e bastante comprometida com a causa do Evangelho. Qualidades cada vez mais raras "no presente século mau" a que estamos adstritos. A nossa Igreja tem vindo cada vez mais a beneficiar da sua sapiência e riquíssimos sermões que tem pregado. 

A todos vós, meus estimados pastores, espero que continuem a evidenciar os excelentes atributos espirituais do "obreiro aprovado", pastoreando saudavelmente "o rebanho que Deus vos confiou, não por obrigação, mas de boa vontade, tal como Deus quer; não por espírito de ganância, mas com dedicação; não como quem se impõe sobre os que lhe foram confiados, mas como modelo para todos. E quando o chefe dos pastores vier, ser-vos-á entregue a coroa de glória que nunca perderá o seu brilho", exortam vigorosamente as Escrituras Sagradas (1 Pedro 5: 2-4)

Quero aproveitar ainda, em suma, para homenagear todos os autênticos pastores, missionários, evangelistas, líderes espirituais, teólogos, mulheres e homens de "boa vontade" que estão na linha da frente na difusão e promoção do Evangelho para o Mundo perdido, sobretudo que jamais se esqueçam de interiorizar que "aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos" (Salmos 126:6). Que a Graça do Senhor, nosso Deus, pouse sobre vós, fazendo prosperar as obras das vossas mãos; sim, ELE confirmará a obra das vossas mãos em tempo oportuno para Honra e Louvor do Seu Grande Nome (Salmos 90:17). Que assim seja.

A Via-sacra da Vida Cristã, Pelo Pastor Manuel Alexandre Jr.


«Estamos a chegar a um ponto crítico de viragem na brevíssima história dos evangélicos em Portugal. Num tempo em que o cristianismo tão abismalmente se seculariza e o materialismo com maior força impera assumindo contornos de uma cristandade cada vez mais profana, os sinais dos tempos apontam para formas mais radicais de ecumenismo e liberalismo teológico. Lá vai o tempo em que devotada e reverentemente se cuidava dos mais sagrados princípios e valores da doutrina e da moral evangélica. Profanou-se de tal maneira o sagrado que até parece que é pecado uma pessoa bater-se pela causa da verdade e da justiça, proclamar a santidade da vida, tentar reabilitar os pilares fundamentais da ética cristã. 

A lúcida leitura da história e a consciente avaliação da realidade presente claramente nos mostram que é tempo de agir, seguindo e proclamando a verdade em amor, buscando, se necessário, vias alternativas de revitalização espiritual. Dói-me ver uma nova geração de crentes desmotivados, desencantados face ao panorama espiritual dos nossos dias. Uns, desligam-se do sistema e seguem a via mais fácil do conformismo. Já têm problemas que lhes baste na gestão do seu dia-a-dia tanto no seio da família, como no do trabalho e dos relacionamentos externos. Vão adoptando fórmulas de um cristianismo soft e descafeinado, cada vez menos comprometidos com a igreja e mais acomodados aos modelos profanos da contracultura do ‘presente século mau’. Outros, porventura desviados dos valores fundamentais da fé bíblica que um dia abraçaram, vão-se armando em livres-pensadores, enredados numa amálgama confusa de ideias que não raro os transvia pela vereda ideológica de um cinismo cáustico e muitas vezes induz a cometer o gravíssimo pecado de impiedade e sacrilégio. Outros ainda, por falta de exemplos motivadores, nunca chegaram a assimilar a essência da fé cristã, nutrindo-se de querelas e ressentimentos, e esgotando na maledicência as poucas energias espirituais que ainda têm, sem conseguirem sequer cultivar ou saborear a beleza e a doçura do amor, da bondade e da misericórdia. 

Felizes os santos de Deus que teimam em cultivar a vida cristã real, amando, servindo e adorando o seu Senhor, alimentados na sua caminhada espiritual por uma gratidão infinita ao Senhor Jesus por tão grande salvação; gratidão que lhes tempera a alma e permanentemente os motiva a amar, servir, abençoar e bendizer, até mesmo aqueles que os difamam, perseguem ou maltratam. 

A via-sacra da vida cristã é sempre uma via dolorosa, tal como foi a do Senhor Jesus. Mas é a única via em que o crente se realiza e prepara para o céu. Permaneçamos, pois, fiéis a Cristo e sua Palavra, não obstante as contradições e adversidades desta vida. Unamos as nossas forças espirituais para tornar bela e santa a sua igreja, colaborando nela com o Senhor Jesus para estabelecer na terra o seu reino de amor.». 

(Pensamento extraído no perfil do facebook da estimada irmã Maria José Alexandre [LER])

A Aniversariante


A minha estimada irmã na Fé, Maria José Alexandre, faz anos hoje. Uma pessoa genuína, delicada e bastante fina no trato. Tem dedicado a sua vida à causa do Evangelho, servindo com amor e fervor a Igreja de Cristo e as pessoas. É neste quadro que nos conhecemos e consolidámos a nossa amizade ao longo dos anos. Sempre procurou inteirar-se da minha situação juntamente com o marido, o Pastor Manuel Alexandre Jr., bem como ajudar-me na medida do possível. Devo-lhes imensos favores, que jamais esquecerei. Não hesito mesmo em afirmar categoricamente que a família Alexandre foi um instrumento de DEUS para me abençoar. Por isso, estou-lhes bastante grato, tal como sublinhei aqui há quatro anos (LER). Espero um dia ter oportunidade de retribuir-lhes todo o bem que me têm feito. 

Prezada irmã Maria José Alexandre, desejo-lhe as maiores bênçãos e realizações a todos os níveis. Que o nosso Todo-poderoso DEUS continue a preservá-la com longa vida e saúde robusta para cuidar da sua amada família, bem como a Igreja de Cristo. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam sempre consigo agora e para todo o sempre. Feliz aniversário e eternas felicidades com o Salmo 23:1-6.

Gratidão à Família Alexandre


«A Gratidão é mais do que um sentimento. Se apenas fosse um sentimento, ela limitar-se-ia a ser apenas a resposta natural a situações em que nos acontecem coisas boas. Mas ela é acima de tudo uma atitude, uma escolha, uma maneira própria de ser e estar na vida, em todas as circunstâncias, sejam elas de alegria ou de dor. “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”, diz a Palavra do Senhor (I Tessalonicenses 5:18)» (Pastor Manuel Alexandre Júnior, in Plenitude e Harmonia, Núcleo – Centro de Publicação Cristãs, Caneças, 2010, p. 112). 


O Pastor Manuel Alexandre Júnior e a irmã Maria José Alexandre cessaram anteontem, de forma efectiva, o ministério pastoral que vinham exercendo a tempo integral há cinco décadas e meia. Os 24 anos deles foram dedicados à Igreja Evangélica Baptista da Amadora, sendo assim substituídos pelo Pastor Marcos Mendes Ferraz e a irmã Sónia Margarida Ferraz. 

Para efeitos de registo, especialmente por ter sido beneficiado imensamente com o ministério da família Alexandre, gostaria apenas de manifestar aqui o meu profundo agradecimento para com este maravilhoso casal que tanto estimo e admiro. Cresci bastante em termos espirituais com as ricas mensagens bíblicas do Pastor Manuel Alexandre e os seus preciosos conselhos. Desde logo, fui baptizado por ele (LER), somando a solidariedade e generosidade do casal que procura sempre inteirar-se da minha situação, convidando-me inúmeras vezes para ir almoçar com eles em sua casa, e pontuais ofertas financeiras que me tem concedido em praticamente todos os Natais. 

Por isso, com enorme gratidão a DEUS e também à família Alexandre, o meu muito obrigado por tudo quanto têm feito por mim. Faço votos que o Senhor Jesus possa abençoar-vos nesta nova fase que a partir de agora vão seguir, conferindo-vos vida, saúde, protecção. Que sejam, acima de tudo, vasos de bênçãos para todos aqueles que cruzam o vosso caminho, sobretudo à amada Igreja de Cristo. DEUS esteja sempre convosco. 

E para o Pastor Marcos Mendes Ferraz e  a irmã Sónia Margarida Ferraz, desejo-vos, da mesma sorte, as maiores felicidades e bênçãos celestiais na liderança da nossa igreja, juntamente com os vossos queridos filhos. Que a nossa congregação continue a crescer na Graça, na Espiritualidade, no Compromisso com o Evangelho, na Comunhão uns com os outros, no pleno Conhecimento das Sagradas Escrituras e no número de pessoas que vão sendo salvas para Glória do nosso Eterno DEUS. Que assim seja.