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Dura Lex, Sed Lex


"A lei é dura, mas é a lei", diziam sabiamente os romanos sobre o conceito austero e imparcial da Justiça. Mesmo assim, usando a piedade Cristã que a Palavra de DEUS nos insta efusivamente a ter para com o próximo, sinto imenso pena de Luiz Inácio Lula da Silva (ALI) e (AQUI). Sem emitir propriamente qualquer tipo de juízo de valor sobre o seu mediático julgamento, e sem prejuízo que se faça inteiramente Justiça, não consigo regozijar-me com esta sua penosa sorte, tal como vejo satisfatoriamente muitas pessoas fazer, inclusive os crentes no Senhor Jesus. Espero que este seu encarceramento possa servir de oportunidade para ele se deixar penetrar pela salvífica luz Divina. 

E mais, para concluir, este controverso processo judiciário de Lula da Silva remete-nos para vários cálculos objectivos, máxime da efemeridade terrena do poder, riqueza, fama e glória. Comungando holisticamente desta inequívoca verdade soteriológica, o monge agostiniano Tomás de Kempis vai ao ponto de formular inspiradamente: "o quam cito transit gloria mundi" (o quão rapidamente passa a glória do mundo). A glória do mundo é, de facto, passageira. 

Não Censuremos nos Outros Aquilo que Também nos Atinge


Não censuremos nos outros aquilo que também nos atinge, diz sabiamente o brocardo popular. Seguindo na mesma esteira do pensamento, escrevia o reputado Filósofo Plutarco, na sua célebre obra “Como Tirar Proveito dos Inimigos”, que Platão ao encontrar-se com homens que agiam torpemente, costumava perguntar a si mesmo: «por acaso, serei igual a eles?». Todo aquele que censura a vida de outro, e em seguida olha para a sua própria vida e a modifica, orientando-a e corrigindo-a, retirará algum proveito da censura que, de contrário, parece ser, e é, inútil e vazia. Por isso, prosseguia advertidamente, a maioria das pessoas ri-se se um calvo ou um corcunda censuram e troçam de outros pelas mesmas razões, e, em geral, é risível censurar e troçar de qualquer coisa que pode devolver-lhe a censura. 

E, de seguida, vai dando especificamente o exemplo do Leão, o Bizantino, que tendo sido injuriado por um corcunda pela enfermidade dos seus olhos, lhe disse: «Deitas-me em cara uma desgraça humana, quando levas aos ombros a vingança divina». E também, não injurieis outro por ser adúltero, se tu mesmo fores louco pelos jovens; nem por ser desregrado, se tu mesmo és ruim: «És da mesma estirpe da mulher que matou o marido», disse Alcmeão a Adrasto. Que fazia aquele, na verdade? Não deitava em cara a injúria de outro, mas a sua própria: «E tu és o assassino da mãe que te gerou», respondeu-lhe na mesma medida o primeiro. 

E Domicio[2] disse a Craso[3]: «Não choraste tu pela moreia[4] que alimentavas no teu viveiro?». E Craso respondeu-lhe: «Não enterraste tu três mulheres sem derramares uma única lágrima?». Não é necessário que aquele que vai injuriar seja gracioso, de voz potente e audaz, deve, contudo, ser irrepressível e inatacável. Pois, o conselho da divindade «conhece-te a ti mesmo» parece aplicar-se sobretudo àquele que vai censurar outro, para que, ao dizer o que quer, não vá escutar o que não quer. Certamente pessoa deste tipo «quer», segundo Sófocles, soltando a sua língua em vão, ouvir involuntariamente aquelas palavras que diz voluntariamente, sentenciava o Filósofo. 

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(Inspirado no livro de Plutarco, in “Como Tirar Proveito dos Inimigos”, Coisas de Ler, p. 9,18,19, Lisboa, 2008).