Mostrar mensagens com a etiqueta Doença. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Doença. Mostrar todas as mensagens

Desumanização da Eutanásia


Partilho aqui, mais uma vez, o vídeo que gravei no ano passado intitulado “A Desumanização da Eutanásia”. A legalização da eutanásia, tal como oportunamente escrevi (LER), é uma das piores aberrações comportamentais contemporâneas. Uma autêntica abominação em todas as suas dimensões humano-antropológicas. É um acto monstruoso e inqualificável. A eutanásia é a provocação deliberada da morte antes do seu tempo natural. É matar literalmente, sob o pretexto de “boa morte” ou “morte suave”. Também configura um insulto à razão conotar a eutanásia como um ato de compaixão e de respeito pela liberdade dos outros. A eutanásia é claramente incompatível com o personalismo ético e quaisquer valores axiológicos da Dignidade da Pessoa Humana e do Direito à Vida (VER)

Não Nascemos Para Sofrer

Não nascemos para sofrer. Sim, não nascemos mesmo para sofrer. Nós, os seres humanos, não viemos a este mundo para sofrer. Não estamos minimamente preparados, em nenhuma fase ou circunstância, para sofrer. Não esperamos o sofrimento entrar no nosso percurso de vida. Não fazemos votos para o sofrimento ou conviver pacificamente com ele. Não folgamos ou ansiamos o sofrimento, antes pelo contrário detestamo-lo a todos os níveis. O sofrimento remete-nos, em última instância, para a fragilidade do ser humano e o prenúncio da sua degeneração, fatalidade, perecibilidade e finitude. O sofrimento está intrinsecamente ligado à debilidade, à fraqueza, à incapacidade, à doença, à dor e à morte. O sofrimento descaracteriza e mata.  Por isso, ele é “contranatura” porque afecta e coloca em causa a nossa constituição física, estrutura psicossomática e a própria existência, criando em nós atrofiamentos e lesões de personalidade insuperáveis e, em casos extremos, funestos. 

Qualquer sofrimento carrega um pesar. É um pressuposto assente em todo e qualquer tipo de sofrimento humano. Podemos infelizmente sofrer por nós próprios, pelos nossos familiares, pelos nossos amigos, pelos terceiros e pela humanidade em geral. O sofrimento indiscriminadamente atinge tudo e todos. Nenhum ser humano à face da terra é imune ao sofrimento ou lida bem com ele. O sofrimento afecta os pobres e, concomitantemente, os ricos. Também apanha pessoas doutas e pessoas indoutas. Abarca homens e mulheres. Atinge os adultos e as inofensivas criancinhas. Podemos, a título exemplificativo, sofrer pelo amor, pela injustiça, pela traição, pela decepção, pela agressão, pela discriminação, pela rejeição, pela solidão, pela doença e pela perda de um ente querido, etc. Praticamente todo o mundo vive sofrendo (naturalmente, com graduações diferentes, dependendo da situação e contexto que cada um está inserido). O objectivo do sofrimento é arruinar-nos, aliás, ele ilustra bem a condição de depravação do ser humano e da sua destruição (as almas que vão para o inferno estarão eternamente no sofrimento. Veja, por todos os exemplos, os impressionantes relatos do livro de Apocalipse e a “Divina Comédia” de Dante Alighieri[1]. Tanto que, por esta razão, numa perspectiva geral, o sofrimento não é tomado comummente como sendo algo de bom[2]

O ilustre Escritor Fernando Pessoa, no seu “Livro do Desassossego”, apelidava manifestamente o sofrimento como sendo “a dura opressão do coração”. O reputado autor alemão Johann Wolfgang von Goethe, na sua emblemática obra “Fausto”, considerava-o “ausência completa da alegria” (ALI) e (AQUI). O Salmista Hemã de Canaã classificava o sofrimento de “companhia das trevas” (Sl 88:1-18 (ALI) e (AQUI). O “sufoco permanente da alma”, definia-o desta forma o autor bíblico do livro de Job. 

Todos estes autores conotam o sofrimento com a solidão, a angústia, a dor, o quebrantamento, o fracasso, a fatalidade e o choro. No Bilhete Amarrotado de Odonato, citado pelo poeta angolano Ondjaki, em “Os Transparentes”, desabafa em tom fatídico que «acabou o tempo de lembrar/choro no dia seguinte/as coisas que devia chorar hoje» (LER)“Ninguém sabe por quanto sofrimento passei, ninguém sabe senão Jesus”, lamentavam os oprimidos escravos afro-americanos neste famoso hino Cristão[3]. Na mesma esteira do pensamento, os conhecidos sertanejos brasileiros Tonico & Tinoco, na melancólica música “Saudade de Matão”, consideravam aflitivamente que “esta dor que me consome/Não posso viver/Quero morrer/Vou partir pra bem longe daqui/Já que a sorte não quis/Me fazer feliz” (LER). Vejo, desabafa uma mulher profundamente deprimida citada no Segundo Sexo da feminista Simone de Beauvoir, “que há doze anos estou lassa, que este peito encerra uma dor inesgotável, que estas mãos foram marcadas pela tristeza e que, quando estou só, estes olhos raramente secam (LER)[4]. O sofrimento, de uma forma esboçada e subsumida, é um acidente no percurso do Homem e, simultaneamente, uma desgraça que ele vai carregando no seu dia-a-dia, culminando com a sua degeneração e morte. 

Se é verdade que todos nós, sem excepção, sofremos neste “vale de lágrimas” por razões múltiplas supramencionadas, também é verdade que somente aqueles que não se resignam conseguem usar o sofrimento para o seu aperfeiçoamento ético, moral e espiritual. Por outras palavras, não se deixar nunca vencer pelo sofrimento, mas superá-lo de forma determinada com bastante fé em DEUS. 

O Servo Sofredor, o Senhor Jesus Cristo, o Homem experimentado nos sofrimentos (Is 53:1-12), foi o maior e melhor exemplo de todos da forma como podemos sair vitoriosos em meio do sofrimento. Ele, conhecedor profundo das implicações humano-sociais do sofrimento na vida de uma pessoa, exortava categoricamente no Sermão do Monte: “bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” (Mateus 5:4 –  [VER] ). Os que semeiam em lágrimas neste mundo, asseverava o salmista no cântico da peregrinação, “segarão com alegria” (Sl 126:5 – [VER]). São os mesmos homens e mulheres de boa vontade que “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21:4). Que assim seja. E assim sempre será no nome Bendito do Senhor e Salvador Jesus Cristo. 



[1] As almas que vão para o inferno estarão eternamente no sofrimento. Vide, por todos os exemplos, os impressionantes relatos do livro de Apocalipse e a “Divina Comédia” de Dante Alighieri. 

[2] Embora haja correntes de pensamento que defendem, em determinados casos, o sofrimento como antídoto para o amadurecimento e aperfeiçoamento humano, nomeadamente o Cristianismo e o Estoicismo. Mesmo assim, estas duas correntes não o tomam de per si como um fim para o melhoramento, mas como um instrumento pontual que pode nos ajudar a ter noção real das coisas e, desta forma, ampliar os nossos horizontes na maneira de encarar os enormes desafios da vida (LER)

[3] Verso de um famoso espiritual negro, “Nobody knows the trouble i've seen”. (N. do T.), extraído in “Eu Tenho um Sonho – A Autobiografia de Martin Luther King, Jr., Bizâncio, Lisboa, 2003, p. 389. 

[4] Simone de Beauvoir, in Segundo Sexo2, Quetzal, Lisboa, 2015, p. 485 (LER)

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL (1): O Suicídio à Luz da Palavra de DEUS (1Rs 19:1-18)


Nunca foi tão premente reflectir sobre a saúde mental dos Cristãos como nos dias de hoje. Nunca foi tão oportuno redimensionar a teologia e as pregações bíblicas sobre esta calamidade público-social que afecta, cada vez mais, de forma drástica e funesta, milhões de pessoas em todo o mundo. A doença mental é um dos grandes cancros do nosso mundo pós-moderno, penetrando com bastante alcance nos círculos Cristãos. Por isso, a Igreja do Senhor Jesus Cristo não pode, em circunstância alguma, ignorá-la como se ela não existisse, tal como tem feito. 

Há muitos Cristãos que sofrem cronicamente com os problemas de ansiedade, depressão e tantos outros distúrbios cognitivos, ficando consideravelmente prejudicados a nível do seu crescimento espiritual, por causa da ausência completa do ensino bíblico nas igrejas e falta de apoio sobre a saúde mental. Muitos crentes, por vicissitudes várias e supervenientes, acabam por sofrer sozinhos, escondendo inclusive a doença da Igreja e terceiros, tendo em conta o estigma elevado e o preconceito generalizado de que a doença mental é objecto no meio Cristão. 

A temática sobre os distúrbios e doenças mentais não é propriamente consensual entre os Cristãos. Há uma grande querela doutrinária em saber se um genuíno filho de DEUS pode ser passível de contrair doenças mentais incapacitantes, levando-o, como consequência de tais patologias, em última instância, a suicidar-se. Não é o meu objectivo aqui destacar as várias posições em torno deste polémico assunto. No entanto, sou da inteira opinião que um autêntico Cristão pode sim sofrer de doença do foro mental, não obstante reconhecer concomitantemente que a generalidade das doenças mentais é de procedência maligna. Por outras palavras, não tenho nenhuma hesitação em afirmar peremptoriamente que as doenças do foro mental são o meio mais apelativo para o Diabo infiltrar-se na vida das pessoas e, consequentemente, destruí-las. O exemplo manifesto disso é a loucura do suicídio. 

Julgo, em suma, que nenhum Cristão “nascido de novo” pode atentar contra a sua própria vida ao ponto de pôr termo a ela, independentemente da situação de aflição que possa estar a viver no seu quotidiano. A presença do Espírito Santo na vida dos filhos de DEUS é um travão poderosíssimo para que estes não ponham termo à própria vida, não obstante poderem legitimamente, em determinados casos das suas vidas, querer morrer. Uma coisa é querer legitimamente morrer. Outra coisa, e bem diferente, é pôr termo à própria vida. São realidades completamente distintas uma da outra. Nenhum ser humano ou Cristão tem a prerrogativa para conspirar contra a própria vida. É esta grande e inequívoca verdade bíblica que enfatizei nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD). 

Que DEUS nos abençoe e nos livre de todo e qualquer tipo de doenças. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no Senhor Jesus Cristo. 

Adeus ao Uso da Máscara ou um Momentâneo Até Já?


 A partir de hoje deixou de vigorar o uso obrigatório de máscaras em Portugal. Nunca fui apologista de obrigar coercivamente as pessoas a usarem a máscara. Elas devem ser inteiramente livres de fazerem as opções que julgarem mais convenientes para as suas vidas, sem qualquer tipo de paternalismos ou tutela estatal. As minhas profundas reservas para com a não obrigatoriedade do uso da máscara não têm nada a ver com a esfera secular, mas sim com a sua dimensão espiritual. 

A máscara, a todos os níveis, tem uma conotação bastante negativa do ponto de vista Cristão. Ela é manifestamente incompatível com os Princípios e Valores do Cristianismo. A Palavra de DEUS exorta-nos vivamente a afastarmo-nos do mal e também de toda a aparência do mal (1 Tessalonicenses 5:22). Por isso, faz-me imensa confusão a máscara ser, neste momento, o nosso importante “aliado” no sagrado culto que prestamos a DEUS (pelos menos desde quando despoletou a maldita pandemia do coronavírus). Vemos a promoção – até à exaustão – das máscaras nos nossos púlpitos, bancos de igrejas e congregações em geral. Um desfile interminável de máscaras: máscaras a serem usadas nas pregações, na Escola Bíblica Dominical, no louvor e adoração, sob o falso pretexto de “protegermo-nos” uns aos outros e obedecer aos ditames das autoridades, que decretam o seu uso obrigatório nos templos. 

A Igreja deveria ter feito finca-pé para não aceitar a máscara nas suas instalações, reclamando com maior alcance a excepção que os restaurantes beneficiavam. Faz algum sentido estar a pregar ou louvar a DEUS com máscara? Obviamente que não. 

Toda esta trapalhada e deriva eclesiástica deve-se ao facto de as lideranças das igrejas decidirem, unilateralmente, sem base bíblica, fechar a Casa de DEUS, antes de ser propriamente decretado o estado de emergência, condicionando posteriormente a imposição do Estado na liberdade do culto dos crentes. Se as autoridades das igrejas não tivessem inicialmente alinhado na agenda mundana do Estado este, em circunstância alguma, ousaria obrigar à proibição das celebrações religiosas, uma vez que não tem competência constitucional para fazê-lo. A propósito disso, do fecho das igrejas, escrevia o ilustre Professor Catedrático Jorge Bacilar Gouveia, que “não esteve bem a hierarquia católica, que foi mais drástica do que o poder político, tomando e até antecipando uma proibição que nem o próprio Estado teve a ousadia de aplicar com tanta severidade”. 

E mais, a declaração do estado de sítio ou do estado de emergência “em nenhum caso pode afectar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, a não retroatividade da lei criminal, o direito de defesa dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião”, tal como preceitua a Constituição da República Portuguesa (art.º 19.6). Mas, infelizmente, as igrejas optaram erradamente por alinhar na onda do fecho generalizado e na subserviência sem precedentes ao poder político em detrimento da Palavra de DEUS e da saúde espiritual dos fiéis, distorcendo inclusive o alcance teológico da passagem bíblica de Romanos 13:1-7 para justificar o injustificável, isto é, o fecho das igrejas. 

O dia da libertação das máscaras chegou finalmente hoje. Espero que não seja momentaneamente um até já, mas sim uma libertação permanente. Espero igualmente que o uso de máscara não seja mais obrigatório, mas sim facultativo, para o bem de todos. Espero, por fim, que as máscaras abandonem definitivamente os nossos púlpitos e portas das nossas igrejas para assim podermos proclamar e louvar livremente o nosso Eterno DEUS, sem qualquer tipo de obstáculo, sufoco ou impedimento.  

A Ler


Globalização: Marcha-atrás a todo o vapor? A epidemia veio pôr a nu as falhas de uma economia interconectada já contestada. Estaremos dispostos a renunciar ao modelo que permitiu o nosso enriquecimento? São conjuntos de interrogações que foram suscitadas numa longa reportagem da Revista Courrier Internacional deste mês sobre o “Repensar o Mundo” em que vivemos, abordando a pertinente temática da pandemia do coronavírus, globalização, crise climática e natalidade (LER)

O Coronavírus e a Mutabilidade da Vida


Se há grande lição que esta pandemia do coronavírus nos vem reconfirmar é que nada é definitivamente garantido na vida, tal como alguns julga(va)m. Tudo é dinâmico, maleável e efémero. A política e a governação são efémeras. O trabalho e a estabilidade são efémeros. A democracia participativa e a liberdade dos cidadãos são efémeras. A comodidades e o bem-estar do dia-a-dia são efémeros. A família e os relacionamentos são efémeros. Da mesma sorte, a saúde e a vida são efémeras. Estamos sempre em constante mudança no espaço e no tempo – tanto para o bem como para o mal. Tudo é mutável, transitório e, em última instância, perecível. 

Há cinco meses, antes de germinar propriamente esta maldita praga do coronavírus, milhares e milhões de pessoas em todo o mundo organizaram as suas vidas de acordo com a condição expectável de cada um. No entanto, viram repentinamente tais expectativas alterarem-se drasticamente e com as profundas implicações práticas a que estamos impotentemente a assistir todos os dias: recessão económico-financeira em todos os países do mundo, desemprego galopante, famílias e amigos forçosamente separados, somando a milhares de pessoas que estão neste momento entre a vida e a morte e os que infelizmente já morreram e vão continuar a morrer paulatinamente, bem como muitas outras calamitosas situações colaterais que se auguram ainda num futuro breve. Tudo se alterou subitamente num abrir e fechar de olhos, deixando-nos reduzidos ao confinamento social e condicionados significativamente no nosso modo de viver. 

Há, para além da verdade acabada de se mencionar, ainda uma outra importantíssima lição que podemos extrair com este maldito coronavírus, nomeadamente que o interesse público deve sempre prevalecer em detrimento do interesse privado. Digo isto porque tem havido uma grande querela doutrinária ao longo dos tempos, persistindo até aos nossos dias, entre os defensores do Individualismo e do Colectivismo. Aqueles, de forma subsumida, dão demasiada primazia à liberdade individual e autodeterminação em detrimento do corporativismo. Ao passo que estes assentam nos pressupostos da realização do individuo dentro da colectividade em que ele está inserido. 

A meu ver, julgo que tem de haver a interdependência entre as duas distantes mundividências da vida, contando que não se ponha em causa a sobrevivência do Homem. E, justamente, por isso, nesta esteira do pensamento, oponho-me manifestamente à legalização da hedionda prática do aborto, do casamento homossexual, da eutanásia e das outras práticas aberrantes que colocam em causa a natureza da vida humana (LER). Com a pandemia do coronavírus, máxime as medidas preventivamente excepcionais que têm sido adoptadas pelos países, vem reforçar ainda mais a verdade de que a sobrevivência humana está acima da democracia, da liberdade e da auto-determinação, razão pela qual somos duramente afectados na nossa autonomia privada em nome da inquestionável sobrevivência colectiva. 

Tudo isto remete-nos primeiramente sobre a ideia cimeira da mutabilidade e transitoriedade da madrasta vida. Somente quando temos a consciência plena da volubilidade da vida e da sua fugacidade é que realmente estamos em condições necessárias de cultivar a sábia arte de viver bem, isto é, reconhecer acima de tudo a nossa insuficiência, fragilidade, finitude, depositar a nossa confiança e esperança exclusivamente em DEUS, amar o próximo como a nós mesmos e consequentemente preparar da melhor forma possível a nossa instantânea morte (LER). Infelizmente, muitas vezes, esquecemo-nos desta importante realidade, optando por nos refugiarmos inutilmente nas garantias ilusórias que não proporcionam uma vida bem-sucedida e feliz. Só quando nos chegam desgraças, tal como a do coronavírus, é que nos lembramos da nossa insignificância, mutabilidade, transitoriedade e perecibilidade. Em suma, nada neste mundo é garantido. De facto, excepto a morte, nada é garantido. 

Uma Questão da Liberdade Semântica


Uma das palavras mais usadas no mundo inteiro durante esta pandemia do coronavírus a que estamos infelizmente ainda a viver, sobretudo na imprensa, são “quarentena”, “distanciamento”, “isolamento” e “confinamento” para reforçar a ideia de as pessoas protegerem-se da maléfica doença e simultaneamente protegerem também os outros. Todas elas acompanhadas, na generalidade das situações, do suplemento “social”, ou seja, quarentena, distanciamento social, isolamento social e confinamento social. A meu ver, sem propriamente ater na origem semântica das expressões em questão, julgo que as três primeiras formulações poderão mais induzir ao “erro morfológico” do que propriamente esta última. 

Desde logo, quando se fala e veicula nos media “quarentena”, “distanciamento social” ou “isolamento social” passa implicitamente a ideia, em última instância, de que tudo isto consubstancia na ausência da sociabilidade e sociabilização. Ora, não é nada disso que está a acontecer, mesmo estando a viver em estado de emergência nacional. O coronavírus não nos reduziu ainda a seres eremitas e tão pouco anacoretas. Continuamos, apesar dos assinaláveis constrangimentos diários, a nos suster pela rede social e também pelas redes sociais, confirmando assim a nossa natureza e substrato gregário. 

Por isso, prefiro mais a expressão “confinamento social” comparativamente com as outras, uma vez que consegue espelhar mais e melhor a realidade de excepção a que estamos infelizmente circunscritos. No entanto, é tudo uma mera questão da liberdade semântica e de arbitrariedade. 

Nenhum Estado de Emergência Pode Fechar a Igreja de Cristo


Um artigo bastante esclarecedor do Constitucionalista e Professor Catedrático Jorge Bacelar Gouveia sobre o estado de emergência (LER). Vai praticamente na mesma linha do pensamento com o meu manifesto de repúdio sobre o fechamento das Igrejas (ALI) e (AQUI). As autoridades das Igrejas decidiriam fechar de forma drástica a Casa de DEUS antes de ser decretada o estado de emergência, com o mero perecer de polutos homens, condicionando posteriormente a imposição das autoridades neste sentido. Uma decisão precipitada, inédita, infeliz e sem precedentes na História do Cristianismo (sinais dos tempos... Dias mesmo do fim!). Nem no estado de alerta, nem no estado de emergência, nem no estado de sítio ou necessidade e nem em qualquer outro tipo de “estado” a Igreja deve baixar a guarda ao ponto de fechar as suas portas para reduzir arbitrariamente ao confinamento. E mais, a Igreja de Cristo deve estar sempre preparada para resistir com fé qualquer tipo de leviatã, inclusive estatal, que possa surgir para condicioná-la na sua actividade ou actuação até às últimas consequências. 

Coronavírus Chegou Infelizmente à Guiné-Bissau


A praga de coronavírus chegou à Guiné-Bissau, infelizmente. Duas pessoas testaram positivo com o maldito vírus de covid-19, fazendo fé nas últimas notícias que têm sido veiculadas a partir de Bissau. A pandemia do coronavírus chegou numa altura de grande perturbação e fragilidade institucional que se vive no nosso país, tendo em conta o diferendo pós-eleitoral entre os dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais, os partidos políticos e os órgãos da soberania. Há, neste momento, uma manifesta fracturação na sociedade guineense e uma disputa de legitimidade governativa entre os políticos (LER). É neste ziguezague democrático e forte cisão interna que fomos apanhados pelo coronavírus. Já era expectável este ataque do coronavírus ao nosso território, uma vez que estávamos há dias cercados por ele de todos os lados. 

Por isso, mesmo nesta vulnerabilidade colectiva em que estamos a viver, somando ao facto de estarmos desprovidos de condições sanitárias adequadas, o momento é de coesão, concertação, solidariedade, coragem, luta e determinação nacional para fazer face definitivamente ao coronavírus. A mesma Guiné-Bissau que outrora resistiu e venceu as bombas, a fome, a epidemia de cólera, de malária e de sarampo é, sem dúvida, a mesma Guiné-Bissau que vai reerguer para derrotar o coronavírus em nome do Senhor Jesus Cristo! Amém! (LER)

O Coronavírus à Luz da Escatologia


A pandemia do coronavírus não pode ser desassociada da teologia dos últimos acontecimentos que precederão o fim do mundo. Não pode ser desvinculada dos sintomas dos “princípios das dores” que cairão terrivelmente sobre todo o mundo, tal como previa oportunamente o Senhor Jesus no seu grande sermão profético (Mateus 24:1-31), culminando na Sua segunda e gloriosa vinda ao mundo. 

Com isso não devemos cair no equívoco doutrinário de imputar a DEUS a responsabilidade pela pandemia do coronavírus, tal como foram lestos a concluir alguns Cristãos. DEUS não é o mentor na propagação do coronavírus nos seres humanos e, tão pouco, sente prazer que este continue a afectar e matar inúmeras pessoas em todo o mundo. O Eterno Jeová nunca é originador do mal. O mal é apenas, tal como formulava inspiradamente há séculos o Santo Agostinho, a ausência do bem. Quando o bem é abafado ou negligenciado abre-se automaticamente a porta para a disseminação e o triunfo momentâneo do mal. É isto, infelizmente, que tem estado a acontecer neste momento no nosso mundo – não só com o coronavírus, mas também com o cúmulo de guerras intermináveis, rivalidades, discriminações, usurpações, violações, incredulidade, injustiças, ódios, invejas, abusos, conflitos, criminalidades, etc. A partir do momento em que o Homem na sua altivez e auto-suficiência vira costas ao seu Criador, julgando-se “deus” de si mesmo, passa a atrair todas as desgraças mundanais, dando inevitavelmente na sua auto-destruição. 

Todos os males que acontecem no mundo, nomeadamente a fome, os terramotos, as alterações climáticas, as epidemias e pandemias, as guerras de várias ordens, as calamidades públicas, vão continuar a agravar drasticamente e a convergir para a precipitação do fim do mundo. Haverá, sustentava ainda o Senhor Jesus na Sua profecia, uma grande aflição como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver (Mateus 24:21), advertindo que “o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas” (Mateus 24:29) para depois finalmente todos os habitantes da Terra verem “o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24:21; 29; 24:30). 

É neste prisma teológico que deve ser vista e encarada a pandemia do coronavírus, que está a matar inúmeras pessoas em todo o lado, bem como tantos outros vírus maléficos que têm assolado o nosso mundo ao longo dos tempos. Não são vírus promovidos por DEUS, mas sim originados pelo próprio Homem na sua soberba e rebelião contra o seu Criador, coadjuvado neste maléfico propósito pelo Diabo (LER). Naturalmente que, para todos os efeitos, estes males só acontecem no mundo com a soberana permissão Divina. Não é DEUS que os cria, insistimos, apenas permite-os para despertar a consciência dos seres humanos e reduzi-los a nulidade. Uma coisa é permitir algo acontecer. Outra coisa, e bem diferente, é ser criador deste mesmo algo. São duas realidades completamente distantes uma da outra. DEUS jamais poderá criar o mal, no entanto usa-o muitas das vezes para educar os seus eleitos filhos e concomitantemente punir os malfeitores e filhos da perdição. 

Perante todos estes argumentos expostos, espera-se o discernimento suficiente da santa Igreja de Cristo para compreender espiritualmente o tempo em que estamos a viver, porque o fim está próximo (ALI) e (AQUI). Sabemos que já são horas de despertarmos do sono. “A nossa salvação está agora mais próxima do que na altura em que recebemos a fé. A noite já vai longa e o dia está próximo. Abandonemos as obras que são próprias da escuridão e usemos as armas que permitem lutar à luz do dia” (OUVIR), aguardando pacientemente os Novos Céus e a Nova Terra onde habita a Justiça (Romanos 13: 11-13; 2 Pedro 3:13). Que assim. E assim será no do Senhor Jesus Cristo. 

Guiné-Bissau Cercada Pelo Coronavírus


A pandemia do coronavírus já chegou ao Continente Negro há algumas semanas. Também já chegou à África Ocidental na qual a Guiné-Bissau está geograficamente inserida. Pela nossa costa atlântica, o coronavírus já chegou igualmente a Cabo-verde. Mais do que isso, o maldito coronavírus já chegou também aos nossos vizinhos directos do sul, norte e leste, nomeadamente a Guiné-Conacri, Senegal e enclave da Gâmbia. Já chegou a todos os nossos parceiros especiais, principalmente à União Europeia, bem como à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), excepto a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. A Guiné-Bissau está, tal como se pode constatar, cercada pelo coronavírus de todos os lados (LER). A guerra contra o coronavírus está mais do que nunca declarada na nossa Terra. 

Por isso, esta conjectura de alerta nacional e de combate ao inimigo declarado não é de hesitação ou porfia.  Não deve ser de desunião ou amadorismo político, tal como é notório neste momento no país. Não deve ser também de oportunismo governativo, de rivalidades ou de guerrinhas desnecessárias entre os órgãos de soberania. Não deve ser, da mesma sorte, de falsos pretextos moralistas para fugir à responsabilidade que se espera na convergência de todos os guineenses neste momento crítico de emergência nacional. O momento exige, acima de tudo, união, “guineendade”, políticas públicas adequadas para fazer face definitivamente a esta hedionda doença. 

O nosso país é bastante experiente nas questões de calamidade pública, ao contrário das previsões pessimistas sobre a sua capacidade de resposta ao coronavírus. Podemos ser frágeis do ponto de vista sanitário, no entanto isto não invalida a nossa capacidade de resiliência, de determinação, de luta e ímpeto de vitória perante ameaças reais que temos vivenciado ao longo dos anos. A mesma Guiné-Bissau que tem derrotado sucessivamente a epidemia de cólera, de malária, de sarampo e resistido a guerras, de fora e dentro, é a mesma Guiné que vai derrotar o coronavírus. Assim esperamos. E assim será pela fé no nome do Senhor Jesus Cristo!