Globalização: Marcha-atrás
a todo o vapor? A epidemia veio pôr a nu as falhas de uma economia interconectada
já contestada. Estaremos dispostos a renunciar ao modelo que permitiu o nosso
enriquecimento? São conjuntos de interrogações que foram suscitadas
numa longa reportagem da Revista Courrier Internacional deste mês sobre o “Repensar
o Mundo” em que vivemos, abordando a pertinente temática da pandemia do coronavírus,
globalização, crise climática e natalidade (LER).
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O Coronavírus e a Mutabilidade da Vida
Se há grande lição que esta pandemia do coronavírus nos vem reconfirmar é que nada é definitivamente garantido na vida, tal como alguns julga(va)m. Tudo é dinâmico, maleável e efémero. A política e a governação são efémeras. O trabalho e a estabilidade são efémeros. A democracia participativa e a liberdade dos cidadãos são efémeras. A comodidades e o bem-estar do dia-a-dia são efémeros. A família e os relacionamentos são efémeros. Da mesma sorte, a saúde e a vida são efémeras. Estamos sempre em constante mudança no espaço e no tempo – tanto para o bem como para o mal. Tudo é mutável, transitório e, em última instância, perecível.
Há cinco meses, antes de germinar propriamente esta maldita praga do coronavírus, milhares e milhões de pessoas em todo o mundo organizaram as suas vidas de acordo com a condição expectável de cada um. No entanto, viram repentinamente tais expectativas alterarem-se drasticamente e com as profundas implicações práticas a que estamos impotentemente a assistir todos os dias: recessão económico-financeira em todos os países do mundo, desemprego galopante, famílias e amigos forçosamente separados, somando a milhares de pessoas que estão neste momento entre a vida e a morte e os que infelizmente já morreram e vão continuar a morrer paulatinamente, bem como muitas outras calamitosas situações colaterais que se auguram ainda num futuro breve. Tudo se alterou subitamente num abrir e fechar de olhos, deixando-nos reduzidos ao confinamento social e condicionados significativamente no nosso modo de viver.
Há, para além da verdade acabada de se mencionar, ainda uma outra importantíssima lição que podemos extrair com este maldito coronavírus, nomeadamente que o interesse público deve sempre prevalecer em detrimento do interesse privado. Digo isto porque tem havido uma grande querela doutrinária ao longo dos tempos, persistindo até aos nossos dias, entre os defensores do Individualismo e do Colectivismo. Aqueles, de forma subsumida, dão demasiada primazia à liberdade individual e autodeterminação em detrimento do corporativismo. Ao passo que estes assentam nos pressupostos da realização do individuo dentro da colectividade em que ele está inserido.
A meu ver, julgo que tem de haver a interdependência entre as duas distantes mundividências da vida, contando que não se ponha em causa a sobrevivência do Homem. E, justamente, por isso, nesta esteira do pensamento, oponho-me manifestamente à legalização da hedionda prática do aborto, do casamento homossexual, da eutanásia e das outras práticas aberrantes que colocam em causa a natureza da vida humana (LER). Com a pandemia do coronavírus, máxime as medidas preventivamente excepcionais que têm sido adoptadas pelos países, vem reforçar ainda mais a verdade de que a sobrevivência humana está acima da democracia, da liberdade e da auto-determinação, razão pela qual somos duramente afectados na nossa autonomia privada em nome da inquestionável sobrevivência colectiva.
Tudo isto remete-nos primeiramente sobre a ideia cimeira da mutabilidade e transitoriedade da madrasta vida. Somente quando temos a consciência plena da volubilidade da vida e da sua fugacidade é que realmente estamos em condições necessárias de cultivar a sábia arte de viver bem, isto é, reconhecer acima de tudo a nossa insuficiência, fragilidade, finitude, depositar a nossa confiança e esperança exclusivamente em DEUS, amar o próximo como a nós mesmos e consequentemente preparar da melhor forma possível a nossa instantânea morte (LER). Infelizmente, muitas vezes, esquecemo-nos desta importante realidade, optando por nos refugiarmos inutilmente nas garantias ilusórias que não proporcionam uma vida bem-sucedida e feliz. Só quando nos chegam desgraças, tal como a do coronavírus, é que nos lembramos da nossa insignificância, mutabilidade, transitoriedade e perecibilidade. Em suma, nada neste mundo é garantido. De facto, excepto a morte, nada é garantido.
Uma Questão da Liberdade Semântica
Uma das
palavras mais usadas no mundo inteiro durante esta pandemia do coronavírus a
que estamos infelizmente ainda a viver, sobretudo na imprensa, são “quarentena”,
“distanciamento”, “isolamento” e “confinamento” para reforçar a ideia de as
pessoas protegerem-se da maléfica doença e simultaneamente protegerem também os
outros. Todas elas acompanhadas, na generalidade das situações, do suplemento “social”,
ou seja, quarentena, distanciamento social, isolamento social e confinamento
social. A meu ver, sem propriamente ater na origem semântica das expressões em
questão, julgo que as três primeiras formulações poderão mais induzir ao “erro morfológico”
do que propriamente esta última.
Desde logo,
quando se fala e veicula nos media “quarentena”, “distanciamento social” ou “isolamento
social” passa implicitamente a ideia, em última instância, de que tudo isto consubstancia
na ausência da sociabilidade e sociabilização. Ora, não é nada disso que está a
acontecer, mesmo estando a viver em estado de emergência nacional. O coronavírus
não nos reduziu ainda a seres eremitas e tão pouco anacoretas. Continuamos,
apesar dos assinaláveis constrangimentos diários, a nos suster pela rede social
e também pelas redes sociais, confirmando assim a nossa natureza e substrato gregário.
Por isso, prefiro mais a expressão “confinamento social” comparativamente com
as outras, uma vez que consegue espelhar mais e melhor a realidade de excepção
a que estamos infelizmente circunscritos. No entanto, é tudo uma mera questão da liberdade semântica e de arbitrariedade.
Nenhum Estado de Emergência Pode Fechar a Igreja de Cristo
Um artigo
bastante esclarecedor do Constitucionalista e Professor Catedrático Jorge
Bacelar Gouveia sobre o estado de emergência (LER). Vai praticamente na mesma
linha do pensamento com o meu manifesto de repúdio sobre o fechamento das Igrejas (ALI) e (AQUI). As autoridades das Igrejas
decidiriam fechar de forma drástica a Casa de DEUS antes de ser decretada o
estado de emergência, com o mero perecer de polutos homens, condicionando
posteriormente a imposição das autoridades neste sentido. Uma decisão
precipitada, inédita, infeliz e sem precedentes na História do Cristianismo
(sinais dos tempos... Dias mesmo do fim!). Nem no estado de alerta, nem no
estado de emergência, nem no estado de sítio ou necessidade e nem em qualquer
outro tipo de “estado” a Igreja deve baixar a guarda ao ponto de fechar as suas
portas para reduzir arbitrariamente ao confinamento. E mais, a Igreja de Cristo
deve estar sempre preparada para resistir com fé qualquer tipo de leviatã,
inclusive estatal, que possa surgir para condicioná-la na sua actividade ou
actuação até às últimas consequências.
Coronavírus Chegou Infelizmente à Guiné-Bissau
A
praga de coronavírus chegou à Guiné-Bissau, infelizmente. Duas pessoas testaram positivo
com o maldito vírus de covid-19, fazendo fé nas últimas notícias que têm sido
veiculadas a partir de Bissau. A pandemia do coronavírus chegou numa altura de grande
perturbação e fragilidade institucional que se vive no nosso país, tendo em
conta o diferendo pós-eleitoral entre os dois candidatos à segunda volta das
eleições presidenciais, os partidos políticos e os órgãos da soberania. Há,
neste momento, uma manifesta fracturação na sociedade guineense e uma disputa
de legitimidade governativa entre os políticos (LER). É neste ziguezague democrático e forte
cisão interna que fomos apanhados pelo coronavírus. Já era expectável este
ataque do coronavírus ao nosso território, uma vez que estávamos há dias
cercados por ele de todos os lados.
Por
isso, mesmo nesta vulnerabilidade colectiva em que estamos a
viver, somando ao facto de estarmos desprovidos de condições sanitárias
adequadas, o momento é de coesão, concertação, solidariedade,
coragem, luta e determinação nacional para fazer face definitivamente ao coronavírus. A mesma
Guiné-Bissau que outrora resistiu e venceu as bombas, a fome, a epidemia de
cólera, de malária e de sarampo é, sem dúvida, a mesma Guiné-Bissau que vai reerguer para derrotar o coronavírus em nome do Senhor Jesus Cristo! Amém! (LER).
O Coronavírus à Luz da Escatologia
A pandemia do
coronavírus não pode ser desassociada da teologia dos últimos acontecimentos
que precederão o fim do mundo. Não pode ser desvinculada dos sintomas dos
“princípios das dores” que cairão terrivelmente sobre todo o mundo, tal como
previa oportunamente o Senhor Jesus no seu grande sermão profético (Mateus
24:1-31), culminando na Sua segunda e gloriosa vinda ao mundo.
Com isso não devemos
cair no equívoco doutrinário de imputar a DEUS a responsabilidade pela pandemia
do coronavírus, tal como foram lestos a concluir alguns Cristãos. DEUS não é o
mentor na propagação do coronavírus nos seres humanos e, tão pouco, sente
prazer que este continue a afectar e matar inúmeras pessoas em todo o mundo. O
Eterno Jeová nunca é originador do mal. O mal é apenas, tal como formulava
inspiradamente há séculos o Santo Agostinho, a ausência do bem. Quando o bem é
abafado ou negligenciado abre-se automaticamente a porta para a disseminação e
o triunfo momentâneo do mal. É isto, infelizmente, que tem estado a acontecer
neste momento no nosso mundo – não só com o coronavírus, mas também com o
cúmulo de guerras intermináveis, rivalidades, discriminações, usurpações,
violações, incredulidade, injustiças, ódios, invejas, abusos, conflitos, criminalidades,
etc. A partir do momento em que o Homem na sua altivez e auto-suficiência vira
costas ao seu Criador, julgando-se “deus” de si mesmo, passa a atrair todas as
desgraças mundanais, dando inevitavelmente na sua auto-destruição.
Todos os males que
acontecem no mundo, nomeadamente a fome, os terramotos, as alterações
climáticas, as epidemias e pandemias, as guerras de várias ordens, as
calamidades públicas, vão continuar a agravar drasticamente e a convergir para
a precipitação do fim do mundo. Haverá, sustentava ainda o Senhor Jesus na Sua
profecia, uma grande aflição como nunca houve desde o princípio do mundo até
agora, nem tampouco há de haver (Mateus 24:21), advertindo que “o sol
escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as
potências dos céus serão abaladas” (Mateus 24:29) para depois finalmente todos
os habitantes da Terra verem “o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu,
com poder e grande glória” (Mateus 24:21; 29; 24:30).
É neste prisma
teológico que deve ser vista e encarada a pandemia do coronavírus, que está a
matar inúmeras pessoas em todo o lado, bem como tantos outros vírus maléficos que
têm assolado o nosso mundo ao longo dos tempos. Não são vírus promovidos por
DEUS, mas sim originados pelo próprio Homem na sua soberba e rebelião contra o
seu Criador, coadjuvado neste maléfico propósito pelo Diabo (LER).
Naturalmente que, para todos os efeitos, estes males só acontecem no mundo com
a soberana permissão Divina. Não é DEUS que os cria, insistimos, apenas
permite-os para despertar a consciência dos seres humanos e reduzi-los a
nulidade. Uma coisa é permitir algo acontecer. Outra coisa, e bem diferente, é
ser criador deste mesmo algo. São duas realidades completamente distantes uma
da outra. DEUS jamais poderá criar o mal, no entanto usa-o muitas das vezes
para educar os seus eleitos filhos e concomitantemente punir os malfeitores e
filhos da perdição.
Perante todos estes
argumentos expostos, espera-se o discernimento suficiente da santa Igreja de
Cristo para compreender espiritualmente o tempo em que estamos a viver, porque
o fim está próximo (ALI)
e (AQUI).
Sabemos que já são horas de despertarmos do sono. “A nossa salvação está agora mais
próxima do que na altura em que recebemos a fé. A noite já vai longa e o dia
está próximo. Abandonemos as obras que são próprias da escuridão e usemos as
armas que permitem lutar à luz do dia” (OUVIR),
aguardando pacientemente os Novos Céus e a Nova Terra onde habita a Justiça
(Romanos 13: 11-13; 2 Pedro 3:13). Que assim. E assim será no do Senhor Jesus
Cristo.
Guiné-Bissau Cercada Pelo Coronavírus
A pandemia do coronavírus já chegou ao Continente
Negro há algumas semanas. Também já chegou à África Ocidental na qual a
Guiné-Bissau está geograficamente inserida. Pela nossa costa atlântica, o
coronavírus já chegou igualmente a Cabo-verde. Mais do que isso, o maldito
coronavírus já chegou também aos nossos vizinhos directos do sul, norte e
leste, nomeadamente a Guiné-Conacri, Senegal e enclave
da Gâmbia. Já chegou a todos os nossos parceiros especiais, principalmente à
União Europeia, bem como à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e
Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), excepto a Guiné-Bissau e
São Tomé e Príncipe. A Guiné-Bissau está, tal como se pode constatar, cercada
pelo coronavírus de todos os lados (LER). A guerra contra o coronavírus está
mais do que nunca declarada na nossa Terra.
Por isso, esta conjectura de alerta nacional e de combate
ao inimigo declarado não é de hesitação ou porfia. Não deve ser de desunião ou
amadorismo político, tal como é notório neste momento no país. Não deve ser
também de oportunismo governativo, de rivalidades ou de guerrinhas desnecessárias entre os
órgãos de soberania. Não deve ser, da mesma sorte, de falsos pretextos
moralistas para fugir à responsabilidade que se espera na convergência de todos
os guineenses neste momento crítico de emergência nacional. O momento exige,
acima de tudo, união, “guineendade”, políticas públicas adequadas para fazer
face definitivamente a esta hedionda doença.
O nosso país é bastante experiente nas questões de
calamidade pública, ao contrário das previsões pessimistas sobre a sua
capacidade de resposta ao coronavírus. Podemos ser frágeis do ponto de vista
sanitário, no entanto isto não invalida a nossa capacidade de resiliência, de
determinação, de luta e ímpeto de vitória perante ameaças reais que temos
vivenciado ao longo dos anos. A mesma Guiné-Bissau que tem derrotado
sucessivamente a epidemia de cólera, de malária, de sarampo e resistido a guerras,
de fora e dentro, é a mesma Guiné que vai derrotar o coronavírus. Assim
esperamos. E assim será pela fé no nome do Senhor Jesus Cristo!
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