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A Nossa Nova Identidade no Senhor Jesus Cristo

Partilho aqui a mensagem bíblica que tive a oportunidade de pregar no passado domingo, dia 9 do corrente mês, na minha Igreja. O tema que constituiu o objecto da minha pregação foi “A Nossa Nova Identidade no Senhor Jesus Cristo”, tendo como base o texto sagrado de 2 Coríntios 5:16-21. 

Aproveitei também para reduzir por escrito todo o conteúdo da mensagem, que se encontra igualmente disponível no vídeo que acompanha esta publicação. Poderá, assim, ler o texto na íntegra, se assim o entender, ou, em alternativa, assistir apenas ao vídeo. O conteúdo de ambos é exactamente o mesmo. 

Desejo-lhe uma excelente leitura ou, caso opte pelo vídeo, uma proveitosa visualização da mensagem. Que DEUS o abençoe ricamente e o assista continuamente com a Sua graça e a Sua paz. 

A NOSSA NOVA IDENTIDADE NO SENHOR JESUS CRISTO – 2 CORÍNTIOS 5:16-21 

A identidade, como sabemos, é aquilo que caracteriza cada ser humano. É precisamente por essa razão que temos um documento de identificação. Hoje, naturalmente, falamos do cartão de cidadão, que substituiu o antigo bilhete de identidade, mas a sua finalidade essencial permanece a mesma: identificar-nos. 

Através de um documento de identificação, conseguimos obter determinadas informações sobre uma pessoa e, de algum modo, compreender a sua origem, a sua naturalidade, quem são os seus pais, a sua data de nascimento e outras informações relevantes, embora algumas delas sejam atualmente omitidas por razões de privacidade. O cartão de cidadão, que corresponde ao antigo bilhete de identidade, permite-nos conhecer a nossa proveniência, as nossas origens, a nossa filiação e a nossa idade. Sabemos, aliás, que há pessoas que têm alguma dificuldade em revelar a sua idade e que, por vezes, procuram ocultar o documento precisamente porque, através dele, é possível conhecer a idade que têm. 

Mas a identidade é muito mais do que um simples documento. É aquilo que nos qualifica, que nos caracteriza e que está relacionado com a forma como nos apresentamos e com a maneira como os outros nos percecionam. Todos nós temos uma identidade. Não há ninguém que não tenha uma identidade. Somos cidadãos e, nesta sala, encontramos pessoas com identidades diversas. Algumas pessoas têm mais do que uma identidade no sentido da nacionalidade. Há pessoas que possuem uma nacionalidade; outras têm dupla nacionalidade; outras, ainda, podem ter tripla nacionalidade, etc. 

Essas nacionalidades e essas identidades são elementos que nos qualificam, mas também nos colocam perante determinados direitos e obrigações. A identidade é, portanto, a forma como nos apresentamos e como demonstramos quem somos. Quando uma pessoa olha para nós e conhece a nossa proveniência, consegue, de algum modo, compreender quem somos. Naturalmente, pode haver equívocos, mas, pelo menos, consegue formar uma determinada perceção acerca da nossa origem e daquilo que podemos revelar sobre nós próprios. Por isso, a identidade é algo importante. Todos temos uma identidade e não há qualquer problema em assumirmos essa identidade numa perspetiva humana e social. 

Mas sabemos que existe uma dimensão muito mais profunda da identidade. Há outras formas de identidade. É precisamente sobre essa dimensão que eu gostaria de falar: a nossa nova identidade no Senhor Jesus Cristo. 

Quando falamos de uma nova identidade no Senhor Jesus Cristo, pressupõe-se que anteriormente tínhamos outra identidade. Tínhamos uma identidade antiga e passamos agora a possuir uma nova identidade. Esta nova identidade, para além de nos unificar, confere-nos uma posição de destaque perante Deus, porque elimina os vestígios da nossa velha identidade, dessa identidade transitória e pecaminosa, própria desta vida, e estabelece a nossa ligação com a nova identidade no Senhor Jesus Cristo. Aliás, é precisamente sobre a nossa nova identidade no Senhor Jesus Cristo que vamos refletir. 

E, tomando rapidamente como ponto de partida o texto bíblico que acabámos de ler e que foi objeto da leitura, isto é, 2 Coríntios 5:16-21, procuremos compreender aquilo que esta passagem significa e quais são as suas repercussões espirituais para a nossa compreensão da nova identidade no Senhor Jesus Cristo. 

O autor sagrado diz, logo no versículo 16: «Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo» (2 Coríntios 5:16). Ele começa por introduzir esta ideia de «daqui por diante». Esta expressão aponta para uma nova perspetiva, uma nova realidade, uma nova forma de ver e de encarar as coisas. Ou seja: «daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne». Isto significa que já não julgamos as pessoas segundo critérios meramente humanos. 

O julgamento segundo critérios humanos, que anteriormente fazíamos, já não deve orientar a nossa nova identidade em Cristo. O Apóstolo Paulo mostra-nos que já não devemos julgar as pessoas segundo esses critérios, tal como também acontecia relativamente à forma como Jesus Cristo era visto. 

Nós sabemos que, de certo modo, todos somos juízes – não no sentido profissional do termo, mas porque constantemente avaliamos, julgamos, tiramos conclusões e formamos opiniões. Ouvimos determinados factos, por vezes sem conhecermos todas as circunstâncias e, ainda assim, tiramos as nossas conclusões. Isso é próprio da natureza humana. O ser humano tende constantemente a formular julgamentos, inclusive julgamentos precipitados. Costuma dizer-se que existem diferentes tipos de tribunais. Há, por exemplo, aquilo a que podemos chamar o tribunal popular, que é extremamente rápido nos seus julgamentos. Não são necessárias muitas informações. Basta ouvir uma versão dos acontecimentos para, imediatamente, se tirarem conclusões, proferirem sentenças e, muitas vezes, condenar ou absolver alguém. 

A justiça popular é rápida, mas é falível. Porquê? Porque o julgamento não pode ser precipitado e rápido. Se uma pessoa nos conta apenas uma versão da história, essa versão pode impressionar-nos e condicionar o nosso entendimento. Mas, quando ouvimos a outra versão – aquilo que juridicamente se designa por contraditório –começamos a ter uma perspetiva diferente e reunimos elementos que nos permitem julgar de forma mais correta. O tribunal popular, muitas vezes, julga sem ter em consideração todos esses elementos. 

Depois, temos também os tribunais formais, designadamente os tribunais civis, nos quais os processos podem ser muito mais demorados, precisamente porque é necessário conhecer todas as implicações de determinada situação antes de se poder proferir uma decisão. Por vezes, os processos levam anos. Sabemos também que alguns acabam por prescrever, infelizmente, mas muitos chegam ao seu termo e são proferidas sentenças. Mesmo essas sentenças, contudo, não significam necessariamente que o julgamento seja absolutamente correto, porque os seres humanos são falíveis. É precisamente por isso que existem mecanismos de recurso: para permitir a reapreciação das decisões e procurar corrigir eventuais injustiças. 

Temos, portanto, o tribunal popular, que é célere, e os tribunais formais, que são mais demorados, mas que também são suscetíveis de erro. Mas existe um terceiro tribunal: o tribunal Divino. Este tribunal é infalível. Quando Deus julga, porém, não baseia o Seu julgamento em versões, rumores, factos aparentes ou qualificações humanas. Deus não julga segundo esses critérios. Deus julga segundo critérios objetivos, claros e justos. 

Apesar disso, sabemos que, quando olhamos para as pessoas segundo os critérios humanos, segundo a lógica da velha vida e do mundo em que vivemos, tendemos a fazê-lo através dos nossos olhos humanos. E, quando olhamos através dos olhos humanos, avaliamos as pessoas tendo em conta a sua proveniência, as suas origens, as suas qualificações, as suas famílias e a sua posição social. Tudo isso influencia a nossa avaliação da realidade. Porquê? Porque julgamos segundo critérios humanos. E esses critérios humanos são frequentemente critérios de afinidade, de pertença, de convergência, de proximidade e de conveniência, acabando por adulterar aquilo que deveria ser um verdadeiro julgamento. 

O Apóstolo Paulo está precisamente a mostrar-nos que também fazíamos isso, sobretudo relativamente a Jesus Cristo. Quando olhamos para a vida do Apóstolo Paulo, percebemos que ele próprio perseguiu o Senhor Jesus Cristo porque O julgava segundo uma perspetiva humana e racional. Ora, quando fazemos julgamentos exclusivamente segundo uma perspetiva humana, corremos muitos riscos, porque tendemos a concluir que aquilo que parece ser corresponde necessariamente àquilo que é. E, quando olhamos para Jesus Cristo, percebemos que a Sua vida, segundo os critérios humanos, não despertava necessariamente nas pessoas uma perceção da Sua verdadeira natureza Divina. 

O Senhor Jesus Cristo encarnou na humildade e na simplicidade. Era um homem inserido num contexto social desfavorecido. Viveu de forma simples, rodeado de pessoas simples, sem as marcas exteriores de poder, riqueza ou prestígio que, segundo os critérios humanos, poderiam conferir-Lhe autoridade. Não tinha uma posição social de destaque, não fazia parte das elites e, segundo os padrões humanos, não reunia as características que muitos esperariam encontrar numa figura com uma missão Divina, principalmente messiânica. E, sobretudo, a forma como foi crucificado contribuiu para que muitos O vissem como um marginal, como alguém derrotado e condenado. 

Como poderia uma pessoa assim ser o Salvador do mundo? Como poderia alguém naquela condição trazer alguma coisa de bom? Segundo os critérios humanos, não havia nada naquela pessoa que justificasse a expectativa de salvação. É precisamente isso que estou a dizer: as aparências e os critérios através dos quais, muitas vezes, julgamos as pessoas – critérios de influência, de poder, de posse, de nobreza e de estatuto – condicionam profundamente o nosso julgamento. O ser humano faz esse tipo de julgamento. 

O Apóstolo Paulo também o fazia, sobretudo relativamente a Jesus Cristo. Mas essa realidade mudou, porque a nova identidade já não nos permite julgar as pessoas segundo esses critérios humanos. A nova identidade em Cristo não nos permite avaliar uma pessoa pela sua cor, pela sua aparência, pela sua qualificação, pelo seu nível social ou pelas suas posses. O crente no Senhor Jesus Cristo já não deve proceder dessa maneira. Se o fizer, estará novamente a julgar segundo os critérios humanos. 

É isso que o Apóstolo Paulo pretende demonstrar quando afirma: «Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo» (2 Coríntios 5:16). Já não olhamos para Jesus Cristo como um homem fracassado, como muitos O olharam – quer os gentios, quer até o próprio povo de Deus. Passamos a contemplá-Lo segundo uma perspetiva diferente: uma perspetiva espiritual e Divina. Esse novo olhar permite-nos reconhecer o Seu brilho, as Suas qualidades, as Suas virtudes e, sobretudo, contemplar n’Ele o Salvador que verdadeiramente é. 

Por isso, o Apóstolo Paulo afirma que já não fazemos esses julgamentos segundo os antigos critérios. E, depois, no versículo 17, apresenta-nos uma verdade extraordinária: 

"E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2 Coríntios 5:17). Ou seja, esta nova identidade permite-nos adquirir uma visão mais abrangente e mais profunda da realidade. Permite-nos evitar precipitações, raciocínios falaciosos e julgamentos motivados pela conveniência, pelo desejo de agradar ou por interesses pessoais. A nova identidade permite-nos olhar para as pessoas com um olhar Divino. E, quando olhamos para as pessoas com esse olhar, reconhecemos nelas dignidade, respeito e consideração. Tratamo-las com humanidade. Não fazemos isso apenas relativamente àqueles que consideramos merecedores de destaque. Fazemo-lo também relativamente àqueles que, segundo os critérios humanos, poderiam não merecer esse reconhecimento. É a nova identidade em Cristo que nos permite ter esse olhar Divino. 

O próprio Senhor Jesus Cristo viveu dessa maneira. Ele não excluiu as pessoas. Procurava ajudá-las, servi-las e devolver-lhes dignidade, inclusive àquelas que, segundo os padrões sociais e religiosos do Seu tempo, eram marginalizadas. Vemos isso em diversas histórias das Escrituras: na mulher adúltera, no publicano Zaqueu e em tantas outras pessoas que Jesus encontrou, incluindo aqueles que sofriam de diversas enfermidades e opressões. Jesus procurava ver a pessoa para além da sua condição. Afinal, somos criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus e, por isso, possuímos dignidade. 

Mas a nova identidade permite-nos precisamente esse olhar. É um olhar que reflete aquilo que contemplamos no Senhor Jesus Cristo e em Deus, porque já somos novas criaturas em Cristo. Esta nova criatura e esta salvação que nos foram concedidas permitem-nos também adquirir uma forma mais objetiva e justa de olhar para a realidade. Por isso, Paulo diz: "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas". 

Nós já temos uma nova identidade. E essa nova identidade permite-nos despir a velha identidade – a identidade deste mundo, marcada pela parcialidade, pela injustiça, pela discriminação, pela vaidade, pela violência, pela violação e por toda a espécie de maldade e malignidade. Uma nova identidade em Cristo permite-nos viver uma vida eficaz, uma vida santificada, uma vida de virtude e, acima de tudo, uma vida capaz de dar um testemunho coerente do Senhor Jesus Cristo. As coisas antigas – a nossa velha natureza, os vícios, a carnalidade e a vida pecaminosa – são abandonadas, e passamos a viver uma nova identidade em Cristo Jesus. As coisas velhas passam, e as coisas novas passam a fazer parte da nossa vida, conduzindo-nos a uma permanente novidade de vida. 

Mas tudo isto não é obra do acaso. Não acontece por mérito nosso nem pelas nossas próprias forças. Como vemos no texto, tudo provém de Deus: "Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação" (2 Coríntios 5:18). Que grande afirmação encontramos aqui! Tudo isto provém de Deus. 

Nós somos agentes passivos nesta ação. Por isso, vemos que a salvação é de Deus. É um ato unilateral de Deus. Não parte do homem. É Deus quem chama o ser humano para a salvação. Mas, antes de tudo isso, vemos que Deus nos chamou e nos concedeu o ministério da reconciliação. Deus tomou a iniciativa. «Tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação» (2 Coríntios 5:18). Deus reconciliou-nos por intermédio de Jesus Cristo. 

Sabemos que, para haver reconciliação, tem de existir um problema. Ninguém precisa de se reconciliar com alguém com quem está plenamente reconciliado. Se uma pessoa está bem com o seu irmão ou com o seu amigo, não existem motivos para reconciliação. Só há reconciliação quando existe um problema. E, para haver um problema, existe um ofendido e um ofensor. Existe alguém que sofreu o dano e alguém que o provocou. É essa a razão pela qual é necessária a reconciliação. Mas por que razão isso aconteceu? Sabemos que a queda de Adão e Eva originou a inimizade. E essa inimizade permanece até aos nossos dias. 

O ser humano é um ser gregário. É verdade. Mas, ao mesmo tempo, também é um ser conflituoso. É por isso que existem conflitos em todas as dimensões da vida: no domínio familiar, nas amizades, no contexto profissional e até dentro da própria Igreja. As pessoas estão constantemente envolvidas em conflitos e problemas. Há uma máxima que diz: mais contacto, mais problemas; menos contacto, menos problemas. Somos seres gregários; juntamo-nos uns aos outros e, inevitavelmente, acabamos por nos magoar. Por vezes, de forma deliberada; outras vezes, de forma inconsciente. Mas acabamos frequentemente envolvidos em situações de conflito. E é também por essa razão que, humanamente, existe necessidade de reconciliação. 

O pecado cria problemas, intrigas, inveja, dano, dor, sofrimento e separação. As pessoas magoam-nos, e nós também magoamos outras pessoas. Há, portanto, inúmeras situações que exigem reconciliação. O problema existe entre todos nós, e ninguém pode afirmar que nunca magoou outra pessoa. Todos nós, de forma consciente ou inconsciente, sem excepção, já magoámos alguém. Do mesmo modo, todos nós já fomos magoados. Não há aqui ninguém que possa dizer que nunca foi prejudicado, ferido ou magoado por outra pessoa. 

Todos carregamos essas cicatrizes. Por vezes, alguns carregam cicatrizes mais profundas, que acabam por produzir consequências duradouras na sua vida, na sua autoestima e na forma como se afirmam perante os outros. Mas todos somos, de algum modo, afectados por essas situações de conflito que, em casos extremos, podem culminar em violência e até na morte. Esta realidade é uma das consequências do pecado original de Adão e Eva. 

A partir do momento em que ocorreu o pecado, surgiu a inimizade. Houve inimizade entre Deus e o ser humano, em consequência do pecado de Adão e Eva no princípio da criação, pecado que colocou toda a humanidade sob a condenação e a perspectiva da perdição eterna. E, para que a inimizade seja quebrada, torna-se necessária a reconciliação. Para que haja reconciliação, uma das partes tem de tomar a iniciativa. Alguém tem de dar o primeiro passo e procurar construir a paz. Por isso, o texto sagrado diz: "Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação" (2 Coríntios 5:18). 

A ofensa que cometemos contra Deus, através do pecado, da rebelião e da desobediência, colocou-nos numa situação de afastamento que jamais conseguiríamos reverter pelos nossos próprios meios, de modo a restabelecer a paz com Deus. Estávamos completamente afastados de Deus e destituídos da Sua glória. A nossa condenação era a morte, como afirma a Palavra de Deus: "O salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23). Mas, em contraste com esta realidade, a mesma Palavra declara: "O dom gratuito de Deus é a vida eterna" (Romanos 6:23). 

É precisamente com base nesse dom gratuito e na graça de Deus que Ele nos reconciliou consigo mesmo através do Senhor Jesus Cristo, mediante a morte expiatória de Cristo na cruz do Calvário. Deus reconciliou-nos consigo. Ou seja, perdoou-nos, estendeu-nos a mão e permitiu-nos voltar a fazer parte da Sua comunhão. Aleluia! 

É precisamente isso que acontece quando as pessoas se reconciliam. Quando estavam afastadas, voltam a estabelecer uma relação. Se não falavam, passam a falar. Se tinham cortado relações, voltam a reatar. Essa realidade aplica-se às relações pessoais, mas também às relações entre comunidades, sociedades e até entre países. É necessário haver reconciliação. E a reconciliação tem um dos seus pressupostos fundamentais: o perdão. Se uma pessoa não perdoa, não pode haver verdadeira reconciliação. Pode até aparentar que houve reconciliação, mas, quando surgir uma oportunidade, a pessoa poderá procurar vingar-se. Sabemos que existem pessoas que dizem: "Eu reconciliei-me com fulano", quando, na realidade, talvez estejam apenas a procurar ganhar a confiança da outra pessoa, aproveitar a sua vulnerabilidade e, posteriormente, destruí-la. 

Quando falamos de verdadeira reconciliação, porém, temos de falar de algo genuíno. E aquilo que Deus fez connosco foi genuíno. Deus perdoou-nos. Para além de nos perdoar aquilo que merecíamos – a morte –, porque Cristo morreu por nós na cruz do Calvário, Deus também nos conferiu o ministério da reconciliação. Ou seja, Deus reconciliou-nos consigo e concedeu-nos também um ministério de reconciliação. 

E o que envolve esse ministério, que faz parte da nossa nova identidade? Envolve apaziguamento, porque a reconciliação implica paz, concórdia e a criação de um ambiente saudável de relacionamento. O texto afirma: 

"Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação" (2 Coríntios 5:18). Esse ministério da reconciliação existe para que também possamos reconciliar-nos com os outros. Nós tínhamos uma dívida para com Cristo. Cristo perdoou-nos, e nós também devemos perdoar aqueles que têm alguma dívida para connosco. Mas este ministério da reconciliação não se refere apenas aos nossos problemas pessoais. É também o ministério do Evangelho que fomos chamados a partilhar com o mundo perdido, porque o Evangelho possui o poder de conferir uma nova identidade. E essa nova identidade traz consigo o poder da reconciliação. 

Depois, o autor sagrado afirma "que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação" (2 Coríntios 5:19). Vejam bem: Deus reconciliou-nos consigo. Não teve em consideração aquilo que nós merecíamos nem as nossas transgressões. Como já dissemos, para haver reconciliação tem de existir um ofendido e alguém que provocou a ofensa. Foi isso que aconteceu na nossa relação com Deus. Mas Deus não apenas deixou de imputar-nos as nossas ofensas: perdoou-nos e confiou-nos o ministério da reconciliação. 

Por isso, quando analisamos estes versículos, podemos identificar alguns pontos fundamentais. Em primeiro lugar, existe uma necessidade imperiosa de reconciliação entre o homem e Deus. Depois, o ministério da reconciliação tem a sua origem em Deus e passa de Deus para o homem. Mas a reconciliação é também uma experiência pessoal. Não é uma experiência que passe automaticamente de pai para filho, de filho para pai ou de cônjuge para cônjuge. É uma experiência pessoal. Cada pessoa tem de estar aberta a beneficiar dessa reconciliação e a manifestá-la através da sua nova identidade em Cristo. Este ministério estende-se, portanto, a todo o universo e aponta também para a eliminação da condenação. 

Mas o Apóstolo Paulo continua e, no versículo 20, apresenta uma afirmação extraordinária: 

"De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio" (2 Coríntios 5:20). Somos embaixadores de Cristo. Isto significa que a nova identidade que temos em Cristo Jesus nos confere um estatuto privilegiado. Não é um estatuto qualquer. É o estatuto de filhos de Deus. Não somos apenas perdoados; passamos também a ser filhos de Deus. E esse estatuto inclui o privilégio de sermos embaixadores do Senhor Jesus Cristo. Ora, ser embaixador é um grande privilégio. 

Muitas pessoas, ao longo da vida, sobretudo aquelas que fazem carreira diplomática, não conseguem chegar ao grau de embaixador, porque não é fácil alcançar essa posição. Uma pessoa pode passar vinte e cinco ou trinta anos na carreira diplomática sem necessariamente chegar a esse topo. Para entrar na carreira diplomática e percorrer os diferentes graus até alcançar a posição de embaixador, é necessário reunir diversas competências. As vagas são poucas e os candidatos são muitos. Esses candidatos precisam de ter conhecimentos sólidos sobre o país, a sua história, a sua realidade política e social, além de uma forte componente jurídica. É uma área multifacetada, que exige conhecimentos históricos, sociológicos, jurídicos e outras competências. 

Entrar na diplomacia, contudo, não constitui garantia de que alguém chegará a embaixador. Muitos diplomatas não alcançam esse grau. Também sabemos que o cargo de embaixador é um cargo de confiança. Há embaixadores que chegam a essa posição através da carreira diplomática, mas existem também pessoas que, não tendo feito toda a carreira, são nomeadas para desempenhar essa função. Porquê? Porque se trata de um cargo político e de confiança. Não se coloca qualquer pessoa nessa posição. Escolhe-se alguém que mereça inteira confiança e confia-se-lhe a representação do país num Estado estrangeiro. Ser embaixador constitui, portanto, uma grande honra. É um privilégio e um estatuto, porque essa pessoa passa a representar o seu próprio país. 

E nós somos chamados a ser embaixadores do Senhor Jesus Cristo. Esse embaixador de Cristo, como disse, possui um estatuto. Somos nós. Temos o ministério da reconciliação. E este ministério da reconciliação, em última instância, é o próprio Evangelho, porque fomos comissionados a anunciar a boa-nova da salvação (Mateus 28:16-20). 

Logo, o primeiro ponto que podemos observar é que o embaixador possui o ministério da reconciliação, como vemos no versículo 18 do capítulo 5 de 2 Coríntios. Deus não só reconciliou o mundo consigo mesmo, como também comissionou os Seus mensageiros para proclamarem as Boas-Novas da salvação. O embaixador tem, portanto, um ministério de reconciliação. 

Mas podemos também observar que um embaixador proclama a mensagem da reconciliação. O homem não tem poder, por si mesmo, para reconciliar-se com Deus. A reconciliação é efetuada pela morte de Cristo. E, a partir do momento em que somos embaixadores de Jesus Cristo, não estamos a fazer a nossa vontade, a apresentar as nossas convicções ou aquilo que nos apetece. Estamos em representação. Quem está em representação não está simplesmente a fazer aquilo que pensa ou aquilo que quer. Está a representar alguém. Logo, um embaixador do Senhor Jesus Cristo é alguém que proclama a mensagem da própria reconciliação. 

Mas sabemos também que um embaixador normalmente vive em terra estrangeira. Nós temos uma nova identidade. E, nessa nova identidade, a nossa pátria é celestial. Já não somos deste mundo. Somos peregrinos e estrangeiros neste mundo. A nossa pátria não é aqui. Se voltarmos aos versículos iniciais deste capítulo, veremos que o apóstolo Paulo utiliza a metáfora do tabernáculo. A nossa tenda terrena está a desfazer-se, e nós caminhamos em direção ao céu. Estamos a caminhar para a nossa pátria celestial, para a terra prometida para a qual estamos orientados. 

Logo, o embaixador vive em terra estrangeira. A partir do momento em que recebemos uma nova identidade, este mundo torna-se estranho para nós. Porquê? Porque os valores deste mundo não são os valores que devemos assumir. Temos nele a corrupção, a maldade, o pecado, a incredulidade, o secularismo, o materialismo e tantas outras realidades que entram em contradição com Deus. Nenhum Cristão pode fazer do mundo a sua referência última. A Bíblia Sagrada é clara nesse sentido: quem é amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tiago 4:4). Ninguém pode servir simultaneamente a Cristo e ao mundo (Mateus 6:24). 

Logo, somos estrangeiros neste mundo. Quando uma pessoa é estrangeira num determinado país, não está imediatamente integrada na cultura desse país. É precisamente por isso que se fala frequentemente da necessidade de integração dos imigrantes. Se uma pessoa não se integra na cultura e na sociedade do país onde vive, poderá enfrentar diversos problemas. Existem diferenças culturais e sociais que, se não forem bem conjugadas, podem desencadear conflitos. A atualidade política tem discutido amplamente esta questão: como devem os imigrantes integrar-se, de que forma devem participar na sociedade e como devem relacionar-se com os seus hábitos e costumes? Uma pessoa integra-se quando adota e aceita determinados hábitos e costumes da sociedade em que vive. 

Mas nós, enquanto filhos de Deus, não somos chamados a integrar-nos neste mundo no sentido de adotarmos os seus decadentes valores. O Apóstolo Paulo, na Carta aos romanos, diz: "E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12:2). Ou seja, não somos chamados a conformar-nos com este corruptível mundo. Se nos conformarmos com este mundo, entraremos em contradição com a própria Palavra de Deus. 

Por isso, o embaixador do Senhor Jesus Cristo vive numa terra estrangeira, mas não está ali para conformar a mensagem do seu país aos valores daquela terra. Está ali para transmitir a mensagem do seu país. É assim que vemos os embaixadores acreditados nos diferentes países: eles representam os interesses do Estado que os enviou. Da mesma forma, nós somos representantes do Reino de Deus. 

Mas há outra característica importante do embaixador: ele fala em nome do seu governo. Quando um embaixador fala, aquilo que transmite não é simplesmente a sua opinião pessoal. Ele transmite a posição do seu governo e representa a política do Estado que o enviou. Se deixar de seguir essa orientação, poderá sofrer consequências e até ser afastado das suas funções. 

Nós, como embaixadores do Senhor Jesus Cristo, também temos de falar em nome de Deus. Falar em nome de Deus significa entregar a mensagem, a Boa-Nova da salvação e o ministério da reconciliação tal como nos foram confiados. Não devemos acrescentar à Palavra de Deus aquilo que não está nela, mas também não devemos retirar aquilo que Deus revelou. 

No entanto, vemos que muitas pessoas procuram adaptar a Mensagem Cristã aos valores deste mundo. É por essa razão que, cada vez mais, encontramos correntes teológicas, biblistas, exegetas e intérpretes que procuram fazer interpretações da Bíblia à luz da evolução social e cultural contemporânea. O que significa essa interpretação? Significa que a Bíblia passa a ser interpretada à luz das transformações sociais que estão a ocorrer. E é por essa razão que algumas pessoas consideram, por exemplo, o divórcio como algo normal e natural, procurando apresentar diversos motivos que não estão claramente estabelecidos na Bíblia para o legitimar. 

Quando as pessoas procedem dessa forma, estão a adaptar a interpretação da mensagem bíblica às correntes do mundo. Poderíamos dar outros exemplos, mas a questão fundamental é esta: o embaixador não tem autoridade para alterar a mensagem que recebeu. A mensagem não pertence ao embaixador. A mensagem pertence ao seu governo. Da mesma forma, aquilo que nós anunciamos não deve ser simplesmente a nossa convicção pessoal. É a Palavra de Deus que fomos chamados a proclamar. 

Há ainda outro pormenor importante: o embaixador tem nas suas mãos a honra do seu país. Se um embaixador viver de forma desonesta ou corrupta, o que acontece? Envergonha o seu próprio país, porque é um reflexo desse país. Imagine-se um embaixador envolvido numa situação de flagrante violação da lei ou do Estado de direito. Esse indivíduo poderá ser considerado persona non grata. E ser declarado persona non grata significa que deixa de ser bem-vindo naquele país. Isso terá repercussões porque, através do seu comportamento, envergonhou o Estado que representava. 

Nós também somos assim. Qualquer crente no Senhor Jesus Cristo que não se comporte corretamente está, de certa forma, a envergonhar o Evangelho e o bom nome do Cristianismo. E isso torna-se ainda mais grave porque os filhos de Deus, aqueles que se identificam como Cristãos, podem criar obstáculos e escândalos que prejudicam o testemunho do Cristianismo no mundo. As pessoas observam a nossa vida. Se a nossa vida não as conduz ao Evangelho, pode, pelo contrário, afastá-las dele. Logo, o nosso testemunho é extremamente importante, sobretudo naquilo que fazemos. 

O embaixador tem de preservar a honra do seu país. Nós, como filhos de Deus, também temos de preservar a honra do Evangelho. Estou a utilizar estas ilustrações para nos ajudar a compreender estas realidades. Mas vemos também que o embaixador recebe mensagens solenes e urgentes. Quais são essas mensagens? O embaixador transmite a mensagem que recebeu. Ele fala em nome do seu governo e transmite a mensagem que lhe foi confiada. Ele não cria a mensagem. Ele transmite-a. O embaixador entrega a mensagem do rei com a autoridade do rei. Não fala como substituto do rei, mas em nome deste.Por isso, alterar a mensagem do Evangelho para agradar aos homens ou para obter lucro constitui uma grave infidelidade à Missão recebida. 

Muitos fazem isso, infelizmente. A exploração do Evangelho para benefício próprio, à semelhança do que faziam os falsos profetas, constitui um ato de rebelião contra Deus e contra a Sua Palavra. 

Mas vemos também que, pela natureza da sua missão, o embaixador vai para onde o seu país o envia. O embaixador não escolhe simplesmente para onde quer ir. Quando é convocado, tem de estar disponível. É uma pessoa que está ao serviço do seu país e pode ser chamada a desempenhar funções em lugares distantes. O mesmo acontece connosco, enquanto filhos de Deus. Temos o testemunho de muitas pessoas que deixam o seu país e partem em missão. Os missionários não fazem isso simplesmente porque lhes apetece ou porque consideram que fica bem. Fazem-no porque receberam um chamamento e porque desejam proclamar a Boa-Nova da salvação. O embaixador vai para onde o seu país o envia. Não determina livremente o lugar para onde quer ser enviado. Ele está ao serviço do seu país. 

Da mesma forma, o embaixador de Cristo é um servo da Missão e não alguém autónomo que dirige a sua própria agenda. A nossa agenda é a agenda do Reino de Deus. É a agenda do Senhor Jesus Cristo. 

Mas há outro ponto que gostaria de salientar: o embaixador não se naturaliza no país onde está acreditado. Um embaixador pode permanecer num país durante muitos anos, mas continua a representar o Estado que o enviou. Ele está naquele país como representante de outro Estado. A razão é simples: o embaixador está em representação dos interesses do seu país. 

Da mesma forma, nós, que somos embaixadores de Cristo, não podemos tornar-nos cidadãos deste mundo no sentido de adotarmos os seus valores como nossos valores fundamentais. Aliás, nós não somos deste mundo. Jesus disse, na Sua oração, que não era deste mundo e que os Seus discípulos também não eram deste mundo (João 17: 15-16). Se não somos deste mundo, os nossos valores também não podem ser os valores deste mundo. Não podemos simplesmente adaptar-nos ao mundo, muito menos suavizar ou modificar a mensagem para agradar a homens e mulheres. Não fomos chamados para fazer isso. O facto de não sermos deste mundo significa que defendemos interesses que não são determinados pelos valores deste mundo, mas que são compatíveis com a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

Por fim, vemos também que o embaixador possui uma mensagem solene e urgente: a proclamação da Boa-Nova da salvação. A mensagem que anunciamos é a maior, a mais importante, a mais vital e a mais urgente mensagem que um ser humano pode ouvir. É a mensagem da reconciliação. O Deus que reconciliou o mundo consigo mesmo através da morte do Seu Filho apela agora ao mundo, por intermédio dos Seus embaixadores, para que se reconcilie com ELE. 

É precisamente isso que significa a nova identidade que temos no Senhor Jesus Cristo. Esta nova identidade não nos concede apenas privilégios. O privilégio de sermos filhos de Deus significa que passamos a fazer parte do Reino de Deus, mas significa também que recebemos a responsabilidade de transmitir a mensagem da reconciliação. E esta mensagem de reconciliação é a Boa-Nova da salvação. É a mensagem do amor. É a mensagem do perdão. É a mensagem da justiça. É a mensagem da paz e do apaziguamento. É a mensagem da liberdade. É a mensagem da alegria. É isso que Deus espera de nós. 

É também este o desafio que quero deixar convosco: que possamos interiorizar estas verdades salvíficas nos nossos corações e procurar aplicá-las no nosso dia a dia, para glória e louvor do nosso Grande e Todo-Poderoso Deus. Que assim seja.

A Alegria do Dia do SENHOR


O domingo é um dia santo e de celebração religiosa da nossa Fé Cristã. É o Dia do SENHOR e da alegria contagiante no Espírito Santo. Alegria de estarmos na Igreja, juntamente com os nossos irmãos na Fé, para cultuar o nosso Bondoso e Amoroso DEUS. É uma alegria que brota de corações puros que temem ao Senhor Jesus Cristo e têm-No como único Salvador nas suas vidas. O domingo é um dia de culto e de alegria que, em última instância, remete-nos indubitavelmente para a “piedade com contentamento” (1 Tm 6:6). E esta piedade com contentamento, que envolve o fruto do Espírito Santo em nós (Gl 5:22), consubstancia no substrato identitário da nossa Fé Evangélico-Cristã. 

Por isso, estamos sempre alegres, mesmo nas situações de adversidades e de problemas. Estamos alegres nos bons e nos maus momentos, bem como nas situações de dor e de felicidade. Estamos continuamente alegres em toda e qualquer situação, procurando transportar connosco esta alegria da salvação que inunda o nosso ser em todos os dias da semana, mês e ano, especialmente no sagrado Dia do SENHOR. Louvaremos, Senhor, tal como o salmista, de todo o nosso coração; contaremos todas as tuas maravilhas. Em ti nos alegraremos e saltaremos de prazer; cantaremos louvores ao teu nome, ó Altíssimo (Sl 9:1-2). 

É, justamente, por esta razão, que nos alegramos sempre quando nos disserem: Vamos à Casa do Senhor (Sl 122:1), porque “este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118:24). É uma alegria que excede a nossa compreensão humana, pois tem a sua origem e proveniência em DEUS para com os seus amados filhos, isto é, para connosco. Esta alegria transcendental leva-nos a fortiori a estarmos prontos e inteiramente disponíveis para servir no Reino de DEUS, com os nossos dons e talentos. A alegria de estar na Igreja é apenas uma parcela ínfima da responsabilidade da missão integral que os Cristãos têm para com a Grande Comissão do Senhor Jesus Cristo (Mt 28:18-20). 

Com efeito, a obrigatoriedade de o crente estar na Igreja aos domingos não o iliba de outras responsabilidades eclesiásticas. Também não o isenta de estar na Igreja nos outros dias da semana para servir e, muito menos, onera o seu compromisso com DEUS em todas as dinâmicas da vida. O culto dominical não deve servir como um analgésico espiritual para aplacar a consciência temorosa ou desdobrar-se num desvelo alimentado por uma ânsia de legitimação religiosa. E por fim, estar na Igreja não deve servir de pretexto para encobrir astutamente as insuficiências espirituais ou de muleta para o “igrejado” que vive deliberadamente na prática do pecado. 

É importante estar na Igreja para servir e adorar ao nosso Eterno DEUS. No entanto, é mais importante coadunar a nossa vida com os impolutos Princípios e Valores do Evangelho, através de uma vida devotada, santificada e de comprometimento com a Palavra e Obra de DEUS. É completamente despida de qualquer valor espiritual a mera religiosidade, baseada numa cristandade profana e ímpia. Não tem qualquer tipo de mérito espiritual o legalismo hipócrita que assenta nos caprichos egocêntricos e insaciáveis do Homem. Da mesma sorte, não tem ainda qualquer tipo de importância espiritual o farisaísmo hipócrita, que visa apenas vender uma falsa imagem religiosa, com o intuito diabólico de inutilmente ludibriar os verdadeiros Cristãos e a Igreja do Senhor Jesus Cristo em particular. 

Sim, é importante estar na Igreja para servir e adorar ao nosso Omnisciente DEUS, insisto neste ponto. Mas, o mais importante, acima de tudo, é estar no centro da vontade de DEUS e viver diariamente de acordo com o Evangelho da Salvação do Senhor Jesus Cristo. Só assim, estaremos a honrar na íntegra a nossa soberana vocação e a demonstrar, desta forma, que realmente “nascemos de novo” e somos autênticos filhos de DEUS. 

Estive hoje, no Dia do SENHOR, na minha Igreja, a cultuar DEUS por tudo o que É, fez e representa na minha vida. A minha vida sem DEUS não tem qualquer tipo de expressão, valor ou significado. A transformação que DEUS operou em mim, através da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário, fez com que eu sou o que sou. 

Louvo a DEUS, sem medida, para todo o sempre, por esta graça imerecida da salvação que ELE amorosamente me concedeu. Estou-Lhe eternamente grato. E estar na Igreja para adorar e servir com alegria, especialmente no domingo, é o mínimo que posso fazer para agradecer ao Senhor Jesus Cristo. 

Em suma, apropriando-me das inspiradoras palavras do Apóstolo Paulo, digo convictamente com coração de louvor e exaltação ao Altíssimo DEUS: “ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1 Tm 1:17). Que assim seja. Assim sempre será no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. 

O Ministério Pastoral e a Família do Pastor: Da Interdependência à Indissociabilidade

A chamada Divina para o ministério pastoral é um dos mais nobres, relevantes, importantes e poderosos exercícios espirituais que um filho de DEUS possa almejar nesta momentânea vida. É um acto unilateral e manifestamente altruísta em prol da Causa do Evangelho. É renunciar, de forma deliberada e consciente, à carreira profissional, ao sucesso material e aos negócios seculares desta vida para servir fielmente de pastor para o precioso rebanho do Senhor Jesus Cristo. É assemelhar-se, em última instância, ao outrora papel abnegado do Filho de DEUS durante a Sua humilde encarnação neste hostil mundo como o Sumo Pastor das ovelhas. 

O ministério pastoral é benéfico a todos os níveis, profícuo no seu alcance objectivo e bastante rico em termos espirituais para quem o deseja de forma genuína. Se alguém deseja o episcopado, diz peremptoriamente a Palavra do SENHOR, excelente obra deseja (1 Tm 3:1). A pessoa em questão, deseja dedicar exclusivamente a sua vida para servir na Obra de DEUS e ser o mentor das ovelhas de Cristo. Deseja ser instrumento de bênçãos nas mãos do Todo-Poderoso DEUS para proclamar ousadamente o Evangelho da salvação para o mundo perdido e, em consequências disso, ganhar muitas almas, através da acção do Espírito Santo, para os céus. Não há exercício maior e melhor no mundo do que este. Não há profissão e ganhos mundanais ou glórias desta vida que se possam equiparar ao sublime ministério pastoral. Nada mesmo. Literalmente nada. O ministério pastoral excede, em larga medida, as polutas aspirações dos homens e todas as vaidades do mundo. 

Por isso, o ministério pastoral é excelente em todos os seus propósitos e fins. É excelente para o eleito pastor e, sobretudo, para a maravilhosa obra que este realizará em nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. Além deste assente e magnífico privilégio humano-espiritual, que o ministério pastoral comporta e encerra no seu substrato, a verdade também é que ser autenticamente pastor não é “pêra-doce” ou incólume aos problemas, especialmente nos nossos conturbados, anárquicos, violentos, promíscuos, descrentes, corruptos, heréticos e pecaminosos dias pós-modernos. Não é uma tarefa consensual ou facílima, tal como aparenta aos olhos de muitas pessoas e do mundo em particular.  O ministério pastoral é extremamente exigente, complicado na sua concretização prática e amiúde difícil. Envolve sempre a priori o chamado Divino, a renúncia, a sabedoria, o discernimento, a moderação, a tolerância, a paciência, o sofrimento, o amor, o perdão e a entrega incondicional à Obra de DEUS. 

O pastor deve estar, acima de tudo, inteiramente apto e predisposto para arcar com todas as consequências inerentes ao ministério pastoral – tanto nos aspectos positivos como nos aspectos negativos. O eleito pastor deve ter uma ampla capacidade de suportar as privações da madrasta vida, as injustiças provocadas pelos terceiros, as adversidades da função pastoral, as maldades dos falsos Cristãos, a rejeição do mundo e o sofrimento em geral. As pressões, as incompreensões, as provocações, as calúnias, as difamações, as conspirações, as perseguições e as injustiças – provenientes de dentro e fora da Igreja – fazem parte do cardápio e dinâmica da vida pastoral. E o pastor deve estar completamente ciente de todas estas contradições no seu percurso pastoral e saber lidar com elas com espírito de mansidão, bem como ter a capacidade suficiente e a sabedoria Divina para responder positivamente a todos estes conhecidos desafios espirituais à luz das Escrituras Sagradas. 

A génesis de todos estes premeditados e vis ataques contra a figura do pastor vem do diabo, dos seus demónios e filhos da perdição, que estão ao seu serviço no mundo para confundir os fiéis Cristãos e separá-los de DEUS. É o diabo que tenta, a todo o custo, atacar o pastor, denegrindo-lhe a imagem, a reputação e o bom nome para, desta forma, fragilizá-lo e consequentemente dividir a Igreja. Só que usa os ímpios e os Cristãos ingénuos para atingir este maléfico desiderato. O pastor deve estar plenamente consciente e preparado para enfrentar esta dura realidade espiritual no seu percurso de vida, com as armaduras de DEUS (Ef 6:10-18). Só assim será realmente um obreiro aprovado por DEUS e inteiramente habilitado para toda a Boa Obra. 

É evidente que o ministério pastoral é abrangente em todas as suas dimensões e propósitos. Ele é abrangente do ponto de vista objectivo e do ponto de vista subjectivo. Naquele é abrangente na sua concretização prática e finalidade salvífica das ovelhas. Neste é abrangente no que toca ao círculo pessoal, familiar e relacional do pastor, isto é, se este for casado e posteriormente tiver filhos menores ou alguém sob os seus cuidados, contando que a parentela esteja na sua casa e sob a sua inteira dependência. Daí que, sem quaisquer tipos de hesitações prévias ou equívocos doutrinários, não se pode dissociar o ministério pastoral da família do pastor (se for casado, bem entendido. Isto porque uma pessoa pode ser pastor e não ser casado e, muito menos, ter filhos. Logo, neste caso, não se lhe aplica a responsabilidade e responsabilização da sua família no ministério pastoral, uma vez que não dispõe nem de esposa nem de filhos). 

O ministério pastoral está intrinsecamente ligado à família do pastor e vice-versa. As duas realidades estão simultaneamente interligadas e são indissociáveis uma da outra. O pastor, em circunstância alguma, deve isolar a sua família no seu ministério eclesiástico. Da mesma sorte, a família do pastor não deve ficar alheio ou indiferente ao ministério do pastor. As duas realidades estão concomitantemente interligadas e indissociáveis uma da outra. A bitola de Josué de “eu e a minha família serviremos ao Senhor” (Js 24:15) deve reger e fazer parte constante do ministério pastoral e da vida familiar do pastor. 

No entanto, por vicissitudes várias e supervenientes, tem havido um esforço indisfarçável e desmesurado, nas últimas décadas, por parte de alguns teólogos e pastores, para autonomizar o ministério pastoral da família do pastor, reduzindo-o estritamente à figura do “pastor contratado” à moda secular, através de um esgrimido argumento tautológico, falacioso e despido de qualquer tipo de suporte bíblico. Esta tese ardilosa, aparentemente consistente, para ludibriar os menos atentos na fé, visa sobretudo profissionalizar o ministério pastoral e dissolvê-lo numa libertária secularização, desresponsabilizando assim, no seu todo, a família do pastor no ofício eclesiástico. Não tem qualquer tipo de fundamento bíblico nem acolhimento romper este cordão umbilical do ministério pastoral com a família do pastor, antes pelo contrário as duas realidades estão manifestamente interligadas e são imprescindíveis no sucesso ministerial do pastor. 

A título exemplificativo, para testar esta nossa afirmação, se a família do pastor não está enquadrada na ortodoxia bíblica e desviada dela, obviamente que isto terá repercussões extremamente negativas dentro da Igreja e será um factor perturbador e determinante na desqualificação do pastor para o ministério pastoral, independentemente do seu bom carácter, da sua honorabilidade e da integridade espiritual.  O pastor deve, tal como formula inspiradamente a Palavra de DEUS, “ser um bom chefe da sua própria família e saber educar os filhos no respeito, com toda a dignidade. Pois se alguém não é capaz de ser um bom chefe da sua própria família como pode assumir responsabilidades na igreja de Deus?” (1Tm 3:4-5). É claro que não tem condições objectivas para assumir o ministério pastoral ou continuar a exercê-lo com dignidade – por não ter a autoridade espiritual requerida para exortar os irmãos na fé, mormente no que toca à ética familiar e o papel dos maridos, esposas e os filhos na Igreja. 

A teologia subjacente no ofício pastoral é a de a família pastoral ser unidamente um exemplo na Igreja e coadjuvante do pastor na prossecução do ministério eclesiástico. A esposa do pastor, os seus filhos e todas as pessoas que estão sob a sua alçada são partes essenciais no sucesso ou insucesso do ministério do pastor. Tanto que, por esta razão, as próprias Escrituras Sagradas vão dando algumas directrizes sobre a postura irrepreensível que deve caracterizar a família pastoral. A começar, desde logo, com a mulher do pastor. Esta deve apresentar-se com dignidade, modéstia, sem grandes penteados, nem ouro, nem jóias nem vestidos luxuosos, mas sim como convém à mulher que se preocupa principalmente em agradar a DEUS pelas boas obras (1 Tm 2:9-10), evitando máxime o pecado do materialismo, da ostentação, da bisbilhotice, da murmuração, da sensualidade e sumptuosidade. 

Da mesma forma, espera-se um comportamento decente e congruente dos filhos do pastor com os impolutos Princípios e Valores Cristãos, pois fazem parte essencial do ministério pastoral. A família pastoral deve ser modelo para todas as famílias da Igreja – tanto na espiritualidade, na oração, no serviço aos santos, na comunhão, na hospitalidade, na solidariedade, na visitação e na Evangelização e Missões. A mulher do pastor deve ser particularmente exemplo para toda a comunidade, assim como os filhos, com vista a “aliviarem” o ministério do pastor, colaborando de forma edificada no ofício pastoral, livrando assim o pastor de “não se tornar motivo de difamação nem cair na armadilha preparada pelo diabo (1 Tm 3:1-9). 

A família do pastor faz parte integrante do ministério pastoral e deve estar com o pastor na “linha da frente” no exercício eclesiástico. Deve estar preparado para acolher com amor todos os irmãos da igreja, especialmente os irmãos que carecem mais de acompanhamento e orientação, através do ministério de aconselhamento, de hospitalidade e de visitação. Nestes ministérios, é imprescindível a colaboração da mulher do pastor para a sua eficaz concretização. É decisiva a sua predisposição neste sentido para que o pastor seja realmente bem-sucedido em tais importantes ministérios. A mulher do pastor é a “terceira visão”, o “quarto ouvido” e o “sexto sentido” do pastor dentro da igreja. Olha aquilo que o pastor muitas vezes não vê ou negligencie. Escuta mais do que aquilo que o pastor escuta e consegue ter mais a noção real da vida da Igreja do que propriamente o pastor. 

A mulher do pastor leva um lado feminino para o ministério pastoral e ajuda a aplacar muitos ímpetos negativos na congregação e revoltas evitáveis contra a autoridade da igreja, catapultando com o seu gesto de simplicidade o apaziguamento, a harmonia e o despertamento para o serviço.  Se a mulher do pastor for sensível e aberta consegue seguramente inspirar mais confiança de muitos irmãos na igreja, penetrando eficazmente em determinados ângulos ministeriais a que o pastor jamais conseguiria chegar. Consegue atenuar várias tensões e problemas desnecessários entre os irmãos e estes com o pastor e vice-versa.  Ela é o maior activo e o escudo protector do pastor contra os mal-entendidos, as desavenças e revoltas que, de vez em quando, surgem nas igrejas. Daí que ela não pode ser relegada, secundarizada ou desvalorizada no ministério pastoral, até porque se for uma pessoa desleixada e fechada em termos espirituais vai certamente fechar muitas portas de oportunidades no ministério do pastor. 

Se a mulher do pastor e os seus filhos não participam nas actividades regulares da Igreja ou não têm uma conduta Cristã decente, que autoridade espiritual o pastor terá para exortar os outros irmãos na fé a terem uma vida diligente, devotada e santificada? Obviamente que perde toda a legitimidade e autoridade espiritual requerida na Palavra de DEUS para fazer tais chamadas de atenções, tendo em conta o mau exemplo que tem na sua própria casa e que não consegue resolver. E não há dúvida que esta “convulsão familiar” será muito bem aproveitada pelo diabo para difamar o pastor, levando-lhe, em casos mais extremos, a cair na armadilha preparada astutamente por ele, tal como ficou há bocado demonstrado pelo texto sagrado citado. 

Faz sentido que a mulher do pastor não exerça os dons espirituais na Igreja local em que o seu marido pastoreia? Ou que não esteja regularmente nos cultos dominicais, reuniões de oração e de senhoras ou vigílias? É plausível que a mulher do pastor esteja a congregar numa igreja diferente da igreja que o seu marido pastoreia? É congruente com a Palavra de DEUS que ela não acompanhe o seu marido nas actividades eclesiásticas e tenha uma conduta de vida censurável? Os filhos e parentes dependentes do pastor podem ter qualquer tipo de conduta? Estes podem dar ao luxo de ter uma orientação flagrantemente incompatível com a vida sacrossanta, nomeadamente envolvidos na promiscuidade sexual, alcoolismo, vícios de droga ou mundanismo? Obviamente que as respostas para todas estas pertinentes questões são manifestamente negativas, por razões várias que dispensam explicações. 

A família do pastor não pode, sob pena de desestabilizar e afectar drasticamente o mistério do pastor, não colaborar com o pastor no ministério pastoral e ter condutas desviantes à luz da Palavra de DEUS. Espera-se da família do pastor que seja modelo de espiritualidade para toda a Igreja. E isto envolve, desde logo, o próprio pastor, a sua esposa, os filhos e todos os dependentes a seu cargo. São estas mesmas pessoas que assistirão o pastor nos momentos mais difíceis, desanimadores e desafiantes do ministério, dando-lhe apoio incansável e forças suficientes para continuar firmemente a “combater o bom combate da fé”. 

A mulher do pastor e os filhos devem ser modelos dentro da Igreja e fora dela, insistimos. Devem estar com o pastor na “linha da frente” no exercício pastoral, com vista a estimular os outros irmãos da Igreja a seguirem o mesmo consagrado testemunho de fé. Vai, se assim não for, seguramente, afectar negativamente a autoridade do pastor dentro da congregação e obstaculizar o seu ministério. A família do pastor é o “espelho” da Igreja e modelo de referencial para todos os fiéis. Deve dar o exemplo no testemunho, na consagração, na dedicação, na hospitalidade e no amor ao serviço do Reino de DEUS. 

É claro que a família do pastor não é perfeita e nem se pode esperar dela a perfeição. Não é disto que estamos a falar nem tencionamos passar tal ideia nesta nossa humilde crónica. Também não somos da opinião de exigir muito mais do que aquilo que se pode exigir do pastor e da sua família. O máximo que se pode exigir do pastor e da sua família é o mínimo do ponto de vista espiritual: ser unida, dar testemunho fiel da Palavra de DEUS, comprometida com a Igreja do Senhor Jesus Cristo e exemplo de serviço para os santos. 

É verdade que há, cada vez mais, uma exigência anormal e maldosa dos crentes para com a família do pastor. Também há, cada vez mais, um conluio deliberado e maléfico por parte de irmãos que se deixam instrumentalizar pelo diabo para desestabilizar a família do pastor. É verdade que as congregações esperam muito mais do que aquilo que o pastor e a sua família podem oferecer às Igrejas. É ainda verdade que há uma pressão brutal sobre a família pastoral, levando-lhe, em determinados casos, a perder o ânimo e o fervor missionário. E, por fim, é verdade ainda que muitos pastores e as suas famílias têm sido reiteradamente enxovalhadas, humilhadas, vilipendiadas e perseguidas nas suas congregações – e com todas as repercussões negativas que isto comporta no equilíbrio espiritual das mesmas, principalmente na vida dos filhos. Estamos plenamente conscientes de toda esta triste e vergonhosa realidade. É um comportamento repugnante e atentatório aos elevados Princípios e Valores consagrados na Palavra de DEUS e ao amor Cristão que devem nortear os crentes. 

O pastor é um ser humano como qualquer outro crente no Senhor Jesus Cristo: tem inclinações, desejos, vulnerabilidades, falhas e limitações. O pastor é um pecador regenerado à semelhante dos demais eleitos filhos de DEUS. Esta verdade soteriológica também se aplica na íntegra à família do pastor. A única diferença é que o pastor foi separado para conduzir o povo de DEUS. Não se pode exigir perfeição de quem não é perfeito. Não se pode exigir infalibilidade de quem é falível. Não se pode exigir uma coisa que a pessoa não tem. Todavia, não se pode confundir as duas realidades ou misturá-las no mesmo saco. Uma coisa é a pressão desmedida e exigência exagerada que muitas igrejas fazem à família pastoral ou esperam dela. Outra coisa, e bem diferente, é desresponsabilizar completamente a família do pastor no ministério eclesiástico. 

O Pastor e a sua família devem estar preparados para vivenciar coisas boas do ministério, assim como as coisas menos boas dentro das congregações. Não é com queixumes e lamúrias que se vai aplacar as reiteradas investidas diabólicas e pressões no ministério. Julgamos que os pastores que passam mais a vida a lamentar da sua sorte ministerial, das duas uma: ou desconhecem as implicações teológicas de ser pastor, ou não receberam um autêntico chamado Divino para serem pastores. Um pastor de verdade não está constantemente a lamentar a sua sorte e está habilitado a sofrer até ao fim na Obra de DEUS, pelo amor do Senhor Jesus Cristo, tal como os heróis da fé e santos homens e mulheres de DEUS fizeram ao longo da história do Cristianismo. 

E mais, estamos em crer que os pastores que passam a vida a lamentar no ministério ou a fazerem alarido daquilo que estão a vivenciar não são, de todo, os que mais sofrem ou estão a sofrer. E são tais pastores que não cansam de procurar igrejas mais “favorecidas” ou “afortunadas” para acomodarem as suas expectativas humanas, nomeadamente a estabilidade financeira, a locupletação e o conforto da vida material. Estes, seguramente, não são verdadeiros pastores, mas sim assalariados, visando apenas os seus egocêntricos interesses e não do Senhor Jesus Cristo. E há muitos assim no nosso meio Evangélico-protestante, para grande tristeza nossa, infelizmente... 

Não se vislumbra qualquer tipo de sucesso ministerial do pastor onde a sua família não está devidamente incluída e integrada. A família do pastor é alicerce crucial e retaguarda indispensável para o bom ofício do pastor. Ela tem um papel de coadjuvação no ministério bastante importante e relevante. E deve contribuir para acompanhar, apoiar, orar, encorajar o pastor, principalmente, nos momentos mais sombrios, complicados e de desânimo. Se a família do pastor não colaborar com ele no ministério decerto que este não terá um frutuoso e bem-sucedido ministério. Fica vulnerável, circunscrito na sua acção, refém de tais fragilidades e condicionado do ponto de vista espiritual, ficando assim significativamente limitado na sua autoridade espiritual, sendo depois motivo de escândalo para a Igreja. 

A premeditada tentativa de desresponsabilizar a família do pastor nos ministérios da Igreja, nos círculos evangélicos tradicionais como nos círculos pentecostais, colide frontalmente com os pressupostos axiológicos da Doutrina Bíblica e resvala num profissionalismo secular subjectivista. Ela visa unicamente incorporar e legitimar biblicamente parte das pretensões teológicas dos movimentos progressistas dentro do Cristianismo que, a todo o custo, reclamam uma interpretação actualista das Escrituras Sagradas, absorvendo o mundanismo para dentro da Igreja. 

Os princípios que estão na génesis da instauração do ministério pastoral são todos de conjugação, agregação e de sinergias. A Igreja alberga no seu corpo várias e diversificadas pessoas, tendo o Senhor Jesus Cristo como a sua cabeça (Cl 1:18; Ef 5:23). O pastor é chamado a conduzir o rebanho do Senhor Jesus Cristo e estes, por sua vez, são chamados a viver unidos e em completa harmonia e comunhão, cooperando uns com os outros na prossecução, expansão e avanço do Evangelho para que o mundo creia que Jesus Cristo é o Senhor (Jo 17:21). Não há nada que, do ponto de vista da eclesiologia, estimula ou apela para o individualismo (vede, por todos os exemplos bíblicos, os dons espirituais e as suas finalidades em 1 Co 12:1-31 e Rm 12:4-8, respectivamente). 

A Igreja é a conjugação das partes para o mesmo fim: a edificação dos santos e glória do Senhor Jesus Cristo (Ef 4:12-13; 1 Co 12:7). O ministério pastoral, igualmente, é trabalho de equipa, não obstante ter o pastor como o líder principal da igreja local. E em todas estas colaborações e diversificações, a família pastoral é peça central e “guia” da Igreja. Logo, ela é parte integrante do ministério e a membrasia deve contar com ela na Obra e poder responsabilizá-la, e ao pastor, em casos de desvios comportamentais flagrantes. 

Nunca se pode equiparar o ministério pastoral com o regime de prestação de serviço secular, tal como muitos teólogos e pastores se têm, de forma explícita, desdobrado a fazer. O ministério pastoral é uma vocação e não tem nenhum paralelismo com o do assalariado. E o pastor e a sua família têm impreterivelmente de estar vocacionados para trabalharem juntos na igreja local que escolheram pastorear. Isto não quer dizer literalmente que a esposa do pastor, os seus filhos e paraninfos têm necessariamente de trabalhar a tempo integral ou serem obrigados a exercer funções proeminentes na Igreja. Nada disso. Podem optar por trabalhar a tempo inteiro, isto é, se a Igreja assim o entender, bem como podem não ocupar nenhum cargo na Igreja em que estejam congregados. No entanto, de modo algum, podem prescindir do compromisso com a Igreja, a vida santificada, o exemplo de vida Cristã e a predisposição para servir como qualquer outro membro da Igreja. 

A família do pastor tem toda a liberdade e deve ser encarada como qualquer outra família na congregação, sem prejuízo naturalmente de não descurar o seu papel acrescido na representação das famílias da Igreja. Não pode relaxar e deve pautar a sua conduta como uma verdadeira família pastoral. A mulher do pastor deve ser modelo refletivo para todos os membros da comunidade e das mulheres da Igreja em especial. Os filhos do pastor, da mesma sorte, devem ser motivo de orgulho e satisfação pelo pastor. Conjugando devidamente todas estas realidades e absorvendo-as, há mais manobras para o pastor exercer pacificamente, com maior autoridade e tranquilidade, o seu ministério eclesiástico, reduzindo consideravelmente muitas investidas do inimigo e do diabo em especial. 

Por isso, não compreendo minimamente os defensores da dissociação do ministério pastoral com a família pastoral. Esta pretensão não acautela a maior protecção que o pastor dispõe no ministério: a sua família. A família do pastor é, falando humanamente, retaguarda e reduto do pastor nos momentos decisivos do ministério. É na sua família que o pastor encontra carinho, incentivo, estímulo para continuar a prosseguir com o ministério. Retirar ao pastor esta peça fundamental no seu compromisso com a igreja é retirar-lhe a retaguarda em tempos de adversidades e um autêntico paradoxo em termos bíblicos. Não há nenhum ganho espiritual em excluir a família pastoral do ministério do pastor, antes pelo contrário potencia mais riscos, escândalos, prejuízos para ele e o seu ministério em geral. 

Em suma, o ofício pastoral e a família do pastor estão manifestamente interligados, interdependentes e indissociáveis nos ministérios da Igreja, independentemente das várias formulações teológicas que tentam defender o contrário. O serviço pastoral, em última instância, envolve também a casa do pastor e é neste prisma que ele deve ser concebido, entendido e aplicado. Que assim seja. E assim sempre será para glória do Senhor Jesus Cristo. Amém. 

Dia do Pastor


(O Pastor Marcos Mendes Ferraz, a mulher e os seus filhos. Na foto, em ordem crescente: Isaque, Jónatas, Rubem, Mateus, Margarida e o Pastor. A foto foi extraída no facebook da irmã Margarida). 



Dentro de algumas horas estaremos na nossa Igreja, a Evangélica Baptista da Amadora, a celebrar peculiarmente o "Dia do Pastor". Nunca tive nenhumas reservas sobre as datas comemorativas, que as sociedades, associações e instituições de várias ordens estabelecem para homenagear publicamente determinadas classes de pessoas pela importância cimeira que representam na comunidade, contando que não se extravasem os limites do bom senso e da razoabilidade requeridas. Cumprindo estes nobres pressupostos sociais não encontro qualquer pretexto ou oposição para não dar também a minha anuência a essas importantes efemérides, antes pelo contrário. Dito por outras palavras, enquadro-o sempre no brocardo bíblico de "a quem temor, temor; a quem honra, honra" (Romanos 13:7). 

No meu já longínquo percurso de vida Cristã, desde a mais tenra idade, tive oficial e formalmente quatro pastores, nomeadamente o Pastor Luís Baptista, António Cabral, Manuel Alexandre Júnior e Marcos Mendes Ferraz, respectivamente. Os dois primeiros são os meus conterrâneos guineenses. Pastorearam-me na Igreja Evangélica de Bandim onde, pela soberana vontade Divina, actualmente, o meu querido irmão Evaristo Vieira é Pastor adjunto do Pastor António Cabral na referida congregação (LER). Estes quatro pastores tiveram um papel amiúde preponderante na minha vida espiritual, bem como a minha querida família e tantos outros servos e servas que o Altíssimo DEUS colocou no meu caminho para me coadjuvar  a consolidar a minha fé no Senhor Jesus Cristo. 

O meu primeiro Pastor foi Luís Baptista. Converti-me, aos 17 anos de idade, em 2001, com o Pastor António Cabral, na Igreja Evangélica de Bandim, em Bissau. Fui Baptizado pelo Pastor Manuel Alexandre Júnior, no templo da Igreja Evangélica Baptista da Amadora, Portugal, em 2006 (LER). O Pastor Marcos Mendes Ferraz é, neste momento, o meu Pastor. Guardo, como se pode notar, boas memórias destes preciosíssimos servos do SENHOR e poderia lançar-me em prolegómenos para confirmar esta afinidade eclesiástica. No entanto, julgo inoportuno fazê-lo. Talvez, quem sabe, no futuro, venha a fazê-lo num outro artigo. Por agora, cingir-me-à a minha consideração meramente ao Pastor Marcos Mendes Ferraz, uma vez que é actualmente o meu Pastor. 

Conheci o Pastor Marcos Mendes Ferraz no Seminário Teológico Baptista, em Queluz. Mais tarde veio a assumir o pastorado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, como adjunto do Pastor Manuel Alexandre Júnior, passando assim por inerência a ser também o meu Pastor (LER). Posteriormente foi meu Professor no Seminário Teológico Baptista (STB), dando-me a cadeira de Teologia do Novo Testamento. Foi, da mesma sorte, meu Professor na Escola Bíblica Dominical e pude ainda trabalhar com ele em alguns ministérios da nossa Igreja, máxime na área da Educação Cristã, na Direcção da Igreja (LER) e no Evangelismo e Missões. O Pastor Marcos Mendes Ferraz é uma pessoa inteligente, discreta, humilde e bastante comprometida com a causa do Evangelho. Qualidades cada vez mais raras "no presente século mau" a que estamos adstritos. A nossa Igreja tem vindo cada vez mais a beneficiar da sua sapiência e riquíssimos sermões que tem pregado. 

A todos vós, meus estimados pastores, espero que continuem a evidenciar os excelentes atributos espirituais do "obreiro aprovado", pastoreando saudavelmente "o rebanho que Deus vos confiou, não por obrigação, mas de boa vontade, tal como Deus quer; não por espírito de ganância, mas com dedicação; não como quem se impõe sobre os que lhe foram confiados, mas como modelo para todos. E quando o chefe dos pastores vier, ser-vos-á entregue a coroa de glória que nunca perderá o seu brilho", exortam vigorosamente as Escrituras Sagradas (1 Pedro 5: 2-4)

Quero aproveitar ainda, em suma, para homenagear todos os autênticos pastores, missionários, evangelistas, líderes espirituais, teólogos, mulheres e homens de "boa vontade" que estão na linha da frente na difusão e promoção do Evangelho para o Mundo perdido, sobretudo que jamais se esqueçam de interiorizar que "aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos" (Salmos 126:6). Que a Graça do Senhor, nosso Deus, pouse sobre vós, fazendo prosperar as obras das vossas mãos; sim, ELE confirmará a obra das vossas mãos em tempo oportuno para Honra e Louvor do Seu Grande Nome (Salmos 90:17). Que assim seja.

Gratidão à Família Alexandre


«A Gratidão é mais do que um sentimento. Se apenas fosse um sentimento, ela limitar-se-ia a ser apenas a resposta natural a situações em que nos acontecem coisas boas. Mas ela é acima de tudo uma atitude, uma escolha, uma maneira própria de ser e estar na vida, em todas as circunstâncias, sejam elas de alegria ou de dor. “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”, diz a Palavra do Senhor (I Tessalonicenses 5:18)» (Pastor Manuel Alexandre Júnior, in Plenitude e Harmonia, Núcleo – Centro de Publicação Cristãs, Caneças, 2010, p. 112). 


O Pastor Manuel Alexandre Júnior e a irmã Maria José Alexandre cessaram anteontem, de forma efectiva, o ministério pastoral que vinham exercendo a tempo integral há cinco décadas e meia. Os 24 anos deles foram dedicados à Igreja Evangélica Baptista da Amadora, sendo assim substituídos pelo Pastor Marcos Mendes Ferraz e a irmã Sónia Margarida Ferraz. 

Para efeitos de registo, especialmente por ter sido beneficiado imensamente com o ministério da família Alexandre, gostaria apenas de manifestar aqui o meu profundo agradecimento para com este maravilhoso casal que tanto estimo e admiro. Cresci bastante em termos espirituais com as ricas mensagens bíblicas do Pastor Manuel Alexandre e os seus preciosos conselhos. Desde logo, fui baptizado por ele (LER), somando a solidariedade e generosidade do casal que procura sempre inteirar-se da minha situação, convidando-me inúmeras vezes para ir almoçar com eles em sua casa, e pontuais ofertas financeiras que me tem concedido em praticamente todos os Natais. 

Por isso, com enorme gratidão a DEUS e também à família Alexandre, o meu muito obrigado por tudo quanto têm feito por mim. Faço votos que o Senhor Jesus possa abençoar-vos nesta nova fase que a partir de agora vão seguir, conferindo-vos vida, saúde, protecção. Que sejam, acima de tudo, vasos de bênçãos para todos aqueles que cruzam o vosso caminho, sobretudo à amada Igreja de Cristo. DEUS esteja sempre convosco. 

E para o Pastor Marcos Mendes Ferraz e  a irmã Sónia Margarida Ferraz, desejo-vos, da mesma sorte, as maiores felicidades e bênçãos celestiais na liderança da nossa igreja, juntamente com os vossos queridos filhos. Que a nossa congregação continue a crescer na Graça, na Espiritualidade, no Compromisso com o Evangelho, na Comunhão uns com os outros, no pleno Conhecimento das Sagradas Escrituras e no número de pessoas que vão sendo salvas para Glória do nosso Eterno DEUS. Que assim seja.