Tenha um bom proveito na sua visualização e auscultação (LER). Feliz noite de descanso.
Devemos Ser ou Não Tolerantes com os Intolerantes?
Devemos Ser Tolerantes Com os Intolerantes?
Devemos ser tolerantes com os intolerantes? Como relacionar com as pessoas que não têm a cultura democrática? É concebível, num estado de direito democrático, lidar com os ditadores numa lógica da democracia? Será que a democracia aceita pessoas que não são democratas? Uma pessoa radical, extremista, violenta e autoritária pode beneficiar das regras integrativas da democracia participativa? Como é que podemos resistir e, simultaneamente, vencer pessoas antidemocráticas, sem pôr em causa o regime democrático? São todas as pertinentes questões que, de forma subsumida, procurei responder neste brevíssimo vídeo.
Tenha um bom proveito na sua visualização e auscultação.
A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos
Faz hoje 20 anos sobre o desaparecimento físico do austríaco Karl Popper (1902-1994), considerado por muitos intelectuais como um dos grandes pensadores do séc. XX (LER). Ler a sua emblemática obra “A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos” é uma sensação única.
A meu ver o socialismo marxista-leninista é pura utopia, tal como a sociedade idealizada por Tomás More. Os volumes de Lénine (Obras Escolhidas) e O Capital de Marx são obras cheias de ambiguidades e bastantes paradoxais nas suas concretizações práticas. Preconizam uma ideologia híbrida, completamente aversiva ao modelo liberal da sociedade que, como sabemos, trouxe imensuráveis ganhos à Humanidade no que toca aos ideais da Democracia, da Igualdade, da Justiça Social, da Liberdade, da Tolerância e da Propriedade Privada.
Popper rejeitava, numa primeira abordagem, só mesmo numa primeira abordagem, o uso da violência, proclamando a tolerância nos domínios político, religioso e ético. No entanto, advertia, como meio de prevenção, que a sociedade aberta não é uma forma plena e garantida, antes comporta inimigos personificados nos nomes de Platão, Hegel e Marx, e nas ideias do historicismo, colectivismo e o naturalismo ético. E, de seguida, à luz deste entendimento, numa segunda fase, defender a tese de “paradoxo de tolerância” ou a não “tolerância ilimitada” com os intolerantes da sociedade aberta. Isto porque, segundo a formulação do insigne filosofo, “a tolerância ilimitada levará ao desaparecimento da tolerância. Se estendemos tolerância ilimitada até àqueles que são intolerantes, se não estamos preparados para defender a sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, juntamente com a tolerância”.
Por isso, em última instância, concluía que “a verbalização de filosofias intolerantes devemos reservar o direito de suprimi-las, mesmo através de força; porque poderá facilmente acontecer que os intolerantes se recusem a ter uma discussão racional, ou pior, renunciarem a racionalidade, proibindo os seus seguidores de ouvir argumentos racionais, porque são traiçoeiros, e responder a argumentos com punhos e pistolas. Devemos pois reservar o direito, em nome da tolerância, de não tolerar os intolerantes”.
Este debate da tolerância ou não tolerância com os intolerantes não tem sido pacífico ao longo de várias décadas e tem sido objecto de infindas querelas ideológico-filosóficas nos círculos intelectuais. Julgo, na minha humilde opinião, que há limite para tudo na vida. Não se pode em nome da falsa tolerância legitimar ideais e modus vivendi que colocam em causa os superiores Princípios e Valores da sã convivência entre os seres humanos, sobretudo os valores do humanismo e da humanidade.
A miscigenada sociedade aberta confronta-se com inúmeros inimigos – quer a nível interno como externo. Ali, desde logo, a relativização de grandes Princípios e Valores que outrora nortearam-na, máxime a sua identidade judaico-Cristã que há muito foi posta em causa, sem que nenhuma alternativa credível surgisse com suficiente consenso social para preencher o vazio das referências nas sociedades, somando isto às ideologias extremistas – tanto de Esquerda como de Direita – que têm vindo a crescer paulatinamente no seu seio. Aqui, a nível externo, a ameaça real vem mesmo do radicalismo islâmico e na parte dos seus lacaios que promovem desumanamente os actos macabros de terrorismo em nome da falsa “guerra santa”.
