«O pior analfabeto
é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do
peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões
políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância
política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os
bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas
nacionais e multinacionais».
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A Incongruência Ideológico-politica dos Cristãos
A perfilhação ideológico-política de um Cristão não é um
tema consensual. Tanto que, por esta razão, tem sido exaustivamente objecto de
infindáveis debates entre os fiéis ao longo dos últimos seis séculos, com vista
a procurar situar a ideologia que se ajusta melhor às ordenanças bíblicas. As
próprias Escrituras Sagradas não tomam uma posição linear sobre que orientação
política o crente deve seguir. Podem servir-se delas para defender uma
concepção de Direita e concomitantemente de Esquerda. Da mesma sorte podem
usá-las para sustentar o Conservadorismo, o Reacionarismo, o Progressismo, o
Liberalismo e o Radicalismo, bem como a Democracia Cristã, o Socialismo, a
Social-democracia e o Comunismo. A Palavra de DEUS não se esgota
unicamente numa ideologia política. Ela transcende, em larga medida, as
redutoras mundividências do Homem e as suas polutas aspirações sociais. Por
isso, há espaço para albergar parcialmente cada uma das ideologias naquilo que
se destacam em termos positivos (LER).
Talvez seja por esta razão que tem havido mal-entendidos, e até mesmo um certo
tipo de aproveitamento, por parte de muita gente sobre esta sensível
matéria.
No "presente século mau" em que
vivemos não há praticamente diferença assinável entre ser de Esquerda ou de
Direita, tal como existia noutros tempos. Os temas ditos "fracturantes" tornam-se
cada vez mais residuais. A tendência natural que os partidos têm vindo a
adoptar é, tão-simplesmente, agradar ao eleitorado nas suas aliciantes
propostas populistas e deste modo chegar ao poder o mais rápido possível.
Apenas vamos notando algumas diferenças pontuais entre polos opostos. As opções
socio-económicas dos partidos têm ganho mais relevo no eleitorado em detrimento
de preferências ético-morais, que são relegadas para segundo plano. Ademais, nenhum
partido político procura honrar a DEUS nas suas agendas políticas, antes pelo
contrário afastam-No do seu programa, preocupando-se unicamente em satisfazer o
eleitorado, mesmo aqueles que se auto-intitulam inutilmente "Cristãos".
Nada disto deve ser uma surpresa para o Cristão. Sabemos
que tudo isso tem inevitavelmente de acontecer um dia. São manifestações
visíveis dos "sinais dos tempos" (LER),
que precederão a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo ao Mundo (Mateus
24:1-51 e 25:1-46). A tendência é de as coisas piorarem à medida que o
tempo vai passando. O Cristão jamais conseguirá mudar, de forma unilateral, o
curso funesto que a Humanidade toma paulatinamente através da sua política
profana e, muito menos, julgar que consegue operar alguma alteração em sentido
inverso. Deve, tal como bem ensina a Palavra de DEUS, orar pelas autoridades
estabelecidas e os seus súbditos. A verdadeira mudança política, se tiver mesmo
que acontecer, terá que vir das elites governativas transformadas pelo poder do
Espírito Santo. É por meio dos políticos autenticamente regenerados, e dos seus
respectivos partidos, que pode surgir uma autêntica mudança social. E julgamos,
objectivamente, que, sem qualquer tipo de preconceito, os partidos mais
equilibrados são os do centro – tanto de Esquerda como de Direita – sem
prejuízo, obviamente, de reconhecer algum mérito nos outros. No entanto, todos
estes partidos estão comprometidos com agendas malévolas e lobbies contrários
aos sublimes Princípios e Valores das Escrituras Sagradas.
Por isso, entendemos que não há solução viável que não
seja a solução de não defender nenhum partido, ficando-se apenas neutro perante
as opções ideológico-políticas que são apresentadas. O Cristão deve apenas
trabalhar arduamente pelo bem das cidades em que esteja circunscrito, orando
continuamente por elas (Jeremias 29:7). E o Apóstolo Paulo,
inspirado pelo Espírito Santo, na mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de
advertir os seus leitores a "submeter às autoridades públicas,
pois não há autoridade que não venha de Deus", pagando-lhes os
devidos impostos e simultaneamente honrando-lhes naquilo que for necessário (Romanos
13:1;7). É imperioso cumprir essas obrigações cívico-políticas, sem perder
de vista o nosso foco principal neste "Vale de Lágrimas",
que é promover o Reino de DEUS e glorificar o Seu Santo Nome. "Dai,
pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", encerrava
inequivocamente esta grande verdade soteriológica expressa pelo Senhor
Jesus (Mateus 22:21; Marcos 12:17; Lucas 20:25).
Partindo de tudo o que ficou exposto, e em abono da
verdade, o Cristão jamais poderá votar num partido ou candidato que defende o
aborto (LER),
a homossexualidade (LER),
a eutanásia, a barriga de aluguer, a adulteração da família, a relativização da
Moral e os Bons Costumes, etc. Tal conduta entra flagrantemente em contradição
com a Bíblia Sagrada. É claro que o Cristão, igualmente, não pode ser conivente
com os partidos que promovem e acentuam as assimetrias sociais, a corrupção, a
marginalização, as desigualdades, o sexismo, a xenofobia, o ostracismo, a
delapidação do meio ambiente, o liberalismo económico que beneficia os
poderosos em detrimento dos pobres, etc. A orientação de voto de um Cristão
deve ser pautada, acima de tudo, pela coerência com os sagrados Princípios e
Valores do Evangelho. Não podemos professar uma coisa e posteriormente
legitimar, por sufrágio secreto, algo em sentido contrário. Seria um autêntico
paradoxo.
E perante este grande dilema com que, infelizmente,
estamos confrontados coloca-se uma pertinente questão para o Cristão: dos dois
males destacados qual seria o menor? Obviamente o segundo. Jamais podemos
comparar a hedionda legalização do aborto, a homossexualidade[1] com qualquer outro tipo de
injustiça ou despotismo governativo. Contudo, tal não deve servir de desculpa
para validar políticas iníquas e/ou imorais a pretexto de serem "males
menores", até porque não existe hierarquização de pecados para DEUS,
não obstante terem implicações e penalidades diferentes.
Somos inteiramente da opinião que o Cristão deve votar
sempre em branco quando se confronta com os dois males supra mencionados
que, aliás, como é cognoscível, é uma realidade praticamente transversal a todos
os países do mundo. É verdade que o voto em branco não tem
consequências políticas imediatas, tal como votar numa determinada lista ou num
candidato em particular. O Cristão não deve ficar sumamente preocupado por não
estar a "alterar nada" em termos políticos. O factor
determinante é sermos fiéis, máxime coerentes com a profissão de fé que
abraçamos no Senhor Jesus. Mais vale não "alterar nada" do
ponto de vista humano-social e agradar a DEUS com o nosso nobre testemunho de
vida do que contribuir para validar asquerosas injustiças e ser manifestamente
desobediente para com os mandamentos bíblicos.
E mais, o voto em branco consubstancia uma falta
de alternativa nos programas eleitorais apresentados pelos candidatos/partidos,
contrariamente à abstenção que implica o não exercício do direito de voto e uma
clara violação do dever politico-cívico. O Cristão que vota em branco
exerceu, pelo menos, condignamente, o seu dever de cidadania. Não é menos
preocupado ou desleixado com a situação política do seu país do que aquele que
vota numa determinada plataforma. Tão simplesmente não se identifica ou comunga
com nenhum projecto eleitoral que se propõe a sufrágio.
Temos constatado uma efusiva manifestação de muitos
Cristãos, que fazem a apologia de determinadas ideologias políticas, mormente
apelando afincadamente ao voto em certos partidos/candidatos, não obstante
estes já se terem provado publicamente aversivos aos ideais do Evangelho e
serem em determinados casos anticristo. Tais Cristãos estão a ser claramente
incongruentes com o seu testemunho de fé, esquecendo-se que a conversão que
fizeram significa dar primazia à Palavra de DEUS em todos os domínios da vida –
quer seja a nível familiar, relacional, profissional, social e político. Temos
imensa pena dessas pessoas. Muita pena mesmo. Resta-nos, somente, usando a
virtude do amor Cristão, pedir ao SENHOR que não lhes impute esta evitável
falha espiritual, porque não sabem realmente o que fazem.
[1] este
último considerado um pecado "abominável" e passível
de morte à luz das Escrituras Sagradas [vide o Levítico 18:22 e
20:13; Romanos 1:32].
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