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O Analfabeto Político, de Bertolt Brecht


«O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais». 

A Incongruência Ideológico-politica dos Cristãos


A perfilhação ideológico-política de um Cristão não é um tema consensual. Tanto que, por esta razão, tem sido exaustivamente objecto de infindáveis debates entre os fiéis ao longo dos últimos seis séculos, com vista a procurar situar a ideologia que se ajusta melhor às ordenanças bíblicas. As próprias Escrituras Sagradas não tomam uma posição linear sobre que orientação política o crente deve seguir. Podem servir-se delas para defender uma concepção de Direita e concomitantemente de Esquerda. Da mesma sorte podem usá-las para sustentar o Conservadorismo, o Reacionarismo, o Progressismo, o Liberalismo e o Radicalismo, bem como a Democracia Cristã, o Socialismo, a Social-democracia e o Comunismo. A Palavra de DEUS não se esgota unicamente numa ideologia política. Ela transcende, em larga medida, as redutoras mundividências do Homem e as suas polutas aspirações sociais. Por isso, há espaço para albergar parcialmente cada uma das ideologias naquilo que se destacam em termos positivos (LER). Talvez seja por esta razão que tem havido mal-entendidos, e até mesmo um certo tipo de aproveitamento, por parte de muita gente sobre esta sensível matéria. 

No "presente século mau" em que vivemos não há praticamente diferença assinável entre ser de Esquerda ou de Direita, tal como existia noutros tempos. Os temas ditos "fracturantes" tornam-se cada vez mais residuais. A tendência natural que os partidos têm vindo a adoptar é, tão-simplesmente, agradar ao eleitorado nas suas aliciantes propostas populistas e deste modo chegar ao poder o mais rápido possível. Apenas vamos notando algumas diferenças pontuais entre polos opostos. As opções socio-económicas dos partidos têm ganho mais relevo no eleitorado em detrimento de preferências ético-morais, que são relegadas para segundo plano. Ademais, nenhum partido político procura honrar a DEUS nas suas agendas políticas, antes pelo contrário afastam-No do seu programa, preocupando-se unicamente em satisfazer o eleitorado, mesmo aqueles que se auto-intitulam inutilmente "Cristãos"

Nada disto deve ser uma surpresa para o Cristão. Sabemos que tudo isso tem inevitavelmente de acontecer um dia. São manifestações visíveis dos "sinais dos tempos" (LER), que precederão a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo ao Mundo (Mateus 24:1-51 e 25:1-46). A tendência é de as coisas piorarem à medida que o tempo vai passando. O Cristão jamais conseguirá mudar, de forma unilateral, o curso funesto que a Humanidade toma paulatinamente através da sua política profana e, muito menos, julgar que consegue operar alguma alteração em sentido inverso. Deve, tal como bem ensina a Palavra de DEUS, orar pelas autoridades estabelecidas e os seus súbditos. A verdadeira mudança política, se tiver mesmo que acontecer, terá que vir das elites governativas transformadas pelo poder do Espírito Santo. É por meio dos políticos autenticamente regenerados, e dos seus respectivos partidos, que pode surgir uma autêntica mudança social. E julgamos, objectivamente, que, sem qualquer tipo de preconceito, os partidos mais equilibrados são os do centro – tanto de Esquerda como de Direita – sem prejuízo, obviamente, de reconhecer algum mérito nos outros. No entanto, todos estes partidos estão comprometidos com agendas malévolas e lobbies contrários aos sublimes Princípios e Valores das Escrituras Sagradas. 

Por isso, entendemos que não há solução viável que não seja a solução de não defender nenhum partido, ficando-se apenas neutro perante as opções ideológico-políticas que são apresentadas. O Cristão deve apenas trabalhar arduamente pelo bem das cidades em que esteja circunscrito, orando continuamente por elas (Jeremias 29:7). E o Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, na mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de advertir os seus leitores a "submeter às autoridades públicas, pois não há autoridade que não venha de Deus", pagando-lhes os devidos impostos e simultaneamente honrando-lhes naquilo que for necessário (Romanos 13:1;7). É imperioso cumprir essas obrigações cívico-políticas, sem perder de vista o nosso foco principal neste "Vale de Lágrimas", que é promover o Reino de DEUS e glorificar o Seu Santo Nome. "Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", encerrava inequivocamente esta grande verdade soteriológica expressa pelo Senhor Jesus (Mateus 22:21; Marcos 12:17; Lucas 20:25). 

Partindo de tudo o que ficou exposto, e em abono da verdade, o Cristão jamais poderá votar num partido ou candidato que defende o aborto (LER), a homossexualidade (LER), a eutanásia, a barriga de aluguer, a adulteração da família, a relativização da Moral e os Bons Costumes, etc. Tal conduta entra flagrantemente em contradição com a Bíblia Sagrada. É claro que o Cristão, igualmente, não pode ser conivente com os partidos que promovem e acentuam as assimetrias sociais, a corrupção, a marginalização, as desigualdades, o sexismo, a xenofobia, o ostracismo, a delapidação do meio ambiente, o liberalismo económico que beneficia os poderosos em detrimento dos pobres, etc. A orientação de voto de um Cristão deve ser pautada, acima de tudo, pela coerência com os sagrados Princípios e Valores do Evangelho. Não podemos professar uma coisa e posteriormente legitimar, por sufrágio secreto, algo em sentido contrário. Seria um autêntico paradoxo. 

E perante este grande dilema com que, infelizmente, estamos confrontados coloca-se uma pertinente questão para o Cristão: dos dois males destacados qual seria o menor? Obviamente o segundo. Jamais podemos comparar a hedionda legalização do aborto, a homossexualidade[1] com qualquer outro tipo de injustiça ou despotismo governativo. Contudo, tal não deve servir de desculpa para validar políticas iníquas e/ou imorais a pretexto de serem "males menores", até porque não existe hierarquização de pecados para DEUS, não obstante terem implicações e penalidades diferentes. 

Somos inteiramente da opinião que o Cristão deve votar sempre em branco quando se confronta com os dois males supra mencionados que, aliás, como é cognoscível, é uma realidade praticamente transversal a todos os países do mundo. É verdade que o voto em branco não tem consequências políticas imediatas, tal como votar numa determinada lista ou num candidato em particular. O Cristão não deve ficar sumamente preocupado por não estar a "alterar nada" em termos políticos. O factor determinante é sermos fiéis, máxime coerentes com a profissão de fé que abraçamos no Senhor Jesus. Mais vale não "alterar nada" do ponto de vista humano-social e agradar a DEUS com o nosso nobre testemunho de vida do que contribuir para validar asquerosas injustiças e ser manifestamente desobediente para com os mandamentos bíblicos. 

E mais, o voto em branco consubstancia uma falta de alternativa nos programas eleitorais apresentados pelos candidatos/partidos, contrariamente à abstenção que implica o não exercício do direito de voto e uma clara violação do dever politico-cívico. O Cristão que vota em branco exerceu, pelo menos, condignamente, o seu dever de cidadania. Não é menos preocupado ou desleixado com a situação política do seu país do que aquele que vota numa determinada plataforma. Tão simplesmente não se identifica ou comunga com nenhum projecto eleitoral que se propõe a sufrágio. 

Temos constatado uma efusiva manifestação de muitos Cristãos, que fazem a apologia de determinadas ideologias políticas, mormente apelando afincadamente ao voto em certos partidos/candidatos, não obstante estes já se terem provado publicamente aversivos aos ideais do Evangelho e serem em determinados casos anticristo. Tais Cristãos estão a ser claramente incongruentes com o seu testemunho de fé, esquecendo-se que a conversão que fizeram significa dar primazia à Palavra de DEUS em todos os domínios da vida – quer seja a nível familiar, relacional, profissional, social e político. Temos imensa pena dessas pessoas. Muita pena mesmo. Resta-nos, somente, usando a virtude do amor Cristão, pedir ao SENHOR que não lhes impute esta evitável falha espiritual, porque não sabem realmente o que fazem. 


[1] este último considerado um pecado "abominável" e passível de morte à luz das Escrituras Sagradas [vide o Levítico 18:22 e 20:13; Romanos 1:32].