Grande Entrevista Com a “Dama de Ferro” Sali Mané
A Guerra Que Não Trouxe a Independência Nacional
O Sistema da Educação na Guiné-Bissau
Devemos Ser ou Não Tolerantes com os Intolerantes?
Tenha um bom proveito na sua visualização e auscultação (LER). Feliz noite de descanso.
Os Incendiários Discursos de Umaro Sissoko Embaló
Rúbrica Semanal
Vamos ter hoje novamente a “Rúbrica Semanal sobre a Situação Sociopolítica na Guiné-Bissau. Tenciono, assim que voltar do culto dominical na minha igreja, gravar um vídeo para abordar os relevantes assuntos que marcaram agenda política nacional nas últimas duas semanas. Procurarei dar mais ênfase acentuada na nomeação do novo chefe de estado maior “particular” de Umaro Sissoko Embaló e as implicações jurídico-políticas que isto representará, num futuro breve, no equilíbrio das forças dentro das forças armadas guineenses. Também avaliarei o desempenho de um mês do governo do Dr. Geraldo Martins e as trafulhices do Procurador-Geral da República, assim como a actuação dos deputados na Assembleia Nacional Popular.
Tenciono ainda, por fim, de forma humilde, avançar algumas pertinentes sugestões para ajudar o governo a encontrar o rumo certo para o desenvolvimento do país. Até logo. Bom dia.
As Manobras Inconstitucionais de Sissoko Embaló
Rúbrica Semanal Sobre a Situação Sócio-Política na Guiné-Bissau
Tenha um bom proveito na visualização do vídeo.
O Primeiro Conselho de Ministros Liderando Por Geraldo Martins
Registo com bastante satisfação o facto de a reunião do Conselho de Ministros de anteontem e de hoje voltar a realizar no palácio do governo, cortando assim com o açabarcamento e usurpação de poderes executivos por parte de Umaro Sissoko Embaló. Em circunstâncias nenhumas o Conselho de Ministros poderia ficar a realizar no palácio da república, tal como tem feito ininterruptamente Sissoko Embaló nos últimos anos. É um precedente grave, perigoso e inconstitucional, que atenta contra o nosso modelo semipresidencial. Por outras palavras, à vista de todos e pela impotência de todos os órgãos da soberania, Sissoko Embaló capturou todos os poderes da república e autoproclamou-se como “único chefe” do país, e com todas agravantes ditatórias que isto representa na vida dos guineenses.
Por isso, fiquei bastante contente por ver o Conselho de Ministros voltar ao Palácio do Governo. Pelo menos, teremos novamente um verdeiro poder executivo a ser exercido pelo governo e não pelo presidente da república. Vou estar atento nas próximas semanas para certificar se, realmente, esta firme decisão do Primeiro-Ministro Geraldo Martins é mesmo para se manter. Espero que assim seja. Também fiquei bastante contente pelo governo ter decidido baixar consideravelmente o preço exorbitante do arroz no mercado, com vista a facilitar a vida dos nossos pobres e fustigados patrícios. Os meus parabéns para o governo do Dr. Geraldo Martins por estas duas sábias e cruciais decisões políticas.
É preciso ainda fazer muitas coisas, sobretudo baixar para os preços aceitáveis os produtos da primeira necessidade e cortar drasticamente na obesidade do estado (as excessivas mordomias, exorbitantes salários e dispendiosas regalias dos titulares de cargos públicos), erradicando assim a fome no país e as desigualdades sociais. É preciso aumentar o salário dos funcionários públicos, encontrar uma solução rentável para a comercialização das castanhas de caju, estancar a crónica e sistemática situação de greve, bem como garantir a segurança no país, o normal funcionamento das escolas públicas e minimizar significativamente o estado calamitoso em que se encontra os nossos centros de saúde e hospitais em geral. É preciso, com carácter de urgência, encontrar soluções exequíveis para começar a implementar estas importantes medidas político-governativas para o bem-estar do nosso sofrido povo, aliás, como o próprio Primeiro-Ministro Geraldo Martins tem reconhecido nas suas entrevistas.
Qualquer das maneiras, tenho de reconhecer que há uma mobilização e empenho demonstrado por parte do governo no sentido de dar um novo rumo positivo para o país. Estão-se a construir, cada vez mais, as peças chaves e determinantes para realmente materializar o tão ambicioso projecto “Terra Ranka”. É isto que os guineenses de boa-fé ambicionam e esperam deste coligado governo.
O Futuro da Coligação PAI - Terra Ranka
A Polémica em Torno do Novo Governo do Dr. Geraldo Martins
O Relacionamento Institucional de Geraldo Martins com Umaro Sissoko Embaló
Apreciação Política Sobre o Novo Governo de Geraldo Martins
O Regresso
A LER
Nunca foi tão urgente compreender a mente autoritária dos ditadores como nos conturbados dias de hoje. Melhor ainda é compreender os métodos ardilosos que empregam para ludibriarem as massas e, consequentemente, chegarem ao poder o mais rápido possível e legitimarem as suas despóticas acções governativas. Julgava presunçosamente que já tinha entendido razoavelmente tais artimanhas formulações ditatoriais – por causa de algumas sínteses que estudei sobre o absolutismo político ao longo dos anos. Afinal de contas, sem dúvida, estava manifestamente equivocado na minha ingénua presunção.
Por isso, para preencher algumas lacunas que ainda tenho neste domínio de autocracia, comecei por estes dias a ler afincadamente “A Democracia Totalitária” do Professor Doutor Paulo Otero. Uma leitura que está a ser bastante intrigante e desafiante a todos os níveis. Depois de me ter aventurado com sucesso, há sete anos, de forma entusiasta, na leitura da clássica obra “As Origens do Totalitarismo” de Hannah Arendt (ALI) e (AQUI), sinto-me novamente compelido a mergulhar na Democracia Totalitária de Paulo Otero para, desta forma, compreender melhor a autocracia político-governativa.
Num passado recente, mais concretamente em Abril de 2019, a reputada revista Courrier Internacional fez capa com uma longa e provocante reportagem intitulada “Agora Mandam os Brutos?”, nomeando no leque dos governantes “brutos” de então Trump, Putin, Xi Jinping, Bin Salmam, Erdogan, Salvini e Bolsonaro, chamando a atenção para uma convulsão político-social no mundo, tendo em conta a deriva autoritária em que parte das grandes democracias estavam a enveredar. Estamos, cada vez mais, a presenciar impotentemente este ataque deliberado à Democracia Participativa, com consequências nefastas na vida de todos nós.
Estou duplamente feliz com esta leitura que estou a empreender. Primeiro, o autor da obra em apreço, o Doutor Paulo Otero, foi meu Professor na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e um dos que eu mais aprecio nela. Segundo, a abordagem metodológica e “argumentação persuasiva” do livro não diferem tanto da sua outra obra “As Instituições Políticas e Constitucionais”, que éramos obrigados a ler para podermos entrar depois em noções estruturantes de Direito Constitucional. O senhor Professor Doutor Paulo Otero é muito bom a dar aulas. É também bastante bom a escrever. E “A Democracia Totalitária” não será certamente a excepção à regra a estas qualidades intrínsecas e notórias do Professor Otero. Vale a pena lê-la, tal como estou agora a fazer. Vale mesmo a pena. Recomendo-a.
Estátua da Democracia Vai Cair?
Este foi o tema da capa da reputada revista Courrier Internacional há quatro anos, denunciando que os sinais da intolerância política avolumam-se, a uma velocidade impressionante, nos últimos tempos: eleições dominadas pelo sentimento de raiva dos votantes, chegada ao poder, em diversas nações, de líderes autoritários e anti-sistema, regresso dos populismos e dos discursos nacionalistas e de ódio, etc. E, por fim, questionava: o que significam estes acontecimentos para o futuro das democracias representativas? Qual a razão da cada vez maior desconexão entre as elites e as populações? Porque cresce o discurso de ódio e o sentimento de intolerância?
Celebra-se hoje o “Dia Internacional da Democracia”. Um dia especial para pensarmos sobre o papel da Democracia no progresso dos países e povos em especial. Na democracia participativa não existe o inexorável “estado leviathan”, tal como concebido por Thomas Hobbes, nem a despótica “razão do estado” preconizado por Nicolau Maquiavel e, muito menos, o discricionário “estado de obediência” formulado por Martinho Lutero. Existe, sim, sem dúvida, o estado de direito democrático onde as liberdades e os direitos fundamentais são realidades concretizáveis na esfera jurídica dos particulares, sobretudo o triunfo da maioria sobre a minoria.
Nunca é tão urgente reflectirmos o papel amiúde importante e determinante da Democracia nas sociedades abertas. Nunca é tão indispensável defender a Democracia liberal com “unhas e dentes” como nos tenebrosos e assustadores dias em que vivemos. Nunca a Democracia foi tão ignorada e ameaçada como nos dias de hoje. A Democracia Representativa não é uma forma plena e garantida, antes comporta inimigos personificados no nacionalismo, radicalismo, autoritarismo, racismo, fanatismo religioso e toda a sorte de intolerância.
O turbilhão político-governativo que o nosso mundo vive, e com implicações avassaladoras sem precedentes na vida de milhões de pessoas, é o reflexo notório de todas essas perigosas ameaças à Democracia por autoritarismo dos déspotas. Cabe-nos, por isso, todos os homens e mulheres de “boa vontade”, defender afincadamente os grandes princípios e valores da democracia participativa para, desta forma, construir um mundo mais justo, fraterno, igualitário e progressista.







