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O Reino de DEUS Pode Ser Tomado de Assalto?



Caros leitores, partilho aqui convosco o vídeo que gravei intitulado “O Reino de DEUS Pode ou Não Ser Tomado de Assalto Com Base na Afirmação do Senhor Jesus Cristo em Mateus 11:12? Este vídeo vem na sequência do artigo anterior que publiquei sobre a mesma questão teológica (LER), bem como da celebração do décimo quarto aniversário deste espaço – “As Verdades” (LER). Tenham um bom proveito na visualização e auscultação do vídeo. 

O Reino de DEUS Pode ou Não Ser Tomado de Assalto Com Base na Afirmação do Senhor Jesus Cristo em Mateus 11:12?


“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.” (O Senhor Jesus Cristo, Evangelho segundo Mateus 11:12).  



Temos, nos últimos sete anos, demorado imenso a matutar e a digerir sobre o alcance teológico desta misteriosa afirmação do Senhor Jesus Cristo. A nossa dúvida prendia-se, mais, especialmente, com o seguinte questionamento: será que o Reino de DEUS pode mesmo ser tomado de assalto, tal como fez transparecer o Senhor Jesus nessa Sua peremptória afirmação? E de que maneira? São estas pertinentes questões que nos levaram a vasculhar vários comentários bíblicos para nos tentarmos reconciliar definitivamente com esta passagem bíblica, sem prejuízo obviamente daquele que sempre foi o nosso convicto entendimento inicial sobre ela. 

Confessamos que, por razões várias, os inúmeros comentários que lemos ao longo deste tempo todo, até então, não nos convenceram na sua generalidade. Muitos deles pareceram-nos abstratos e colaterais do real cerne da questão. Por outras palavras, ficaram bastante aquém. A título exemplificativo, por todos eles, excluindo nesta abordagem a referência de teólogos e intérpretes bíblicos que também tivemos o cuidado de ler, a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, com afinidades mais com a doutrina Pentecostal, considera que existem três interpretações comuns para essa afirmação do Senhor Jesus e passa a enumerá-las: “(1) Ele pode referir-se ao esforço das pessoas para se aproximar de Deus, que havia começado com a pregação de João Baptista. (2) Pode ter usado a expectativa dos activistas judeus que de que o Reino de Deus chegaria por meio de uma violenta derrota de Roma (que representa o mundo). (3) Pode estar dizendo que, para entrar no Reino de Deus, é necessário ter coragem, fé inabalável, determinação e resignação, porque a crescente oposição se manifesta a todos os seguidores de Jesus”. Diferentemente dessas interpretações, a Bíblia de Estudo de Genebra, da ala tradicional e conservadora do protestantismo, comentando o mesmo trecho bíblico, considera que “o Reino está avançado poderosamente, embora homens violentos como Herodes, que havia aprisionado João Baptista, tentassem sobrepujá-lo pela força. Não são, porém, os fortes e poderosos que alcançam o reino, mas os fracos e humildes (vs. 28:30), que conhecem suas próprias fraquezas e estão dispostos a depender de Deus (cf. Lc 16:16, nota)”

Há, como se pode constatar, vários entendimentos e patentes divergências doutrinárias sobre esta afirmação do Senhor Jesus Cristo. De forma subsumida, há os que entendem que aqueles que tomam o Reino de DEUS à força são agentes que foram convocados pela mensagem do Reino que se iniciou com a pregação do Profeta João Baptista, razão pela qual corresponderam-na imediatamente nas suas vidas e, deste modo, pela força, se apoderam dele. São, com base neste entendimento, as pessoas que fariam parte do Reino de DEUS pela soberana vontade de DEUS – e que o tomam de assalto, beneficiando assim da salvação que foi reservada por elas antes da fundação do mundo. Diferentemente desta leitura, outros entendem que os que usam de violência para conquistar o Reino de DEUS são elementos estranhos a ele, procurando a todo o custo, com força do maligno, tomá-lo de assalto e, consequentemente, obstruir a sua vigorosa mensagem evangelístico-salvífica. Por isso, conseguiram concretizar tal diabólico plano com a decapitação do Profeta João Baptista e, posteriormente, com a horrenda morte do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário. São, de acordo com este entendimento, pessoas que querem obstruir e destruir definitivamente a mensagem do Evangelho, levando-os a humilhar, perseguir e matar todos aqueles que são os verdadeiros filhos do Reino de DEUS. Há ainda outras posições intermédias que, a nosso ver, julgamos inoportunas reproduzir aqui, uma vez que os dois importantes entendimentos opostos esboçam na íntegra a problemática teológico-doutrina de Mateus 11:12. 

Antes de manifestar a nossa humilde opinião sobre esta afirmação do Senhor Jesus, importa, desde logo, definir para os leitores o Reino de DEUS para assim poderem estar holisticamente dentro do assunto. O Reino de Deus, tal como formula inspiradamente a Declaração da Fé Baptista Portuguesa, que também subscrevemos na íntegra, “inclui a sua soberania geral sobre o universo e sobre todos os homens que espontânea e voluntariamente O reconhecem como Rei e Senhor. Todos os crentes devem orar e esforçar-se para que o reino de Deus venha em plenitude e a sua vontade seja feita sobre a Terra. A consumação plena do seu reino aguarda a segunda vinda de Jesus Cristo e o fim da era presente” (LER)

Posto isto, estamos agora em condições de responder diretamente à pergunta do título do artigo: Sim, a nosso ver, o Reino de DEUS pode ser tomado de assalto, aliás, é claramente isso que se pode depreender da afirmação do Senhor Jesus na passagem bíblica em apreço. Até aqui nada de surpreendente ou anormal, uma vez que a querela doutrinária não se prende com o facto de o Reino de DEUS ser tomado de assalto, mas sim quem são os tais “violentos” que o conquistam pela força. E isto remete-nos novamente para a exegese do texto de Mateus 11:12 e o seu alcance teológico e teleológico, isto é, para aferir com precisão quem são os ditos violentos que se apoderam do Reino de DEUS pela violência – se são ou não agentes afectos ao próprio Reino. 

Para responder a esta última questão, julgamos que é imprescindível perceber se o verbo “tomado por esforço” está na voz activa ou passiva, tal como desdobram vários biblistas com o intuito de perceber da melhor forma o alcance da afirmação do Senhor Jesus. Isto é amiúde determinante para concluirmos se o Reino de DEUS, na passagem bíblica em questão, está sendo atacado num sentido positivo ou negativo. As duas realidades são extremamente importantes para compreender o alcance prático da afirmação do Senhor Jesus, insistimos. A referida passagem bíblica, fazendo fé aos inúmeros comentários que lemos, é de difícil compressão. Não está manifestamente claro se o verbo grego “tomado por esforço” está na voz activa ou passiva. No entanto, tendo em consideração o contexto e a afirmação do Senhor Jesus, não hesitamos em concluir que o verbo “tomado por esforço” está na voz passiva, fazendo com que o Reino de DEUS seja apoderado desfavoravelmente pelos“violentos” (LER)

Na nossa leitura, respondendo agora directamente à pergunta em questão, as pessoas que fazem violência ao Reino de DEUS, e pela força se apoderam dele, são elementos estranhos a ele, que procuram pela força de Satanás controlar o Reino de DEUS. Não são filhos de DEUS, mas sim filhos da perdição. Há dois factores que nos levam a chegar esta conclusão. A primeira prende-se sobretudo com duas palavras manifestamente pejorativas do ponto de vista bíblico, que encerram a frase do Senhor Jesus no referido texto, nomeadamente a “força” e a “violência” que os violentos usam para se apoderarem do Reino de DEUS. Nós sabemos, pela revelação Divina, “não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito” que triunfaremos ou ganharemos a simpatia do Todo-Poderoso DEUS (Zacarias 4:6). E mais, a violência, seja ela qual for, é manifestamente censurada e reprovada nas Escrituras Sagradas. Por isso, o Senhor Jesus rejeitou liminarmente a visão zelota de empreender a força e a violência como meios legítimos para fazer vincar a todo o custo a vontade de DEUS. Acresce ainda ao facto de, considerando inversamente que os “violentos” que tomam de assalto o Reino de DEUS são as pessoas que se esforçaram legitimamente para se beneficiar da salvação, entrar flagrantemente com a doutrina da graça e da eleição que nos ensinam manifestamente que a salvação é toda ela fruto do trabalho exclusivo do nosso Omnisciente DEUS, excluindo qualquer tipo de colaboração humana nela (Efésios 2:8-10). Ninguém é salvo por alguma obra ou espontânea decisão sua, mas tão-somente pela imerecida graça de DEUS. O Todo-Poderoso DEUS escolhe quem ELE quer salvar e os salva. Se é assim, como é que é possível as pessoas, por iniciativa delas, conquistarem por mérito o Reino de DEUS, tal como sustenta a tese oposta? 

A par dos argumentos e contra-argumentos que acabamos de expor, há ainda um conjunto de situações que apoiam a tese que estamos a defender. A começar, desde logo, com o arbítrio aprisionamento e decapitação do Profeta João Baptista nos capítulos subsequentes (Mateus 14:1-12, Marcos 6:14-29, Lucas 9-7-9), bem como o próprio Senhor Jesus Cristo e a ininterrupta perseguição e martírio, sem precedentes, que os filhos de DEUS têm sido objecto ao longo de toda a história do Cristianismo persistindo  até à data presente, com vista a impedir a proclamação do Evangelho. E isto evidencia-se tanto para os declarados inimigos da Fé e concomitantemente com os falsos profetas e cristãos, que vêm a nós, os filhos de DEUS, disfarçadamente em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores (Mateus 7:15). Com  efeito, “eles mataram o Senhor Jesus e os profetas e perseguiram-nos também a nós. Eles não agradam a Deus e estão contra toda a gente, pois querem impedir que preguemos a salvação aos não-judeus. Isto acabou de encher completamente a medida dos seus pecados e por isso o castigo de Deus caiu finalmente sobre eles” (1 Tessalonicenses 2:15-16). São eles que tentaram tomar pela violência o Reino de DEUS e consequentemente impedir a propagação da Boa Nova da Salvação. Esta inequívoca verdade vai ganhando contornos e implicações esclarecedoras na parábola do “trigo e joio”, tendo como pano de fundo o Reino de DEUS representado soberanamente pelos seus filhos como “trigo” e os inimigos do Reino representados pelo “joio”. O Omnisciente DEUS é o semeador, ou seja, responsável máximo do Reino. Enquanto semeou a boa semente no seu campo fértil, isto é, no Reino, veio também o inimigo do Todo-Poderoso DEUS, semeando o joio no meio do trigo e foi-se embora.  Quando as plantas cresceram e se começaram a formar as espigas, diz o texto sagrado, apareceu também o joio. No entanto, o Eterno Jeová recomendou que deixassem-nos crescer os dois até ao tempo da ceifa. Nessa altura dirá aos ceifeiros: “apanhem primeiro o joio e atem-no em feixes para ser queimado no fogo, mas recolham o trigo para o meu celeiro” (Mateus 13:24-30). A mesma verdade, é ilustrada na parábola do “Bom Pastor”, que encerra vários figurantes, nomeadamente a porta, o curral, as ovelhas, o ladrão e salteador, o Bom Pastor das Ovelhas, o porteiro, o mercenário (João 10:1-18). Há nesta parábola uma usurpação do ladrão e salteador ao Reino de DEUS, coadjuvados neste premeditado assalto às ovelhinhas do Senhor Jesus pelo assalariado, isto é, os falsos profetas, os falsos pastores e falsos líderes Cristãos, com o intuito de “a roubar, a matar, e a destruir” os filhos do Reino do Reino (João 10:10). O Senhor Jesus, por conseguinte, é “o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido” (João 10:11-14). Esta passagem bíblica esboça muito bem como o Reino tem sido atacado ferozmente e tomado de assalto pelos inimigos da Cruz, que se vai traduzir com a manifestação visível do anticristo “que se revolta e se coloca acima de tudo o que se considera divino ou sagrado. Chegará mesmo a tomar assento no templo de Deus, apresentando-se a si mesmo como deus” (2 Tessalonicenses 2:4). Porém, tal como admoesta ainda as Escrituras Sagradas sobre esta diabólica figura, “o rebelde há de manifestar-se a seu devido tempo. Com efeito, as forças misteriosas do mal já estão em atividade. Mas para que tudo se realize é preciso que aquele que está a impedi-lo saia da sua frente. 8Então aparecerá o rebelde e o Senhor Jesus vai vencê-lo com o sopro da sua boca e dominá-lo com o esplendor da sua vinda. O rebelde aparecerá com a força de Satanás e fará falsos milagres, sinais e prodígios. Utilizará todas as artimanhas do mal para enganar os que se vão perder, porque não acolheram nem amaram a verdade a fim de serem salvos. Por isso, o Senhor permitiu que fossem dominados por uma força enganadora que os leva a acreditarem na mentira. Assim se faz o julgamento daqueles que não acreditam na verdade, mas preferem praticar o mal” (2 Tessalonicenses 2:6-12)

Estes inimigos da Fé Cristã tomam pela violência o Reino de DEUS, tal como os fariseus e doutores da lei se apoderavam da chave do conhecimento religioso, sentando na cadeira de Moisés (Mateus 23:2), mesmo assim não tomando posse da vida eterna, impedindo deliberadamente os que gostariam de o fazer (Lucas 11:52). Em consequência disso, “fecham-lhes na cara a porta do reino dos céus” (Mateus 23:13). São pessoas sem escrúpulos e autênticos malfeitores. Aproveitam-se das suas posições privilegiadas dentro das congregações para sedimentar e propagar heresias destruidoras de vidas humanas. Com as suas acções vergonhosas descredibilizam a imaculada imagem do Evangelho aos olhos do mundo. Esta mesma verdade aplica-se até aos dias de hoje: de pessoas que estão nas igrejas aparentando serem “nascidas de novo”, inclusive muitas delas com posições de relevo na Igreja, porém são autênticos agentes de Satanás dentro das congregações. Não fazem parte do Reino de DEUS, mas infiltrados que entram nele com o objectivo de fracassar os planos Divinos. São pessoas que não querem que se fale da santificação, da vida consagrada de oração, da denúncia do pecado, de Missões e Evangelizações. Estão nas congregações para, a todo o custo, impor uma agenda contrária aos impolutos Princípios e Valores das Escrituras Sagradas, vedando a materialização do avanço do Cristianismo. São dissimuladamente anticristos, uma vez que tentam fechar as portas das Igrejas, perseguindo os filhos de DEUS e até, em casos extremos, ceifando-lhes a vida. Usam a Igreja como antro de promiscuidade, convertendo-a em plataforma para auto-promoções, tráfico de influências, conluios, rivalidades, represálias, desvios de fundos, enriquecimentos ilícitos, imoralidade sexual, idolatria, sincretismo, liberalismo, misticismo e corrupção. Os falsos pastores e falsos cristãos apresentam-se disfarçados em ovelhas, mas por dentro não passam de patronos de fraude e lobos devoradores (Mateus 7:15). Disseminam sorrateiramente falsas doutrinas dentro das congregações, arrastando consigo os inúmeros discípulos, com o intuito de destruir, em última instância, a Igreja de Cristo (Actos 20: 29-30). São pessoas de mentes corrompidas e que andam longe da verdade. Têm a religião como um negócio e fonte de lucro, escrevia o Apóstolo Paulo a seu respeito (1 Timóteo 6:5). O Santo Pedro, seguindo a mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de considerá-los “atrevidos e arrogantes. Encontram prazer em satisfazer as suas paixões em pleno dia. Os seus olhares são imorais e os seus apetites sensuais, insaciáveis. Seduzem as pessoas menos firmes e estão cheios de cobiça. É uma gente amaldiçoada. Afastaram-se do bom caminho e perderam-se” (2 Pedro 2:10; 13-14). Leitura igualmente reforçada por Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, lamentando o comportamento deles em tom reprovador “ai deles”, traçando o seu destino final como “reservada a sombria escuridão, para sempre” (Judas 1:11; 13) (LER)

Se é verdade que estes filhos da perdição, os “violentos”, que tomam pela força o Reino de DEUS, procurando inutilmente frustrar os planos de DEUS, jamais conseguirão vencer ao ponto de travar o galopante progresso do Evangelho no mundo. O Reino de DEUS vai continuar permanentemente a expandir poderosamente em todos os cantos e direções da face da Terra, contra a vontade destes declarados inimigos da Fé Cristã. Eles usam a violência para tomar o Reino de DEUS, obviamente com a permissão Divina, mesmo assim não conseguirão ter o controlo Dele. O Autor e Consumador da nossa Fé, o Senhor Jesus Cristo (Hebreus 12:2), através do Espírito Santo, não permitirá que eles tenham sucesso nos amados filhos de DEUS, visto que somos de Deus e vencer-lhes-emos, os falsos profetas e falsos cristãos, porque aquele que vive em nós é mais forte do que aquele que está nos que são do mundo (1 João 4:4). Por isso, não tenhamos medo de nada, porque são mais os que estão connosco do que os que estão com eles (2 Reis 6:16). O Todo-Poderoso DEUS continua soberanamente a ter o efetivo e absoluto controle no Seu Reino e a guiar pela mão poderosa os seus eleitos filhos no caminho da fé, do amor, da graça, da bondade, da justiça, da humildade, do perdão, da santificação, da Evangelização e Missões, da esperança e da vida eterna. A constante oposição destes violentos, que assaltam pela força o Reino DEUS, em circunstância alguma, obstruirão os planos salvíficos Divinos e, muito menos, travarão a vitória garantida dos filhos de DEUS.  Em todas estas coisas, “somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37). Os tais anticristos serão, em tempo oportuno, definitivamente derrotados pelo poder de DEUS e, simultaneamente, lançados para o fogo do inferno para sempre. Ao passo que a Igreja do Senhor, os verdadeiros agentes do Reino de DEUS, vai sempre sair vitoriosa em todas as ocasiões, contextos, circunstâncias e conjunturas, máxime da letargia, dos escândalos, dos pecados, das traições, das perseguições, dos falsos pastores, dos falsos líderes, dos falsos teólogos, dos falsos cristãos, dos ímpios e destes violentos que assaltam pela força o Reino de DEUS. As portas do inferno, em circunstância alguma, prevalecerão contra a Igreja de Cristo (Mateus 16:18). A predeterminada visão gloriosa se cumprirá e a Igreja Vitoriosa em paz repousará sobre as Bem-aventuranças Eternas. Que assim seja. E assim sempre será (LER). Aleluia! Aleluia! Aleluia! 

Esclarecimento Sobre o Artigo Anterior – O Meu Repúdio Sobre o Fechamento das Igrejas por Causa do Coronavírus


Julgo que há um equívoco no que toca ao meu último artigo de opinião sobre o repúdio que manifestei do fechamento das igrejas por causa do coronavírus (LER). Fiquei com a impressão de que alguns que caíram neste deliberado equívoco leram parcialmente o artigo ou não o leram, fazendo com que não conseguissem extrair o seu alcance teleológico. Desde logo, o objetivo do artigo em apreço não é secular, mas sim espiritual. Não visa debruçar acerca das problemáticas epistemológico-científicas do coronavírus e as suas implicações sociológicas. Também não é colocar em causa as pertinentes recomendações preventivas que as autoridades estão a dar para minimizar o seu impacto contagioso e pernicioso na vida das populações e, tão pouco, subestimar os seus efeitos catastróficos, bem como a boa conduta que se espera de todos os Cristãos neste momento particular para fazer face definitivamente a esta maldita doença. A minha questão era denunciar a tamanha incongruência da Aliança Evangélica Portuguesa e das Igrejas que decidiram fechar prematuramente as suas portas, usando o descabido pretexto da “prevenção”

O argumento que foi usado para tomar esta inédita e radical decisão não se baseou em nenhum texto bíblico, mas sim nas indicações sanitárias da Direção Geral de Saúde e do Governo (agora a Cidade de DEUS é regida pela cidade dos Homens? Ou Babilonia instruirá a Santa Jerusalém?). O mais ridículo de tudo isto é que as instituições da República Portuguesa estão a funcionar sem grandes sobressaltos, nomeadamente a Assembleia da República, o Governo, os Tribunais, bem como as autarquias locais e empresas privadas. No entanto, a Assembleia de DEUS (as Igrejas de Cristo, bem entendido) estão com as suas portas fechadas. Que tamanho escândalo espiritual! 

Eu ficaria tranquilo se fosse realmente o Estado português que tivesse a obrigar imperativamente as Igrejas a encerrar as suas portas por causa da prevenção. Acontece que, por enquanto, não foi isso. A Função Pública não está paralisada. As empresas privadas também estão a funcionar, não obstante pontuais ajustamentos que alguns estão a fazer para se adaptarem ao novo contexto excepcional em que vivemos. Os transportes públicos estão a funcionar perfeitamente. Os centros comerciais estão abertos, bem como os restaurantes, cafés e afins. Todas estas entidades não estão, porventura, preocupadas com o coronavírus? Porque somente as igrejas têm de fechar as suas portas? Não seria também normal fazer algumas pontuais alterações, nomeadamente suprimir determinadas actividades eclesiásticas, aconselhando os irmãos que se enquadram nos grupos considerados de risco a ficarem em casa, mantendo os cultos dominicais e até promover os cultos comunitários na rua? Era, a meu ver, mais sensato espiritualmente proceder assim do que tomar a radical medida de fechar as portas das Igrejas. 

Este fechamento das Igrejas por causa do vírus do coronavírus remete-nos indubitavelmente para outros grandes vírus espirituais que estão a ameaçar galopantemente as igrejas e a consequentemente enfraquecê-las, nomeadamente o vírus da incredulidade, da sonolência espiritual, da idolatria e do obscurantismo teológico, do materialismo e da segregação denominacional, da racionalidade e do liberalismo teológico. O vírus do afastamento e não engajamento na obra de DEUS. O vírus da falta de fé e de uma vivência espiritual sem qualquer tipo de expressividade, máxime despida de amor e perdão. É um vírus acima de tudo de fechamento e de hipocrisia. Fechamento por tudo o que é sagrado e de DEUS. Fechamento da Igreja para dentro da sua vida saturada, doentia e cheia de pecados. Fechamento espiritual que se preocupa mais com as coisas deste mundo, levando-a a não ter o comprometimento com a oração, a vigilância espiritual, a Evangelização e Missões e com a vida santificada. É uma Igreja que fecha para as coisas de DEUS e, ao mesmo tempo, aberta para a novidade do mundo e do mundanismo, razão pela qual está cada vez mais reduzida, estagnada, envelhecida e sem avanço. É este vírus de “fechamento” que está infelizmente a arruinar a saúde espiritual das Igrejas. Por isso, esta pronta opção das lideranças das Igrejas de tomarem precipitadamente a mais extrema medida de fechamento das portas das Igrejas, sob o pretexto de estarem a  “prevenir” os crentes do coronavírus veio apenas evidenciar a olhos nus o estado da indolência espiritual que as igrejas neste momento se encontram –  que tem a ver sobretudo com o vírus de “fechamento” para as coisas de DEUS. 

Os Cristãos que hoje ficaram remetidos dentro das suas casas com medo de passarem duas horas na Casa de DEUS para não contrariarem o coronavírus, são os mesmos Cristãos que amanhã se vão levantar sem medo para estarem nove horas no trabalho e durante toda a semana por aí em diante, ignorando a tal justificada “prevenção” contra o coronavírus que alegaram para fechar as igrejas. Não será isto uma contradição? A verdadeira prevenção era deixarmos também de trabalhar temporariamente para assim ficarmos todos mais “seguros” em casa de quarentena. 

E mais, esta tamanha incongruência consubstancia uma clara falta de fé dos Cristãos. Não podemos somente falar da fé do ponto de vista genérico e abstrato, sem vivenciá-la na prática. E viver a fé é inclusive romper as barreiras da racionalidade, contrariando as incredulidades que se levantam para abafar o agir poderosíssimo do Espírito Santo. A fé é, acima de tudo, correr o risco. O risco de ser mal compreendido e considerado louco. O risco de ser rotulado e contrariado. O risco de ser detestado e perseguido. O risco de desafiar a lógica e falíveis previsões humanas. O risco de se expor ao perigo aos olhos do mundo e considerado um fracassado. O risco inclusive de morrer por causa do Senhor Jesus Cristo. Mesmo assim, continuar inabalavelmente firme nas promessas de DEUS. 

A grande verdade neste momento é que as Igrejas não podiam, por enquanto, tomar a radical medida de fechar as suas portas, enquanto que a generalidade das instituições da República estão a funcionar e as empresas privadas também. As Igrejas que decidiram fechar ficaram bastante aquém do grande desafio da fé que se espera dos Filhos de DEUS, mormente de oferecer a mensagem de amor, perdão e esperança a todos aqueles que estão apavorados com este malicioso surto de coronavírus. Julgo que a oportunidade que DEUS está a dar-nos com esta pandemia é, acima de tudo, de começarmos realmente a priorizar a Sua obra e não arranjar falsos pretextos moralistas para justificar as nossas insuficiências e incertezas espirituais. 

A Sonolência Espiritual dos Cristãos


A sonolência espiritual é um tema bastante recorrente em todas as Escrituras Sagradas. É um dos malévolos vícios que o Diabo usa sorrateiramente para infiltrar no seio das Igrejas as desconfianças, querelas, rivalidades, contendas, heresias, sincretismo, divisões e mundanismo, obstaculizando assim a edificação dos crentes e o avanço progressivo da obra missionária (LER). Ela encerra efeitos perniciosos na espiritualidade dos Cristãos e constitui um campo muito fértil para o inimigo tentar tomar de assalto o Reino de Deus. A sonolência espiritual tem-se tornado cada vez mais uma realidade transversal nas nossas congregações, infelizmente. Basta olharmos com atenção o estado indolente das Igrejas para concluirmos esta manifesta verdade. A começar, desde logo, com o défice acentuado nas lideranças das igrejas e a falta de autoridade espiritual dos pastores, o descompromisso com a nobre causa do Evangelho e a proliferação da carnalidade no seio dos crentes são sinais evidentes e inequívocos desta grande crise da fé que afecta drasticamente a Igreja de Cristo. Ao invés de se concentrar realmente naquilo que é o substrato identitário da nossa tão maravilhosa salvação, descura-se deliberadamente de combater “o bom combate da fé”, dando inutilmente ouvidos “a fábulas e genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé” (1 Timóteo 1:4), acabando alguns, em consequência disso, por “naufragar na fé” (1 Timóteo 1:19). 

Uma das receitas para uma vida Cristã bem-sucedida é a constante vigilância espiritual e esta, por sua vez, remete-nos indubitavelmente para a consagração, a santificação, o serviço e uma vida piedosa de oração. A oração é um antídoto eficaz para vencermos o Diabo na força do Espírito Santo[1]. Por isso, o Senhor Jesus adverte-nos a vigiar sempre e orar para que não entremos em tentação (Mateus 26:41). E na mesma esteira do pensamento, o Apóstolo Paulo vai ao ponto de admoestar para perseverarmos na oração, vigiando permanentemente com acções de graças (Colossenses 4:2). A vigilância liberta-nos da letargia espiritual e leva-nos a estar plenamente sintonizados com DEUS e a Sua Santa Palavra (LER). E mais, ela habilita-nos a conhecer melhor o tempo em que estamos a viver e da urgência da nossa salvação (Romanos 13:11-14; Mateus 24:42; Lucas 21:36), bem como ajudar-nos-á ainda a esclarecer eventuais inquietações que vão surgindo ao longo da nossa peregrinação terrena (Habacuque 2:1) e, acima de tudo, para estarmos sempre firmes na fé no meio das adversidades e provações (1 Coríntios 16:13). 

Acontece que, por razões de várias ordens, estas salutares prescrições bíblicas não têm estado a receber um amplo acolhimento por parte da generalidade dos Cristãos, razão pela qual confrontamo-nos com seríssimas superficialidades e uma vida Cristã sem qualquer tipo de expressividade. A Igreja é usada como antro de promiscuidade, convertendo-se em auto-promoções, tráfico de influências, conluios, rivalidades, ajustes de contas, represálias, desvios de fundos, enriquecimentos ilícitos, imoralidade sexual, corrupção e pactos com o Diabo. Ela tornou-se num mercantilismo de ilusões onde os valores materialistas e “o evangelho da prosperidade” são enfatizados e explorados até à exaustão, em detrimento da genuína conversão e santidade da vida Cristã (LER). Todos estes flagelos ameaçadores da nossa unidade eclesiástica remetem-nos para a sonolência espiritual e esta é ocasião favorável para o poder do mal. É um profundo entorpecimento da alma, segundo a sugestivas palavras do Papa Bento XVI, “que não se alarma com o poder do mal no mundo, com toda a injustiça e com todo o sofrimento que devastam a Terra. É um embotamento que prefere não se dar conta de tudo isso; tranquiliza-se com o pensamento de que tudo, no fundo, não é assim tão grave, podendo deste modo continuar a autocomprazer-se na sua própria vida saturada. Mas este embotamento das almas, esta falta de vigilância seja quanto à proximidade de Deus, seja quanto à força ameaçadora do mal confere ao maligno um poder no mundo”[2]

É preciso, no entanto, com carácter de urgência, superar definitivamente esta apatia espiritual, revigorando o nosso “primeiro amor” (Apocalipse 2:4) com vista a dar primazia o Reino de DEUS e a Sua Justiça (Mateus 6:33), uma vez que “a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, revestindo-nos plenamente do Senhor Jesus Cristo (Romanos 13:11-14). Por isso, exortava ainda o santo Apóstolo Paulo, “desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Efésios 5:14). Só assim, com este despertamento espiritual, conseguiremos ser eficazmente “sal e luz do mundo” (Mateus 5:13-14), dando intrepidamente o testemunho impoluto do Evangelho e consequentemente ganhar muitas almas para o Reino de DEUS. Que assim seja sempre nas nossas vidas. Que assim seja. 


[1] Vide, por todos os exemplos, a parábola das dez virgens (Mateus 25:1-13), a parábola dos talentos (Mateus 25:14-30), a oração do Senhor Jesus em Getsémani (Mateus 26:36-46; Marcos 14:32-42), a armadura de DEUS (Efésios 6:10-20).
[2] Joseph Ratzinger/Bento XVI, in “Jesus de Nazaré [Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição”], p. 129, Editora, Principia, Cascais, 2011. 

A Via-sacra da Vida Cristã, Pelo Pastor Manuel Alexandre Jr.


«Estamos a chegar a um ponto crítico de viragem na brevíssima história dos evangélicos em Portugal. Num tempo em que o cristianismo tão abismalmente se seculariza e o materialismo com maior força impera assumindo contornos de uma cristandade cada vez mais profana, os sinais dos tempos apontam para formas mais radicais de ecumenismo e liberalismo teológico. Lá vai o tempo em que devotada e reverentemente se cuidava dos mais sagrados princípios e valores da doutrina e da moral evangélica. Profanou-se de tal maneira o sagrado que até parece que é pecado uma pessoa bater-se pela causa da verdade e da justiça, proclamar a santidade da vida, tentar reabilitar os pilares fundamentais da ética cristã. 

A lúcida leitura da história e a consciente avaliação da realidade presente claramente nos mostram que é tempo de agir, seguindo e proclamando a verdade em amor, buscando, se necessário, vias alternativas de revitalização espiritual. Dói-me ver uma nova geração de crentes desmotivados, desencantados face ao panorama espiritual dos nossos dias. Uns, desligam-se do sistema e seguem a via mais fácil do conformismo. Já têm problemas que lhes baste na gestão do seu dia-a-dia tanto no seio da família, como no do trabalho e dos relacionamentos externos. Vão adoptando fórmulas de um cristianismo soft e descafeinado, cada vez menos comprometidos com a igreja e mais acomodados aos modelos profanos da contracultura do ‘presente século mau’. Outros, porventura desviados dos valores fundamentais da fé bíblica que um dia abraçaram, vão-se armando em livres-pensadores, enredados numa amálgama confusa de ideias que não raro os transvia pela vereda ideológica de um cinismo cáustico e muitas vezes induz a cometer o gravíssimo pecado de impiedade e sacrilégio. Outros ainda, por falta de exemplos motivadores, nunca chegaram a assimilar a essência da fé cristã, nutrindo-se de querelas e ressentimentos, e esgotando na maledicência as poucas energias espirituais que ainda têm, sem conseguirem sequer cultivar ou saborear a beleza e a doçura do amor, da bondade e da misericórdia. 

Felizes os santos de Deus que teimam em cultivar a vida cristã real, amando, servindo e adorando o seu Senhor, alimentados na sua caminhada espiritual por uma gratidão infinita ao Senhor Jesus por tão grande salvação; gratidão que lhes tempera a alma e permanentemente os motiva a amar, servir, abençoar e bendizer, até mesmo aqueles que os difamam, perseguem ou maltratam. 

A via-sacra da vida cristã é sempre uma via dolorosa, tal como foi a do Senhor Jesus. Mas é a única via em que o crente se realiza e prepara para o céu. Permaneçamos, pois, fiéis a Cristo e sua Palavra, não obstante as contradições e adversidades desta vida. Unamos as nossas forças espirituais para tornar bela e santa a sua igreja, colaborando nela com o Senhor Jesus para estabelecer na terra o seu reino de amor.». 

(Pensamento extraído no perfil do facebook da estimada irmã Maria José Alexandre [LER])