A fé e o trabalho são
duas realidades que, ao longo da história do Cristianismo, têm gerado inúmeros
equívocos doutrinários no seio do povo de Deus, levando frequentemente a
extremos na forma de os conceber. Há quem dê prioridade exclusiva à fé,
negligenciando completamente o trabalho na sua rotina de vida. Inversamente, há
quem faça do trabalho o seu modus vivendi, sacrificando deliberadamente o
compromisso com Deus em nome da atividade profissional. Ambas as perspetivas
estão profundamente erradas à luz das Sagradas Escrituras.
O cristão deve viver a
sua fé de forma comprometida e devota diante de todo o mundo, dando testemunho
vivo da sua salvação. E isso implica honrar a Deus tanto na dimensão espiritual
como na dimensão civil. Do mesmo modo, o cristão deve viver a sua fé trabalhando.
Nenhum cristão, pelo simples facto de pertencer a uma comunidade eclesiástica,
deve sentir-se no direito de não trabalhar e de viver à custa dos outros (2 Ts
3, 6-12). Pelo contrário, todos os cristãos são exortados pelo apóstolo Paulo a
considerar uma honra trabalhar com as próprias mãos, de modo a não serem
“pesados a ninguém” (1 Ts 4, 11-12), e a praticar também uma solidariedade
material, partilhando os frutos do seu trabalho com o necessitado (Ef 4:28).
Os crentes, tal como
sustenta a Doutrina Social da Igreja, “devem viver o trabalho ao estilo de
Cristo e torná-lo ocasião de testemunho cristão diante dos «de fora» (1 Ts 4,
12). (…) Mediante o trabalho, o homem governa com Deus o mundo; juntamente com
Ele, permanece seu senhor e realiza coisas boas para si e para os outros. O
cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o pão, mas também por
solicitude para com o próximo mais pobre, ao qual o Senhor manda dar de comer,
de beber, vestir, acolhimento, atenção e companhia (cf. Mt 25, 35-36)” (LER). Cada
trabalhador, afirma Santo Ambrósio, “é a mão de Cristo que continua a criar e a
fazer o bem”.
Perante tudo o que
ficou exposto, a fé e o trabalho são dimensões complementares, intrínsecas e
irrenunciáveis na vida de um cristão, desde que colocadas na ordem correta.
Fazem parte do substrato identitário de um filho de Deus. Tanto assim é que o
apóstolo Paulo se empenhou em advertir a Igreja, com sabedoria divina, acerca
da importância cimeira de integrar a fé e o trabalho na dinâmica da vida
cristã, nomeadamente no capítulo terceiro da Segunda Epístola aos
Tessalonicenses.
É preciso trabalhar. É
precisamente neste ponto que o apóstolo Paulo aprofunda ainda mais a sua
exortação. Surge uma advertência clara, uma séria chamada de atenção, feita em
nome do Senhor Jesus Cristo. Isto significa que esta recomendação traz o selo do
nome mais sagrado e, por isso, não se trata de um assunto leviano ou
secundário, mas de algo profundamente importante.
Paulo escreve: “Irmãos,
em nome do Senhor Jesus Cristo, queremos recomendar-vos que se afastem de todos
aqueles irmãos que vivem sem fazer nada e que não seguem os ensinamentos da
tradição que receberam de nós” (2 Ts 3:6). Refere-se àqueles irmãos que viviam
sem nada fazer. Eram pessoas que não queriam trabalhar e que, além disso,
criavam intrigas, calúnias e conversas inúteis no meio da comunidade. Em vez de
edificarem, prejudicavam a vida da Igreja.
Na verdade, sabemos que
nem todas as pessoas têm a mesma disposição para o trabalho. Também
reconhecemos que há muitos que desejam trabalhar e não conseguem, por diversas
razões: falta de emprego, problemas de saúde, limitações físicas, dependência
de terceiros ou incapacidade temporária. Não é destes casos que Paulo fala. O
apóstolo dirige-se àqueles que, tendo saúde, capacidade e oportunidade,
simplesmente não querem trabalhar.
Ao que tudo indica,
alguns viviam influenciados pela ideia de que a vinda de Cristo seria imediata.
Por isso, abandonavam responsabilidades, desfaziam-se dos seus bens e
limitavam-se a esperar, sem produzir nem contribuir.
Nem todo o trabalho é,
automaticamente, uma bênção. Há contextos laborais profundamente nocivos. Quando uma pessoa
exerce a sua profissão na área de que gosta, isso já é um bom começo. Contudo,
não basta. Também contam o ambiente de trabalho, os colegas, as chefias e as
condições humanas em redor. Há quem trabalhe naquilo que ama, mas viva num
ambiente tóxico, marcado por humilhações, pressões abusivas ou bullying. Nesses
casos, o trabalho torna-se um peso que afeta a saúde mental, o equilíbrio
familiar e a dignidade pessoal.
Também o trabalho deixa
de ser bênção quando ocupa o lugar que pertence a outras prioridades da vida,
mormente o lugar de Deus. O excesso de trabalho destrói lares, fragiliza
casamentos, afasta pais dos filhos e rouba a paz interior. Para o cristão, o trabalho
é importante, mas não pode ocupar o lugar central da existência.
Qual é, então, a
prioridade máxima? O próprio Senhor Jesus ensinou: “Mas, buscai primeiro o
reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”
(Mt 6:33). O Reino de Deus vem em primeiro lugar; depois seguem-se as demais
áreas da vida, incluindo a família e o trabalho. Quando o trabalho sobe ao topo
dessa pirâmide, instala-se o desequilíbrio e inicia-se uma rampa deslizante
para a perdição.
Apesar dessas exceções,
de forma geral o trabalho é uma bênção. O trabalho oferece autonomia, liberdade
e dignidade. Quem não trabalha, quando o poderia fazer, torna-se frequentemente
dependente do Estado, da família, dos amigos ou de instituições diversas. Essa
dependência pode limitar a liberdade pessoal e enfraquecer o sentido de
responsabilidade.
Trabalhar não é fácil.
Exige esforço, disciplina, sacrifício e perseverança. Obriga a levantar cedo,
suportar pressões e enfrentar dificuldades. Contudo, no final, há recompensa: a
pessoa pode pagar as suas contas, organizar a sua vida e viver com maior independência.
Mesmo quando ainda não
alcançámos o emprego ideal, muitas vezes é necessário enfrentar circunstâncias
menos favoráveis enquanto se espera por algo melhor. Isso faz parte do
pragmatismo da vida cristã. Em tempos difíceis, importa perseverar, suportar
com paciência e continuar a orar para que Deus abra portas melhores no tempo
certo.
Naturalmente, há
situações em que o trabalho perde toda a sua dignidade: exploração, escravidão
moderna, salários injustos, abuso patronal ou ambientes de violência
psicológica extrema. Quando o trabalho destrói a pessoa e fere a sua dignidade,
deixa de cumprir o seu propósito.
Paulo apresenta-se como
exemplo: “Não andámos por aí sem fazer nada, nem comemos de graça o pão de
ninguém. Antes trabalhámos duramente, noite e dia, para não nos tornarmos
pesados a nenhum de vocês” (2 Ts 3:7). O apóstolo mostra que o trabalho
dignifica. Ele não queria ser peso para ninguém e esforçava-se por
sustentar-se, mesmo tendo direito a receber apoio.
Depois recorda uma
frase firme e conhecida do texto sagrado: “Se alguém não quiser trabalhar,
também não coma” (2 Ts 3:10).O sentido
deste versículo é claro: quem recusa voluntariamente o dever do trabalho não
deve esperar usufruir dos frutos produzidos pelo trabalho dos outros.
A ociosidade voluntária
gera muitos males. Pessoas desocupadas entregam-se facilmente a intrigas,
mexericos e conflitos inúteis. Por isso Paulo diz “que andam por aí alguns sem
fazer nada ou ocupando-se com ninharias” (2Ts 3:11).
A solução apostólica é
simples e profunda: “que trabalhem em paz e ganhem o pão que comem” (2 Ts
3:12). O trabalho deve ser feito em paz, com responsabilidade e honestidade.
Mas Paulo vai ainda
mais longe: “'E da vossa parte, irmãos, nunca se cansem de fazer o bem” (2 Ts
3:13). O cristão não trabalha apenas para sobreviver, acumular ou enriquecer.
Trabalha também para servir, partilhar e abençoar os outros. Aqui entra a mordomia
cristã: usar os recursos com sabedoria para a glória de Deus e para socorrer o
próximo.
Fazer o bem nem sempre
traz reconhecimento. Muitas vezes encontramos ingratidão. Ainda assim, somos
chamados a perseverar, porque ao fazer o bem honramos a Deus e revelamos uma
vida transformada.
No final da carta,
Paulo deseja que o Senhor da paz conceda paz em todas as circunstâncias. Essa
paz começa na reconciliação com Deus, estende-se ao interior da pessoa e
alcança também o relacionamento com os outros.
Quem vive em guerra
consigo mesmo dificilmente terá paz com Deus ou com o próximo. Mas quem se
submete ao Senhor encontra equilíbrio, direção e descanso.
Fé e trabalho não são
inimigos. Pelo contrário, completam-se quando colocados na ordem correta. O
trabalho deve ser visto como vocação, serviço e meio de dignidade, nunca como
ídolo. A fé ensina-nos a trabalhar com honestidade, equilíbrio e propósito.
Que Deus nos ajude a
guardar estas verdades no coração e a vivê-las no dia a dia. Não é fácil, mas
com a ajuda Divina e a orientação do Espírito Santo, é possível. Que assim
seja. E assim sempre será no nome Bendito do Senhor Jesus Cristo.
A vida é
feita de esperança. A esperança é um combustível necessário e indispensável
para continuarmos a lutar pelos nossos legítimos sonhos de vida. Sem esperança
a vida não faria qualquer tipo de sentido e levar-nos-ia inevitavelmente para
um estado de permanente tristeza, depressão, sofrimento e, em última instância,
ao suicídio. As pessoas que normalmente se suicidam são pessoas que não
vislumbram a esperança e o sentido real para as suas vidas e, consequência
disso, põem funestamente termo à sua própria vida. A esperança está
intrinsecamente ligada à felicidade e esta é a meta primordial de todos os seres
humanos neste “vale de lágrimas”. A esperança é a primeira virtude do Homem nas
suas várias ambições e também o reduto último das suas aspirações. A esperança
é a última a morrer, formula a sabedoria popular.
Obviamente que
é importante ter esperança naquilo que realmente vale a pena no futuro e que tem
sustentáculo no curso do tempo. Sabemos, por realidade prática, que
muitas pessoas depositam a confiança na superficialidade e acabam por colher a
ilusão, ficando desapontadas, frustradas e infelizes com as suas decepcionantes
expectativas de vida. No entanto, para nós Cristãos, a nossa esperança está única
e inteiramente no Todo-Poderoso DEUS e não nos valores efémeros deste corrupto mundo.
A nossa esperança não está na nossa vida, na nossa família, no nosso estatuto
social, no nosso trabalho, nos nossos amigos, nas nossas riquezas materiais,
nos nossos méritos pessoais ou qualquer outro tipo de valor mundanal, mas sim
no Senhor Jesus Cristo e na Sua infalível promessa da vida eterna para
connosco.
É claro que
há muitos Cristãos que, em situações de grandes turbulências e adversidades, não
conseguem absorver de forma plena esta grande verdade soteriológica e hesitam em
confiar plenamente em DEUS, tendo em conta as distrações espirituais que vão
tendo. Mas, somos advertidos nesta lição da Escola Bíblica Dominical, para
continuarmos sempre a ter a esperança no nosso Todo-Poderoso DEUS, mesmo nos
momentos dificílimos de problemas, contradições, tentações e provações, porque
ELE vai estar sempre connosco para nos orientar e, em tempo oportuno, providenciar-nos
o auto-escape para todos os desafios que vamos enfrentando neste maldito mundo.
Que assim seja. E assim será pela fé no Senhor Jesus Cristo.
A vida é precária em todas as suas dimensões
humano-antropológicas. Tão precária que ela é que hoje estamos aqui e amanhã já
não estamos. Estamos sempre a correr sérios riscos de vida a todos os níveis.
Riscos que acautelamos e riscos que não conseguimos acautelar. Riscos
previsíveis e riscos imprevisíveis. E, por fim, riscos visíveis e riscos
invisíveis. Somos seres condicionados, vulneráveis, limitados, transitórios, mortais
e finitos. A nossa vida é extremamente curta e passageira. Passa tão rápido que
nos ultrapassa completamente.
Por isso, somos meros peregrinos e forasteiros neste maldito mundo em
que abundam desgraçadamente a miséria, a traição, a decepção, o ódio, a
vingança, a guerra, a dor, o sofrimento e a morte. Viemos a este mundo para
morrer, infelizmente (LER). Esta é a
nossa pior tragédia. A tragédia das tragédias que herdámos do pecado original
de Adão Eva. A nossa existência é manifestamente insignificante perante o
tamanho desafio da morte que nos espera a todos, razão pela qual não nos serve
de nada encarnar a soberba, a maldade e toda a sorte de desumanidade no nosso
substrato identitário. É contraproducente incorporar tais malévolos vícios,
tendo em conta a fugacidade da vida e a nossa finitude. O certo, e mais sensato
e proveitoso, é reconhecermos a nossa inutilidade e cultivar diariamente a
virtude do amor, tolerância, perdão, solidariedade e reconciliação com DEUS e
com o próximo à nossa volta, preparando assim, da melhor forma possível, a
nossa passagem para o além.
A vida é
realmente curta, madrasta e efémera. Tanto que, por esta razão, os autores
sagrados convergiam unanimemente em adjectivar a vida de “sopro”, “neblina” e
“sombra passageira”, confirmando deste modo a sua transitoriedade e finitude. O
rei David, no seu famoso Salmo, considerava que “o homem é como um suspiro; a
sua vida passa como uma sombra” (Sl 144:3). O servo Tiago questionava os seus
leitores em tom exortativo, demonstrando-lhes a insignificância da natureza
humana e a fragilidade da vida: “que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece
por um pouco, e logo se desvanece” (Tg 4:14). Na mesma esteira do pensamento, o
sábio Salomão escrevia que “nem do sábio nem do ignorante ficará recordação que
dure para sempre. Com o passar dos tempos, tudo se esquece. Tanto morre o sábio
como o ignorante. (…). Sim, tudo é ilusão. É correr atrás do vento!” (Ec
2:16-17).
Não
obstante esta grande verdade exposta, que todos nós conhecemos e sabemos, doem-me
imensamente o coração das perdas de vidas que vamos reiteradamente assistindo e
ouvindo. Perdas vindas de perto e de longe. Perdas repentinas dos nossos
familiares, amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos e semelhantes nossos.
Perdas que acontecem por causas naturais e acidentais, bem como perdas
precipitadas pelas acções deliberadas do Homem. Perdas, sobretudo, provocadas
pelas hediondas guerras que matam milhões de pessoas em todo o mundo e deixam
rastos de destruição funestas e incalculáveis.
Entristece-me
profundamente a alma todas essas sistémicas e sistemáticas catástrofes,
tragédias e desgraças sem fim à vista, a que vamos impotentemente presenciando,
de perto e de longe, através das notícias que nos vão chegando. Tudo isto
reforça ainda, cada vez mais, a minha descrença completa no ser humano e no
mundo em geral. A minha inabalável fé e esperança estão unicamente firmados no
Todo-Poderoso DEUS e no Seu Unigénito Filho Jesus Cristo, o meu eterno e Senhor
e Salvador.
A vida, em
suma, é demasiado passageira e nós não somos absolutamente nada sem DEUS. Eis a
grande e inequívoca verdade soteriológica, que precisamos interiorizar na nossa
árdua e instantânea peregrinação neste “Vale de Lágrimas”, que tem
impreterivelmente os dias contados pela mortalidade no curso do tempo.
Nunca foi tão premente
reflectir sobre a saúde mental dos Cristãos como nos dias de hoje. Nunca foi
tão oportuno redimensionar a teologia e as pregações bíblicas sobre esta
calamidade público-social que afecta, cada vez mais, de forma drástica e
funesta, milhões de pessoas em todo o mundo. A doença mental é um dos grandes
cancros do nosso mundo pós-moderno, penetrando com bastante alcance nos
círculos Cristãos. Por isso, a Igreja do Senhor Jesus Cristo não pode, em
circunstância alguma, ignorá-la como se ela não existisse, tal como tem feito.
Há muitos Cristãos que
sofrem cronicamente com os problemas de ansiedade, depressão e tantos outros
distúrbios cognitivos, ficando consideravelmente prejudicados a nível do seu
crescimento espiritual, por causa da ausência completa do ensino bíblico nas
igrejas e falta de apoio sobre a saúde mental. Muitos crentes, por vicissitudes
várias e supervenientes, acabam por sofrer sozinhos, escondendo inclusive a
doença da Igreja e terceiros, tendo em conta o estigma elevado e o preconceito
generalizado de que a doença mental é objecto no meio Cristão.
A temática sobre os
distúrbios e doenças mentais não é propriamente consensual entre os Cristãos.
Há uma grande querela doutrinária em saber se um genuíno filho de DEUS pode ser
passível de contrair doenças mentais incapacitantes, levando-o, como
consequência de tais patologias, em última instância, a suicidar-se. Não é o
meu objectivo aqui destacar as várias posições em torno deste polémico assunto.
No entanto, sou da inteira opinião que um autêntico Cristão pode sim sofrer de
doença do foro mental, não obstante reconhecer concomitantemente que a
generalidade das doenças mentais é de procedência maligna. Por outras palavras,
não tenho nenhuma hesitação em afirmar peremptoriamente que as doenças do foro
mental são o meio mais apelativo para o Diabo infiltrar-se na vida das pessoas
e, consequentemente, destruí-las. O exemplo manifesto disso é a loucura do
suicídio.
Julgo, em suma, que
nenhum Cristão “nascido de novo” pode atentar contra a sua própria vida ao
ponto de pôr termo a ela, independentemente da situação de aflição que possa
estar a viver no seu quotidiano. A presença do Espírito Santo na vida dos
filhos de DEUS é um travão poderosíssimo para que estes não ponham termo à própria
vida, não obstante poderem legitimamente, em determinados casos das suas vidas,
querer morrer. Uma coisa é querer legitimamente morrer. Outra coisa, e bem
diferente, é pôr termo à própria vida. São realidades completamente distintas
uma da outra. Nenhum ser humano ou Cristão tem a prerrogativa para conspirar
contra a própria vida. É esta grande e inequívoca verdade bíblica que enfatizei
nesta lição da Escola Bíblica Dominical (EBD).
Que DEUS nos abençoe e
nos livre de todo e qualquer tipo de doenças. Que assim seja. E assim sempre será
pela fé no Senhor Jesus Cristo.
A partir de
hoje deixou de vigorar o uso obrigatório de máscaras em Portugal. Nunca fui
apologista de obrigar coercivamente as pessoas a usarem a máscara. Elas devem
ser inteiramente livres de fazerem as opções que julgarem mais convenientes para
as suas vidas, sem qualquer tipo de paternalismos ou tutela estatal. As minhas profundas
reservas para com a não obrigatoriedade do uso da máscara não têm nada a ver
com a esfera secular, mas sim com a sua dimensão espiritual.
A máscara,
a todos os níveis, tem uma conotação bastante negativa do ponto de vista Cristão.
Ela é manifestamente incompatível com os Princípios e Valores do Cristianismo.
A Palavra de DEUS exorta-nos vivamente a afastarmo-nos do mal e também de toda a
aparência do mal (1 Tessalonicenses 5:22). Por isso, faz-me imensa confusão a
máscara ser, neste momento, o nosso importante “aliado” no sagrado culto que
prestamos a DEUS (pelos menos desde quando despoletou a maldita pandemia do
coronavírus). Vemos a promoção – até à exaustão – das máscaras nos nossos
púlpitos, bancos de igrejas e congregações em geral. Um desfile interminável de
máscaras: máscaras a serem usadas nas pregações, na Escola Bíblica Dominical, no
louvor e adoração, sob o falso pretexto de “protegermo-nos” uns aos outros e obedecer
aos ditames das autoridades, que decretam o seu uso obrigatório nos templos.
A Igreja
deveria ter feito finca-pé para não aceitar a máscara nas suas instalações,
reclamando com maior alcance a excepção que os restaurantes beneficiavam. Faz
algum sentido estar a pregar ou louvar a DEUS com máscara? Obviamente que não.
Toda esta trapalhada
e deriva eclesiástica deve-se ao facto de as lideranças das igrejas decidirem,
unilateralmente, sem base bíblica, fechar a Casa de DEUS, antes de ser
propriamente decretado o estado de emergência, condicionando posteriormente a
imposição do Estado na liberdade do culto dos crentes. Se as autoridades das igrejas
não tivessem inicialmente alinhado na agenda mundana do Estado este, em
circunstância alguma, ousaria obrigar à proibição das celebrações religiosas,
uma vez que não tem competência constitucional para fazê-lo. A propósito disso,
do fecho das igrejas, escrevia o ilustre Professor Catedrático Jorge Bacilar
Gouveia, que “não esteve bem a hierarquia católica, que foi mais drástica do
que o poder político, tomando e até antecipando uma proibição que nem o próprio
Estado teve a ousadia de aplicar com tanta severidade”.
E mais, a
declaração do estado de sítio ou do estado de emergência “em nenhum caso pode afectar
os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade
civil e à cidadania, a não retroatividade da lei criminal, o direito de defesa
dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião”, tal como preceitua a
Constituição da República Portuguesa (art.º 19.6). Mas, infelizmente, as
igrejas optaram erradamente por alinhar na onda do fecho generalizado e na
subserviência sem precedentes ao poder político em detrimento da Palavra de
DEUS e da saúde espiritual dos fiéis, distorcendo inclusive o alcance teológico
da passagem bíblica de Romanos 13:1-7 para justificar o injustificável, isto é,
o fecho das igrejas.
O dia da libertação das máscaras chegou finalmente hoje. Espero que não
seja momentaneamente um até já, mas sim uma libertação permanente. Espero
igualmente que o uso de máscara não seja mais obrigatório, mas sim facultativo,
para o bem de todos. Espero, por fim, que as máscaras abandonem definitivamente
os nossos púlpitos e portas das nossas igrejas para assim podermos proclamar e
louvar livremente o nosso Eterno DEUS, sem qualquer tipo de obstáculo, sufoco ou
impedimento.
O Salmo vinte e três é inquestionavelmente um dos
Salmos que mais inspirou os santos de DEUS ao longo dos séculos, tendo em conta
a poderosíssima mensagem teológica que encerra. Perfila-se também como um dos
meus favoritos versículos bíblicos. Memorizei-o desde tenra idade, ainda nos
bancos da Escola Bíblica Dominical (EBD) da minha Igreja em Bissau, e permanece intactamente gravado na
minha mente até aos dias de hoje. Espero que assim seja durante toda a minha vida. É um Salmo a que recorro reiteradamente nos
meus devocionais, especialmente nos momentos mais cruciais, e vai continuar
sempre assim durante toda a minha peregrinação neste “vale de lágrimas”.
Ele é o prenúncio da Igreja Triunfante, razão pela qual deve imperativamente
fazer parte do cardápio espiritual de todos os fiéis no Senhor Jesus
Cristo.
O Salmo vinte e três expressa o cuidado bastante
especial que o Todo-poderoso DEUS tem para com os seus eleitos filhos,
ilustrado na ternurenta e amorosa figura do Bom Pastor que o Senhor Jesus Cristo vai
reclamar na Sua humilde encarnação (João 10:11-16). O Bom Pastor
que está pronto a morrer pelas suas ovelhas, tal como o Senhor Jesus fez
connosco na Cruz do Calvário, diferentemente do “assalariado” que
não se importa minimamente com as ovelhas (João 10-12-13). O Sumo
Pastor (1 Pedro 5:4) proporciona às suas ovelhinhas provisão,
direcção e protecção, saciando-lhes assim todas as suas necessidades físico-espirituais.
Por conseguinte, apesar de todo este amparo e
reconforto que o Bom Pastor proporciona para as suas ovelhas na sua longa
trajectória à “Terra Prometida”, acontece que surgirão pontualmente
os “vales da sombra da morte” que teremos de enfrentar. Mesmo
assim, usando “o escudo da fé” (Efésios 6:16), não temos que ter
qualquer tipo de receio ou medo, porque o Senhor estará sempre connosco.
Os “vales” são meramente inevitáveis provações que o
Omnisciente DEUS permite para moldar o nosso carácter e, deste modo, preparar-nos
para entrar no Céu(LER).
Esta soteriológica verdade remete-nos indubitavelmente
para o percurso peculiar do povo de DEUS no deserto e a sua milagrosa passagem
pelo mar vermelho (Êxodo 14:15-31), bem como dos grandes heróis da
Fé (Hebreus 11:1-40). Tal como Baraque venceu os cananeus
no vale de Jezreel, Josafá os amonitas, os moabitas e habitantes dos montes de
Seir no vale de Beraca (2 Crónicas 20:26-27), Gideão os midianitas
no vale de Moré (Juízes 7: 1), David os edomitas no vale do
sal (2 Samuel 8:13; 1 Crónicas 18:12), etc., assim também
venceremos todos os “vales” que aparecerão no nosso caminho
para nos dificultar o percurso à Terra Prometida. Isto porque, tal
como expressamente dizia a profecia messiânica, “todos os vales serão
levantados, todos os montes e colinas serão aplanados; os terrenos acidentados
se tornarão planos; as escarpas, serão niveladas” para a libertação
definitiva do povo de DEUS (Isaías 40:4; Mateus 3:3; Marcos 1:3; João
1:23). E, assim, em todas estas coisas, escrevia peremptoriamente o
Apóstolo Paulo, “somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou”
(Romanos 8:37). Venceremos todos os nossos inimigos – a tanto visíveis como
aqueles que são invisíveis, inclusive o próprio Diabo, com a força e unção do
Espírito Santo, evidenciado pelo salmista através de um banquete de vitória a
frente dos nossos inimigos (Salmo 23:5).
Por isso, a bondade e a misericórdia seguir-nos-ão
todos os dias da nossa vida; e habitaremos na Casa do Senhor para todo o
sempre (Salmo 23:6). De facto, a bondade, o amor, a graça, o perdão e a
misericórdia de DEUS me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na
Casa do Senhor para toda a eternidade. Que assim seja. E assim sempre será pela
fé nas infalíveis promessas do Todo-Poderoso DEUS.
Um artigo
bastante esclarecedor do Constitucionalista e Professor Catedrático Jorge
Bacelar Gouveia sobre o estado de emergência (LER). Vai praticamente na mesma
linha do pensamento com o meu manifesto de repúdio sobre o fechamento das Igrejas (ALI) e (AQUI). As autoridades das Igrejas
decidiriam fechar de forma drástica a Casa de DEUS antes de ser decretada o
estado de emergência, com o mero perecer de polutos homens, condicionando
posteriormente a imposição das autoridades neste sentido. Uma decisão
precipitada, inédita, infeliz e sem precedentes na História do Cristianismo
(sinais dos tempos... Dias mesmo do fim!). Nem no estado de alerta, nem no
estado de emergência, nem no estado de sítio ou necessidade e nem em qualquer
outro tipo de “estado” a Igreja deve baixar a guarda ao ponto de fechar as suas
portas para reduzir arbitrariamente ao confinamento. E mais, a Igreja de Cristo
deve estar sempre preparada para resistir com fé qualquer tipo de leviatã,
inclusive estatal, que possa surgir para condicioná-la na sua actividade ou
actuação até às últimas consequências.
Julgo que há um equívoco no que toca ao meu último artigo de opinião sobre o
repúdio que manifestei do fechamento das igrejas por causa do coronavírus (LER). Fiquei
com a impressão de que alguns que caíram neste deliberado equívoco leram
parcialmente o artigo ou não o leram, fazendo com que não
conseguissem extrair o seu alcance teleológico. Desde logo, o objetivo do
artigo em apreço não é secular, mas sim espiritual. Não visa debruçar acerca das
problemáticas epistemológico-científicas do coronavírus e as suas implicações
sociológicas. Também não é colocar em causa as pertinentes recomendações
preventivas que as autoridades estão a dar para minimizar o seu impacto
contagioso e pernicioso na vida das populações e, tão pouco, subestimar os seus
efeitos catastróficos, bem como a boa conduta que se espera de todos os
Cristãos neste momento particular para fazer face definitivamente a esta
maldita doença. A minha questão era denunciar a tamanha incongruência da
Aliança Evangélica Portuguesa e das Igrejas que decidiram fechar prematuramente
as suas portas, usando o descabido pretexto da “prevenção”.
O argumento
que foi usado para tomar esta inédita e radical decisão não se baseou em nenhum
texto bíblico, mas sim nas indicações sanitárias da Direção Geral de Saúde e do
Governo (agora a Cidade de DEUS é regida pela cidade dos Homens? Ou Babilonia
instruirá a Santa Jerusalém?). O mais ridículo de tudo isto é que as
instituições da República Portuguesa estão a funcionar sem grandes
sobressaltos, nomeadamente a Assembleia da República, o Governo, os Tribunais,
bem como as autarquias locais e empresas privadas. No entanto, a Assembleia de
DEUS (as Igrejas de Cristo, bem entendido) estão com as suas portas fechadas.
Que tamanho escândalo espiritual!
Eu ficaria
tranquilo se fosse realmente o Estado português que tivesse a obrigar
imperativamente as Igrejas a encerrar as suas portas por causa da prevenção.
Acontece que, por enquanto, não foi isso. A Função Pública não está paralisada.
As empresas privadas também estão a funcionar, não obstante pontuais
ajustamentos que alguns estão a fazer para se adaptarem ao novo contexto
excepcional em que vivemos. Os transportes públicos estão a funcionar
perfeitamente. Os centros comerciais estão abertos, bem como os restaurantes,
cafés e afins. Todas estas entidades não estão, porventura, preocupadas com o
coronavírus? Porque somente as igrejas têm de fechar as suas portas? Não seria
também normal fazer algumas pontuais alterações, nomeadamente suprimir
determinadas actividades eclesiásticas, aconselhando os irmãos que se enquadram
nos grupos considerados de risco a ficarem em casa, mantendo os cultos
dominicais e até promover os cultos comunitários na rua? Era, a meu ver, mais
sensato espiritualmente proceder assim do que tomar a radical medida de fechar
as portas das Igrejas.
Este
fechamento das Igrejas por causa do vírus do coronavírus remete-nos
indubitavelmente para outros grandes vírus espirituais que estão a ameaçar
galopantemente as igrejas e a consequentemente enfraquecê-las, nomeadamente o
vírus da incredulidade, da sonolência espiritual, da idolatria e do
obscurantismo teológico, do materialismo e da segregação denominacional, da
racionalidade e do liberalismo teológico. O vírus do afastamento e não
engajamento na obra de DEUS. O vírus da falta de fé e de uma vivência
espiritual sem qualquer tipo de expressividade, máxime despida de amor e
perdão. É um vírus acima de tudo de fechamento e de hipocrisia. Fechamento por
tudo o que é sagrado e de DEUS. Fechamento da Igreja para dentro da sua vida
saturada, doentia e cheia de pecados. Fechamento espiritual que se preocupa
mais com as coisas deste mundo, levando-a a não ter o comprometimento com a
oração, a vigilância espiritual, a Evangelização e Missões e com a vida
santificada. É uma Igreja que fecha para as coisas de DEUS e, ao mesmo tempo,
aberta para a novidade do mundo e do mundanismo, razão pela qual está cada vez
mais reduzida, estagnada, envelhecida e sem avanço. É este vírus de
“fechamento” que está infelizmente a arruinar a saúde espiritual das Igrejas.
Por isso, esta pronta opção das lideranças das Igrejas de tomarem
precipitadamente a mais extrema medida de fechamento das portas das Igrejas,
sob o pretexto de estarem a“prevenir”
os crentes do coronavírus veio apenas evidenciar a olhos nus o estado da
indolência espiritual que as igrejas neste momento se encontram –que tem a ver sobretudo com o vírus de
“fechamento” para as coisas de DEUS.
Os Cristãos
que hoje ficaram remetidos dentro das suas casas com medo de passarem duas
horas na Casa de DEUS para não contrariarem o coronavírus, são os mesmos
Cristãos que amanhã se vão levantar sem medo para estarem nove horas no
trabalho e durante toda a semana por aí em diante, ignorando a tal justificada
“prevenção” contra o coronavírus que alegaram para fechar as igrejas. Não será
isto uma contradição? A verdadeira prevenção era deixarmos também de trabalhar
temporariamente para assim ficarmos todos mais “seguros” em casa de quarentena.
E mais,
esta tamanha incongruência consubstancia uma clara falta de fé dos Cristãos.
Não podemos somente falar da fé do ponto de vista genérico e abstrato, sem
vivenciá-la na prática. E viver a fé é inclusive romper as barreiras da
racionalidade, contrariando as incredulidades que se levantam para abafar o
agir poderosíssimo do Espírito Santo. A fé é, acima de tudo, correr o risco. O
risco de ser mal compreendido e considerado louco. O risco de ser rotulado e
contrariado. O risco de ser detestado e perseguido. O risco de desafiar a
lógica e falíveis previsões humanas. O risco de se expor ao perigo aos olhos do
mundo e considerado um fracassado. O risco inclusive de morrer por causa do
Senhor Jesus Cristo. Mesmo assim, continuar inabalavelmente firme nas promessas
de DEUS.
A grande
verdade neste momento é que as Igrejas não podiam, por enquanto, tomar a
radical medida de fechar as suas portas, enquanto que a generalidade das
instituições da República estão a funcionar e as empresas privadas também. As
Igrejas que decidiram fechar ficaram bastante aquém do grande desafio da fé que
se espera dos Filhos de DEUS, mormente de oferecer a mensagem de amor, perdão e
esperança a todos aqueles que estão apavorados com este malicioso surto de
coronavírus. Julgo que a oportunidade que DEUS está a dar-nos com esta pandemia
é, acima de tudo, de começarmos realmente a priorizar a Sua obra e não arranjar
falsos pretextos moralistas para justificar as nossas insuficiências e
incertezas espirituais.
Estou manifestamente indignado com a posição da
Aliança Evangélica Portuguesa sobre a pandemia do coronavírus no que toca à sua
última nota, recomendando vivamente as igrejas e comunidades evangélicas a não
abrir as suas portas para cultos e outras actividades eclesiásticas nas
próximas semanas (LER), levando assim algumas igrejas a tomar esta decisão desproporcional e
infundada à luz das Escrituras Sagradas. Estou ainda mais indignado com as
igrejas que, apesar desta questionável recomendação da Aliança Evangélica,
decidiram precipitadamente cair nesta onda de susto secularista e ditadura do
instantâneo, perdendo a oportunidade singular de dar um firme testemunho de fé
nestes dias obscuros, de pânicos e de incertezas para milhares e milhões de
pessoas em todo o mundo.
É inconcebível fechar as portas das igrejas só
porque o governo declarou o “estado de alerta” para todo o país (LER). O estado de alerta, na ordem jurídica
portuguesa, não comporta assim grandes repercussões práticas na vida das
pessoas. Tanto que, por esta razão, apesar de estarmos já a vivê-lo, a vida
continua a fluir normalmente, excepto alguns pontuais ajustamentos que foram
feitos para mitigar o surto do coronavírus, nomeadamente a paralisação total de
aulas e outras medidas extraordinárias que, em circunstância alguma, colocou em
causa os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.
O estado de alerta, de uma forma subsumida,
significa que os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança do estado estão em prontidão para responder com eficiência. Mesmo no estado de sítio ou
estado de emergência, que são os mais gravosos na ordem jurídica portuguesa, e só
podem ser declarados “nos casos de agressão efectiva ou iminente por forças
estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional
democrática ou de calamidade pública” (art.º 19, nº 1 da Constituição), em
nenhum caso podem afectar os direitos fundamentais inerentes à condição
humano-social, especialmente a liberdade de consciência e de religião art.º 19
alínea 1 da Constituição). Por outras palavras, mesmo nestas situações excepcionais,
a Constituição da República Portuguesa continua a assegurar aos santos de DEUS
a possibilidade de cultuarem, se assim o entenderem.
Perante o exposto, entendo que a opção de suprimir
as actividades dominicais e consequentemente fechar as portas das igrejas por
causa do surto do coronavírus foi uma
decisão prematura, drástica, radical e sem qualquer suporte bíblico, aliás, tal
como se pode ver na referida recomendação da Aliança Evangélica Portuguesa que
está claramente despida do texto sagrado e na generalidade dos comunicados
tautológicos emitidos pelas igrejas, que decidiram concomitantemente alinhar
nesta onda do “fechamento”. Este fechamento das igrejas consubstancia
indubitavelmente uma sonolência espiritual e grave crise da fé em que estamos
infelizmente submergidos, “que não se alarma com o poder do mal no mundo,
com toda a injustiça e com todo o sofrimento que devastam a Terra. É um
embotamento que prefere não se dar conta de tudo isso (…), podendo deste modo
continuar a autocomprazer-se na sua própria vida saturada. Mas este embotamento
das almas, esta falta de vigilância seja quanto à proximidade de Deus, seja
quanto à força ameaçadora do mal confere ao maligno um poder no mundo”(LER).
Com isso, não estou a minorar ou a subestimar o
impacto pernicioso que o corona vírus representa na saúde pública, máxime na
dos cidadãos. Não estou a colocar em causa as previsões catastróficas que
poderão acontecer brevemente em Portugal, tal como já está a suceder noutros
países, se não houver medidas preventivas adequadas para mitigar esta maldita
doença. Não estou a colocar em causa o zelo que as igrejas devem ter para com
os seus membros nos momentos mais desafiantes das suas vidas. Não estou também
a pôr causa a vida dos que já morreram e possivelmente vão continuar a morrer
nos próximos dias e semanas. Longe de mim tal insensibilidade e desumanidade.
Estou plenamente consciente que estamos todos a correr sérios riscos de vida e
se brincarmos podemos contrair o coronavírus e este revelar-se extremamente
fatal. Estou bem actualizado da gravidade de toda esta situação e
simultaneamente solidário com as autoridades nacionais e internacionais, as
equipas médicas nos hospitais e especialmente todos os que neste momento estão
entre a vida e a morte.
No entanto,
fechar as portas das igrejas, a meu ver, tem de ser mesmo em situações que
ultrapassam todos os limites – onde não há mesmo condições mínimas para haver a
reunião; onde todo o mundo é obrigado a estar de quarentena por causa da
calamidade pública ou por motivos de guerra, ficando completamente paralisada a
vida profissional e social de todos os cidadãos. Nestes casos, sim, as igrejas
têm mesmo, por força das circunstâncias, fechar por inexequibilidade prática.
Não é, contudo, o que está a acontecer neste momento em Portugal, graças a
DEUS. As pessoas continuam a trabalhar, embora com alguns condicionalismos
extras, e a viver praticamente na normalidade, cientes naturalmente das
precauções que devem tomar no seu dia-a-dia e sobretudo dos malefícios que o
coronavírus comporta.
Por isso, não consigo compreender o fecho das
igrejas nas próximas semanas. É a primeira vez que estou a viver tal situação. Não
consigo, por isso, interiorizar esta prematura decisão, sob pretexto de estar a
proteger os membros das igrejas para não contraírem o coronavírus e, ao mesmo
tempo, incorporando uma tamanha contradição do ponto de vista espiritual. Será
que o culto que prestamos ao nosso Eterno e Todo-Poderoso DEUS não se enquadra “nas
actvidades estritamente essenciais” que o governo decidiu salvaguardar
neste estado de alerta em que estamos a viver? Faz algum sentido um Cristão
passar quarenta e cinco horas no trabalho durante a semana e não poder estar
apenas duas horas na Igreja num culto de domingo? Será que é mais fácil
contrairmos o coronavírus num culto dominical do que nos sobrelotados
transportes públicos, nomeadamente comboios e metros, que a generalidade dos
irmãos da Igreja usam para ir trabalhar ou tratar de outros afazeres? Podemos
ir trabalhar sem ter medo de coronavírus e não podemos ir à igreja cultuar o
nosso DEUS por medo do coronavírus? Quer dizer então que os Cristãos podem
fazer parte significativa da sua rotina do dia-a-dia, nomeadamente trabalhar,
andar de transportes públicos, fazer compras e dar passeios… só ficam
amedrontados em ir à Igreja por causa do coronavírus, não é? As más
conversações, já dizia o Apóstolo Paulo, corrompem os bons costumes (1
Coríntios 15:33). De facto, as más conversações pervertem os bons costumes.
Admito que as Igrejas poderiam tomar algumas
decisões excepcionais, sobretudo aconselhar alguns irmãos idosos, os que sofrem
de doenças crónicas, grávidas e crianças a não tomarem parte, por enquanto, nos
cultos e resguardarem-se exclusivamente em casa até que seja ultrapassada esta
calamitosa situação e não cancelar de imediato todas as actividades
eclesiásticas. E mais, importa ainda salientar que não é pelo facto de não
irmos à Igreja ou estarmos a tomar as devidas precauções que ficamos imunes ao
coronavírus. Todas as precauções são insuficientes se não tivermos a protecção Divina
para nos livrar deste maléfico vírus. E só Ele é capaz de nos livrar de todo o
perigo e mal, mentalizando-nos sempre que estamos a
viver os “Sinais dos Tempos”(ALI)
e (AQUI) , bem como ancorando-nos na absoluta certeza de que em todas estas coisas somos mais do que vencedores,
por aquele que nos amou, uma vez “nem a morte nem a vida; nem os anjos nem
outras forças ou poderes espirituais; nem o presente nem o futuro; nem as
forças do alto nem as do abismo. Não há nada nem ninguém que nos possa separar
do amor que Deus nos deu a conhecer por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos
8:29-37). Louvado seja DEUS.
Em suma, busquemos em primeiro lugar a DEUS, principalmente
neste momento de incertezas, de aflição e pânico mundial, de todo o nosso coração.
Não no fechamento temerário das portas das igrejas, mas sim entrando intrepidamente
pelas suas portas com acção de graças, e em seus átrios com louvor (Salmo
100:4). Que DEUS ricamente nos abençoe e nos guarde de todo o perigo e mal,
particularmente desta maligna pandemia do coronavírus em nome do Senhor Jesus Cristo. Que
assim seja. E assim sempre será pela fé.
Sou, por natureza, desde a mais tenra idade, uma
pessoa manifestamente optimista (ALI)e (AQUI). Encarno o optimismo praticamente em tudo o que
idealizo e traduzo em prática. Norteio-me nas minhas opções de escolhas diárias
pelo optimismo, mesmo naquelas situações mais adversas em que não se vislumbra
o sucesso e a ultrapassagem. O optimismo faz parte da minha mundividência e
cardápio do dia-a-dia. Vivo holisticamente o optimismo realista em todos os domínios, situações, dimensões e circunstâncias da minha convivência com DEUS e o próximo. Diria mesmo que, em última instância, o optimismo é o
meu substrato identitário. Nunca fui uma pessoa carrancuda, mal-humorada, depressiva
e pessimista – longe de mim tais atrofiamentos humanos! Por isso, passo os meus
dias sempre alegre, sorridente, contente e bem-disposto, procurando aplacar, na medida do possível, eventuais instintos de fracasso que vão minando pontualmente a nossa
mente (LER).
Esta minha forma optimista de encarar a vida é
profundamente influenciada pela fé Evangélico-Cristã que comungo, ou melhor, é
indubitavelmente o resultado dela. Sou, tal como alguns saberão, um devoto
Cristão, Evangélico e Baptista-tradicional, alicerçado ideologicamente na
Doutrina Social da Igreja (LER). E para nós, os Cristãos, tudo o que
acontece nas nossas vidas – quer sejam coisas boas ou aparentemente más – “contribuem
juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados
segundo o seu propósito” (Romanos 8:28), razão pela qual damos sempre
graças em tudo, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para
connosco (1 Tessalonicenses 5:18).
E mais, importa ainda salientar, o Cristão está
plenamente habilitado para auto-realizar-se com aquilo de que dispõe, mesmo que
seja pouco, pois sabemos perfeitamente viver na pobreza e também na riqueza.
Aprendemos a viver em toda e qualquer situação: a ter fartura e a ter fome, a
ter em abundância e a não ter o suficiente. Podemos enfrentar todas as
dificuldades naquele que nos fortalece (Filipenses 4:11-13). Sim, consigo afirmar sem qualquer tipo de rodeios ou hesitação, posso todas as coisas em Cristo que me fortalece diariamente e de forma
ininterrupta. Amém.
É, justamente, por tudo isto, que um autêntico Cristão
não tem motivos concretos para não ser uma pessoa reconciliada, bem-sucedida, realizada,
sorridente e feliz tanto nesta vida como no porvir. E julgo que, como filho de DEUS que sou, encarno pela fé todos estes sublimes ideais, valores e virtudes do Evangelho na minha vida. Que assim seja pela graça
de DEUS. E assim sempre será.
Nos tenebrosos dias que correm
impõem-se, a todos os eleitos filhos de DEUS, com carácter de urgência, uma
genuína introspecção sobre o dinamismo e o futuro da Igreja “no presente século mau” em
que ela está soberanamente submergida. De facto, este exame subjectivo
remete-nos concomitantemente para várias preocupantes considerações
eclesiásticas. Desde logo, a Igreja confronta-se, cada vez mais, com seríssimas
dificuldades em afirmar e passar eficazmente a sua salvífica mensagem ao mundo
perdido – fruto da incoerência testemunhal por parte dos seus líderes e
correligionários. Além desta manifesta incongruência testemunho-religiosa,
acrescem ainda outros factores conjugados, nomeadamente a falta do decoro e
autoridade ministerial dos pastores, a sonolência espiritual dos Cristãos que,
por sua vez, vai atraindo sorrateiramente para dentro das congregações toda a
sorte do mundanismo, racionalismo, liberalismo teológico, idolatria, enriquecimento ilícito, heresias
destruidoras de vidas, descomprometimento com a santificação e a obra
missionária (LER). Há, de forma subsumida, com tudo
isto, uma capitulação da Igreja perante os corruptos valores do mundo e “cantos da sereia” dos dissimulados “vendilhões do templo”(LER)que tomaram-na
de assalto, promovendo hereticamente um “outro evangelho” (Gálatas
1:6-7), isto é, o evangelho da prosperidade, do descompromisso, do
desserviço, da desconsagração, do protagonismo, do exibicionismo, da
auto-complacência, do sincretismo, do ocultismo e um número infindável de
torpezas espirituais. A Igreja vive infelizmente dias obnubilados,
tendo em conta a ganância e futrica religiosa acabadas de se mencionar, que obstaculiza
significativamente a sua coesão e vigorosa acção missionária. Os dias são
realmente maus, encerrava advertidamente há séculos o Apóstolo Paulo (Efésios
5:16). Muitos dos actuais pastores e lideranças das igrejas estão
mais comprometidos com as suas agendas interesseiras, contrárias aos impolutos
propósitos Divinos, levando, em consequência disso, os mais fracos a “naufragarem
na fé”(1
Timóteo 1:19) – por causa de reiterados escândalos espirituais que vão
minando a Igreja. Os “sinais
dos tempos”(LER) apontam-nos indubitavelmente
para uma súbita segunda vinda do Senhor Jesus Cristo num futuro breve (LER), uma vez que estamos a assistir cada
vez mais ao surgimento de falsos profetas que estão a ludibriar muitas pessoas
para o inferno, apostasia dos últimos dias, bem como “abominação devastadora
de que falou o Profeta Daniel” (Mateus 24:15).É nesta alarmante e
catastrófica realidade espiritual que autêntica Igreja de Cristo é chamada a
ser “sal
e luz” do Mundo, dando o poderoso testemunho na proclamação do
Evangelho (ALI) e (AQUI). Apesar de todas essas calamitosas e
terríficas adversidades que a Igreja vai diariamente enfrentando, mesmo assim,
sabemos pela fidedigna revelação bíblica que os verdadeiros Santos de DEUS
jamais se sucumbirão. Os autênticos filhos de DEUS jamais se sucumbirão, insistimos.
Em todas estas coisas, “somos
mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37). A Igreja
vai sempre sair vitoriosa em todas as ocasiões, contextos, circunstâncias e
conjunturas, máxime da letargia, dos escândalos, dos pecados, das traições, das
perseguições e “vale
da sombra da morte”. As portas do inferno, em circunstância alguma,
prevalecerão contra ela (Mateus
16:18). A predeterminada visão Gloriosa se cumprirá e a Igreja Vitoriosa em
paz repousará sobre as Bem-aventuranças Eternas. Eis, em suma, o auspicioso
futuro triunfante que espera a Santa Igreja do Senhor Jesus Cristo. Que assim
seja. E assim sempre será.
O Homem é um ser frágil no seu
substrato. Tanto que, por esta razão, é susceptível às doenças, à dor, ao
envelhecimento e à mortalidade. A sua constituição física e estrutura
psicossomática estão condenadas à degeneração. Esta debilidade no seu arcaboiço
deve-se à sentença condenatória que lhe foi imputada aquando da sua impoluta
criação no jardim do Éden, tendo em conta as desastrosas consequências do “pecado
original” (LER). A partir daí, no percurso do Homem,
entraram todas as desgraças mundanais que vão culminando na sua funesta morte.
Estes flagelos humano-naturais não estavam previstos no perfeito e ideal mundo
em que ele tranquilamente vivia no início e, tão pouco, no seu ADN. Foi tudo
acidental. Ele apenas fora criado para viver em plena felicidade e usufruir da
agradável companhia do seu Criador. Por isso, o Homem jamais estará preparado para
encarar o insucesso, a enfermidade, a desgraça, o sofrimento e a morte. Apenas
conta com o estado de felicidade e idealiza-o perenemente em todos os ciclos e
vertentes da sua momentânea vida. O que é completamente natural, visto que para
isso fora criado. Acontece que, pelas razões sublinhadas, o outrora imaculado
destino do Homem ficou obliterado por culpa superveniente do próprio, dando
assim lugar à calamidade no mundo. Dito por outras palavras, a inimizade, a
tragédia, o sofrimento e a morte passaram fatalmente a fazer parte do
quotidiano do ser humano (LER). Ora, tais calamitosas situações
agravam-se consideravelmente quando se trata particularmente dos eleitos filhos
de DEUS. O Cristianismo é uma religião pautada pela renúncia, intensos combates
espirituais e sofrimento para assim poder ganhar a imarcescível Coroa da Glória (1
Pedro 5:4; 2 Timóteo 4:8). O símbolo dele é a Cruz e esta, em última
instância, representa o sofrimento nas suas várias vertentes humano-antropológica,
tal como foi o do Messias (ALI) e(AQUI). E quem quer ser fiel discípulo do
Senhor Jesus deve, acima de tudo, estar preparado para carregar a sua Cruz e
segui-Lo determinadamente até ao fim (Mateus
16:24). A Fé bíblica e o sofrimento estão visceralmente ligados e
completamente indissociáveis, porque somos chamados soberanamente para o
sofrimento (1
Tessalonicenses 3:3) [Ler] e também [AQUI]. Consciente desta grande e
inequívoca verdade soteriológica, o Apóstolo Paulo vai ao ponto de vincar que “nós
sentimos alegria nos nossos sofrimentos, porque o sofrimento produz a
perseverança; a perseverança provoca a firmeza de caráter nas dificuldades e a
firmeza produz a esperança. Esta esperança não nos engana, porque Deus
encheu-nos o coração com o seu amor, por meio do Espírito Santo que é dom de
Deus” (Romanos 5:3-5). O sofrimento, diferentemente de uma
visão epicurista, ímpia e mundana, é uma virtude Cristã. O sucesso de uma vida
piedosa, bem-sucedida e feliz passa inevitavelmente por sofrimento, caso
contrário é tudo fachada religiosa que consubstancia o herético “evangelho
da prosperidade” que não tem qualquer tipo de acolhimento nas
Escrituras Sagradas. Isto não quer dizer que os Cristãos são masoquistas, tal
como alguns indoutos e inconstantes poderão precipitadamente distorcer para a
sua própria condenação (2
Pedro 3:16). Apenas confirma a identificação e comunhão plena do crente com
a essência da mensagem do Evangelho, máxime “conhecer
a Cristo e experimentar o poder da sua ressurreição, tomar parte nos seus
sofrimentos, chegando a ser como ele na morte, com a esperança de alcançar a
ressurreição de entre os mortos” (Filipenses 3:10-11). O sofrimento é um
precioso instrumento que o nosso Omnisciente DEUS usa para moldar a vida dos
seus eleitos filhos e, deste modo, prepará-los espiritualmente para entrar no
Céu – como aconteceu com os grandes heróis da fé (Hebreus
11:1-40). É verdade que há sofrimento resultante
do pecado, como tem acontecido ao longo da História do Cristianismo. Apesar
disso, sabemos que, independentemente do pecado, o sofrimento é algo que faz e
fará sempre parte da vida do crente no Senhor Jesus Cristo. O sofrimento é
manifestamente inevitável e indispensável na via-sacra Cristã, pois “é preciso
passar muitos sofrimentos até entrar no reino de Deus” (Actos 14:22), razão
pela qual não temos qualquer receio ou medo de sofrer e encarámo-lo com
bastante fé e coragem, uma vez que maior é o que está em nós do que o que está
no mundo e nas adversidades que vamos enfrentando neste “vale
de lágrimas” (1 João 4:4). Por isso, “sofremos
em tudo dificuldades, mas não ficamos angustiados. Sentimos insegurança, mas
não nos deixamos vencer. Perseguem-nos, mas não nos sentimos abandonados.
Deitam-nos por terra, mas não nos destroem. Trazemos continuamente no nosso próprio
corpo o sofrimento mortal de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em
nós” (2 Coríntios 4:8-10). O sofrimento, importa ainda frisar,
não tem a palavra final na vida do Cristão. Os mensageiros de Satanás podem-nos
desferir vários golpes e sobretudo “espinhos
na carne”, levando-nos em casos limites a atravessar o “vale
da sombra da morte”, mas temos a certeza absoluta que o nosso Todo-poderoso
DEUS está e estará sempre connosco para nos auxiliar naquilo que eventualmente
precisamos para definitivamente triunfarmos, pois “muitas
são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas” (Salmo 34:19).
Somos mais que vencedores por Aquele que nos amou e “estamos
certos de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem
as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade,
nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em
Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:38-39). É nesta inabalável certeza de Fé que
vivemos, todos os dias, aguardando, sereno e pacientemente, a bem-aventurada
esperança eterna (Tito
2:13; Filipenses 3:20-21). Louvado seja DEUS agora e para todo o sempre. Que assim seja; e assim será com a imprescindível ajuda de DEUS.