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Ser Pobre ou Rico: Qual é o Caminho Certo Segundo o Cristianismo?


O título da nossa reflexão desta manhã é “Riqueza ou Pobreza?”. Trata-se de um tema particularmente relevante, à semelhança de muitos outros que temos vindo a estudar nesta revista e nas diversas publicações que têm servido de base ao nosso aprendizado ao longo dos anos. 

Todavia, quando abordamos a questão da riqueza e da pobreza, entramos num domínio que dificilmente reúne consenso absoluto. Cada indivíduo tende a construir a sua própria visão do mundo, desenvolvendo conceções, interpretações e perspetivas distintas acerca destes assuntos (LER)

A riqueza e a pobreza constituem temas recorrentes no contexto social e na vivência quotidiana. Desde cedo, os seres humanos são incentivados a procurar a prosperidade, a afastar-se da pobreza e a esforçar-se por alcançar uma situação económica mais favorável. De forma generalizada, convencionou-se que a riqueza é sinónimo de felicidade e que aqueles que possuem abundância material desfrutam, necessariamente, de uma vida melhor. 

Esta perceção encontra-se presente em praticamente todas as culturas. Existe a convicção de que quanto maior for a capacidade financeira de uma pessoa, maior será também o seu grau de felicidade. Tal entendimento decorre da ideia de que o dinheiro proporciona poder, e que esse poder permite alcançar objetivos e adquirir bens que, de outra forma, permaneceriam inacessíveis. É por essa razão que, desde a infância ou desde o momento em que começamos a desenvolver consciência de nós próprios, somos estimulados a trabalhar, a poupar e a procurar condições que nos permitam ascender social e economicamente. 

Até aqui, nada existe de intrinsecamente errado. É natural e legítimo que o ser humano procure melhorar as suas condições de vida, progredir e alcançar um patamar mais estável e digno. Contudo, existe um reverso da questão: quando essa procura é orientada por pressupostos equivocados ou por motivações desordenadas. Sabemos que a posse de bens materiais não constitui garantia absoluta de felicidade, de realização pessoal ou de superioridade moral. Embora a sociedade frequentemente promova essa ideia, ela revela-se profundamente ilusória. O dinheiro, por si só, não assegura paz interior, equilíbrio emocional, harmonia familiar nem amor verdadeiro. 

Por outro lado, a pobreza é frequentemente encarada como uma realidade exclusivamente negativa. Em determinadas circunstâncias, tal perceção possui fundamento. Quando uma pessoa vive privada do mínimo indispensável à sua subsistência, encontrando-se numa situação de pobreza extrema, estamos perante uma condição que compromete seriamente a sua qualidade de vida. Todo o ser humano deveria ter acesso a uma habitação digna, alimentação adequada, oportunidades de trabalho e, acima de tudo, cuidados de saúde. Sem estas condições básicas, muitas potencialidades permanecem por desenvolver e multiplicam-se os obstáculos à realização pessoal. 

A pobreza extrema constitui, de facto, uma ameaça à dignidade humana. Quem vive em condições de privação severa torna-se frequentemente mais vulnerável à exclusão, à dependência e à marginalização social. Deus não criou o ser humano para viver destituído de dignidade; pelo contrário, a própria dignidade pressupõe a existência das condições mínimas necessárias à sobrevivência e ao florescimento da pessoa. 

Contudo, como veremos através do ensino do Apóstolo Paulo, o verdadeiro mérito não reside nem na pobreza nem na riqueza. O mérito reside em Deus. Uma pessoa pode ser pobre e plenamente realizada, assim como pode ser rica e viver uma existência equilibrada e bem-sucedida, desde que a sua vida esteja firmemente alicerçada em Deus. O elemento decisivo não é a condição económica, mas a presença de Deus no coração e na conduta do indivíduo. 

Não obstante, na ânsia de alcançar riqueza, muitas pessoas tornam-se dominadas pela avareza e pela ganância. Quando alguém passa a considerar a acumulação de bens como o objetivo supremo da sua existência, corre o risco de ignorar princípios morais e espirituais para atingir esse fim. É precisamente por isso que, ao longo da história, se têm observado inúmeras fortunas construídas à custa de práticas eticamente condenáveis e moralmente reprováveis. 

A obsessão pela riqueza gera inevitavelmente conflitos, inquietações e múltiplas formas de sofrimento. Pelo contrário, quando vivemos no centro da vontade de Deus, deixamos de depender das coisas materiais para alcançar felicidade e passamos a fundamentar a nossa existência na relação com o Criador. 

Se eu perguntasse a cada um de vós se preferiria ser rico ou pobre, é provável que a maioria respondesse que gostaria de ser rica. E não existe qualquer mal nisso, desde que a riqueza seja procurada de forma honesta, legítima e em conformidade com os princípios divinos. O trabalho diligente, a competência, a disciplina e uma gestão prudente dos recursos podem conduzir ao sucesso material. Porém, o verdadeiro crente não vive obcecado pela riqueza; para ele, a prosperidade material é apenas uma consequência eventual, nunca a finalidade última da vida. 

O problema surge quando alguém passa a acreditar que a sua felicidade, a sua segurança e a sua paz dependem exclusivamente do dinheiro. Nesse momento, abre-se o caminho para a frustração e para a desilusão. 

O Apóstolo Paulo afirma, em 1 Timóteo 6, que «é grande ganho a piedade com contentamento». Esta declaração revela uma verdade profunda: a verdadeira riqueza consiste numa vida marcada pela piedade e pelo contentamento. Quando a fé é vivida de forma autêntica, produz uma riqueza espiritual incomparável, caracterizada pela paz, pela plenitude e pela harmonia interior – bens que nenhum património financeiro pode adquirir. 

Apóstolo Paulo recorda ainda que «nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele». Ao nascermos, chegamos de mãos vazias; ao partirmos desta vida, também nada levaremos connosco. Se possuímos alimento, vestuário e os recursos necessários para uma vida digna, já temos razões suficientes para cultivar a gratidão. Porém, aqueles que vivem consumidos pelo desejo de enriquecer acabam frequentemente por cair em tentações, armadilhas e desejos insensatos que conduzem à ruína espiritual e moral. A raiz de todos os males não é o dinheiro em si mesmo, mas o amor desordenado ao dinheiro. Em nome dele, muitos mentem, traem, corrompem-se, exploram os seus semelhantes e chegam até a destruir vidas. 

O dinheiro pode ser um excelente servo, mas é um péssimo senhor. O problema não está em possuir dinheiro, mas em permitir que o dinheiro possua o coração. Quando a riqueza se transforma no propósito fundamental da existência, o ser humano entra num caminho espiritualmente perigoso. 

Vivemos numa sociedade que, muitas vezes, se esquece de Deus, ama as coisas e utiliza as pessoas, quando deveria precisamente fazer o contrário: adorar a Deus, amar as pessoas e utilizar as coisas. O verdadeiro desafio não consiste na posse de recursos materiais, mas em impedir que a ganância domine o coração humano. É preferível possuir o suficiente para viver com serenidade, equilíbrio e consciência tranquila do que acumular grandes riquezas sem paz interior. Quando Deus ocupa o lugar central da nossa vida, o dinheiro torna-se um instrumento ao serviço do bem: para socorrer os necessitados, apoiar causas nobres e contribuir para a expansão do Reino de Deus. 

Por essa razão, ninguém pode servir simultaneamente a Deus e ao dinheiro. Onde estiver o nosso tesouro, aí estará também o nosso coração. O amor excessivo pelas riquezas tem levado muitos a afastarem-se da fé, da comunhão da Igreja e do caminho de Deus, passando a viver exclusivamente em função da acumulação material. 

Que Deus nos ajude a não “naufragarmos na fé” e a reconhecermos que a nossa verdadeira riqueza não se encontra nos bens transitórios deste mundo, mas na pessoa do Senhor Jesus Cristo, na Sua Palavra e no Seu glorioso Evangelho. Que assim seja.  

Profissão de Fé


Sou, por natureza, desde a mais tenra idade, uma pessoa manifestamente optimista (ALI) e (AQUI). Encarno o optimismo praticamente em tudo o que idealizo e traduzo em prática. Norteio-me nas minhas opções de escolhas diárias pelo optimismo, mesmo naquelas situações mais adversas em que não se vislumbra humanamente o sucesso e a ultrapassagem. O optimismo faz parte da minha mundividência e cardápio do dia-a-dia. Vivo holisticamente o optimismo em todos os domínios, situações, dimensões e circunstâncias da minha convivência com DEUS e o próximo. Diria mesmo que, em última instância, o optimismo é o meu substrato identitário. Nunca fui uma pessoa carrancuda, mal-humorada, depressiva e pessimista – longe de mim tais atrofiamentos humanos! Por isso, passo os meus dias sempre alegre, sorridente, contente e bem-disposto, procurando aplacar, na medida do possível, eventuais instintos de fracasso que vão minando pontualmente a nossa mente (LER)

Esta minha forma optimista de encarar a vida é profundamente influenciada pela fé Evangélico-Cristã que comungo, ou melhor, é indubitavelmente o resultado dela. Sou, tal como alguns certamente saberão, um devoto Cristão, Evangélico e Baptista-tradicional, alicerçado ideologicamente na Doutrina Social da Igreja (LER). E para nós, os Cristãos, tudo o que acontece nas nossas vidas – quer sejam coisas boas ou aparentemente más – “contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28), razão pela qual damos sempre graças em tudo, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para connosco (1 Tessalonicenses 5:18). 

E mais, importa ainda salientar, o Cristão está plenamente habilitado para auto-realizar-se com aquilo de que dispõe, mesmo que seja pouco, pois sabemos perfeitamente viver na pobreza e também na riqueza. Aprendemos a viver em toda e qualquer situação: a ter fartura e a ter fome, a ter em abundância e a não ter o suficiente. Podemos enfrentar todas as dificuldades naquele que nos fortalece (Filipenses 4:11-13). Sim, consigo afirmar sem qualquer tipo de rodeios ou hesitação, posso todas as coisas em Cristo que me fortalece diariamente e de forma ininterrupta. Amém. 

É, justamente, por tudo isto, que um autêntico Cristão não tem motivos concretos para não ser uma pessoa reconciliada, bem-sucedida, realizada e feliz tanto nesta vida como no porvir. E julgo que, como filho de DEUS que sou, e sem qualquer tipo de presunção, encarno pela fé todos estes sublimes ideais, valores e virtudes do Evangelho na minha vida. Que assim seja pela graça de DEUS. E assim sempre será. 

May God Give You...


“May God give you...
For every storm, a rainbow,
For every tear, a smile,
For every care, a promise,
And a blessing in each trial.
For every problem life sends,
A faithful friend to share,
For every sigh, a sweet song, 
And an answer for each prayer.” (LER).

Whenever There Is Happiness...


“Whenever there is happiness 
Hope you’ll be there too, 
Wherever there are friendly smiles 
Hope they’ll smile on you, 
Whenever there is sunshine, 
Hope it shine especially for you 
to make each day for you 
as bright as it can be.” (LER).

O Caminho Que Conduz à Felicidade Eterna



Partilho aqui, mais uma vez, a minha pregação no domingo passado na Igreja Evangélica Baptista da Amadora, sob o tema “O Caminho Que Conduz à Felicidade Eterna” (LER), baseado no texto sagrado do Salmo 1:1-6. Tenha um bom proveito na auscultação. 

O Que é a Felicidade?


A pergunta é bastante sugestiva e pertinente nos ansiosos, conturbados e depressivos dias que correm. Definir a felicidade é uma tarefa complicadíssima, visto que não é uma questão assim tão nítida e linear de abordar. Ela remete-nos concomitantemente para várias considerações dogmáticas, nomeadamente etimológicas, filosóficas, religiosas e culturais, para assim podermos holisticamente aferir com precisão o seu verdadeiro substrato axiológico. Apesar de todas essas diversas formulações e mundividências subjacentes em torno dela, é um facto universalmente assente e manifestamente incontestável que todas os seres humanos à face da Terra almejam e buscam afincadamente a felicidade como supremo bem, mesmo desconhecendo, na generalidade de situações, no que ela realmente consiste ou as vias mais correctas de encontrá-la. Esta legítima aspiração é notória na ênfase e primazia que as pessoas incansavelmente vão dando à felicidade no seu quotidiano, desdobrando-se no domínio pessoal, afectivo-amoroso, familiar, relacional, literário, musical, profissional, político e governativo. A felicidade faz parte do cardápio indispensável do ser humano. Sem ela a vida seria completamente monótona e não faria qualquer tipo de sentido, razão pela qual é a legítima meta de todos os seres humanos. 

Do ponto de vista etimológico, a felicidade é associada ao estado de quem anda feliz, abarcando adjectivos como sorte, boa fortuna, êxito, contentamento, satisfação, realização e o bem-estar do individuo. Estes valores antropológicos conjugados ganham um peso relevantíssimo na globalidade dos seres humanos. Acontece que, por razões cognoscíveis, o enquadramento da felicidade no âmbito filosófico ultrapassa esta mera definição, máxime no pensamento classicista de Sócrates, Platão e Aristóteles, respectivamente. Na doutrina socrática, a que se pode extrair nos escritos dos seus discípulos Xenofonte e Platão, parte da premissa utilitarista para definir o conceito da felicidade, precedendo neste importante debate as concepções filosóficas de Epicuro, Jeremy Bentham e John Stuart Mill. Este, sobretudo, já no século XIX, definia o utilitarismo como sendo “a doutrina que aceita como fundamento da moral a utilidade, ou o princípio da maior felicidade, defende que as acções são correctas na medida em que tendem a promover a felicidade, e incorrectas na medida em que tendem a gerar o contrário da felicidade. Por felicidade entendemos o prazer, e a ausência de dor; por infelicidade a dor, e a privação de prazer[1].  O Professor Miguel Nogueira de Brito considera que é possível identificar pelo menos quatro propostas para definir o que seja utilidade, ou o bem-estar das pessoas. De acordo com a primeira dessas propostas, e talvez a mais influente, “o bem-estar consiste na experiência ou sensação de prazer. Uma segunda forma de definir utilidade recusa a orientação hedonista e, em vez disso, aceita que uma experiência recompensadora pode não ser necessariamente fonte de prazer. Uma terceira opção, talvez a mais difundida entre os filosóficos que se reclamam utilitaristas, consiste na definição da utilidade em termos da satisfação de preferências. Nesta perspectiva, aumentar a utilidade das pessoas significa satisfazer as suas preferências, sejam elas quais forem. A quarta forma de conceber a utilidade: trata-se daquela que procura resolver o problema das falsas preferências através da definição do bem-estar como a satisfação das preferências racionais ou informais[2]

Comungando holisticamente do eudemonismo, Sócrates vai resumindo que o que importa é a felicidade de todos e não a individual, tratando-se em última instância da do sábio. Um entendimento igualmente defendido por Platão, nas suas construções doutrinárias, ainda com maior alcance. Este, de forma subsumida, associa e identifica a felicidade com o bem e o prazer como sendo conceitos interligo-determinados e redutos últimos da verdadeira felicidade. Aristóteles, por sua vez, discorda parcialmente com esta mundividência de Platão em que a ideia do bem tomado como modelo não é modelo de coisa alguma, uma vez que o bem em si, mesmo tendo por objecto tornar conhecidas as diferentes formas de bens concretos, não passa de uma ideia indeterminada do bem. Nesta ordem de ideias, define a felicidade como actividade da alma de acordo com a virtude mais perfeita do homem. Ainda na mesma esteira do pensamento, segundo a obra conjunta de Caillé, Lazzeri e Senellart que cita Ética Nicómaco de Aristóteles, “o homem deve descobrir o que constitui a sua tarefa, aquilo que o visa e lhe diz respeito em supremo grau. Tal descoberta constitui o facto da ciência política. Tal ciência, soberana e dirigente possui por objecto o bem próprio do homem, bem idêntico para o individuo e para a cidade, mas mais perfeito quando atingindo e perseverado por toda uma cidade. A procura da felicidade adquire, pois, de imediato uma índole colectiva e política (…) É vivendo com os outros que o homem pode ser feliz”[3], encerrava advertidamente. 

Em relação à mundividência religiosa, máxime nas três grandes religiões monoteístas, nomeadamente no Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, a felicidade transcende o comummente raio antropológico. Só é feliz nestas três religiões quem obedece aos cânones divinos pré-estabelecidos por ambas as denominações religiosas. O Judaísmo centraliza parte da sua adoração na Torah, que resumidamente se encerra em dez mandamentos outorgados pelo Patriarca Moisés (Êxodo 20:1-17). Cabe, por sua vez, a todos os fiéis, pôr escrupulosamente em prática a Lei de DEUS nos seus corações, afastando-se de qualquer tipo de mal, pois “feliz o homem que não segue o conselho dos maus, não se detém no caminho dos pecadores, nem toma parte na reunião dos provocadores! Antes põe toda a sua alegria na lei do Senhor e nela medita de dia e de noite. Ele é como uma árvore plantada à beira da água corrente, que dá o seu fruto na estação própria e cujas folhas não murcham. Em tudo o que faz é bem-sucedido”, exortava peremptoriamente o salmista para esboçar a ideia da felicidade no judaísmo (Salmo 1:3; 119:1-3). 

O Cristianismo parte deste postulado teológico, no entanto vai reinterpretando harmoniosamente o conceito teleológico da Lei, demonstrando que a justificação do Homem (a felicidade suprema, bem entendido) é unicamente pela Graça Redentora de DEUS, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo (Efésios 2:8-10), diferentemente do entendimento do Judaísmo. Para que serve então a Lei no Cristianismo? A Lei, de acordo com o Apóstolo Paulo, servia “para mostrar aquilo que é contra a vontade de Deus. E só devia durar até que viesse aquela descendência, a quem a promessa se destinava. (…) Dessa maneira, a lei foi a nossa educadora, até que viesse Cristo, a fim de sermos justificados por meio da fé. Agora que veio o tempo da fé, já não estamos sujeitos à lei como nossa educadora, visto que pela fé que nos une a Jesus Cristo somos filhos de Deus. Com efeito, todos os que foram baptizados em Cristo revestiram-se das qualidades de Cristo” (Gálatas 3:19; 24-26). Um entendimento também reforçado em toda a epístola aos Romanos. A fé no Senhor Jesus Cristo, ancorada na Graça Soteriológica, é o único meio para o Homem usufruir plenamente das Bem-aventuranças eternas (vide, por todos os exemplos bíblicos, o grande Sermão do Monte do Senhor Jesus em Mateus 5:1-12 onde estas grandes verdades foram manifestamente proclamadas). E isto se evidencia, em última instância, na Lei do Amor (1 Coríntios 13:1-13), que consiste em amar a DEUS acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Destes dois mandamentos, admoestava firmemente o Senhor Jesus, dependem toda a lei e os profetas (Mateus 22:37-40; Marcos 12:30-31; Lucas 10-27-28)

Ao contrário do Judaísmo e o Cristianismo o Islão exorta os seus fiéis a esforçarem-se a fazer a Jihad[4] e a Sharia[5]. Para superar as forças dos ímpios pode ser necessário lançar mão da jihad contra os infiéis, o que por sua vez pode significar recorrer à “guerra santa”. O martírio está na essência do estado de pureza religiosa e felicidade. Como afirmava Hassan al-Banna, fundador e líder da Irmandade Muçulmana, assassinado em 1949, para ilustrar este postulado: “o Corão é a nossa constituição, o Profeta é o nosso guia; a morte em nome da glória de Alá é a nossa maior ambição”[6]. O principal objectivo de todas as acções humanas, escreve ainda Manuel Castells e reconfirmado por Hans Küng na sua emblemática obra “Islão”, deve ser o estabelecimento da lei de Deus para toda a humanidade, colocando assim um ponto final na actual oposição entre Dar al-islam (o mundo muçulmano) e Dar al-Harb (o mundo não muçulmano). Verificado este processo "natural” de harmonização deixa automaticamente de haver subjectividade e tudo se passa a desenrolar por meio da umma[7]: o individuo torna-se parte da comunidade dos fiéis, um mecanismo básico de igualdade que oferece apoio mútuo, solidariedade e significados compartilhados. Tudo isto fundando-se com base na Sharia, que prevalece sobre a ideia do Estado-Nação e vincula toda a comunidade muçulmana, que aguarda determinadamente a devida recompensa na glória por ter honrado este ditame religioso. 

No âmbito cultural a concepção da felicidade acaba por ser praticamente idêntica em todas as culturas e os povos do mundo, registando apenas algumas nuances. A base da felicidade prende-se, mormente, por ser portador de uma boa saúde, educação, honrar os pais, ter uma boa formação profissional, um bom emprego que lhe habilite a possuir riquezas materiais, casar com uma pessoa bem-sucedida e construir com ela uma família estável, tendo inclusive filhos saudáveis e bem-aprumados nessa união matrimonial. A partir do momento que uma pessoa consegue preencher estes pressupostos convencionais, ela é automaticamente vista e considerada como sendo feliz. A felicidade acaba assim por ser entendida e esgotada, em todas as dimensões culturais, com a exterioridade do ter, isto é, ter saúde, ter formação/profissão, ter trabalho, ter família, ter filhos, ter poder, ter riqueza e ter uma vida desafogada, ter sucesso, etecetera. Justamente por isso, levando à letra esta máxima, todo o mundo luta incansavelmente para ter o poder, a riqueza, a glória e a fama, uma vez que todos os outros “teres” advêm destes efémeros atributos humanos. 

Da nossa parte, como devotos Cristãos que somos, comungamos plenamente com o conceito da felicidade do Cristianismo. A maior felicidade que uma pessoa pode ter durante a sua peregrinação neste tenebroso mundo é crer resolutamente no Senhor Jesus Cristo (Actos 16:31), e procurar diariamente ajustar a sua transitória vida aos impolutos mandamentos do Todo-Poderoso DEUS (Actos 26:20). Entendemos ainda que a felicidade vai muito mais além de que qualquer tipo de exterioridade, aparente sucesso social ou a ideia de um mero prazer passageiro, tal como é erradamente enfatizado no nosso mundo pós-moderno. Ela é, sem dúvida, um estado de alma. Há muitas pessoas afortunadas e com grandes sucessos sociais, mas, mesmo assim, destituídas da verdadeira felicidade, vivendo atormentadas, depressivas, desorientadas e completamente infelizes. Têm uma vida totalmente oca, triste e miserável. Outras, pobres, sem qualquer tipo de conforto material, são genuinamente felizardas. Um autêntico paradoxo, não é? Tudo isto para vincar que a felicidade não tem propriamente que ver com o “ter” ou com a falsa ideia do prazer imediato, mas sim com o “ser”. É no “ser”, aquilo que realmente somos, na nossa simplicidade de ver e encarar a vida, que a felicidade se manifesta com toda a sua força e vigor, porque ela é de interioridade e habita unicamente na interioridade da pessoa. Saber, acima de tudo, conviver e conformar-se com aquilo de que dispomos. Sermos realistas nas nossas abordagens e legítimas expectativas de vida, especialmente saber valorizar as pequenas coisas. Cultivar a gratidão pela vida e tudo aquilo que ela nos vai proporcionando – quer sejam coisas boas e más, uma vez que a felicidade consiste sobretudo neste binómio. Ser, igualmente, humildes, virtuosos, amorosos, solidários e pensar sempre no bem do próximo, bem como nunca se cansar de praticar boas acções. Afastar do mal e praticar sempre o bem, buscando a paz e reconciliação com tudo e todos à nossa volta. Eis, de forma abreviada, a definição e receita para a verdadeira felicidade. 



[1] John Stuart Mill, in Utilitarismo, p. 50 e 51, Editora, Gradiva, Lisboa, 2005.
[2] Miguel Nogueira de Brito, “As Andanças de Cândido [Introdução ao Pensamento Político do século XX, p. 19 e 20, Edições 70, Lisboa, 2009.
[3] História Crítica da Filosofia Moral e Política, p. 73, Editorial Verbo, Lisboa/São Paulo, 2005.
[4] Palavra que na sua raiz etimológica significa empenho, consubstanciando a luta interior e exterior em nome de Alá.
[5] Legislação – o primado da lei islâmica face a qualquer tipo de Direito.
[6] Manuel Castells, O Poder Da Identidade [A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura], Fundação Calouste Gulbenkian, 2007, p. 14.
[7] Comunidade de fiéis, em que todos são iguais na sua submissão perante Alá. 

O Que é a Felicidade?


A pergunta é bastante sugestiva e pertinente nos ansiosos, conturbados e depressivos dias que correm. Definir a felicidade é uma tarefa complicadíssima, visto que não é uma questão assim tão nítida e linear de abordar. Ela remete-nos concomitantemente para várias considerações dogmáticas, nomeadamente etimológicas, filosóficas, religiosas e culturais, para assim podermos holisticamente aferir com precisão o seu verdadeiro substrato axiológico. Apesar de todas essas diversas formulações e mundividências subjacentes em torno dela, é um facto universalmente assente e manifestamente incontestável que todas os seres humanos à face da Terra almejam e buscam afincadamente a felicidade como supremo bem, mesmo desconhecendo, na generalidade de situações, no que ela realmente consiste ou as vias mais correctas de encontrá-la. Esta legítima aspiração é notória na ênfase e primazia que as pessoas incansavelmente vão dando à felicidade no seu quotidiano, desdobrando-se no domínio pessoal, afectivo-amoroso, familiar, relacional, literário, musical, profissional, político e governativo. A felicidade faz parte do cardápio indispensável do ser humano. Sem ela a vida seria completamente monótona e não faria qualquer tipo de sentido, razão pela qual é a legítima meta de todos os seres humanos. 

A Força da Felicidade


As crianças africanas são pobres, mas felizes. Um autêntico exemplo de que se pode ter uma vida bem-sucedida e ditosa, sem possuir quaisquer riquezas materiais. O “ser” e o “ter” são termos completamente diferentes. A pureza, a inocência, o amor, a humildade, o carácter, a alegria e a felicidade vão muito além dos bens que dispomos ou ostentamos no dia-a-dia. Tais excelentes virtudes humano-sociais encarnam-se na simplicidade da alma e na forma positiva de encarar os elevados desafios da vida. 

O Livre-Arbítrio e as suas Implicações Práticas


Abordar a complexa temática do livre-arbítrio tem muito que se lhe diga. O seu significado etimológico e filosófico-teológico encerra diversos conceitos em simultâneo, passíveis de várias interpretações, tais como a autonomia, o juízo, a sorte, a liberdade e a responsabilidade. É um assunto de bastante especulação em toda a parte – tanto a nível religioso como secular. 

Concebo humildemente o livre-arbítrio dentro dos insondáveis parâmetros da soberania de DEUS, que tudo ordena, coordena e sustenta no universo criado pelas obras das Suas mãos, que em última instância remete-nos para o Seu imaculado propósito no mundo. O livre-arbítrio do Homem é completamente condicionado e submetido à manifesta vontade Divina. É nestas indubitáveis formulações que entendo e desenvolvo a liberdade individual de cada ser humano, independentemente da sua raça, condição de vida ou estatuto social. 

Ao longo da nossa peregrinação neste “Vale de Lágrimas” somos destinados a fazer grandes opções de escolhas: umas fáceis e outras bem mais difíceis, exigindo sempre de nós cuidado, ponderação e discernimento no momento de preferi-las. Somos humanamente produto das escolhas diárias que vamos acumulando no nosso currículo de vida, que por sua vez contribuem decisivamente para o binómio da nossa felicidade ou infelicidade. Decidimos a nossa dieta alimentar, os amigos que queremos ter, o curso que tencionamos tirar, o parceiro ou a parceira que gostaríamos que vivesse definitivamente connosco, o número de filhos que vamos ter, a cidade que queremos residir, etc. E fazemos tudo isto em conjugação com o estilo de vida que pretendemos perfilhar, sem qualquer coacção de terceiros, em situações normais. Todas essas eleições têm reflexos bastante importantes na nossa personalidade, máxime na forma de encararmos a vida na sua multiforme configuração antropológica. 

Com as boas escolhas estamos naturalmente a atrair o êxito e o bem-estar à nossa vida, sem precisarmos de fazer grandes esforços para que tal se processe. Diferentemente, quando preferimos as más opções estamos forçosamente a atrair inevitavelmente o infortúnio, o fracasso e a infelicidade. Obviamente que a vocação de todos os seres humanos à face da Terra é alcançar a plena felicidade e usufruir dela sem qualquer tipo de constrangimentos. Acontece que, por vicissitudes várias, a realidade prática tem-nos demonstrado o contrário. Nem sempre o Homem consegue chegar à felicidade devido às más escolhas que vai acumulando, influenciado especialmente pelo caminho do facilitismo, materialismo, egocentrismo e superficialismo, que não têm suporte suficiente para proporcionar uma vida feliz e bem-sucedida, tal como todos os seres humanos almejam.