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A PALAVRA DO SENHOR (39): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


 “Durante três meses, Paulo ia à sinagoga e lá falava com toda a convicção, procurando convencê-los acerca do reino de Deus. Mas alguns mostravam-se renitentes, não acreditavam e diziam mal do Caminho do Senhor diante da multidão. Então Paulo separou-se deles e passou a reunir-se com os discípulos na escola de um homem chamado Tirano, onde pregava e ensinava todos os dias. Fez isto durante dois anos, de modo que todo o povo que morava na região da Ásia, tanto judeus como não-judeus, ouviram a palavra do Senhor. 

Deus fazia milagres extraordinários por meio de Paulo. Até levavam os lenços e as roupas que Paulo tinha usado, para com eles tocarem nos doentes, e eles ficavam curados das doenças que tinham e os espíritos maus saíam deles.  Alguns judeus que andavam de terra em terra a expulsar espíritos maus quiseram usar o nome do Senhor Jesus para expulsar os espíritos maus dos doentes e diziam aos espíritos: «Em nome de Jesus, aquele que Paulo anuncia, ordeno-vos que saiam!» Entre os que andavam a fazer isto havia sete filhos de um judeu chamado Escevas, que era chefe dos sacerdotes. Mas um espírito mau respondeu-lhes: «Conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas vocês, quem são?» Então o homem possuído do espírito mau atirou-se a eles, bateu-lhes tanto que eles tiveram de fugir daquela casa muito feridos e quase nus. Todos os que moravam em Éfeso, judeus e não-judeus, souberam disto e ficaram cheios de medo. O nome do Senhor Jesus tornou-se mais respeitado ainda. Então muitos dos que passaram a crer no Senhor proclamavam a sua fé e confessavam o mal que tinham feito. Muitos daqueles que praticavam bruxarias juntaram-se e levaram os seus livros para os queimarem à vista de todos. Calculou-se o valor dos livros queimados em cinquenta mil moedas de prata. Era assim que com o poder do Senhor a sua palavra se espalhava e fortalecia cada vez mais[1]”. 



[1] (Apóstolo Paulo, in A Bíblia Sagrada, Actos dos Apóstolos 19:8-20, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004). 

Aniversário do Baptismo

Faz hoje precisamente dezasseis anos que desci às águas para ser baptizado (LER). Tinha na altura 22 anos de idade e já com bastantes andanças na fé Evangélico- Cristã. Aliás, em abono da verdade, desde a mais tenra idade que ininterruptamente frequento a Igreja até aos dias de hoje. Espero, com a graça Divina, continuar assim para o resto da minha vida. 

Nasci na Igreja. Cresci na Igreja. Comungo na Igreja. E desenvolvo-me no seio da Igreja. Sou membro e parte integrante da Igreja. Faço parte da Igreja no passado, no presente e assim será no futuro e para toda a eternidade. Não vejo a minha vida fora dos muros e horizontes da Igreja do Senhor Jesus Cristo. Tudo o que sou hoje e vou ser no futuro deve-se e dever-se-á sempre aos grandes Princípios e Valores que aprendi na Igreja. A minha educação é moldada pelos nobres ensinos que recebi na Igreja. Da mesma forma, a minha mundividência e forma de encarar os elevados desafios da vida são profundamente influenciados e arreigados pela Doutrina da Igreja. Sou definitivamente um filho da Igreja do Senhor Jesus Cristo, redimido pelo Seu sacrifício expiatório na Cruz do Calvário, não obstante as minhas incapacidades, fragilidades, limitações, incongruências, falhas e pecados que tenho como miserável ser humano que sou, neste longo percurso em que estou inserido com os demais irmãos Cristãos para a Terra Prometida. 

Agradeço penhoradamente a todos aqueles que, de forma directa e indirecta, o Espírito Santo usou poderosamente para me conduzir para os caminhos do Evangelho, bem como doutrinar-me com a verdade da salvação, dando-me assim a requerida consistência na Fé no Senhor Jesus Cristo, nomeadamente a minha família, os pastores, os professores, os irmãos e irmãs de várias denominações Cristãs. A todos, sem excepção, o meu eterno obrigado. A DEUS, por meio do Senhor Jesus Cristo, seja dada todo o poder, a honra, a glória e o louvor para todo o sempre. Que assim seja. 

Liberdade Para Pensar


Eu no meu reduto de isolamento, ou melhor, casulo de protecção – a minha aconchegante e inspiradora biblioteca. É aqui, no meu “admirável mundo novo”, que me inspiro e produzo todas “As Verdades” que vou partilhando nos mais diversos fóruns de interacção (LER)


Este espaço, “As Verdades”, completa hoje quinze anos desde a sua criação. Quinze ininterruptos anos de reflexão sobre os mais variados assuntos do nosso mundo coevo. Quinze intensos anos de muita adrenalina, introspecção, interacção, partilha e libertação. Quinze anos a exortar reiteradamente sobre os privilégios da graça soteriológica de DEUS e a realidade da Igreja do Senhor Jesus Cristo no “presente século mau”. Quinze anos a dar intrepidamente testemunho da fé, proclamando a Boa Nova da Salvação. Quinze anos a espalhar para todos os cantos “o bom perfume de Cristo”, procurando diariamente ser “sal e luz do mundo”, tal como nos instam as Escrituras Sagradas (2 Coríntios 2:15; Mateus 5:13-14). Quinze anos a combater o bom combate da fé. Quinze anos a pensar nos dramas que afectam drasticamente a Guiné-Bissau, a África e a Humanidade em geral. Quinze anos a denunciar as imoralidades, as injustiças, as arbitrariedades, os abusos, as opressões e o despotismo. Quinze anos a enaltecer e a promover efusivamente os sublimes valores da paz, amor, harmonia, perdão, reconciliação, solidariedade, amizade e fraternidade. Quinze anos a pensar pela minha própria cabeça, sem pedir licença a ninguém e tão pouco deixar-me condicionar ou subordinar por terceiros. São autênticos quinze anos de total independência, autonomia, isenção, convicção e liberdade. Liberdade para pensar e tomar partido daquilo que entendo ser o mais justo, norteando-me sempre pelos nobres Princípios e Valores Cristãos que me foram incutidos desde tenra idade. Sou bastante fiel à minha educação e profissão de fé que comungo (AQUI) (ALI)

Escrevo apenas porque gosto de dar a conhecer aquilo que são as minhas preferências e convicções ideológicas. Jamais tenciono, naquilo que vou escrevendo, ganhar simpatia de terceiros e, muito menos, desdobrar-me em desvelos alimentados por uma mercenária ânsia de legitimação secular – longe de mim tais torpezas! A única simpatia e aprovação que procuro quotidianamente, nas minhas acções, é a do meu Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele é a razão primeira e última da minha vida. Ele é a Verdade de todas as verdades, porque toda a verdade provém e é fundada Nele. Por isso, queiramos ou não, “nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade, sustentava o Apóstolo Paulo (2 Coríntios 13:8). “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32), encerra peremptoriamente o próprio Senhor Jesus Cristo. Sim, somente a Verdade do Senhor Jesus Cristo libertar-nos-á para sempre. 

Louvo imensamente ao meu Eterno e Todo-Poderoso DEUS por me ter conferido o dom de escrever, bem como a disponibilidade mental suficiente para poder reflectir sensatamente sobre os vários temas que vou partilhando aqui e também nas outras plataformas de interacção. A minha penhorada gratidão por tudo. 

Aos que sempre me acompanharam nesta incompreensível odisseia, aos que me lêem com frequência, aos que me apoiam incondicionalmente, estamos todos de parabéns. Fechou-se ontem um ciclo e começa um novo hoje. Até aqui nos ajudou o SENHOR. A ELE toda a Glória pelos séculos dos séculos. Que assim seja. E assim sempre será. 

Uma Outra Dimensão de Fazer Missões


Nos últimos séculos os Biblistas, Exegetas, Teólogos, Evangelistas e Missionários, de todas as denominações Evangélico-protestantes, têm-se desdobrado num esforço incomensurável para traçar um paradigma expansionista e bem eficaz sobre as Missões. Esta realidade veio ganhar uma enfâse mais acentuada com o surgimento dos movimentos carismático-pentecostais nos finais do séc. XIX, catapultando um boom bastante acentuado a nível da aderência massiva à regeneradora mensagem do Evangelho, máxime dos sectores mais desfavorecidos e humildes da sociedade que, até então, não se reviam tanto no protestantismo elitista dos círculos mais tradicionais da Reforma Protestante. Acontece que, por vicissitudes supervinientes, de forma subsumida, convencionou-se teologicamente a partir daí, até à data presente, um conceito tripartidário de Missões que consiste em orar, enviar missionários para o campo e consequentemente sustentá-los. Numa primeira fase este paradigma metodológico funcionou, tendo em conta o impulso galopante do pentecostalismo a partir dos EUA e as mobilizadoras campanhas evangelísticas de Billy Graham (LER), estendendo-se poderosamente a todos os continentes, levando milhares e milhões de homens e mulheres a aderirem a Boa Nova da Salvação. 

No entanto, com o avanço da ciência e da tecnologia pós-revolução francesa que, por sua vez, contribui decisivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e da esperança média de vida, a sociedade secularizou-se e, em consequência disso, a Fé foi preterida (LER). O Homem presunçosamente usurpou o consagrado lugar do Divino, arrogando-se “deus” do seu próprio destino e com todas as implicações sociais que isto representa na forma de conceber a religião e a vida no seu todo. Por outras palavras, preferiu mais confiar nas falsas promessas científicas e refugiar-se exclusivamente nelas do que propriamente na soteriológica mensagem do Evangelho. Perante este novo desafio do “presente século mau” esperava-se, por parte das Igrejas e Cristãos em geral, uma resposta teológica firme com vista a mudar este niilismo obscurantista. Não é, entretanto, para infelicidade nossa, o que tem estado a acontecer.   As Igrejas têm infelizmente descurado deliberadamente outras importantes facetas da “Grande Comissão” (LER) que envolve sobretudo a santidade da vida Cristã e o imperativo de ser “sal e luz do mundo”

Por isso, o Cristianismo está a enfrentar uma grande crise de fé que, por sua vez, está a afectar consideravelmente o seu desempenho missionário – tanto a nível interno como externo. Ali, o problema prende-se mais com a descaraterização e desestruturação da família no seu todo que se vai consubstanciando despudoradamente em casamentos mistos, o cancro do divórcio e a realidade de famílias monoparentais, somando ao défice de obreiros e a falta de autoridade ministerial dos líderes e pastores, a rivalidades inter-denominacionais, a desunião no seio das Igrejas, o liberalismo teológico e a sonolência espiritual dos crentes (LER). Aqui, a nível externo, a dificuldade tem mais que ver com o relativismo social, fundado no falso pretexto do “avanço civilizacional”, o secularismo materialista e o ateísmo aversivo a qualquer tipo de conceito religioso (LER). Todas essas realidades conjugadas acabaram por ter fortes repercussões no dinamismo das Igrejas, fazendo com que haja uma estagnação no avanço do Cristianismo no mundo e particularmente no Ocidente. No Velho Continente e também na América do Norte tem havido uma forte retracção na conversão de almas ao Cristianismo, mormente um desvio considerável dos crentes da Igreja. No Médio Oriente, e nalguns pontos da Ásia, bem como no Norte da África, regiões do Sahel, e pacífico, tem havido uma implacável perseguição da Igreja, mesmo assim as portas do inferno não têm prevalecido contra ela (Mateus 16:18). O Reino de DEUS continua a avançar poderosamente nestes hostis territórios, especialmente no Sul da América e na generalidade dos países africanos (LER)

Apesar deste saldo tangencialmente positivo a nível do crescimento do Cristianismo no mundo, o cenário poderia ser bastante melhor. É impreterível, a nosso ver,  as Igrejas formularem uma outra dimensão de fazer Missões que passa, desde logo, em consolidar melhor o conceito tripartidário de Missões supramencionado e reajustá-lo da melhor forma possível a realidade secularista vigente, mediante uma entrega incondicional à nobre causa do Evangelho e a santidade da vida Cristã. Não se pode conformar meramente em orar, enviar missionários para o campo e sustentá-los. (1) É preciso, acima de tudo, que os missionários sejam bem formados do ponto de vista de carácter e na qualificação teológica para assim santificarem em seus corações a Cristo como Senhor; e estando sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que lhes pedir a razão da esperança que há neles (1 Pedro 3:15)

(2). As igrejas devem também consciencializar-se da imprescindível virtude da unidade Cristã e vivenciá-la no seu testemunho quotidiano. A unidade dos Cristãos é um factor importante e decisivo para atrair os não crentes para o Evangelho. Não é por acaso que o Senhor Jesus Cristo na Sua Oração Sacerdotal teve o cuidado de focar a unidade dos crentes como o motor fundamental na conquista dos ímpios: “para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um, em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21). O cumprimento da Grande Comissão exige a unidade de todos os crentes na fé, a fim de lutarmos todos juntos na aproclamação do Evangelho da Salvação. 

(3). Entendemos, da mesma sorte, que é preciso reformular os caducos e sectários planos cooperativos, que basicamente se restringem redutoramente ao âmbito inter-denominacional (fruto de protagonismos denominacionais e guerrinhas desnecessárias) e apostar mais num robusto plano extra denominacional a nível de Missões, “porque quem não é contra nós, é por nós” (Marcos 9:40). E mais, tal como inspiradamente formulava o Apóstolo Paulo, “contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade” (Filipenses 1:18). Cultivar sempre a santidade da vida Cristã mediante o amor altruísta e uma entrega incondicional à nobre Causa do Evangelho, sem prejuízo de orar sem cessar ao Senhor da seara para que ELE mande mais trabalhadores para a sua gigantesca colheita [Mateus 9:38] (LER)

Pondo em marcha estes salutares pressupostos teológico-missionários, não há margem para dúvidas que a Igreja estará à altura de anular todas esses diabólicos ateísmos secularistas que estão a devastar o mundo inteiro, condenando-o para o inferno. Para isso, mais do que nunca, é preciso materializar uma outra dimensão de fazer Missões, tal como acabámos de formular. Que DEUS realmente nos abençoe e nos ajude a todos nesta grande e privilegiada Missão Divina de levar a Boa Nova da Salvação para o mundo perdido. Que assim seja. E assim sempre será pela fé no Nome Bendito do Senhor Jesus Cristo. 

A Importância das Missões na Dinâmica da Igreja


A Igreja não faz sentido sem encarnar as Missões na sua agenda quotidiana. Elas fazem parte fundamental da vitalidade de qualquer Igreja. Mede-se inequivocamente a saúde espiritual de uma Igreja na maneira como concebe e encara as Missões. São um barómetro infalível para aferir na íntegra o grau da espiritualidade de uma igreja local. Uma Igreja que descura as Missões torna-se vulnerável e fica bastante aquém daquilo que é o seu substrato identitário. Corre, por isso, sérios riscos. É um manifesto sinal que está contaminada por um miasma obstrutivo e consequentemente condenada ao fracasso. Vive insensivelmente na sua autocomplacência, saturada e fora dos imaculados propósitos Divinos. Isto porque não se pode falar de igrejas salutares sem falar de Missões e vice-versa. As duas realidades fazem parte do plano da redenção, razão pela qual as Missões são extremamente importantes na dinâmica e crescimento da Igreja. 

Sabemos, pela realidade prática, que a generalidade das igrejas nos dias que correm não fazem Missões. Não estão minimamente preocupadas com elas. Têm outras prioridades que não as de anunciar o Evangelho da Salvação. São completamente insensíveis à Evangelização e Missões. Tal incongruência deve-se a vários factores conjugados. Desde logo, o desleixo, a impreparação e o descompromisso por parte das lideranças das igrejas, influenciando assim negativamente os restantes membros. E estes, por sua vez, não sabendo gerir bem essas graves lacunas acabam por enveredar na superficialidade da espiritualidade, resvalando nos pecados da hipocrisia, indolência, inveja, murmuração, preconceito, segregação, heresia, maquinação e desunião, etc. Ora, todos esses malefícios desviam o foco primordial dos crentes e obstaculizam consideravelmente a acção missionária e o crescimento da Igreja, tendo contornos preocupantes na promoção e propagação do Evangelho. Nunca foi tão urgente remirmos o tempo, tal como nos tenebrosos dias de hoje. Os dias são, de facto, maus (Efésios 5:16)

A Igreja é chamada a fazer Missões, bem como a crescer e multiplicar-se. Tem que estar predisposta e preparada para partilhar a Boa Nova da Salvação com as almas que carecem da graça salvífica do Senhor Jesus (LER). Mas, para isso, ela tem que preencher previamente alguns importantíssimos pressupostos bíblicos, para assim cumprir plenamente a sua cimeira missão aqui na Terra. A começar com a libertação, a santificação, o compromisso e o serviço. Só assim estará à altura de responder com mansidão e temor a qualquer que lhe pedir a razão da sua esperança (1 Pedro 3:15). Esta irrepreensível e sensata postura consubstancia, em última instância, a obediência ao mandato da "Grande Comissão" e à submissão plena da soberana vontade de DEUS (LER). Demonstra, em suma, o vigor, o dinamismo e a acção poderosa do Espírito Santo na vida de uma Igreja profundamente comprometida com a nobre causa do Evangelho (LER)

MISSÕES: O Que São, Porquê e Para Quê?


I. A vida Cristã comporta vários benefícios espirituais e materiais, bem como as obrigações quanto ao nosso testemunho pessoal e responsabilidade eclesiástica. Ambas as realidades são concomitantemente intrínsecas e fazem parte fundamental do substrato identitário do Cristianismo. A partir do momento em que livremente nos convertemos ao Evangelho passamos automaticamente a ser justificados, e, consequentemente, a beneficiar da dádiva da salvação (Romanos 5:1). Por isso, pelas Escrituras Sagradas, somos considerados plenamente filhos de DEUS e herdeiros com Cristo (Romanos 8:17). A par dessas excelsas e inauditas Bem-aventuranças eternas, somos reduzidamente incumbidos do privilégio de partilhar com o mundo incrédulo e perdido a "Boa Nova da Salvação". Em outras palavras, fazer Missões. 

Definindo, portanto, Missões, de forma abreviada e resumida, é estar profundamente comprometido com os impolutos ensinos do Senhor Jesus. Aceitá-los fervorosamente sem quaisquer tipos de reservas e vivenciá-los diariamente em todos os contextos em que se está circunscrito. É dar intrepidamente o testemunho da fé "dentro e fora do tempo", contra todas as eventuais oposições maléficas que possam surgir no caminho para obstaculizar a sua vigorosa asserção, anunciando publicamente que o Senhor Jesus é o único caminho para a salvação de todo aquele que Nele crer (João 3:16). Missões envolve, acima de tudo, compromisso, consagração e serviço à nobre causa do Evangelho. Sem estas três virtudes espirituais é impossível encarnar Missões. Isto porque elas requerem, da nossa parte, um engajamento sério com o ministério da Igreja, estando sempre predispostos a usar todas as nossas faculdades, dons e talentos na edificação dos santos e na promoção do Reino de DEUS aqui na Terra. 

II. A partir do momento em que conseguimos espiritualmente  discernir e interiorizar bem o sentido de Missões nas nossas vidas, passamos também a compreender holisticamente o porquê da sua existência (LER). Desde logo, elas fazem parte dos dois grandes sacramentos que o Senhor deixou a Igreja momentos antes da Sua gloriosa Assunção aos céus, nomeadamente o Baptismo e a Ceia do Senhor (LER). Aquela consubstancia aquilo a que os missiólogos chamam da "Grande Comissão". Portanto, "ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos", exortava peremptoriamente o Senhor Jesus aos seus discípulos (Mateus 28:18-20). Para obedecer e pôr em prática os três imperativos contidos neste versículo – que é Ide, Baptizai e Ensinai – impõe-se manifestamente fazer Missões, razão pela qual elas consubstanciam um dos ministérios mais importantes e cimeiros da Igreja, porque visam, em última instância, ganhar muitas almas para Cristo. Não haverá a segunda vinda do Senhor Jesus, enquanto não fizermos cabalmente Missões. Elas integram um dos pressupostos fundamentais dos "Sinais dos Tempos", que precederão o regresso do Filho do Homem ao mundo e a finitude das coisas, visto que "esta boa nova do reino de Deus será pregada em todo o mundo como testemunho para os povos. E então chegará o fim" (Mateus 24:14). Tanto que, por esta razão, ciente desta manifesta verdade soteriológica, a Declaração de Fé Baptista Portuguesa vai inspiradamente ao ponto de considerar que "é dever e privilégio de todas as igrejas e de cada crente em particular, esforçarem-se por fazer discípulos em todas as nações. O novo nascimento do espírito do homem pelo Espírito de Deus, faz nascer nele também o amor pelos outros. O esforço missionário é repetida e expressamente ordenado nos ensinos de Jesus, assentando numa necessidade espiritual da vida regenerada. É, pois, dever de todo o filho de Deus procurar ganhar almas para o Salvador, através do testemunho pessoal e do uso de todos os meios consentâneos com o Evangelho de Cristo” (LER). O objectivo primordial dos crentes, e da Igreja em especial, é fazerem Missões, isto é, obedecer ao mandato da "Grande Comissão" e, deste modo, ganhar almas para o Reino do Senhor Jesus. 

III. Ora, materializando em prática esta grande ordenança bíblica, a Igreja está assim, com esta irrepreensível postura de obediência, a glorificar o Bendito Nome do Senhor Jesus, pois a finalidade última de Missões visa a glória e honra do nosso Todo-poderoso DEUS. E isto começa de antemão na nossa vida santificada e comprometida com a causa do Evangelho, estendendo-se a fortiori para os domínios da Igreja, fazendo com que DEUS tenha "a glória na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, por toda a eternidade. Amém!" (Efésios 3:21). É, justamente, por tudo isso, que todos os eleitos de DEUS, sem execepção, devem impreterivelmente saber o que são Missões e o porquê da sua existência e para que servem na dinâmica da Igreja para, assim, poderosamente, encarná-las no seu testemunho diário perante o mundo que carece tanto da Graça Salvífica do Senhor Jesus. Caso contrário, ficaremos refém de uma letargia missionária com contornos prejudiciais na nossa espiritualidade o que, de todo, não é nada salutar. Importa, por tudo o que ficou dito, em suma, que façamos com carácter de urgência as obras daquele que nos enviou, enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém pode trabalhar (João 9:4). Que assim seja para Louvor e Honra do nosso Eterno DEUS.

A Morte de Um Colosso da Fé

Conta Timothy George, na sua célebre obra “Teologia dos Reformadores”, que quando João Calvino morreu Beza, que esteve com ele até ao fim, desabafou inconformadamente da seguinte forma: “nesse dia, com o crepúsculo, a mais brilhante luz que já houve no mundo para a orientação da igreja de Deus foi levada de volta para os céus”. No caso do Evangelista-missionário Billy Graham diria que a Igreja perdeu um distinto embaixador da Boa Nova da Salvação, um fiel discípulo do Senhor Jesus Cristo, um grande gigante do Cristianismo. Naturalmente que estes dois proeminentes servos do Altíssimo não foram homens imaculados nas suas actuações com DEUS e o próximo em geral, tal como nenhum outro homem à face da Terra o é. O Senhor Jesus foi o único Homem Perfeito que, na Sua humilde encarnação, viveu de forma irrepreensível e sem pecado algum (2 Coríntios 5:21; 1 Pedro 2:22)

Mesmo os grandes heróis da fé, descritos de forma enaltecida no capítulo onze do livro de Hebreus, tiveram recaídas espirituais, profundos desvios comportamentais e alguns deles cometeram pecados horripilantes. E a mesma realidade se aplica aos Apóstolos, os País da Igreja, os Reformadores Protestantes (LER) e (VER) e os Santos de DEUS de todos os tempos. Por isso, as Escrituras advertem-nos a não confiar em homem algum, porque “maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” (Jeremias 17:5). Estes homens e mulheres, apesar das suas limitações humanas, “por meio da fé, conquistaram reinos, estabeleceram a justiça e alcançaram as promessas de Deus” (Hebreus 11:33). É neste prisma que deve ser vista e entendida a vida e obra do Evangelista Billy Graham. Conseguiu, com o seu poderosíssimo testemunho de vida, levar o Evangelho para os pobres e ricos, homens e mulheres, os doutos e indoutos, os príncipes e os plebeus. Gastou toda a sua energia para fazer DEUS conhecido no mundo inteiro. Foi a pessoa que, pela graça Divina, mais evangelizou o maior número de pessoas na longa História do Cristianismo, inspirando simultaneamente milhares de Pastores, Missionários, Líderes espirituais e milhões de Cristãos de várias denominações nos quatro cantos do mundo. 

Portanto não compreendo as duras críticas de que tem sido objecto por algumas pessoas e os media em geral, procurando a todo o custo obnubilar este seu importantíssimo e inquestionável legado do “obreiro aprovado”. É verdade que Billy Graham ficou bastante aquém em determinadas questões político-sociais em que deveria ter tido uma posição mais vigorosa e condizente com a impoluta revelação bíblica, nomeadamente a sua inicial relutância em não apoiar o Pastor Baptista Martin Luther King na sua legítima luta contra a segregação racial nos EUA, as suas secretas apologias antissemitas, o apoio implacável à guerra do Vietname e insensibilidades sobre o aquecimento global. Contudo, quanto a estes momentos menos felizes do Evangelista-pregador, teve a oportunidade de reconhecer posteriormente o seu erro nessas pertinentes temáticas, pedindo publicamente perdão (LER)

De forma analógica, o Teólogo João Calvino afectou a sua austera imagem com a aprovação da execução na fogueira do médico espanhol Miguel Serveto, condenado por heresia contra a Trindade, em 1553, em Genebra (ALI) e (AQUI). Mas, no fim da sua vida, morreu confessando que “tudo o que fiz não vale nada […] sou uma criatura miserável” (LER). O Reformador Martinho Lutero (LER) foi considerado precursor de um modelo de Estado dominador ou de autoridade, falando-se mesmo em “Estado de Obediência”. A configuração da desobediência como pecado tão grave como assassínio, escrevia o Professor Paulo Otero, levou “Lutero a condenar severamente os camponeses insurrectos, se resultava da natureza divina dos príncipes, traduzia também um entendimento que via no povo comum a própria figura de Satanás, motivo que leva a afirmar “antes quero um príncipe que não é justo do que o povo justo”. E com isso foi apelidado em vários círculos intelectuais como defensor do absolutismo de Estado e do capitalismo moderno – com todas as agravantes negativas que isto acarreta do ponto de vista de Direitos Fundamentais (LER)

Sabemos, no entanto, que Lutero reconheceu manifestamente a sua incapacidade e inconstância quando estava a ser equivocadamente venerado pelos seus seguidores. “Que é Lutero?”, questionava inconformadamente, “o ensino não é meu. Nem fui crucificado por ninguém. (…) Como eu, miserável saco fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto em que as pessoas chamam os filhos de Cristo por meu perverso nome. (…) Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; e não fiz mais nada (…) A Palavra fez tudo”, resumia o seu papel na Reforma da Igreja (LER). E podia desdobrar-me a dar muitos outros exemplos de grandes figuras que tiveram momentos infelizes no seu percurso de vida. Quem, porventura, está imune a isso? Neste ponto temos todos “telhados de vidro”. Foi a tal mácula do “pecado original” que acompanha todos os seres humanos, independentemente da sua condição social, inclusive os eleitos filhos de DEUS. 

Estes santos homens de DEUS, sem prejuízo de nódoas nos seus currículos, marcaram positivamente o seu tempo como a História tão bem nos testemunhou. E Billy Graham igualmente não é excepção a esta grande verdade. Por isso, reduzir o legado de vida do “Pastor da América” ao ponto de considerar que “estava do lado errado da história”, tal como erradamente defende Matthew Avery Sutton no seu artigo de opinião no “The Guardian”, não corresponde à mínima verdade (LER). É um falatório inútil, sem qualquer tipo de sustentáculo. Billy Graham foi um homem que combateu o bom combate da fé, dando o poderoso testemunho do Evangelho, “dentro e fora do tempo”. Vamos, todos os Filhos de DEUS, sentir imenso a sua falta. 

Em suma, na morte de João Calvino sustentava Penning para ilustrar o luto incomensurável que invadia a cidade do Reformador Protestante nestes termos: “Genebra lamentou-se como uma nação lamenta quando perde seu benfeitor”. Também digo sem qualquer tipo de hesitação prévia que a comunidade Evangélico-protestante Mundial, e os Baptistas em particular, perdeu com a morte de Billy Graham um arco de criatividade, um missionário nato, um servo fiel, um Pastor das almas, um proclamador do Evangelho da Salvação, um humilde colosso da fé. Sim, “o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). Que assim seja. E assim sempre será. 

O Imperativo da Grande Comissão


Falar da segunda ordenança deixada pelo Senhor Jesus Cristo, antes da Sua gloriosa ascensão aos céus, tem muito que se lhe diga (Mateus 16:18-20). Não é uma tarefa nada fácil. Tanto que, por esta razão, tem sido exaustivamente objecto de inúmeros estudos, interpretações e querelas doutrinárias por parte dos reputados biblistas, exegetas e missionários, com o intuito de procurar encontrar o melhor paradigma teológico que se coaduna com as Missões. Sem prejuízo desta nobre preocupação humana, a nosso ver, entendemos que em certa medida acaba por ser bastante redutor à luz das Escrituras Sagradas. Desde logo, ordenança em apreço é bastante clara em todas as dimensões da vida Cristã. Não é susceptível a equívocos, tal como tem sido reiteradamente ao longo dos séculos por parte de pessoas que não conseguiram interiorizar holisticamente todas as suas implicações doutrinárias. 

Há um conjunto de pressupostos teológico-doutrinários manifestamente inerentes e irrenunciáveis às Missões, que vinculam qualquer crente no Senhor Jesus. Missões envolvem serviço e compromisso com a causa do Evangelho e estas, por sua vez, estão indubitavelmente associadas à vida consagrada. As três realidades são concomitantemente intrínsecas umas às outras. Por isso, se há um défice acentuado a nível de Missões no nosso país, e no mundo em geral, como infelizmente temos assistido com bastante sofrimento, o problema deve-se sobretudo ao nosso desserviço, descompromisso e desconsagração. Uma clara evidência da nossa indolente espiritualidade, que vai minando cada vez mais a nossa mundividência missionaria (LER)

Esperamos, com a graça Divina, que possamos superar esta letargia espiritual e ganhar muitas almas para o Reino de Cristo – a começar no nosso descrente povo e no mundo em especial. Caso contrário, tal como nos admoestam as Escrituras, chegará a noite quando ninguém pode mais trabalhar (João 9:4). E isto não é o ideal que se espera da nossa tão maravilhosa salvação. Sejamos, pois, intrépidos portadores da Boa Nova da Salvação "dentro e fora do tempo” para glória e honra do nosso Eterno DEUS. Que assim seja. 

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(Artigo da nossa autoria. Publicado primeiramente no Boletim Oficial da Igreja Evangélica Baptista da Amadora, no dia 26 de Novembro de 2017, tal como está ilustrado na imagem supra, a propósito da celebração do mês de Missões Mundiais da Convenção Baptista Portuguesa (CBP)). 

Consciência Missionária


A Grande Comissão é um dos imperativos mais importantes do ponto de vista eclesiástico. Ela concretiza-se nos sacramentos do Baptismo e na Ceia do Senhor  (Marcos 16:15-16; 1 Coríntios 11:23-26). Foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo para os seus discípulos, aquando da Sua gloriosa ascensão aos céus, para aumentar o número dos que vão sendo salvos  (Mateus 28:16-18; Actos 2:47). O foco principal da Igreja no mundo é fazer discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todos os cânones sagrados da Palavra de DEUS. 

Por isso, a fé Cristã é intrinsecamente missionária. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, há um certo tipo de indolência espiritual que mina cada vez mais as lideranças das igrejas e os crentes em particular, obstando a uma holística visão evangelizadora. No círculo Evangélico dito "tradicional" quase não se realizam missões, salvo algumas raras excepções, devido a um falso pretexto teológico de exacerbada ênfase na "graça irresistível" de DEUS. Uma interpretação extremamente abusiva das Sagradas Escrituras, estorvando assim o melhor avanço da Boa Nova da Salvação. No meio pentecostal e carismático vislumbra-se uma maior abertura e sensibilidade missionária. No entanto, em abono da verdade, muitas igrejas fazem-no de forma flagrantemente errada, devido à impreparação e apedeutismo teológico, somando ainda "os vendilhões do templo” (LER) que procuram tirar astutamente dividendos pessoais, enriquecendo inescrupulosamente à custa do Evangelho, despoletando, com o seu péssimo testemunho de vida, os maiores escândalos, que só envergonham o bom nome do Cristianismo. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos bastante preocupantes no impacto positivo do Evangelho no mundo. 

Há que admitir que muitos crentes e igrejas, no presente século mau em que vivemos, não estão comprometidos com a causa missionária. Não faz parte da sua agenda prioritária de vida. E para ludibriar o bom senso de alguns fiéis inconformados com a lamentável situação, lançam-se nas arengas tautológicas sobre missões que acabam por não ter quaisquer implicações e resultados espirituais. Temos, para vergonha nossa, mais teóricos de missões nas nossas congregações do que propriamente autênticos missionários devidamente comprometidos com a propagação do Evangelho e, consequentemente, salvação de almas perdidas para Cristo. 

O Senhor Jesus deu-nos um belo testemunho nesta imprescindível área da Igreja, "andando por todas as cidades e aldeias, ensinava nas sinagogas, anunciava a boa nova do reino de Deus" (Mateus 9:35). O Apóstolo Paulo, interiorizando bem esta grande verdade soteriológica, vai ao ponto de considerar "ai de mim se não anunciar a boa nova" (1 Coríntios 9:16). Foi por isso, na mesma esteira do pensamento, que os primeiros discípulos intensificaram fortemente os seus esforços missionários na propagação do Evangelho pelo mundo, honrando a sagrada missão que lhes foi outorgada pelo Senhor Jesus. Graças a DEUS, conseguimos, através do significativo esforço deles, beneficiar da preciosa Graça Redentora. Recai, da mesma sorte, sobre nós, a mesma responsabilidade de partilhá-la com o mundo perdido. Haverá consequências se negligentemente não o fizermos, tal como nos é requerido pelas Escrituras Sagradas, porque "este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei”(2 Reis 7:9 [LER]). Que assim seja.  

Consciência Missionária


A Grande Comissão é um dos imperativos mais importantes do ponto de vista eclesiástico. Ela concretiza-se nos sacramentos do Baptismo e na Ceia do Senhor (Marcos 16:15-16; 1 Coríntios 11:23-26). Foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo para os seus discípulos, aquando da Sua gloriosa ascensão aos céus, para aumentar o número dos que vão sendo salvos (Mateus 28:16-18; Actos 2:47). O foco principal da Igreja no mundo é fazer discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todos os cânones sagrados da Palavra de DEUS. 

Por isso, a fé Cristã é intrinsecamente missionária. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, há um certo tipo de indolência espiritual que mina cada vez mais as lideranças das igrejas e os crentes em particular, obstando a uma holística visão evangelizadora. No círculo Evangélico dito "tradicional" quase não se realizam missões, salvo algumas raras excepções, devido a um falso pretexto teológico de exacerbada ênfase na "graça irresistível" de DEUS. Uma interpretação extremamente abusiva das Sagradas Escrituras, estorvando assim o melhor avanço da Boa Nova da Salvação. No meio pentecostal e carismático vislumbra-se uma maior abertura e sensibilidade missionária. No entanto, em abono da verdade, muitas igrejas fazem-no de forma flagrantemente errada, devido à impreparação e apedeutismo teológico, somando ainda “os vendilhões do templo” que procuram tirar astutamente dividendos pessoais, enriquecendo inescrupulosamente à custa do Evangelho, despoletando, com o seu péssimo testemunho de vida, os maiores escândalos, que só envergonham o bom nome do Cristianismo. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos bastante preocupantes no impacto positivo do Evangelho no mundo. 

Há que admitir que muitos crentes e igrejas, no presente século mau em que vivemos, não estão comprometidos com a causa missionária. Não faz parte da sua agenda prioritária de vida. E para ludibriar o bom senso de alguns fiéis inconformados com a lamentável situação, lançam-se nas arengas tautológicas sobre missões que acabam por não ter quaisquer implicações e resultados espirituais. Temos, para vergonha nossa, mais teóricos de missões nas nossas congregações do que propriamente autênticos missionários devidamente comprometidos com a propagação do Evangelho e, consequentemente, salvação de almas perdidas para Cristo. 

O Senhor Jesus deu-nos um belo testemunho nesta imprescindível área da Igreja, "andando por todas as cidades e aldeias, ensinava nas sinagogas, anunciava a boa nova do reino de Deus" (Mateus 9:35). O Apóstolo Paulo, interiorizando bem esta grande verdade soteriológica, vai ao ponto de considerar "ai de mim se não anunciar a boa nova" (1 Coríntios 9:16). Foi por isso, na mesma esteira do pensamento, que os primeiros discípulos intensificaram fortemente os seus esforços missionários na propagação do Evangelho pelo mundo, honrando a sagrada missão que lhes foi outorgada pelo Senhor Jesus. Graças a DEUS, conseguimos, através do significativo esforço deles, beneficiar da preciosa Graça Redentora. Recai, da mesma sorte, sobre nós, a mesma responsabilidade de partilhá-la com o mundo perdido. Haverá consequências se negligentemente não o fizermos, tal como nos é requerido pelas Escrituras Sagradas, porque "este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei”"(2 Reis 7:9 [LER]). Que assim seja.