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Uma Outra Dimensão de Fazer Missões


Nos últimos séculos os Biblistas, Exegetas, Teólogos e Missionários de todas as denominações Evangélico-protestantes têm-se desdobrado num esforço incomensurável para traçar um paradigma expansionista e eficaz sobre as Missões. Esta realidade veio ganhar uma enfâse mais acentuada com o surgimento dos movimentos carismático-pentecostais nos finais do séc. XIX, catapultando um boom bastante acentuado a nível da aderência massiva à regeneradora mensagem do Evangelho, máxime dos sectores mais desfavorecidos e humildes da sociedade que, até então, não se reviam no protestantismo elitista dos meios mais tradicionais. Acontece que, por vicissitudes várias, de forma subsumida, convencionou-se teologicamente um conceito tripartidário de Missões, que consiste em orar, enviar missionários para o campo e consequentemente sustentá-los. Numa primeira fase este paradigma metodológico funcionou, tendo em conta o declínio do iluminismo no mundo Ocidental e o revigoramento do pentecostalismo a partir dos EUA e as mobilizadoras campanhas evangelísticas de Billy Graham (LER), estendendo-se poderosamente a todos os continentes, levando milhares e milhões de homens e mulheres a aderirem a Boa Nova da Salvação. 

No entanto com o avanço da ciência e da tecnologia que, por sua vez, contribui decisivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e da esperança média de vida, a sociedade secularizou-se e, em consequência disso, a Fé foi preterida (LER). O Homem, de forma presunçosa, usurpou o consagrado lugar do Divino, arrogando-se deus do seu próprio destino e com todas as implicações sociais que isto representa na forma de conceber a religião. Por outras palavras, preferiu mais confiar nas falsas promessas científicas e refugiar-se exclusivamente nelas do que propriamente na soteriológica mensagem do Evangelho. Perante este novo desafio do “presente século mau” esperava-se, por parte das Igrejas e Cristãos em geral, uma resposta teológica firme com vista a mudar este niilismo obscurantista. Não é, entretanto, o que tem estado a acontecer.   As Igrejas têm, infelizmente, descurado deliberadamente outras importantes facetas da “Grande Comissão” (LER), que envolve em última instância a santidade da vida Cristã e o imperativo de ser “sal e luz do mundo”

Por isso, o Cristianismo está a enfrentar uma grande crise de fé que, por sua vez, está a afectar consideravelmente o seu desempenho missionário – tanto a nível interno como externo. Ali, o problema prende-se mais com a descaraterização e desestruturação da família no seu todo, que se vai consubstanciando em casamentos mistos, o cancro do divórcio e a realidade de famílias monoparentais, somando ao défice de obreiros e a falta de autoridade ministerial dos pastores/líderes, a rivalidades inter-denominacionais, a desunião no seio das Igrejas, o liberalismo teológico e a sonolência espiritual dos crentes (LER). Aqui, a nível externo, a dificuldade tem mais que ver com o relativismo social fundado no falso pretexto do “avanço civilizacional”, o secularismo materialista e o ateísmo aversivo a qualquer tipo de conceito religioso (LER)

Todas essas realidades conjugadas acabaram por ter repercussões devastadoras no dinamismo das Igrejas, fazendo com que haja uma estagnação no avanço do Cristianismo no mundo e particularmente no mundo Ocidental. No Velho Continente e na América do Norte tem havido uma forte retracção na conversão de pessoas ao Cristianismo e um desvio considerável dos crentes na Igreja. No Médio Oriente, China e nalguns pontos Ásia e no Norte da África e regiões do Sahel e pacífico, tem havido uma implacável perseguição da Igreja, mesmo assim as portas do inferno não tem prevalecido contra ela (Mateus 16:18). O Reino de DEUS continua a avançar poderosamente nestes hostis territórios, bem como no Sul da América e na generalidade dos países africanos (LER)

Apesar deste saldo tangencialmente positivo a nível do crescimento do Cristianismo no mundo, o cenário poderia ainda ser bastante melhor. A nosso ver, é impreterível as Igrejas formularem uma outra dimensão de fazer Missões, que passa em consolidar melhor o conceito tripartidário de Missões supramencionado, bem como reajustá-lo da melhor forma possível a realidade secularista vigente, mediante uma entrega incondicional à nobre causa do Evangelho, o serviço altruísta e a santidade da vida Cristã. Não se pode conformar meramente em orar, enviar missionários para o campo e sustentá-los. (1) É preciso, acima de tudo, que os missionários sejam bem formados do ponto de vista de carácter e na qualificação teológica para assim santificarem em seus corações a Cristo como Senhor; e estando sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que lhes pedir a razão da esperança que há neles (1 Pedro 3:15)

(2). As igrejas devem também consciencializar-se da imprescindível virtude da unidade Cristã e vivenciá-la no seu testemunho quotidiano. A unidade dos Cristãos é um factor decisivo para atrair os não crentes para o Evangelho. Não é por acaso que Cristo na sua Oração Sacerdotal teve o cuidado de focar a unidade dos crentes como o motor fundamental na conquista dos ímpios: "para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um, em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21). O cumprimento da Grande Comissão exige a unidade de todos os crentes na fé a fim de lutarmos todos juntos para a mesma causa, que é a proclamação do Evangelho da Salvação. 

(3). Entendemos, igualmente, que é preciso reformular os caducos e sectários planos cooperativos, que basicamente se restringem redutoramente ao âmbito inter-denominacional (fruto de protagonismos denominacionais e guerrinhas desnecessárias)   e apostar mais num robusto plano extra denominacional a nível de Missões, porque quem não é contra nós, é por nós (Marcos 9:40), contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade (Filipenses 1:18). Cultivar sempre a santidade da vida Cristã e a consagração, sem prejuízo de orar sem cessar ao Senhor da seara para que ELE mande mais trabalhadores para a sua gigantesca colheita [Mateus 9:38] (LER)

Pondo em marcha estes salutares pressupostos teológico-missionários, não há margem para dúvidas que a Igreja estará à altura de anular todas esses diabólicos ateísmos secularistas que estão a devastar o mundo inteiro, condenando-o ao inferno. Para isso, mais do que nunca, é preciso materializar uma outra dimensão de fazer Missões, tal como acabámos de formular. Que DEUS nos abençoe e nos ajude a todos nesta grande e privilegiada Missão de levar a Boa Nova da Salvação para o mundo perdido. Que assim seja.

A Importância das Missões na Dinâmica da Igreja


A Igreja não faz sentido sem encarnar as Missões na sua agenda quotidiana. Elas fazem parte fundamental da vitalidade de qualquer Igreja. Mede-se inequivocamente a saúde espiritual de uma Igreja na maneira como concebe e encara as Missões. São um barómetro infalível para aferir na íntegra o grau da espiritualidade de uma igreja local. Uma Igreja que descura as Missões torna-se vulnerável e fica bastante aquém daquilo que é o seu substrato identitário. Corre, por isso, sérios riscos. É um manifesto sinal que está contaminada por um miasma obstrutivo e consequentemente condenada ao fracasso. Vive insensivelmente na sua autocomplacência, saturada e fora dos imaculados propósitos Divinos. Isto porque não se pode falar de igrejas salutares sem falar de Missões e vice-versa. As duas realidades fazem parte do plano da redenção, razão pela qual as Missões são extremamente importantes na dinâmica e crescimento da Igreja. 

Sabemos, pela realidade prática, que a generalidade das igrejas nos dias que correm não fazem Missões. Não estão minimamente preocupadas com elas. Têm outras prioridades que não as de anunciar o Evangelho da Salvação. São completamente insensíveis à Evangelização e Missões. Tal incongruência deve-se a vários factores conjugados. Desde logo, o desleixo, a impreparação e o descompromisso por parte das lideranças das igrejas, influenciando assim negativamente os restantes membros. E estes, por sua vez, não sabendo gerir bem essas graves lacunas acabam por enveredar na superficialidade da espiritualidade, resvalando nos pecados da hipocrisia, indolência, inveja, murmuração, preconceito, segregação, heresia, maquinação e desunião, etc. Ora, todos esses malefícios desviam o foco primordial dos crentes e obstaculizam consideravelmente a acção missionária e o crescimento da Igreja, tendo contornos preocupantes na promoção e propagação do Evangelho. Nunca foi tão urgente remirmos o tempo, tal como nos tenebrosos dias de hoje. Os dias são, de facto, maus (Efésios 5:16)

A Igreja é chamada a fazer Missões, bem como a crescer e multiplicar-se. Tem que estar predisposta e preparada para partilhar a Boa Nova da Salvação com as almas que carecem da graça salvífica do Senhor Jesus (LER). Mas, para isso, ela tem que preencher previamente alguns importantíssimos pressupostos bíblicos, para assim cumprir plenamente a sua cimeira missão aqui na Terra. A começar com a libertação, a santificação, o compromisso e o serviço. Só assim estará à altura de responder com mansidão e temor a qualquer que lhe pedir a razão da sua esperança (1 Pedro 3:15). Esta irrepreensível e sensata postura consubstancia, em última instância, a obediência ao mandato da "Grande Comissão" e à submissão plena da soberana vontade de DEUS (LER). Demonstra, em suma, o vigor, o dinamismo e a acção poderosa do Espírito Santo na vida de uma Igreja profundamente comprometida com a nobre causa do Evangelho (LER)

MISSÕES: O Que São, Porquê e Para Quê?


I. A vida Cristã comporta vários benefícios espirituais e materiais, bem como as obrigações quanto ao nosso testemunho pessoal e responsabilidade eclesiástica. Ambas as realidades são concomitantemente intrínsecas e fazem parte fundamental do substrato identitário do Cristianismo. A partir do momento em que livremente nos convertemos ao Evangelho passamos automaticamente a ser justificados, e, consequentemente, a beneficiar da dádiva da salvação (Romanos 5:1). Por isso, pelas Escrituras Sagradas, somos considerados plenamente filhos de DEUS e herdeiros com Cristo (Romanos 8:17). A par dessas excelsas e inauditas Bem-aventuranças eternas, somos reduzidamente incumbidos do privilégio de partilhar com o mundo incrédulo e perdido a "Boa Nova da Salvação". Em outras palavras, fazer Missões. 

Definindo, portanto, Missões, de forma abreviada e resumida, é estar profundamente comprometido com os impolutos ensinos do Senhor Jesus. Aceitá-los fervorosamente sem quaisquer tipos de reservas e vivenciá-los diariamente em todos os contextos em que se está circunscrito. É dar intrepidamente o testemunho da fé "dentro e fora do tempo", contra todas as eventuais oposições maléficas que possam surgir no caminho para obstaculizar a sua vigorosa asserção, anunciando publicamente que o Senhor Jesus é o único caminho para a salvação de todo aquele que Nele crer (João 3:16). Missões envolve, acima de tudo, compromisso, consagração e serviço à nobre causa do Evangelho. Sem estas três virtudes espirituais é impossível encarnar Missões. Isto porque elas requerem, da nossa parte, um engajamento sério com o ministério da Igreja, estando sempre predispostos a usar todas as nossas faculdades, dons e talentos na edificação dos santos e na promoção do Reino de DEUS aqui na Terra. 

II. A partir do momento em que conseguimos espiritualmente  discernir e interiorizar bem o sentido de Missões nas nossas vidas, passamos também a compreender holisticamente o porquê da sua existência (LER). Desde logo, elas fazem parte dos dois grandes sacramentos que o Senhor deixou a Igreja momentos antes da Sua gloriosa Assunção aos céus, nomeadamente o Baptismo e a Ceia do Senhor (LER). Aquela consubstancia aquilo a que os missiólogos chamam da "Grande Comissão". Portanto, "ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos", exortava peremptoriamente o Senhor Jesus aos seus discípulos (Mateus 28:18-20). Para obedecer e pôr em prática os três imperativos contidos neste versículo – que é Ide, Baptizai e Ensinai – impõe-se manifestamente fazer Missões, razão pela qual elas consubstanciam um dos ministérios mais importantes e cimeiros da Igreja, porque visam, em última instância, ganhar muitas almas para Cristo. Não haverá a segunda vinda do Senhor Jesus, enquanto não fizermos cabalmente Missões. Elas integram um dos pressupostos fundamentais dos "Sinais dos Tempos", que precederão o regresso do Filho do Homem ao mundo e a finitude das coisas, visto que "esta boa nova do reino de Deus será pregada em todo o mundo como testemunho para os povos. E então chegará o fim" (Mateus 24:14). Tanto que, por esta razão, ciente desta manifesta verdade soteriológica, a Declaração de Fé Baptista Portuguesa vai inspiradamente ao ponto de considerar que "é dever e privilégio de todas as igrejas e de cada crente em particular, esforçarem-se por fazer discípulos em todas as nações. O novo nascimento do espírito do homem pelo Espírito de Deus, faz nascer nele também o amor pelos outros. O esforço missionário é repetida e expressamente ordenado nos ensinos de Jesus, assentando numa necessidade espiritual da vida regenerada. É, pois, dever de todo o filho de Deus procurar ganhar almas para o Salvador, através do testemunho pessoal e do uso de todos os meios consentâneos com o Evangelho de Cristo” (LER). O objectivo primordial dos crentes, e da Igreja em especial, é fazerem Missões, isto é, obedecer ao mandato da "Grande Comissão" e, deste modo, ganhar almas para o Reino do Senhor Jesus. 

III. Ora, materializando em prática esta grande ordenança bíblica, a Igreja está assim, com esta irrepreensível postura de obediência, a glorificar o Bendito Nome do Senhor Jesus, pois a finalidade última de Missões visa a glória e honra do nosso Todo-poderoso DEUS. E isto começa de antemão na nossa vida santificada e comprometida com a causa do Evangelho, estendendo-se a fortiori para os domínios da Igreja, fazendo com que DEUS tenha "a glória na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, por toda a eternidade. Amém!" (Efésios 3:21). É, justamente, por tudo isso, que todos os eleitos de DEUS, sem execepção, devem impreterivelmente saber o que são Missões e o porquê da sua existência e para que servem na dinâmica da Igreja para, assim, poderosamente, encarná-las no seu testemunho diário perante o mundo que carece tanto da Graça Salvífica do Senhor Jesus. Caso contrário, ficaremos refém de uma letargia missionária com contornos prejudiciais na nossa espiritualidade o que, de todo, não é nada salutar. Importa, por tudo o que ficou dito, em suma, que façamos com carácter de urgência as obras daquele que nos enviou, enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém pode trabalhar (João 9:4). Que assim seja para Louvor e Honra do nosso Eterno DEUS.

A Morte de Um Colosso da Fé


Conta Timothy George, na sua célebre obra "Teologia dos Reformadores", que quando João Calvino morreu Beza, que esteve com ele até ao fim, escreveu: "nesse dia, com o crepúsculo, a mais brilhante luz que já houve no mundo para a orientação da igreja de Deus foi levada de volta para os céus". No caso do Evangelista-missionário Billy Graham diria que a Igreja perdeu um distinto embaixador da Boa Nova da Salvação, um fiel discípulo do Senhor Jesus, um grande gigante do Cristianismo. Naturalmente que estes dois proeminentes servos do Altíssimo não foram homens imaculados nas suas actuações com DEUS e o próximo, tal como nenhum outro homem à face da Terra o é. O Senhor Jesus foi o único Homem Perfeito que, na Sua humilde encarnação, viveu de forma irrepreensível e sem pecado (2 Coríntios 5:21; 1 Pedro 2:22)

Mesmo os grandes heróis da fé, descritos de forma enaltecida no capítulo onze do livro de Hebreus, tiveram recaídas espirituais, profundos desvios comportamentais e alguns deles cometeram pecados horripilantes. E a mesma realidade se aplica aos Apóstolos, os País da Igreja, os Reformadores Protestantes (LER) e (VER) e os Santos de DEUS de todos os tempos. Por isso, as Escrituras advertem-nos a não confiar em homem algum, porque “maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” (Jeremias 17:5). Estes homens e mulheres, apesar das suas limitações e imperfeições, “por meio da fé, conquistaram reinos, estabeleceram a justiça e alcançaram as promessas de Deus” (Hebreus 11:33). É neste prisma que deve ser vista e entendida a vida e obra do Evangelista Billy Graham. Conseguiu, com o seu poderosíssimo testemunho de vida, levar o Evangelho para os pobres e ricos, os doutos e indoutos, os príncipes e os plebeus. Gastou toda a sua energia para fazer DEUS conhecido no mundo inteiro. Foi a pessoa que, pela graça Divina, mais evangelizou o maior número de pessoas na longa História do Cristianismo, inspirando simultaneamente milhares de Pastores, Missionários, Líderes espirituais e milhões de Cristãos de várias denominações nos quatro cantos do mundo

Portanto, não compreendo as duras críticas de que tem sido objecto por algumas pessoas e os media em geral, procurando a todo custo obnubilar este seu importantíssimo e inquestionável legado do "obreiro aprovado". É verdade que Billy Graham ficou bastante aquém em determinadas questões político-sociais, em que deveria ter tido uma posição mais vigorosa e condizente com a impoluta revelação bíblica, nomeadamente a sua inicial relutância em não apoiar o Pastor Baptista Martin Luther King na sua legítima luta contra a segregação racial nos EUA, as suas secretas apologias antissemitas, o apoio implacável à guerra do Vietname e insensibilidades sobre o aquecimento global. Contudo, quanto a estes momentos menos felizes do Evangelista-pregador, teve a oportunidade de reconhecer posteriormente o seu erro nessas pertinentes temáticas, pedindo publicamente perdão (LER)

De forma analógica, o Teólogo João Calvino afectou a sua austera imagem com a aprovação da execução na fogueira do médico espanhol Miguel Serveto, condenado por heresia contra a Trindade, em 1553, em Genebra (ALI) e (AQUI). Mas, no fim da sua vida, morreu confessando que “tudo o que fiz não vale nada […] sou uma criatura miserável” (LER). O Reformador Martinho Lutero (LER) foi considerado percursor de um modelo de Estado dominador ou de autoridade, falando-se mesmo em “Estado de Obediência”. E como escreveu o Professor Catedrático Paulo Otero: “a configuração da desobediência como pecado tão grave como assassínio, levando Lutero a condenar severamente os camponeses insurrectos, se resultava da natureza divina dos príncipes, traduzia também um entendimento que via no povo comum a própria figura de Satanás, motivo que leva a afirmar “antes quero um príncipe que não é justo do que o povo justo”. E com isso, foi apelidado em vários círculos intelectuais como defensor do absolutismo de Estado e do capitalismo moderno, com todas as agravantes negativas que isto acarreta, máxime no condicionamento de inalienáveis Direitos Fundamentais (LER). Sabemos, no entanto, que ele reconheceu manifestamente a sua incapacidade e inconstância quando estava a ser equivocadamente venerado pelos seus seguidores. “Que é Lutero?”, questionava inconformadamente. “O ensino não é meu. Nem fui crucificado por ninguém. (…) Como eu, miserável saco fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto em que as pessoas chamam os filhos de Cristo por meu perverso nome. (…) Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; e não fiz mais nada (…) A Palavra fez tudo", resumia o seu papel na Reforma da Igreja (LER). E podia desdobrar-me a dar muitos outros exemplos de grandes figuras que tiveram momentos infelizes no seu louvável percurso de vida. Quem, porventura, está imune a isso? Neste ponto temos todos “telhados de vidro”. Foi a tal mácula que acompanha todos os seres humanos, independentemente da sua condição social, inclusive os eleitos de DEUS, tal como supra destaquei. 

Sem prejuízo dessas nódoas nos seus currículos, estes santos homens de DEUS marcaram, de facto, positivamente, o seu tempo como a História tão bem nos testemunhou. E Billy Graham, da mesma sorte, não é excepção a esta grande verdade. Por isso, reduzir o legado de vida do “pastor da América” ao ponto de considerar que “estava do lado errado da história”, como erradamente defende Matthew Avery Sutton no seu artigo de opinião no "The Guardian", não corresponde à mínima verdade (LER). É um falatório inútil, sem qualquer tipo de sustentáculo. Uma atitude profundamente de lamentar. Billy Graham foi um homem que combateu o bom combate da fé, dando o poderoso testemunho do Evangelho, “dentro e fora do tempo”. Vamos, todos os Filhos de DEUS, sentir imenso a sua falta. 

Na morte de João Calvino, para terminar, sustentava Penning para ilustrar o luto incomensurável que invadia a cidade do Reformador Protestante, nestes termos: “Genebra lamentou-se como uma nação lamenta quando perde seu benfeitor". Também digo sem qualquer tipo de hesitação que a comunidade Evangélico-protestante Mundial, e os Baptistas em particular, perdeu com a morte de Billy Graham um arco de criatividade, um missionário nato, um servo fiel, um Pastor das almas, um proclamador do Evangelho da Salvação, um colosso da fé. "O Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor" (Jó 1:21).   

O Imperativo da Grande Comissão


Falar da segunda ordenança deixada pelo Senhor Jesus Cristo, antes da Sua gloriosa ascensão aos céus, tem muito que se lhe diga (Mateus 16:18-20). Não é uma tarefa nada fácil. Tanto que, por esta razão, tem sido exaustivamente objecto de inúmeros estudos, interpretações e querelas doutrinárias por parte dos reputados biblistas, exegetas e missionários, com o intuito de procurar encontrar o melhor paradigma teológico que se coaduna com as Missões. Sem prejuízo desta nobre preocupação humana, a nosso ver, entendemos que em certa medida acaba por ser bastante redutor à luz das Escrituras Sagradas. Desde logo, ordenança em apreço é bastante clara em todas as dimensões da vida Cristã. Não é susceptível a equívocos, tal como tem sido reiteradamente ao longo dos séculos por parte de pessoas que não conseguiram interiorizar holisticamente todas as suas implicações doutrinárias. 

Há um conjunto de pressupostos teológico-doutrinários manifestamente inerentes e irrenunciáveis às Missões, que vinculam qualquer crente no Senhor Jesus. Missões envolvem serviço e compromisso com a causa do Evangelho e estas, por sua vez, estão indubitavelmente associadas à vida consagrada. As três realidades são concomitantemente intrínsecas umas às outras. Por isso, se há um défice acentuado a nível de Missões no nosso país, e no mundo em geral, como infelizmente temos assistido com bastante sofrimento, o problema deve-se sobretudo ao nosso desserviço, descompromisso e desconsagração. Uma clara evidência da nossa indolente espiritualidade, que vai minando cada vez mais a nossa mundividência missionaria (LER)

Esperamos, com a graça Divina, que possamos superar esta letargia espiritual e ganhar muitas almas para o Reino de Cristo – a começar no nosso descrente povo e no mundo em especial. Caso contrário, tal como nos admoestam as Escrituras, chegará a noite quando ninguém pode mais trabalhar (João 9:4). E isto não é o ideal que se espera da nossa tão maravilhosa salvação. Sejamos, pois, intrépidos portadores da Boa Nova da Salvação "dentro e fora do tempo” para glória e honra do nosso Eterno DEUS. Que assim seja. 

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(Artigo da nossa autoria. Publicado primeiramente no Boletim Oficial da Igreja Evangélica Baptista da Amadora, no dia 26 de Novembro de 2017, tal como está ilustrado na imagem supra, a propósito da celebração do mês de Missões Mundiais da Convenção Baptista Portuguesa (CBP)). 

Consciência Missionária


A Grande Comissão é um dos imperativos mais importantes do ponto de vista eclesiástico. Ela concretiza-se nos sacramentos do Baptismo e na Ceia do Senhor  (Marcos 16:15-16; 1 Coríntios 11:23-26). Foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo para os seus discípulos, aquando da Sua gloriosa ascensão aos céus, para aumentar o número dos que vão sendo salvos  (Mateus 28:16-18; Actos 2:47). O foco principal da Igreja no mundo é fazer discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todos os cânones sagrados da Palavra de DEUS. 

Por isso, a fé Cristã é intrinsecamente missionária. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, há um certo tipo de indolência espiritual que mina cada vez mais as lideranças das igrejas e os crentes em particular, obstando a uma holística visão evangelizadora. No círculo Evangélico dito "tradicional" quase não se realizam missões, salvo algumas raras excepções, devido a um falso pretexto teológico de exacerbada ênfase na "graça irresistível" de DEUS. Uma interpretação extremamente abusiva das Sagradas Escrituras, estorvando assim o melhor avanço da Boa Nova da Salvação. No meio pentecostal e carismático vislumbra-se uma maior abertura e sensibilidade missionária. No entanto, em abono da verdade, muitas igrejas fazem-no de forma flagrantemente errada, devido à impreparação e apedeutismo teológico, somando ainda "os vendilhões do templo” (LER) que procuram tirar astutamente dividendos pessoais, enriquecendo inescrupulosamente à custa do Evangelho, despoletando, com o seu péssimo testemunho de vida, os maiores escândalos, que só envergonham o bom nome do Cristianismo. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos bastante preocupantes no impacto positivo do Evangelho no mundo. 

Há que admitir que muitos crentes e igrejas, no presente século mau em que vivemos, não estão comprometidos com a causa missionária. Não faz parte da sua agenda prioritária de vida. E para ludibriar o bom senso de alguns fiéis inconformados com a lamentável situação, lançam-se nas arengas tautológicas sobre missões que acabam por não ter quaisquer implicações e resultados espirituais. Temos, para vergonha nossa, mais teóricos de missões nas nossas congregações do que propriamente autênticos missionários devidamente comprometidos com a propagação do Evangelho e, consequentemente, salvação de almas perdidas para Cristo. 

O Senhor Jesus deu-nos um belo testemunho nesta imprescindível área da Igreja, "andando por todas as cidades e aldeias, ensinava nas sinagogas, anunciava a boa nova do reino de Deus" (Mateus 9:35). O Apóstolo Paulo, interiorizando bem esta grande verdade soteriológica, vai ao ponto de considerar "ai de mim se não anunciar a boa nova" (1 Coríntios 9:16). Foi por isso, na mesma esteira do pensamento, que os primeiros discípulos intensificaram fortemente os seus esforços missionários na propagação do Evangelho pelo mundo, honrando a sagrada missão que lhes foi outorgada pelo Senhor Jesus. Graças a DEUS, conseguimos, através do significativo esforço deles, beneficiar da preciosa Graça Redentora. Recai, da mesma sorte, sobre nós, a mesma responsabilidade de partilhá-la com o mundo perdido. Haverá consequências se negligentemente não o fizermos, tal como nos é requerido pelas Escrituras Sagradas, porque "este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei”(2 Reis 7:9 [LER]). Que assim seja.  

Consciência Missionária


A Grande Comissão é um dos imperativos mais importantes do ponto de vista eclesiástico. Ela concretiza-se nos sacramentos do Baptismo e na Ceia do Senhor (Marcos 16:15-16; 1 Coríntios 11:23-26). Foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo para os seus discípulos, aquando da Sua gloriosa ascensão aos céus, para aumentar o número dos que vão sendo salvos (Mateus 28:16-18; Actos 2:47). O foco principal da Igreja no mundo é fazer discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todos os cânones sagrados da Palavra de DEUS. 

Por isso, a fé Cristã é intrinsecamente missionária. Acontece que, por vicissitudes várias e supervenientes, há um certo tipo de indolência espiritual que mina cada vez mais as lideranças das igrejas e os crentes em particular, obstando a uma holística visão evangelizadora. No círculo Evangélico dito "tradicional" quase não se realizam missões, salvo algumas raras excepções, devido a um falso pretexto teológico de exacerbada ênfase na "graça irresistível" de DEUS. Uma interpretação extremamente abusiva das Sagradas Escrituras, estorvando assim o melhor avanço da Boa Nova da Salvação. No meio pentecostal e carismático vislumbra-se uma maior abertura e sensibilidade missionária. No entanto, em abono da verdade, muitas igrejas fazem-no de forma flagrantemente errada, devido à impreparação e apedeutismo teológico, somando ainda “os vendilhões do templo” que procuram tirar astutamente dividendos pessoais, enriquecendo inescrupulosamente à custa do Evangelho, despoletando, com o seu péssimo testemunho de vida, os maiores escândalos, que só envergonham o bom nome do Cristianismo. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos bastante preocupantes no impacto positivo do Evangelho no mundo. 

Há que admitir que muitos crentes e igrejas, no presente século mau em que vivemos, não estão comprometidos com a causa missionária. Não faz parte da sua agenda prioritária de vida. E para ludibriar o bom senso de alguns fiéis inconformados com a lamentável situação, lançam-se nas arengas tautológicas sobre missões que acabam por não ter quaisquer implicações e resultados espirituais. Temos, para vergonha nossa, mais teóricos de missões nas nossas congregações do que propriamente autênticos missionários devidamente comprometidos com a propagação do Evangelho e, consequentemente, salvação de almas perdidas para Cristo. 

O Senhor Jesus deu-nos um belo testemunho nesta imprescindível área da Igreja, "andando por todas as cidades e aldeias, ensinava nas sinagogas, anunciava a boa nova do reino de Deus" (Mateus 9:35). O Apóstolo Paulo, interiorizando bem esta grande verdade soteriológica, vai ao ponto de considerar "ai de mim se não anunciar a boa nova" (1 Coríntios 9:16). Foi por isso, na mesma esteira do pensamento, que os primeiros discípulos intensificaram fortemente os seus esforços missionários na propagação do Evangelho pelo mundo, honrando a sagrada missão que lhes foi outorgada pelo Senhor Jesus. Graças a DEUS, conseguimos, através do significativo esforço deles, beneficiar da preciosa Graça Redentora. Recai, da mesma sorte, sobre nós, a mesma responsabilidade de partilhá-la com o mundo perdido. Haverá consequências se negligentemente não o fizermos, tal como nos é requerido pelas Escrituras Sagradas, porque "este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei”"(2 Reis 7:9 [LER]). Que assim seja.