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O Preço da Traição e a Via Dolorosa do Senhor Jesus Cristo Para o Calvário

 

Partilho aqui, mais uma vez, uma breve reflexão intitulada “O Preço da Traição e a Via Dolorosa do Senhor Jesus Cristo Para o Calvário”. Nele procurei centralizar a minha abordagem na postura gananciosa, traidora e repugnante de Judas Iscariotes, bem como na forma confiante como o Senhor Jesus enfrentou o Seu destino traçado por Todo-Poderoso DEUS, superando todas as barreiras, oposições, conspirações, injustiças, humilhações e inclusive a morte. O ímpio Judas desperdiçou a oportunidade especial de confessar o seu pecado ao Senhor Jesus, a Luz do Mundo, durante a Ceia. Judas, escrevia o autor sagrado a seu respeito, “assim que comeu o pedaço de pão, saiu apressadamente. E era noite” e perdeu-se definitivamente na noite, autodestruindo-se posteriormente (João 13:30; Mateus 27:5). O preço da traição é a perdição eterna.

Os traidores, à semelhança de Judas, não são filhos de DEUS. Por isso, não herdarão a promessa da vida eterna. Podem de forma camuflada autointitularem-se inutilmente de discípulos do Senhor Jesus e Cristãos, sobretudo estarem na Igreja e terem posições de relevo nela, mesmo assim jamais farão parte dos eleitos santos de DEUS, caso não se convertam genuinamente e, deste modo, coadunarem a sua vida aos impolutos ensinos do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. 

O Zelo do Senhor Jesus Cristo pela Casa de DEUS

 

Partilho aqui, mais uma vez, uma breve reflexão sobre “O Zelo do Senhor Jesus Cristo pela Casa de DEUS”, a propósito da Semana da Paixão de Cristo que neste momento estamos a lembrar. Tenha um bom proveito. 

A Certeza e Esperançá na Ressurreição do Senhor Jesus Cristo



Caros amigos, vai aqui mais um vídeo meu sobre a certeza e esperança na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Depois de três dias retido na sepultura, o Senhor Jesus Cristo ressuscitou com a Força e o Poder de DEUS (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-8; Lucas 24:1-12; João 20:1-10), apresentando-Se com provas irrefutáveis (1 Coríntios 15:5-8). Aleluia! 

Sem a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, tal como expressamente sustentava o Apóstolo Paulo, é vã a nossa fé (1 Coríntios 15: 12-18). A fé Cristã está alicerçada na morte e ressurreição gloriosa do Senhor Jesus, pois Ele ressuscitou dentre os mortos e foi feito as primícias dos que dormem (1 Coríntios 15:20). A humilhante e difícil “Via Dolorosa para o Calvário”, que teve duramente que enfrentar, passou agora a ser o caminho aconchegado e ideal do Perdão, do Amor, da Paz, da Reconciliação, da Esperança e da Vida Eterna em Cristo Jesus nosso Senhor e Salvador (LER) (VER). Louvado seja DEUS eternamente! Que assim seja! E assim sempre será!   

A Via Dolorosa Do Senhor Jesus Cristo Para o Calvário



Partilho aqui convosco, mais uma vez, a minha reflexão sobre a Páscoa do Senhor Jesus Cristo. Procurei humildemente centralizar na discernida postura do Senhor Jesus de purificar o templo e concomitantemente a Sua irrevogável saída nele, fazendo depois algumas aplicações práticas com a realidade do nosso Cristianismo contemporâneo. 

Esta saída do Senhor Jesus do templo coincidiu com a Nova Aliança pré-estabelecida por DEUS, desde os primórdios do mundo, e revelado no Antigo Testamento. O Filho do Homem retirou-se definitivamente do pomposo templo para nunca mais voltar a entrar nele. Abandonou-o triste com a adulteração do culto a que ele foi infelizmente reduzido pelas polutas autoridades judaicas, permitindo assim o sacrilégio dos vendilhões dentro dele, somando ainda a incredulidade do povo em relação à Sua pessoa, não obstante as inúmeras tentativas do Senhor Jesus em congregá-los como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas. No entanto, eles deliberadamente não quiseram (Mateus 23:37), confirmando-se assim as palavras do Evangelista João sobre o Messias que “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11). São factores determinantes que condicionaram esta inevitável saída do Filho de DEUS do templo, mormente a concretização plena do Seu Reino na Terra. 

Domingo de Ramos na Teologia da Salvação



Hoje, para nós os Cristãos, é o “Dia de Domingo de Ramos”, conhecido também como a Entrada Triunfal do Senhor Jesus Cristo em Jerusalém (LER). Por imperativo de consciência, senti-me a necessidade de produzir este brevíssimo vídeo quase já em cima da hora desta grande efeméride Cristão. Tenha um bom proveito na sua visualização e auscultação. DEUS lhe abençoe e lhe guarde. 

Ungido Para a Sepultura


“Faltava pouco para a festa da Páscoa dos judeus e muita gente das aldeias ia a Jerusalém para as cerimónias da purificação, antes da Páscoa. Eles procuravam descobrir Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Acham que ele não vem à festa?» Os chefes dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordens para que, se alguém soubesse onde estava Jesus, os informasse para eles o prenderem. 

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ele tinha ressuscitado. Ofereceram lá um jantar a Jesus. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus. Apareceu então Maria com um frasco de perfume muito caro, feito de nardo puro. Deitou-o sobre os pés de Jesus e depois secou-os com os seus cabelos. E toda a casa ficou a cheirar a perfume. Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de atraiçoar, contestou: «Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas para distribuir pelos pobres?» Judas não disse aquilo por ter amor aos pobres, mas porque era ladrão, pois era ele que tinha a bolsa do dinheiro e roubava do que lá se metia. Mas Jesus declarou: «Deixem-na em paz! Isto que ela fez serve para o dia do meu enterro. Pobres, sempre haverá no vosso meio, mas a mim nem sempre hão de ter.[1]»”.



[1] O Senhor Jesus Cristo, extraído in A Bíblia Sagrada, João11:55-57; 12:1-8, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

Ungido Para a Sepultura


“Faltavam dois dias para a Páscoa e para a festa em que se comiam os pães sem fermento. Os chefes dos sacerdotes e os doutores da lei procuravam maneira de prender Jesus, às escondidas do povo, para o matarem. Pois diziam que não convinha prendê-lo durante a festa para não provocarem alvoroço entre o povo. 

Jesus estava em Betânia, em casa de Simão, a quem chamavam «Leproso». E quando estava à mesa aproximou-se dele uma mulher que levava num frasco de alabastro um perfume, muito caro, feito das melhores plantas de nardo. Ela partiu o frasco e deitou o perfume sobre a cabeça de Jesus. Algumas pessoas que lá estavam mostraram-se indignadas com aquilo e começaram a dizer entre si: «Para quê desperdiçar todo este perfume? Pois podia vender-se por mais de trezentas moedas que se davam aos pobres.» E zangaram-se com a mulher. Mas Jesus corrigiu-os: «Deixem a mulher em paz e não a incomodem. Ela praticou uma bela ação para comigo. Pobres irão ter sempre convosco e poderão fazer-lhes o bem que quiserem. Mas a mim é que não me poderão ter sempre. Ela fez o que pôde, perfumou já o meu corpo para a sepultura. E garanto-vos que em qualquer parte do mundo, onde for pregada a boa nova, será contado o que esta mulher acaba de fazer e assim ela será recordada.[1]»”.


[1] Extraído in A Bíblia Sagrada, Marcos 14:1-9, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

Ungido Para a Sepultura


“Ora os chefes dos sacerdotes e os anciãos dos judeus reuniram-se no palácio do sumo sacerdote, Caifás, e fizeram planos para prender Jesus às escondidas a fim de o matarem. Pois diziam que não convinha prendê-lo durante a festa para não provocarem alvoroço entre o povo. 

Jesus estava em Betânia, hospedado em casa de Simão, a quem chamavam “Leproso”. Enquanto estava à mesa, aproximou-se dele uma mulher que levava um frasco de alabastro com perfume muito caro e deitou-lho sobre a cabeça. Os discípulos, ao verem isso, ficaram indignados e diziam: «Para que foi este desperdício? Este perfume podia vender-se por uma grande quantia e dava-se o dinheiro aos pobres!» Jesus sabendo o que se passava disse aos discípulos: «Por que é que estão a envergonhar esta mulher? Na realidade, ela praticou uma bela acção para comigo. Pobres hão-de ter sempre convosco, mas a mim não me poderão ter sempre. O que esta mulher fez, ao deitar-me o perfume, foi preparar-me para a sepultura. E fiquem sabendo que em qualquer parte do mundo onde esta boa nova for pregada, será contado o que acaba de fazer, e assim ela será recordada![1]»”. 


[1] Palavras do Senhor Jesus Cristo, extraído in a Bíblia Sagrada, Mateus 26:3-13, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004. 

A Páscoa do Senhor Jesus Cristo na Teologia da Salvação



Hoje é um dia bastante especial para todo o Mundo Cristão. Celebra-se a Páscoa, isto é, o triunfo do Senhor Jesus Cristo sobre a morte e consequentemente a libertação da Raça Humana outrora perdida pelo lamaçal do pecado (LER)Por isso, partilho convosco este vídeo onde procuro abordar a tão importante temática nas suas várias vertentes teológicas dentro das Escrituras Sagradas. Tenha um bom proveito na visualização e uma boa Páscoa ricamente abençoada por DEUS. 

I Remember Calvary



Como não lembrar da Via-Sacra do Senhor Jesus para a nossa redenção? Espero, com a ajuda do Santo Espírito Santo, nunca esquecer esta Grande Verdade soteriológica na minha vida e poder permanentemente partilhá-la com os meus familiares, amigos, conhecidos, desconhecidos e o mundo em geral. 

A Entrada Triunfal do Senhor Jesus Cristo em Jerusalém


“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta” (Zacarias 9:9). 


Celebra-se hoje em todas as Igrejas Cristãs do mundo o “Domingo de Ramos”, conhecido também como a “Entrada Triunfal do Senhor Jesus Cristo em Jerusalém”. Um evento amiúde marcante e determinante na história do Cristianismo e na consolidação do processo da salvação da Humanidade. Domingo de Ramos foi um dos acontecimentos que precedeu à chamada “Semana da Paixão” em que o Filho do Todo-poderoso DEUS foi exposto ao opróbrio dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes, dos doutores da lei e de todo o povo, sentenciando-Lhe injustamente a morte na Cruz do Calvário. 

O Senhor Jesus, quando estava ainda na região da Galileia, tomou a firme decisão de ir a Jerusalém (Mt16:21; Lc 9:51), visto que era o lugar onde convergiam todas as profecias bíblicas a seu respeito. Era, até então, a cidade de oblação para a expiação dos pecados que o povo reiteradamente cometia, razão pela qual o Messias tinha de ser sacrificado ali para selar definitivamente a Velha Aliança e, deste modo, instaurar um novo Sacerdócio Real na ordem de Melquisedeque (Gn 14:18-21; Salmo 110:4; Hb 5:5-6; 6:20; 7:15-17). 

A decisão do Senhor Jesus em deslocar-se a Jerusalém tinha sobressaltos a todos os níveis, principalmente do ponto de vista geográfico e espiritual. O lugar onde Ele se encontrava na região do mar da Galileia, segundo os estudiosos, fica 200 metros abaixo do nível do mar, enquanto a altura média de Jerusalém é de 760 metros acima do referido nível. Subir até à Cidade Santa era uma trajetória bastante penosa e íngreme para o Filho de DEUS. No decorrer da viagem, o Senhor Jesus atraiu uma enorme turba de peregrinos que seguiam também para Jerusalém, a fim de assistir à celebração da páscoa judaica (Jo 2:13), especialmente por ter curado milagrosamente dois cegos na circunscrição de Jericó (Mt 20:29-34). E foi assim, de forma heróica, que o Senhor Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém com a multidão a render-Lhe merecidamente adoração e acções de graças, entoando vivamente: “hosana ao Filho de David; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas” (Mt 21:1-10), contrariando todas as evidências da censura maléfica por parte dos fariseus (Lc 19:39-40). 

A efeméride do Domingo de Ramos evidencia uma total submissão do Senhor Jesus Cristo à vontade soberana do Seu Pai no cumprimento escrupuloso da Sua missão salvífica neste maldito mundo, não obstante o cenário negro do grande sofrimento e da morte que Lhe esperavam em Jerusalém nos dias subsequentes. Continuou, mesmo assim, fiel à Sua missão celestial até ao fim. O evento do Domingos de Ramos nos ensina, de forma manifesta, que o triunfo Cristão exige momentaneamente a renúncia, o sacrifício, o sofrimento e, até mesmo, em casos mais extremos, a morte para assim conseguir atingir o alvo espiritual que DEUS requer para as nossas vidas. 

Mesmo nestes cenários extremamente adversos e de riscos previsíveis, que o Cristão é obrigado muitas vezes a enfrentar para testificar firmemente a sua fé no Senhor Jesus Cristo, a vitória continua assegurada para ele, tal como prometida nas Escrituras Sagradas. Somos, em todas estas coisas, “mais que vencedores, por aquele que nos amou”, sustentava o Apóstolo Paulo (Rm 8:37). O próprio Senhor Jesus foi exemplo máximo disso. Passou por tremendas oposições e humilhações dos homens, durante todo o Seu ministério terreno (Hb12:3), terminando com a Sua humilhante morte na Cruz do Calvário. Em princípio, vendo as coisas numa perspectiva meramente humana, parecia que tudo estava perdido para o Filho do Homem e não havia sequer alguma alternativa viável para reverter este curso funesto das coisas. Com efeito, o Senhor Jesus Cristo venceu na força do Espírito Santo o Diabo e a morte, ressuscitando ao terceiro dia, glorificando assim a DEUS com o Seu impoluto testemunho de vida (Mt 28:1-7; Mc 16:1-7; Lc 24:1-8; Jo 20:1-18; 1 Cr 15:1-8; Fp 2:5-11). Aleluia! 

Que DEUS nos ajude a seguir realmente este irrepreensível e poderosíssimo exemplo de vida do nosso Sumo-Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo, a quem pertence a glória, a honra e o poder para todo o sempre. Amém. Tal como Ele entrou triunfalmente em Jerusalém, que possamos igualmente enfrentar todas as “jerusaléns” que estarão à nossa espera neste mundo mau em que vivemos, mesmo que isto nos custe os maiores dissabores e infortúnios na vida. Que possamos, de facto, para o nosso próprio bem, estar à altura de aplicar a Sua “Oração Sacerdotal” na nossa vivência diária, afirmando peremptoriamente como Ele fez: Pai, “eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (Jo 17:4). Que assim seja.

A Páscoa do Senhor Jesus Cristo na Teologia da Salvação

Depois de nos termos lançado numa prolixa análise sobre a suma importância do Senhor Jesus tomar o livre-arbítrio de ir a Jerusalém e toda a Via-sacra que isto acarretou até à Sua cruenta morte e posteriormente ressurreição gloriosa, sentimo-nos agora compelidos a fazer um enquadramento histórico-teológico da Páscoa do Senhor Jesus Cristo na teologia da salvação. Desde logo, quando falamos da Páscoa Cristã referimo-nos ao livramento do mundo decaído; do sacrifício expiatório do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário em favor dos pecadores; da libertação da Raça Humana outrora perdida, que vivia sob o jugo do Diabo. 

No início da criação, segundo os fidedignos relatos das Escrituras Sagradas, o Homem rebelou-se contra DEUS e, em consequência disso, foi destituído da glória da sua criação, perdendo significativamente a maioria dos direitos e privilégios que lhe foram inicialmente outorgados no jardim do Éden, levando consigo a sentença de morte, devido ao seu acto pecaminoso (Génesis 2:16-19). Apesar desta situação extremamente irregular e bastante complexa no percurso do Homem, DEUS jamais desistiu dele. Foi o Todo-poderoso Jeová que, no Seu incondicional e infinito Amor, tomou a iniciativa de comunicar com ele depois da sua deliberada queda, bem como proporcionar-lhe as túnicas de peles para vesti-lo, com vista a ocultar a sua nudez do pecado (Génesis 3:9-24). O sacrifício de alguns animais fora preciso para tal providência divina, como ficou implicitamente em Génesis 3:21. Para alguns teólogos isto significava a providência por meio do Messias em face da Sua obra redentora na Cruz do Calvário. Dito por outras palavras, DEUS na Sua Omnisciência e mediante o Senhor Jesus Cristo anularia definitivamente o poder de Satanás sobre o Homem, ferindo-lhe na cabeça e, este por sua vez, lhe ferirá no calcanhar (Génesis 3:15). Ficou assim manifesta a inimizade entre a semente da mulher e a da serpente, o Diabo, tudo apontando para a morte e ressurreição do Filho de DEUS. 

Com o plano da salvação bem delineado e traçado antes da fundação do mundo, o Todo-Poderoso DEUS ainda fez questão de compartilhá-lo com a Humanidade através do Seu povo eleito, a nação israelita, da qual descenderia o Messias Prometido. A começar, desde logo, com o Patriarca Abraão que vislumbrou a concretização do referido plano. Viu-o, dizia o autor sagrado, e alegrou-se (Genesis 12:1-3; João 8:56). E a mesma revelação com o rei David no sentido da promessa: “eu lhe serei por pai, e ele me será por filho… Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti: o teu trono será para sempre” (2 Samuel 7:14; 16). Tanto a promessa abraâmica e a davídica têm como pano de fundo central o Senhor Jesus Cristo e a Sua obra vicária na Cruz do Calvário em prol da Humanidade. 

O Eterno Jeová, desde o Livro de Génesis até Malaquias, conduziu o Seu povo de múltiplas formas com o intuito de moldá-lo à realidade espiritual. Permitiu-lhe passar por tremendas provações e adversidades, isto é, foi escravizado no Egipto por quatrocentos anos (Génesis 15:13; 46:1-34), invadido pelos Assírios (2 Reis 17:1-6; 18-9-15) e posteriormente conquistado pelos babilónios (2 Reis 24:8-17; 2 Crónicas 36:9-21; 2 Reis 25:1-21). Mesmo assim, DEUS jamais desamparou o Seu amado e eleito povo. Sempre esteve presente com ele para lhe dar a lição e orientação na conduta irrepreensível que devia seguir – que é a de voltar à origem da verdadeira adoração. Apesar da difícil experiência de atravessar “o vale da sombra da morte”, que o povo teve mesmo que enfrentar em algumas ocasiões da sua história, o Senhor libertou-o definitivamente de toda esta ignomínia e tremendos desafios, fazendo-o triunfar em tudo perante os seus temíveis inimigos. Ora, é este o grande cerne da mensagem da Páscoa: a libertação da Humanidade decaída que outrora vivia da opressão e da escravidão do pecado, obtendo deste modo o amor, a misericórdia, o perdão, a paz e a reconciliação com DEUS, por intermédio do sacrifício expiatório do Senhor Jesus Cristo. 

Tal como aconteceu à nação israelita no cativeiro do Egipto e na Babilónia, vivendo subjugada pela opressão dos seus inimigos, assim também aconteceu com cada um de nós. Estávamos todos perdidos e mortos nos nossos delitos e pecados, alheios à vontade de DEUS nas nossas vidas (Efésios 2:2-3), fazendo com que o Filho do Homem viesse ao mundo e tomasse a forma do servo cumprindo holisticamente a Missão do Pai (Filipenses 2:5; João 17:4). Viveu como um simples homem, transmitindo todos os desígnios de DEUS durante a Sua momentânea peregrinação neste “vale de lágrimas”. Foi crucificado, de forma bárbara e injusta, e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, deixando-nos a sublime promessa da vida eterna a todos quantos O recebem como único Senhor e Salvador em suas vidas (João 1:12; João 3:16)

A Páscoa, em suma, traduz o incondicional Amor de DEUS para com o mundo perdido e a inauguração de uma Nova Era do relacionamento entre DEUS e os seres humanos, através da vitória do Senhor Jesus sobre a morte. E como sustentava peremptoriamente o Apóstolo Paulo, “mas de facto Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20-21). O reputado Teólogo Protestante Ulrich Swinglio, na mesma esteira do pensamento, registava inspiradamente que “Cristo é o único caminho para a salvação de todos os que existiram, existem ou existirão”. Que assim seja. E assim sempre será. 

Considerações Pascais: A Via Dolorosa Para o Calvário V


Passaremos agora a analisar sucintamente as restantes aleivosias e vexames cometidos contra o Filho do Altíssimo DEUS na Sua Via-sacra para o Calvário. Desde logo, a II. A Injustiça. O Senhor Jesus Cristo ao ser traído, por tudo e todos ao Seu redor, abriu-se portas para ser simultaneamente objecto de inauditas arbitrariedades por parte “dos homens que detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1:18), que “ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20). O processo acusatório que incidia sobre Ele, de início ao fim, estava completamente falsificado e viciado. A forma como foi preso e sentenciado é o exemplo manifesto disso. Não havia nenhum crime que o Filho do Homem praticasse que justificasse a condenação à morte (Isaías 53:9; 2 Coríntios 5:21), tal como o próprio Pôncio Pilatos reconheceu depois de atentamente interrogá-Lo (João 18:34-35). No entanto, tudo isto aconteceu porque odiaram-Lhe sem causa (Salmo 35:19; 69:4 ; João 15:25). O Príncipe da Paz (Isaías 9:6) não representava objectivamente qualquer tipo de ameaça real contra as autoridades vigentes, isto é, de querer usurpar os seus postos governativos ou fazê-los algum tipo de mal. Mesmo assim o Sinédrio, em conluio com a turba ululante e com a aquiescência do sanguinário governador romano (Lucas 13:1), declarou o Senhor Jesus culpado de blasfémia contra DEUS e consequentemente condenou-O à pena capital (Mateus 26:65-66; Marcos 14:63-64), contra todas as evidências legais. Aquele que nunca conheceu o pecado (2 Coríntios 5:21), o Amado Filho de DEUS (Marcos 1:11), foi reduzido a um malfeitor. E assim, de forma flagrante, a mentira triunfou momentaneamente sobre a Verdade. O mal silenciando o Bem. O ódio ofuscando o Amor. Somente por três dias... 

III. A Humilhação. Quando a injustiça reina nos corações das pessoas elas passam a ser extremamente insensíveis, susceptíveis de praticar as piores barbáries que excedem a lógica do bom senso e da razoabilidade. Foi o que aconteceu no caso particular do Senhor Jesus. Desde o Seu despótico julgamento, ferido de tremenda ilegalidade, até à Sua crucificação na Cruz do Calvário, foi exposto ao opróbrio dos homens, tendo sido injuriado, cuspido no rosto, levado punhadas, enquanto outros o esbofeteavam lançando sorte sobre as suas vestimentas (Mateus 26:67-68), inclusive um dos criminosos a troçar Dele (Lucas 23:39). O autor sagrado regista que “os soldados entrelaçaram uma coroa de espinhos que puseram na cabeça de Jesus. Depois colocaram-lhe aos ombros um manto vermelho. Aproximavam-se e faziam pouco dele: «Viva o rei dos judeus!» E davam-lhe bofetadas” (João 19.1-3). Uma passagem bíblica que coaduna com a profecia sobre a condição terrena do “Servo Sofredor” (Isaías 53:1-12). Este sofrimento e tremenda humilhação, a que foi sujeito para nos livrar da condenação eterna, encerrava toda a Verdade central do Evangelho: a salvação da Humanidade pecadora. Se o primeiro homem, por causa da soberba, almejou chegar à natureza Divina (Génesis 3:1-7), desobedecendo categoricamente às ordens expressas de DEUS, o Senhor Jesus, de forma inversa, abdicou da Sua natureza Divina e tomou a forma de escravo, “tornando-se igual aos homens. E, vivendo como homem, humilhou-se a si mesmo, obedecendo até à morte, e morte na cruz” (Filipenses 2:5-8). Viveu como escravo e acabou como se fosse um criminoso, encarando tudo isto com total obediência, com vista a honrar a vontade soberana de DEUS na Sua Vida. Aquele que é o obreiro de todas as coisas, o Alfa e o Omega (Colossenses 1:13-18), o Verbo de DEUS (João 1:10; 14), a Humildade em Pessoa  (Mateus 11:28), agora foi reduzido a um grau de insignificância como se de um marginal tratasse por causa do Seu infinito e incondicional amor para com os pecadores, amando-os até ao fim (João 13:1). Um autêntico paradoxo e “loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1 Coríntios 1:18). Por isso, “Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11)

IV. A Morte. Chegado ao ponto fulcral da Sua missão salvífica, que é o inevitável sacrifício expiatório que Lhe esperava dentro de algumas horas, o Senhor Jesus manteve-se sereno até ao fim. Não cedeu às provocações e tentações que estava a ser objecto na Cruz (Marcos 15:29-32). Foi vexado e humilhado, escrevia o autor sagrado, “mas a sua boca não se abriu para protestar; como um cordeiro que é levado ao matadouro ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador, a sua boca não se abriu para protestar. Levaram-no à força e sem resistência nem defesa” (Isaías 53:7-8). Resistiu firmemente, tal como aquando da Sua tentação no deserto (Mateus 4:1-11). Não Se distraiu uma única vez do Seu verdadeiro intento. Teve ainda a amabilidade de pedir ao Pai para perdoar aqueles que estavam a trespassar-Lhe (Lucas 23:34), sendo deste modo coerente com a mensagem do amor e perdão que sempre pregou, sobretudo a de não pagar o mal com o mal e amar os inimigos, independentemente das circunstâncias favoráveis ou adversas a que se possa estar circunscrito (Mateus 5:41-44). É nesta postura congruente de amor incondicional que clamou com grande brado, dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou” (Lucas 23:46). Com a morte do Senhor Jesus estava tudo consumado. Está consumado a barreira de separação que outrora existiu entre DEUS e os seres humanos por causa do pecado. Definitivamente consumado (João 19:30). Em consequência disso, “o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (Mateus 27:51-52; Lucas 23:45). A barreira de inimizade que separava o Eterno DEUS dos seres humanos foi agora dissipada, fazendo com que se iniciasse uma nova era de Paz e Reconciliação entre ambos, mediante o sangue expiatória do Senhor Jesus (Romanos 5:1-2; 2 Coríntios 5:17-19)

Não se pode, no entanto, falar de todos estes vexames que evidenciámos, e a série de outros que não foram enumerados aqui, sem falar da ressurreição do Messias. Depois de três dias retido na tumba o Senhor Jesus Cristo ressuscitou com a Força e o Poder de DEUS (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-8; Lucas 24:1-12; João 20:1-10), apresentando-Se com provas irrefutáveis (1 Coríntios 15:5-8). Aleluia! Sem a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, tal como expressamente sustentava o Apóstolo Paulo, é vã a nossa fé (1 Coríntios 15: 12-18). A fé Cristã está alicerçada na morte e ressurreição gloriosa do Senhor Jesus, pois Ele ressuscitou dentre os mortos e foi feito as primícias dos que dormem (1 Coríntios 15:20). A humilhante e difícil “Via Dolorosa para o Calvário”, que teve duramente que enfrentar, passou agora a ser o caminho aconchegado e ideal do Perdão, do Amor, da Paz, da Reconciliação, da Esperança e da Vida Eterna em Cristo Jesus nosso Senhor e Salvador. Louvado seja DEUS eternamente! Que assim seja! E assim sempre será! 

Considerações Pascais: A Via Dolorosa para o Calvário IV


Nos artigos precedentes centralizamos apenas a nossa abordagem na suma importância de o Senhor Jesus ir a Jerusalém, bem como traçar a similitude dessa discernida decisão com a do patriarca Abraão na Teologia da Salvação. Agora, para uma melhor compreensão dos leitores, procuraremos abordar as implicações práticas da curta e complicadíssima estadia do Messias na Cidade Santa durante a “Semana da Paixão”, máxime pela forma como sofreu tamanha oposição dos pecadores (Hebreus 12:2-3), que culminou com a Sua humilhante e horrenda morte na Cruz do Calvário. O Senhor Jesus ao tomar o livre-arbítrio de ir a Jerusalém estava, sem dúvida, a perfilhar inteiramente com a Sua missão redentora em favor da Humanidade. E esta impreterível decisão envolveria, em última instância, a traição, a injustiça, a humilhação, a morte e a Sua ressurreição. Analisaremos infra, de forma sumária e sistemática, cada uma dessas deliberadas aleivosias cometidas contra o inofensivo Filho de DEUS. 

(I) A Traição. Começou, desde logo, com a multidão que rodeou o Senhor Jesus na Sua entrada triunfal no “Domingo de Ramos” na Cidade Santa, pedindo posteriormente a Pilatos para crucificá-Lo (Marcos 15:8-15). Uma tamanha incongruência comportamental sem precedentes. Embora não seja clarividente nas Escrituras Sagradas se é a mesma multidão. Há todavia um entendimento praticamente generalizado no seio dos biblistas no sentido que não é a mesma multidão que se revoltou contra Ele, sob o argumento que a turba que entrou com  o Senhor Jesus não era da cidade de Jerusalém, porque vinha das urbes circunvizinhas para onde Ele passou e seguiram-No até Jerusalém, tendo depois regressado às suas origens. O agora emérito Papa Bento XVI, por todos, defende esta posição no seu segundo volume “Jesus de Nazaré – Da Entrada em Jerusalém Até à Ressurreição”

Não comungamos deste entendimento preconizado pelos reputados teólogos. Temos uma leitura completamente diferente. É verdade que a multidão que entrou com o Senhor Jesus em Jerusalém era forasteira, acreditamos, contudo, piamente, que foi a mesma que dias antes O clamava devotamente: “hosana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” (Mateus 21:9-10) e subsequentemente mudaram de opinião, pedindo a Sua injusta crucificação. Não fazia qualquer sentido a caravana que entrou com o Senhor Jesus na Cidade Santa, percorrendo inúmeros quilómetros (alguns seguiram-No desde Jericó) para estar apenas um ou poucos dias em Jerusalém e logo a seguir regressar imediatamente às suas terras, sem ficar para celebrar a grande festa da páscoa judaica. Aliás, a maioria das pessoas estava precisamente ali por causa da referida efeméride que decorria naquela mesma altura do calendário. E não estamos a falar de uma mera celebração. É das mais importantes festas judaicas que atraía numerosos peregrinos a Jerusalém, tal como acontecera em algumas ocasiões com o Senhor Jesus e a Sua família – que tiveram de deslocar-se de Nazaré para ir assistir à aludida festividade (Lucas 2:41-52). Esperava-se, por parte desta multidão, o ardente desejo de aproveitar a oportunidade aí presente para comemorar a páscoa como é commumente prática judaica, hospedando-se em alguma parte da cidade. 

Acresce ainda o facto que, ao longo dos três anos volvidos no ministério evangelístico, o Senhor Jesus granjeou uma enorme simpatia e fama incontornável perante o povo – tanto na região da Judeia, Samaria e da Galileia, fazendo com que conquistasse uma grande popularidade nacional. E, justamente, por isso, havia diferentes entendimentos a Seu respeito, comparando-O com figuras proeminentes e bastante consensuais no panorama religioso de Israel, nomeadamente João Baptista, Elias, Jeremias ou um dos profetas antigos que havia ressuscitado (Mateus 16:13-16; Marcos 8:27-30 Lucas 9:18-20). Toda essa compreensão, que o povo tinha Dele, demonstrava a elevada estima e admiração que nutria por Ele. É evidente que o Senhor Jesus era mais importante em comparação com todas essas colossais figuras mencionadas. Ele é o Filho do Todo-Poderoso DEUS, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Salvador do mundo. E mais, esta fama popular contribuiu decisivamente para que Ele não fosse preso e morto prematuramente, tal como sempre desejaram os chefes dos sacerdotes e doutores da lei (João 7:30). Sabemos que isto nunca iria acontecer precocemente, uma vez que “a sua hora ainda não tinha chegado” (João 7:32:44). Com efeito, para gerir esse compasso de espera até chegar mesmo a Sua hora, foi preciso DEUS usar a multidão para “protege-Lo” provisoriamente da morte certa, razão pela qual Jesus gozou desta “imunidade temporária” até ao tempo limite da Sua passagem desta vida para o além (João 13:1). Se não fosse a multidão, há muito que O Senhor Jesus teria sido morto. Não há dúvida disso, porque ele não andava com guarda-costas e, tão pouco, armado. Havia, desde muito cedo, um plano bem traçado para tirá-Lo a vida, mas por causa da multidão ninguém teve coragem de deitar-Lhe a mão. Por isso, quando chegou a Sua hora de deixar este mundo, que coincidiu igualmente com “o poder das trevas” (Lucas 22:53; João 13:1), perdeu completamente a “legitimidade” que beneficiava no seio do povo e, em consequência disso, foi preso e condenado à morte (Lucas 22:53)

A chegada da hora do Senhor Jesus aconteceu concomitantemente com a manifestação visível do “poder das trevas”, tal como o próprio vai reconhecendo: “Vieram aqui com espadas e paus para me prenderem, com se eu fosse um ladrão? Estava convosco todos os dias no templo e não me prenderam! Mas esta é a vossa hora, é o poder das trevas” (Lucas 22:52-53). É este poder das trevas, que por sua vez, confundiu espiritualmente a multidão em Jerusalém e, mais tarde, os próprios discípulos. Começou a dar sinais com a cidade a ficar em “alvoroço” com a entrada triunfal do Senhor Jesus  (Mateus 21:10), curiosamente o mesmo termo “alvoroço” que havia em Jerusalém aquando do Seu nascimento em Belém de Judeia  (Mateus 2:3)  que, posteriormente, culminou com a matança das criancinhas inocentes por parte do rei Herodes para poder liquidá-Lo   (Mateus 2:16-18). Da mesma sorte, este último “alvoroço” resultou na predestinada morte do Filho do Homem. São os efeitos devastadores do referido “poder das trevas” que contagiou tudo e todos na cidade de Jerusalém, incluindo a mesma multidão que O aclamava dias antes e até mesmo os seus discípulos. 

Ainda em jeito de contra-argumento, para os Teólogos que têm uma leitura diferente da nossa sobre esta temática, importa salientar que o Senhor Jesus tinha muitos admiradores em Jerusalém, insistimos, apesar de nem todos eles considerarem-No o Messias. Mesmo assim, nutriam um enorme carinho e admiração por Ele (João 7:40-52). Eis a grande questão que se coloca: onde estariam, então, essas pessoas na hora da Sua condenação? Será, porventura, que todos os habitantes de Jerusalém eram contra Ele? Porque é que alguns não saíram à rua para defendê-Lo ou, pelo menos, tentar protegê-Lo da injustiça que estava a ser alvo? Não repara, caro leitor, que algo não bate certo aqui em termos da coerência argumentativa da posição que estamos a refutar? 

É verdade que nem todos em Jerusalém, como em outras cidades de Israel, gostavam do Senhor Jesus. Mas havia um número bastante significativo da multidão que O tinha como profeta e alguns deles como Messias. Foi por causa disso que Pilatos tentou arranjar uma alternativa escapatória para libertá-Lo, usando assim uma prerrogativa que não era comum naquele tempo, isto é, colocando o povo como juiz num famoso e controverso processo político-religioso. Terá pensando que com isso conseguiria salvar o Senhor Jesus da sentença capital de que traiçoeiramente estava a ser acusado pelas autoridades judaicas, uma vez que o marginal Barrabás jamais seria preferido pelo povo em comparação com o Santo Filho de DEUS. Presumia, de forma equivocada, o tirano governador romano. Debalde foram as suas “benévolas pretensões” para com o Messias (Mateus 27:15-26; Marcos 15:6-15; Lucas 23:13-25; João 18:38-40). Não resultaram e caíram completamente por terra. 

Estando a reinar “o poder das trevas”, por causa da chegada da hora do Filho do Homem (João 13:1; 17:1), conseguiu obnubilar completamente todos aqueles seguidores que aclamavam o Senhor Jesus na sua entrada triunfal em Jerusalém, razão pela qual não há que admirar a mudança repentina operada na multidão. Em certas ocasiões, a própria multidão intitulada nos Evangelhos de “seguidores”, teve esta postura redutora e antagónica sobre quem é o Senhor Jesus (João 6:47-58), chegando ao ponto de abandoná-Lo só porque demonstrava claramente quem realmente É (João 6:66). Por isso, não temos que ficar completamente surpreendidos com a momentânea mudança de posição da mesma multidão em Jerusalém. 

O impacto abismal desta manifestação do “poder das trevas” foi de tal ordem que afectou drasticamente a espiritualidade dos discípulos. A começar, desde logo, com a censura gananciosa que fizeram com a mulher que devotadamente ungiu o Senhor Jesus na casa de Simão, o “leproso”, em Betânia (Mateus 26:6-13; Marcos 14:3-9; João 12:1-8). E, ulteriormente, o sono anormal que se apoderou deles em Getsémani ao ponto de não conseguirem resistir apenas uma hora com o Senhor Jesus em oração, não obstante estarem predispostos espiritualmente, mas a carne estava bastante fraca (Mateus 26:40-46), somando o facto de abandonarem o seu Mestre aquando da Sua humilhante prisão (Mateus 26:56). Foi o mesmo “poder das trevas” que levou Judas Iscariotes a trair o Senhor Jesus, vendendo-O por trinta moedas de prata, apoderando-se definitivamente dele ao ponto de levá-lo ao suicídio (João 3:19; Mateus 26:14-16; 27:3-5; Lucas 22:53). Outrossim, foi efeitos do mesmo “poder das trevas” que levou o Apóstolo Pedro a negar o Senhor Jesus por três vezes (Mateus 26:69-75; Marcos 14:66-72; Lucas 22:55-62; João 18:15-18), bem como todos os discípulos a duvidar da Sua Ressurreição, mesmo estando a falar visivelmente com eles de carne e osso (Marcos 16:9-13; Lucas 24:10-49). 

Somente com a crucificação do Senhor na cruz que vislumbramos a manifestação visível deste “poder das trevas”. A Terra ficou literalmente escura desde a hora sexta até à hora nona (Mateus 27:45). Neste melancólico e sofrimento atroz, que o Filho de DEUS estava reduzido nas mãos dos ímpios pecadores, levou-Lhe a clamar em alta voz: “Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?". Eis que, continua ainda o autor sagrado, na sequência dos acontecimentos que sucederam, “o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os sepulcros depois, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mateus 27:46; 51-53). O Senhor Jesus lutou com os “principados e potestades”, vencendo-os com Seu impoluto testemunho de vida (Hebreus 12:2.3). 

“poder das trevas”, que confundiu tudo e todos com a chegada hora do Senhor Jesus, somente esvaneceu nos discípulos quando realmente “abriram os olhos” (Lucas 24:30-35; 45-49) e começaram a interiorizar melhor a verdade central das Escrituras Sagradas, que é a vitória do Messias sobre a morte. Naquele momento passaram a compreender, de forma clara e holística, que Ele é o Único Caminho para a Salvação de todo aquele que Nele crê (Actos 4:11-12). A partir daí foram definitivamente revestidos pelo poder do Espírito Santo (Actos 1:8) e o impacto imediato que tudo isto teve depois no testemunho miraculoso que deram na propagação do Evangelho pelo mundo inteiro. Que assim seja. 

Considerações Pascais: A Via Dolorosa para o Calvário III


É extremamente importante salientar o paralelismo entre o patriarca Abraão e o Senhor Jesus Cristo no processo da salvação, especialmente o dever de obediência que caracterizaram ambos na decisiva trajectória a Jerusalém para ofertar sacrifício a DEUS. Não se pode falar do Messias Salvador sem, no entanto, falar previamente de Abraão e vice-versa. O primeiro é o grande precursor da Lei e o segundo e a perfeita personificação da Graça. As duas incontornáveis figuras bíblicas estão visceralmente ligadas a Teologia da Salvação. A promessa dada ao patriarca Abraão teria apenas a concretização plena com a encarnação, morte e ressurreição do Filho de DEUS. 

Tal como Abraão foi desafiado para se dirigir ao “Santo Monte”, em Jerusaléme ali sacrificar o seu único filho, assim também foi com o Senhor Jesus em relação à Sua vida oferecida para resgatar a Humanidade outrora perdida no lamaçal do pecado. Tanto um como o outro correspondeu, sem hesitação, à solicitação Divina. Abraão fez-se acompanhar, segundo o Teólogo Joseph Ratzinger, citando as Escrituras Sagradas, para a longa viagem ao Monte Mória, em Sião, Jerusalém, dos seus dois servos. Da mesma sorte Jesus levou com ele os seus discípulos, granjeando, durante o percurso, outros tantos peregrinos que seguiam rumo a Jerusalém para assistir à páscoa dos Judeus. Na sua oração em Getsémani, momentos antes de ser preso e condenado à morte, já apenas com um grupo restritos dos seus discípulos, levou apenas consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu (Mateus 26:37), equivalendo, deste modo, o mesmo número de pessoas que cercava Abraão na viagem (Génesis 22:3). 

Nas duas misteriosas histórias, prossegue ainda Ratzinger, o burro esteve presente. Abraão viajou para o local de burro e Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém montado num burro. O patriarca Abraão levou apenas o seu filho Isaque para “o lugar de adoração”, que que iria servir para a oblação. O Senhor Jesus, nos momentos cruciais, esteve praticamente sozinho. No primeiro momento, ainda em Getsémani com os discípulos, o autor sagrado regista que “afastou-se deles a uma curta distância e, pondo-se de joelhos” a orar (Lucas 22:41; Mateus 26: 39). No segundo momento, depois de ter sido preso, foi desamparado até à Sua cruenta morte na cruz (Mateus 26:31-32). E mais, Abraão somente viu o lugar que DEUS lhe havia indicado já no terceiro dia da viagem. O Senhor Jesus, de acordo com as Escrituras, ressuscitou ao terceiro dia (Lucas 24:46)

O patriarca Abraão e o Senhor Jesus representam o pacto de DEUS com a Humanidade, bem como a sua concretização holística. Podemos apenas evidenciar uma única diferença substancial neles: foi com o Senhor Jesus que fomos definitivamente justificados e passámos a ter paz com DEUS (Romanos 5:1-2) que, aliás, é o Único que dispõe desse poder remidor. Com a vida e obra do Messias prometido, o Todo-Poderoso DEUS honrou dignamente a Sua imaculada promessa. 

Resta, pois, a cada um de nós, cumprir, igualmente, com a sua parte neste admirável processo da salvação. Somos todos desafiados, sem excepção, pelas Escrituras Sagradas, a subir ao “Santo Monte” de DEUS e ali oferecer o nosso sacrifício vivo, santo e agradável a DEUS (Romanos 12:1). Sacrifício que deverá traduzir o genuíno arrependimento, conversão, contrição e santificação (Actos 26:20), levando-nos com ajuda do Espírito Santo que “cheguemos à unidade da fé e ao pleno conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da estatura de Cristo” (Efésios 4:13). Que assim seja. 

Considerações Pascais: A Via Dolorosa para o Calvário II


Tal como vincámos no artigo precedente, era extremamente importante a partida do Senhor Jesus Cristo a Jerusalém visto que era o lugar onde convergiam todas as profecias bíblicas a Seu respeito (LER). E mais, até então, era a cidade de oblação para a expiação dos pecados que o povo reiteradamente cometia, razão pela qual o Filho do Homem tinha que ser ali sacrificado para selar definitivamente a Velha Aliança firmada pelo Eterno JEOVÁ e, deste modo, instaurar o Sacerdócio Real na ordem de Melquisedeque  (Génesis 14:18-21; Salmo 110:4; Hebreus 5:5-6; 6:20; 7:15-17). 

A corajosa decisão de Jesus em deslocar-se a Jerusalém tinha inúmeros sobressaltos e riscos associados, mormente do ponto de vista geográfico e espiritual. No lugar onde se encontrava, a região do mar da Galileia, segundo Joseph Aloisius Ratzinger, fica 200 metros abaixo do nível do mar enquanto a altitude média de Jerusalém é de 760 metros acima do referido nível. Por isso, subir até à Cidade Santa, era uma trajectória íngreme e bastante penosa. Aqui, o cumprimento escrupuloso de todas as profecias dependia dessa obediência plena do Filho de DEUS, bem como a salvação da Humanidade perdida no lamaçal do pecado. E tudo isto consubstanciava, em termos prático-espirituais, um tremendo desafio no itinerário do Messias. 

No decorrer da viagem, o Senhor Jesus atraiu uma enorme multidão dos peregrinos que seguiam igualmente para Jerusalém, a fim de assistir à celebração da páscoa judaica (João 2:13), especialmente por ter curado dois cegos na circunscrição de Jericó (Mateus 20:29-34). E, foi assim, de forma heróica, que o Senhor Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém com a multidão a render-Lhe o merecido louvor, adoração e acções de graças, entoando efusivamente: “hosana ao Filho de David; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!” (Mateus 21:1-10), contrariando todas as maléficas censuras dos fariseus (Lucas 19:39-40). 

A decisão subordinada de Jesus, de se entregar em Jerusalém, era semelhante à prova que DEUS colocou ao Patriarca Abraão. Este também foi desafiado a sacrificar o seu querido Filho, o Isaque. E, prontamente, correspondeu na íntegra com a vontade expressa do SENHOR, fazendo-se acompanhar nessa missão dos seus servos. Era, outrossim, um percurso escarpado e com enorme carga espiritual a priori fatídica, tal como o do Messias. Durante a difícil viagem para Jerusalém, concretamente à região do Monte Mória, em Sião, Abraão, a determinada altura da caminhada, depois de vislumbrar o lugar que DEUS lhe indicara, disse então aos seus criados: “fiquem aqui com o burro que eu vou até lá adiante com o menino, para adorarmos o Senhor e depois voltarmos para junto de vocês” (Génesis 22:4-5). 

Nas duas misteriosas histórias encontramos várias similitudes, sustenta ainda o Joseph Ratzinger, que concorrem e apontam para a providência divina no processo da Salvação. A começar com um acto livre de obediência, a viagem efectuada a Jerusalém, as pessoas envolvidas durante o percurso que, por vicissitudes supervenientes, acabaram por ficar para trás, o burro, o sofrimento e, por fim, o sacrifício expiatório (desenvolveremos estes pormenores nos artigos subsequentes). Mesmo assim, tanto o Patriarca Abraão como o Senhor Jesus não desfaleceram no seu nobre intento de servir a DEUS e foram obedientes até ao fim. 

A fé de Abraão estava bem ancorada no Todo-Poderoso DEUS (Hebreus 11:8-19) e no Messias, o Salvador do Mundo, razão pela qual alegrou-se com a ideia de poder presenciar a vinda do Messias. Viu-o e regozijou-se (João 8:56), alcançando assim a bem-aventurança eterna.  DEUS, da mesma sorte, honrando a Sua Santa Palavra, tendo em conta a missão redentora do Seu Amado Filho, elevou-O “acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobrem todos os joelhos: no Céu, na Terra e debaixo da terra; e para que todos proclamem, para a glória de Deus Pai: Jesus Cristo é o Senhor!”  (Filipenses 2:9-11). 

Considerações Pascais: A Via Dolorosa Para o Calvário I


Um dos momentos mais conseguidos e determinantes em todo o percurso terreno do Senhor Jesus Cristo foi o de ter tomado a intrépida e discernida decisão de ir a Jerusalém. Esta difícil decisão encerraria, em última instância, a Sua predeterminada morte expiatória na Cruz do Calvário em favor da Raça Humana outrora decaída pelo pecado original de Adão e Eva, bem como a Sua inquestionável ressurreição dos mortos ao terceiro dia, tal como ficou fidedignamente registado nas Escrituras Sagradas (1 Coríntios 15:4). O Senhor Jesus entrou triunfalmente na Cidade Santa no “Domingo de Ramos”, não obstante o sofrimento atroz que augurava que iria acontecê-Lo nos dias subsequentes perante as autoridades judaicas. Mesmo assim, “tomou o firme propósito de ir a Jerusalém” (Lucas 9:51), trilhando assim a penosa via-sacra. 

É curioso notar que, da mesma sorte, o Apóstolo Paulo quando estava ainda em Éfeso tomou também a decisão de ir a Jerusalém, mesmo sabendo que lhe esperavam prisões e tribulações em todas as cidades que ia vistoriando (Actos 20:23). O facto de ter que percorrer a íngreme via dolorosa não obstaculizou, em circunstância alguma, o nobre ministério que o Senhor Jesus lhe confiou: de dar testemunho do Evangelho da Graça de DEUS “tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios (Actos 26:22-23). 

Por isso, de forma analógica, o desafio que nos é lançado também pelo Filho do Todo-Poderoso DEUS, é o de cada um em particular tomar a sua cruz e segui-Lo resolutamente. Por outras palavras, é prosseguir determinadamente a via dolorosa rumo à Jerusalém Celestial, salvando assim a nossa alma da condenação eterna que recairá sobre os ímpios. É a sensata e impreterível decisão que todos deveriam tomar. A sorte está lançada. 

CONSIDERAÇÕES PASCAIS (5): A Dolorosa Via-Sacra do Messias [II]


II. A Injustiça. O Senhor Jesus Cristo ao ser traído, por tudo e todos ao Seu redor, abriu portas para ser, concomitantemente, objecto de inauditas arbitrariedades por parte dos homens que detêm a verdade em injustiça (Romanos 1:18). O processo acusatório que incidia sobre Ele, de início ao fim, estava completamente viciado. A forma como foi preso e sentenciado é o exemplo manifesto disso. Não havia nenhum crime que o Filho do Homem praticasse que justificasse a condenação à morte (Isaías 53:9), tal como o próprio Pôncio Pilatos reconheceu depois de interrogá-Lo (João 18:34-35). A Mensagem que Ele encarnava e proclamava não representava qualquer tipo de ameaça real contra as autoridades vigentes. Mesmo assim o sinédrio, em conluio total com a turba ululante e com a aquiescência do sanguinário governador romano (Lucas 13:1), declarou Jesus culpado de blasfémia contra DEUS, e, consequentemente, condenou-O à pena capital (Mateus 26:65-66; Marcos 14:63-64), contra todas as evidências legais. Aquele que nunca conheceu o pecado (2 Coríntios 5:21), o Justo Filho de DEUS, foi reduzido a um marginal. E assim, a mentira triunfou momentaneamente sobre a Verdade. O mal silenciando o Bem. O ódio ofuscando o Amor. Somente por três dias.

III. Humilhação. Quando a injustiça reina nos corações das pessoas elas passam a ser capazes de praticar as piores barbáries, que excedem a lógica da razão. Foi o que aconteceu no caso particular do Senhor Jesus. Desde o Seu despótico julgamento, ferido de tremenda ilegalidade, até a Sua crucificação no Gólgota, foi exposto ao opróbrio, tendo sido injuriado, cuspido no rosto, dado punhadas, enquanto outros o esbofeteavam lançando, inclusive, sorte sobre as suas vestimentas (Mateus 26:67-68), sendo que até um dos incriminados troçava dele (Lucas 23:39). O autor sagrado regista que "os soldados entrelaçaram uma coroa de espinhos que puseram na cabeça de Jesus. Depois colocaram-lhe aos ombros um manto vermelho. Aproximavam-se e faziam pouco dele: «Viva o rei dos judeus!» E davam-lhe bofetadas" (João 19.1-3). Uma passagem bíblica, que se coaduna com a profecia sobre a condição terrena do Servo Sofredor (Isaías 53:1-12). Este sofrimento e tremenda humilhação, a que foi sujeito, encerra a Verdade central do Evangelho: A salvação da Humanidade pecadora. O Senhor Jesus abdicou, em primeiro lugar, da Sua natureza divina e tomou a forma de escravo, "tornando-se igual aos homens. E, vivendo como homem, humilhou-se a si mesmo, obedecendo até à morte, e morte na cruz" (Filipenses 2:5-8). Viveu como escravo e acabou como escravo, encarando tudo isto com bastante determinação, com vista a honrar a vontade de DEUS. Aquele que é o obreiro de todas as coisas, o Alfa e o Omega (Colossenses 1:13-18), a humildade em pessoa (Mateus 11:28), agora é reduzido a insignificância como se de um qualquer tratasse, por causa do Seu amor incondicional que nutre pela Humanidade.

IV. A Morte. Chegado ao ponto decisivo da Sua missão salvífica, que é a inevitável morte que Lhe esperava dentro de algumas horas, o Senhor Jesus manteve-se sereno até ao fim. Não cedeu às provocações e tentações que estava a ser objecto na cruz (Marcos 15:29-32). Resistiu na força do Espírito Santo, tal como aquando da Sua tentação no deserto (Mateus 4:1-11). Não se distraiu uma única vez do Seu verdadeiro intento. Teve ainda a amabilidade de pedir ao Pai para perdoar aqueles que estavam a trespassar (Lucas 23:34), sendo coerente com a mensagem do perdão que sempre pregou, sobretudo a de não pagar o mal com o mal e amar os inimigos, independentemente das circunstancias favoráveis ou adversas a que se possa estar circunscrito (Mateus 5:41-44). É nesta postura de amor incondicional, que clamou com grande brado, dizendo: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou" (Lucas 23:46). Com a morte de Jesus estava assim tudo consumado (João 19:30). Em consequência deste desfecho auspicioso, "o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras. E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, foram ressuscitados" (Mateus 27:51-52; Lucas 23:45) culminando na barreira que separava o Eterno DEUS dos humanos, bem como a instauração de uma nova ordem de relacionamento entre ambos, graças à expiação do Senhor Jesus Cristo na cruz do Calvário.

Por isso, não se pode falar de todos estes vexames que evidenciamos e a série de outros que não foram aqui enumerados sem falar, acima de tudo, da ressurreição do Filho de DEUS. Depois de três dias retido na tumba Ele ressuscitou com força e poder (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-8; Lucas 24:1-12; João 20:1-10), apresentando-se com provas irrefutáveis (1 Coríntios 15:5-8). Sem a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, tal como expressamente sustenta o Apóstolo Paulo, é vã a nossa fé (1 Coríntios 15: 12-18). A fé Cristã está alicerçada na morte e ressurreição vitoriosa de Jesus, porque Ele ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem (1 Coríntios 15:20). A dolorosa via-sacra que teve que suportar até a cruz do Calvário passou agora a ser o caminho aconchegado do Perdão, do Amor, da Paz, da Reconciliação, da Esperança e da Vida Eterna em Cristo Jesus nosso Eterno Senhor e Salvador. Aleluia!