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A PALAVRA DO SENHOR (40): Quem Tem Ouvidos Para Ouvir, Que Ouça


“Que o Senhor te escute no tempo da angústia;

que o próprio Deus de Jacob te proteja!

Que ele te envie socorro e auxílio

do seu santuário, no monte Sião.

Que ele se lembre de todas as tuas ofertas

e aceite os teus sacrifícios.

Que ele te conceda tudo o que desejas

e te ajude a realizar os teus planos.

Celebraremos então a tua vitória

e em nome do nosso Deus ergueremos bandeiras.

Que o Senhor satisfaça todos os teus pedidos. 


Sei agora que o Senhor dará a vitória ao seu ungido;

ele responde-lhe do seu santuário, no céu,

dando-lhe grandes vitórias com o seu poder.

Uns confiam nos seus carros de guerra

e outros contam com os seus cavalos;

nós, porém confiamos no Senhor, nosso Deus.

Eles tropeçam e caem,

nós, porém, estamos firmes e seguros. 


Senhor, dá a vitória ao rei;

responde-nos, quando te invocamos![1]


[1] (Ao Director do Coro. Salmo da Colecção de David, in Salmo 20:1-10, Versão, A Boa Nova Em Português Corrente, Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2004).

Mais um Ano de Vida

Começo sempre o ano novo civil a fazer anos. Celebro hoje 39 anos de idade, graças a DEUS. Mais um ano para comemorar o dom inefável da vida. Mais um ano de júbilo e de festa. Mais um ano de gratidão a DEUS pela vida e saúde que ELE graciosamente tem-me concedido ao longo dos tempos, tendo fé que tal estender-se-á ainda por longos e bons anos. 

Estes 39 anos são coroados de autênticos altos e baixos a todos os níveis, encerrando paradoxalmente prós e contras. Mesmo assim, são anos de bastante assimilação, amadurecimento, crescimento, reconciliação e felicidade. São anos vividos com bastante fé, amor, paz, gratidão, entusiasmo e esperança em DEUS. Aquilo que sou hoje é resultado dessas simbioses de experiências gratificantes. Experiências profundamente marcantes e que moldaram o meu substrato identitário e mundividência, habilitando-me simultaneamente a reconhecer a precariedade da vida, a sua fugacidade e finitude. Estou tranquilamente em paz com DEUS, comigo e procuro, na medida do possível, no que depender de mim, estar em paz com o próximo à minha volta. 

Sinto cada vez mais o peso da idade. Sinto que estou, de forma galopante, a ficar mais velho. Sinto, acima de tudo, a paixão contagiante da vida a entrelaçar-me diariamente. Que esta paulatina odisseia à velhice me habilite a ter plenamente a consciência dos meus defeitos e virtudes, depurando aqueles e aperfeiçoando estes. Por outras palavras, ter a capacidade suficiente de corrigir as minhas imperfeições e consolidar as minhas qualidades. 

Espero que, em circunstância alguma, se aparte de mim a sabedoria, a humildade, a gratidão, a autenticidade, o discernimento, a liberdade, a autonomia, a frontalidade, o bom-senso e a espiritualidade, sobretudo de nunca me folgar com as injustiças ou reduzir-me em desvelos alimentados por uma mercenária ânsia de legitimação secular. Longe de mim toda a sorte de cólera, torpeza, soberba, complexos, bajulação, superficialidades, ingratidão, vingança, malignidade e vaidade do mundo. 

Que continue a ser uma pessoa estavelmente bem-disposta, alegre no Espírito Santo em todo e qualquer momento, satisfeito com aquilo que legalmente tenho e com muita fé no Senhor Jesus Cristo. Espero ainda continuar a ser amante de comida, da música (dos hinos Cristãos em particular), dos livros e de um bom debate. Que continue a falar alto e efusivamente, a cultivar mais a virtude do amor, do perdão, da tolerância, da misericórdia e da humildade na maneira de estar e encarar os elevados desafios da vida, especialmente que a promessa bíblica do Salmo 91:1-16 seja manifestamente uma realidade vivo-concreta na minha vida. Por fim, espero continuar a espalhar por toda a parte o bom perfume do conhecimento de Cristo para as pessoas que precisam encarecidamente da Sua graça redentora. 

Fechou-se, ontem, felizmente, um ciclo de vida e abre-se um novo a partir de hoje com elevadas expectativas no horizonte por concretizar. Até aqui me ajudou o SENHOR. A ELE, através do Senhor Jesus Cristo, seja dado todo o Poder, a Honra, a Glória pelos séculos dos séculos. Que assim seja. Assim sempre será. 

A Importância de Orar de Joelhos


Orar é uma marca indelével na vida dos Cristãos. É uma das formas solenes e especiais que dispomos para interagirmos com o nosso Pai Celestial. Somos chamados a orar sem cessar (1 Ts 5:17), tendo em conta os grandes desafios que a vida espiritual comporta a todos os níveis. Devemos orar com a postura adequada e com o temor reverencial que se espera dos filhos do Todo-Poderoso DEUS, sobretudo de joelhos. Orar de joelhos traduz, em última instância, a postura mais correcta de se apresentar diante do nosso Magnífico DEUS. Também diz muito sobre o grau da reverência que demonstramos para com ELE. É uma boa prática religiosa que já vinha desde a mais antiga tradição judaica. Os profetas do Antigo Testamento comummente oravam de joelhos. O Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigénito de DEUS, subscreveu na íntegra este modelo de espiritualidade e orava de joelhos. Os seus discípulos, da mesma sorte, oravam de joelhos, bem como a Igreja primitiva. 

No entanto, por vicissitudes várias e supervenientes, orar de joelhos é uma boa prática que a ala tradicional do protestantismo postergou na sua liturgia pública e privada. Praticamente não se ensina na Escola Bíblica Dominical (EBD) e nos cultos congregacionais, fazendo com que a generalidade dos fiéis não o coloque em prática nas suas orações devocionais e espiritualidade em geral. Somente se verifica esporadicamente nos cultos da ordenação pastoral e de casamento, tendo em conta a imposição das mãos do presbitério perante os consagrados. Mesmo nos círculos pentecostais ou neo-pentecostais, onde se costuma enfatizar efusivamente o conceito de oração, acabam sempre por esvaziar este importantíssimo pressuposto espiritual e ficar bastante aquém na postura mais correcta que se deve seguir diante do SENHOR para orar. 

Orar de joelhos, tal como sustenta sabiamente Joseph Ratzinger, “é a posição de oração que exprime a extrema submissão à vontade de Deus, o abandono mais radical a Ele; uma posição que a liturgia ocidental prevê ainda na Sexta-Feira Santa, na Profissão Monástica e também na Ordenação Diaconal e nas Ordenações Presbiteral e Episcopal”. O Senhor Jesus ora de joelhos no Monte das Oliveiras– momentos antes de enfrentar a dolorosa Cruz (Lc 22.41). Hernandes Dias Lopes, na mesma esteira do pensamento, escreve que “o Deus eterno, criador do universo, sustentador da vida está de joelhos, com o rosto em terra. O Rei da glória está prostrado em humílima posição”. O Evangelista Mateus regista que o Senhor Jesus “prostrou-se sobre o seu rosto, orando” (Mt 26:39). Marcos narra que ele “prostrou-se em Terra” (Mc 14:35). Lucas, diferentemente dos dois evangelistas, descreve que o Senhor Jesus “pondo-se de joelhos, orava” (Lc 22:41). No chão duro, e sem qualquer tipo de suporte ou comodidade, o Senhor Jesus orava de joelhos, renunciando assim qualquer tipo de conforto na Sua intercessão. 

A Bíblia Sagrada ensina-nos várias formas de oração e/ou postura a adoptar. Com efeito, orar de joelhos ou deitar-se no chão para orar normalmente envolve casos de grandes contradições, intensas lutas espirituais, perigos iminentes, situações de ruptura e pedidos de urgência. Tanto que, por esta razão, antevendo a Sua morte horas depois, o Senhor Jesus Cristo colocou-Se de joelhos a orar, trançando assim uma bitola para os seus discípulos nos momentos cruciais e determinantes da batalha espiritual. Tomando por base a posição de oração, sustenta ainda Joseph Ratzinger, “insere esta luta nocturna de Jesus no contexto da história da oração cristã: Estevão, durante a lapidação, dobra os joelhos e reza. (cf. Act 7, 60); Pedro ajoelha-se antes de ressuscitar Tábita da morte (cf. Act 9, 40); Paulo ajoelha-se quando se se despede dos anciãos de Éfeso (cf. Act 20, 36), e outra vez quando os discípulos lhe dizem para não subir a Jerusalém (cf. Act 21, 5). A propósito, diz A. Stoer: «Todos eles, perante a morte, rezam de joelhos; o martírio não pode ser superado senão através da oração. Jesus é o modelo dos mártires” (LER)

Perante a verdade exposta, precisamos urgentemente de despertar e readoptar esta posição de oração de forma regular nos nossos cultos público-congregacionais e, deste modo, estimular os crentes a seguir o mesmo nas suas rotineiras orações em casa. A Igreja deve servir de exemplo neste sentido. E para isso impõe-se libertar humildemente de perniciosos comodismos, conformismos, complexidades, atrofiamentos, resignações e marasmos obstrutivos, que em nada contribuem para o verdadeiro crescimento e fortalecimento da nossa adoração. Que DEUS nos perdoe e nos ajude a superar estes importantes desafios espirituais no nome Bendito de Jesus Cristo. Que assim seja. 

Confissão Pública de Um Santo Pecador


A vida é feita, na sua generalidade, de surpresas. Surpresas que podem ser boas ou más, dependendo de situações concretas, circunstâncias dos factos e ocasiões em que eles ocorre(ra)m. A vida Cristã ainda mais. A espiritualidade é um mundo de surpresas, que requer o cuidado redobrado e discernimento suficiente para poder lidar sabiamente com elas. As surpresas vão sempre, inevitavelmente, surgir no nosso percurso de vida. O Todo-poderoso DEUS surpreende-nos permanentemente pela positiva, coroando-nos com as mais infinitas bênçãos espirituais nas regiões celestiais (Efésios 1:3). Ao passo que o inimigo, o nosso declarado e pior adversário, o Diabo, anda à nossa volta, como um leão a rugir, procurando-nos devorar (1 Pedro 5:8). Por isso, somos prevenidamente exortados pelos autores sagrados para sermos prudentes e vigilantes com as suas malévolas artimanhas, que visam em última instância afastar-nos de DEUS e consequentemente destruir-nos. 

É verdade, para nós que somos eleitos filhos de DEUS, o Diabo já não tem qualquer tipo de poder sobre as nossas vidas. Não pode intentar qualquer acto que não seja da permissão Divina. Não pode decidir o nosso futuro e destino. Não pode anular a salvação que o Altíssimo DEUS soberanamente nos outorgou, mediante o sacrifício expiatório do Senhor Jesus na cruz do Calvário (LER). O amor, a graça, o perdão, a bondade e a misericórdia de DEUS sempre serão constantes nas nossas vidas e seguir-nos-ão todos os dias da nossa vida, conduzindo-nos à Casa do Senhor para toda a eternidade (Salmos 23:6). Pela incomensurável graça de DEUS, vencemos os infortúnios da vida, a tribulação, a angústia, a perseguição, os limites temporais, a morte e o próprio Diabo e todos os seus malditos seguidores. Somos assim, em todas estas coisas, “mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Romanos 8:37). 

Apesar de todas essas maravilhosas e inauditas bênçãos espirituais, que obtivemos pelo exclusivo mérito do Senhor Jesus Cristo, mesmo assim, olhando concretamente para a minha vida, fico sempre bastante aquém de corresponder na íntegra à suprema vontade de DEUS. Não por falta de conhecimento teológico ou das Escrituras Sagradas, mas sim por acto deliberado da minha parte. Peco intencionalmente por acção e/ou por omissão para alimentar egoisticamente os meus desordenados caprichos sensoriais e carnais, o que consubstancia uma clara contradição com o ideal da vida Cristã. Pecados reiterados que vão minando a minha comunhão com DEUS, gerando um défice acentuado na minha espiritualidade. Não é propriamente uma postura que me agrade. Não me sinto feliz, sabendo que estou a desobedecer aos impolutos Mandamentos de DEUS. Os meus pecados sempre me desagradaram profundamente. 

No entanto, parece que há uma força inexplicável que me leva a este acto de transgressão. Vivo permanentemente com este dilema e vai sempre perseguir-me para o resto da minha vida. Sou mesmo um miserável ser humano. Nem me compreendo, tal como o Apóstolo Paulo, “pois não faço aquilo que queria fazer e faço o mal que detesto. (…). Não faço o bem que eu quero, mas faço o mal que não quero (…). Encontro pois em mim esta regra: quando eu quero fazer o bem, faço mas é o mal. Cá no meu íntimo, eu quero seguir a lei de Deus, mas vejo que no meu corpo há uma outra lei que está contra a lei do meu entendimento. É isso que me torna prisioneiro da lei do pecado que está no meu corpo. Que homem infeliz eu sou! Quem me libertará deste corpo que me leva à morte?” (Romanos 7:15; 19-24). 

Por conseguinte, confesso aqui publicamente os meus pecados, pedindo perdão ao meu Eterno DEUS. Sei, de acordo com a revelação da Tua Palavra, “não desprezas um coração arrependido e humilde” (Salmos 51:17). Peço perdão pelas inúmeras faltas que livremente tenho cometido. Perdão pela frouxidão espiritual. Perdão pela falta de fé em várias ocasiões da minha vida e indolência na Tua Santa Seara. Perdão por não mostrar o amor Cristão ao próximo e irmãos na fé em especial, bem como por palavras torpes que vão saindo da minha boca que em nada te glorificam. Perdão pelas incongruências, hipocrisia, falsidade, soberba, concupiscência, desonestidade e falta de santidade. Peço perdão por não deixar o Teu Santo Espírito preencher integralmente a minha vida.   “Ó Deus, pelo teu amor, tem compaixão de mim; apaga os meus pecados, pela tua grande misericórdia! Lava-me completamente da minha maldade; purifica-me dos meus delitos. Reconheço as minhas faltas e estou sempre consciente dos meus pecados. Pequei contra ti, somente contra ti, fazendo o mal que tu condenas (…). Ó Deus, dá-me um coração puro; renova e dá firmeza ao meu espírito. Não me afastes da tua presença nem me prives do teu Santo Espírito! Faz-me sentir de novo a alegria da tua salvação; mantém-me com o teu espírito generoso, para que eu ensine aos transgressores os teus caminhos e os pecadores se voltem para ti. Ó Deus, tu és a minha salvação! Livra-me da morte e anunciarei com cânticos que tu és justo” (Salmo 51:1-6; 12-16). Amém. 

Oração do Pai Nosso


“Oração do Pai Nosso” é uma das mais célebres passagens contidas nas Escrituras Sagradas. Tanto que, por esta razão, ela tem sido sabiamente memorizada e cantada pelos milhões de fiéis ao longo da História do Cristianismo. É uma Oração que deve servir de bitola para todos os Cristãos de todos os tempos e épocas. Não somos obrigados a adoptá-la literalmente em todas as preces que fazemos diariamente, uma vez que o Senhor Jesus Cristo não a seguiu à risca na Sua afamada “Oração Sacerdotal” (João 17:1-26) e, muito menos, quando estava angustiado no Getsémani (Mateus 26:39-46; Marcos 14-32-42; Lucas 22:39-46), bem como os Santos Apóstolos e os Pais da Igreja. E mais, somos posteriormente ensinados pelo próprio Senhor Jesus a orar e pedir ao Pai em Seu Nome (João 14:13-14). Um importante pormenor que a “Oração do Pai Nosso” não contem. Não sabemos por que razão o Senhor Jesus terá omitido este relevante pormenor (será, porventura, por estar ainda na Sua humilde fase de encarnação quando formalizou esta Oração? Eis o mistério que nos interpela). Uma coisa, no entanto, temos a certeza absoluta: a “Oração do Pai Nosso” deve ser sempre o modelo padrão para todas as nossas orações. 

O Senhor Jesus, antes de veicular esta famosa e poderosa Oração, nos versículos 1 até 8 do Evangelho segundo Mateus 6, exortou aos seus discípulos a adoptarem uma espiritualidade de descrição, evitando o pecado da hipocrisia e ostentação somente para serem elogiados pelos Homens. Tal postura não deve, em circunstância alguma, ser a de um devoto Cristão, máxime quando damos a esmola ou estamos em momentos de contrição perante DEUS. Caso contrário, a pessoa já recebeu a sua devida recompensa (qui a palavra recompensa tem uma conotação pejorativa, uma vez que não tem qualquer valoração espiritual). Além da advertência que o Senhor Jesus fez sobre o risco da ostentação, que consubstancia o testemunho de falsidade e a sua nefasta consequência espiritual (Mateus 6:1-4; 23:14; 33), aproveitou ainda a deixa para aconselhar os seus discípulos sobre as vãs repetições que são feitas nas orações, como erradamente fazem os gentios que se desdobram num infindável palavreado, julgando-se que é por muito falarem que serão mais facilmente ouvidos. O Senhor Jesus corrigiu esse equívoco doutrinário, com base na omnisciência de DEUS, realçando que o nosso Pai Celestial sabe muito bem o que precisamos, antes de Lho pedirmos. E de seguida, ensinou-lhes a forma mais correcta de orar. 

Nesta famosa Oração, o Senhor Jesus evidencia seis pertinentes verdades espirituais – das quais as três primeiras relacionam-se exclusivamente com DEUS e as restantes com a realidade quotidiana do ser humano. (I) Ele é o nosso Pai Celestial, que está assentado nos mais altos dos céus, e o Seu nome deve e merece ser permanentemente Santificado; (II) É benéfico para a Humanidade que o Seu Reino venha e domine plenamente toda a Terra; (III) que a Sua perfeita vontade prevaleça no seio dos pecadores, tal como acontece no Céu (a cidade de DEUS deve ser o espelho da cidade dos Homens). Depois disso, as últimas três verdades centralizam-se nos desafios e anseios que afectam o Homem no seu percurso normal de vida, nomeadamente (IV) a concessão do pão diário; (V) o perdão dos seus pecados como também ele perdoa aqueles que lhes insultam, magoam e querem a sua desgraça ou, porventura, possam ter alguma dívida pecuniária com ele e não têm condições financeiras suficientes para lhe saldar (Mateus 18:23-35); e, por fim, (VI) não lhe deixar cair em tentação, mas livrá-lo de todo o perigo e mal que possam eventualmente surgir pelo caminho. Isto porque, culminando o Senhor Jesus com a grande doxologia, do Todo-poderoso DEUS “é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”. Que assim seja. 

O Papa Calvinista (III)


“Depois desta exortação à vigilância, Jesus afasta-Se um pouco. Começa verdadeira e propriamente a oração do monte das Oliveiras. Mateus e Marcos dizem-nos que Jesus caiu de rosto por terra: é a posição de oração que exprime a extrema submissão à vontade de Deus, o abandono mais radical a Ele; uma posição que a liturgia ocidental prevê ainda na Sexta-Feira Santa, na Profissão Monástica e também na Ordenação Diaconal e nas Ordenações Presbiteral e Episcopal. Diversamente, Lucas diz que Jesus reza de joelhos. Deste modo, tomando por base a posição de oração, insere esta luta nocturna de Jesus no contexto da história da oração cristã: Estevão, durante a lapidação, dobra os joelhos e reza. (cf. Act 7, 60); Pedro ajoelha-se antes de ressuscitar Tábita da morte (cf. Act 9, 40); Paulo ajoelha-se quando se se despede dos anciãos de Éfeso (cf. Act 20, 36), e outra vez quando os discípulos lhe dizem para não subir a Jerusalém (cf. Act 21, 5). A propósito, diz A. Stoer: «Todos eles, perante a morte, rezam de joelhos; o martírio não pode ser superado senão através da oração. Jesus é o modelo dos mártires.” 

(Papa Bento XVI – Joseph Ratzinger, in Jesus de Nazaré (Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição), p. 129 e 130; Principia; Cascais, 2011). 
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Orar, especialmente de joelhos, é uma boa prática que a ala tradicional do protestantismo postergou na sua liturgia público-congregacional. Praticamente não se ensina na Escola Bíblica Dominical (EBD), fazendo com que a generalidade dos fiéis não o coloque em prática nas suas orações rotineiras. Somente se verifica esporadicamente nos cultos da ordenação pastoral e de casamento, tendo em conta a oração de imposição das mãos do presbitério perante os consagrados. Mesmo nos círculos pentecostais ou neo-pentecostais, onde se costumam enfatizar efusivamente o conceito de oração, acabam sempre por esvaziar este importantíssimo pressuposto espiritual e ficar bastante aquém na postura correcta que se deve seguir quando de joelhos diante do SENHOR para orar. Todo este dilema consubstancia a profunda crise de fé em que estamos submergidos, ganhando cada vez mais contornos preocupantes na nossa espiritualidade. 

Tertúlia e Vigília de Oração


Dentro de algumas horas estarei a participar como convidado especial na tertúlia promovida pelo Núcleo de Estudantes Africanos da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (NEAFDUL), sob o tema: "Escravatura na Líbia – Um Problema do Mundo ou Africano?". Não devo distanciar-me muito da tese que outrora defendi aqui no Jornal Observador (LER). Espero que, à semelhança de outras tertúlias (LER), possa ser um debate intenso, profícuo e esclarecedor. 

E depois deste evento cívico-cultural dirigir-me-ei para as instalações da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Benfica, em Lisboa, a fim de tomar parte, juntamente com os meus patrícios guineenses, numa vigília de oração que terá início às 22h:00 até à alvorada, onde serei um dos oradores. Que seja, de facto, um tempo de bênção e edificação para glória de DEUS. 

O Poder da Oração


A oração não é um paliativo na vida do Cristão. Não é uma ferramenta para circunstancialismos momentâneos de recaídas deliberadas. Também não é um sedativo para a consciência temerosa. Não serve exclusivamente para os casos limite de dificuldades, insucessos, frustrações e aflições. Não visa saciar o ego, nem deve consubstanciar-se em tautologia alienante e espetáculos espirituais degradantes (1 Coríntios 14:6-12; 23; Mateus 23:14). Não é nada disso. Ela excede, em larga medida, as redutoras arbitrariedades humanas e as suas polutas aspirações. 

O crente no Senhor Jesus deve reiteradamente orar pela efectivação da vontade soberana de DEUS no mundo, pela sua vida em particular, da Igreja em especial, dos seus familiares, amigos, inimigos e patrícios, bem como dos dramas que afectam o mundo e conversão da Humanidade a mensagem do Evangelho. Estar, acima de tudo, agradecido a DEUS pelo passado, o presente e apelar à graça pelo futuro. Deve, outrossim,  zelosamente orar pelas coisas boas e más, que inevitavelmente acontecem na sua vida e no mundo, máxime da vida, da saúde, do pão diário, da confissão dos pecados e o livramento das investidas malévolas de Satanás (Mateus 6:9-13; Lucas 11:2-4 [LER]). O Cristão não pode basear a sua oração em presunção e, tão pouco, fazer uma interpretação literal das palavras do Senhor Jesus, que expressamente diz: “e, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mateus 21:22), julgando que se a oração não for atendida, em todas as situações, é por falta de fé. Orar com fé nem sempre é sinónimo de resposta garantida, tal como equivocamente alguns Cristãos ainda julgam, visto que ficamos sempre aquém da realidade espiritual. As nossas orações devem sempre ser pautadas por legítimas expectativas e conjugadas com a suprema vontade do Omnisciente DEUS, porque muitas vezes pedimos mal para satisfazer meramente o nosso orgulho e deleites carnais que não se coadunam com a vida sacrossanta (Tiago 4:1-3; Romanos 8:26). 

Tal não significa, no entanto, que nos devemos deixar de orar ou retrair nos nossos genuínos pedidos de oração. Devemos fervorosamente “orar em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito” (Efésios 6:18), isto é, por tudo aquilo que nos aprouver e acharmos conveniente, sem prejuízo de consciencializarmo-nos de que podemos ter uma resposta positiva ou negativa por parte do Todo-Poderoso DEUS. Mesmo assim, continuamos penhoradamente gratos a ELE pela tão maravilhosa salvação, que graciosamente nos outorgou mediante o Senhor Jesus Cristo (LER), uma vez que o Seu poder também se aperfeiçoa na fraqueza (2 Coríntios 12:9 [LER]. O substrato das nossas orações deve ser pelo cumprimento cabal da vontade soberana de DEUS em todos os domínios da vida, insistimos. As nossas orações não devem circunscrever-se unicamente a pedidos, mas também à gratidão, louvor e adoração por tudo Aquilo que o Altíssimo DEUS É, representa e fez por nós miseráveis pecadores. 

A oração é um instrumento poderosíssimo de que os Cristãos dispõem para falar livremente com o Bondoso Jeová e verem concretizarem-se os impossíveis do ponto de vista humano (milagres, bem entendido). Ela ajuda-nos a estar permanentemente no centro da vontade de DEUS, funcionando como um antídoto imprescindível para não cairmos na cilada do Diabo e concomitantemente vencê-lo na força do Espírito Santo (Mateus 26:41; Lucas 22:40). Tem o poder para sarar as nossas feridas, fazer desaparecer os nossos pecados (Tiago 5:13-15) e bastante determinante no sucesso da Evangelização e Missões (Lucas 10:2). Habilita-nos ainda a expulsar os demónios (Mateus 17:21) e um dos elementos intrínsecos e eficazes da armadura de DEUS (Efésios 6:18). Com ela podemos ser milagrosamente abençoados (Mateus 7:7-8) e receber o consolo de DEUS (2 Coríntios 1.1-4). É um manancial para obtermos a sabedoria Divina (Tiago 1:5), proporcionando-nos a paz interior, a força e o discernimento suficiente para nos reconciliarmos com DEUS, connosco, o próximo e tudo aquilo que está ao nosso redor (Filipenses 4:6-7).  Por isso, somos desafiados a orar incessantemente sem cessar (1Tessalonicenses 5:17), porque “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16). 

A oração, em suma, tem o poder para restaurar vidas perdidas, converter o pecador dos seus maus caminhos, libertar de todos os vícios, frustrar plenamente todos os maléficos planos satânicos e salvar da perdição eterna. Usemos, pois, de forma sábia, intrépida e incessante, o poder da oração para sermos Cristãos bem-sucedidos na nossa peregrina caminha neste “presente século mau”. Só assim, sairemos completamente vitoriosos para as bem-aventuranças eternas, ganhando ao mesmo tempo muitas almas para o Reino de DEUS. Que assim seja.