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O Cristão e a Política

Partilho aqui, mais uma vez, o vídeo que gravei intitulado “O Cristão e a Política”, conjugando o tema com a problemática da ideologia política. A perfilhação ideológico-política de um Cristão não é propriamente um tema consensual, tal como veiculei no vídeo em apreço. Tanto que, por esta razão, tem sido exaustivamente objecto de infindáveis debates entre os fiéis ao longo dos últimos seis séculos, com vista a procurar situar a ideologia que se ajusta melhor às ordenanças bíblicas. As próprias Escrituras Sagradas não tomam uma posição linear sobre que orientação política o crente deve seguir na sua esfera cívica. Podem servir-se delas para defender uma concepção de Direita e concomitantemente de Esquerda. Da mesma sorte, podem usá-las para sustentar o Conservadorismo, o Reacionarismo, o Progressismo, o Liberalismo e o Radicalismo, bem como a Democracia Cristã, o Socialismo, a Social-democracia e o Comunismo. A Palavra de DEUS não se esgota unicamente numa ideologia política. Ela transcende, em larga medida, as redutoras mundividências do Homem e as suas polutas aspirações humano-sociais. Por isso, há espaço para albergar parcialmente cada uma das ideologias naquilo que se destacam em termos positivos. Talvez seja por esta razão que tem havido mal-entendidos, e até mesmo um certo tipo de aproveitamento, por parte de muita gente sobre esta sensível matéria (LER).

Antídotos Contra o Preconceito

O preconceito é um vírus malévolo a todos os níveis. Ele baseia-se meramente num juízo temerário, precipitado, infundado e equivocado. Tem o poder de repelir qualquer tipo de interacção, bloquear oportunidades de relacionamentos, odiar sem fundamentos tangíveis e, em casos extremos, destruir vidas, tal como a experiência milenar nos tem indubitavelmente demonstrado. O preconceito é um cancro social que, em última instância, evidencia o carácter patológico da própria pessoa preconceituosa. É julgar arbitrariamente as pessoas por critérios errados. Por isso, é uma das melhores vias para consumar o pecado, pois baseia-se meramente na soberba, na desconsideração e na inferiorização do outro – por razões socialmente estereotipadas, desdobrando-se nas discriminações raciais, religiosas, políticas, condições financeiras e estrato social. É um mundo interminável de malignidade, razão pela qual é manifestamente incongruente com os impolutos pressupostos valorativos da Fé Cristã. 

O Senhor Jesus Cristo foi, por todos os seres humanos, a maior vítima do preconceito – tanto racial, religiosa e social – por causa do seu aspecto físico que não tinha qualquer tipo de atractivo aos olhos humanos (Isaías 53:2-3). Um “verme”, nas palavras do salmista, “desprezado por todos e escarnecido” (Salmo 26:7). Em consequência disso, foi exposto ao opróbrio dos homens e duramente contrariado pelos pecadores (Hebreus 12:2-3), teimando este preconceito até aos nossos dias pós-modernos, isto é, a rejeição liminar da Sua soteriológica mensagem perante os filhos da perdição, que “ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20)

Ora, nenhum destes preconceitos e abominações devem fazer parte do cardápio de um devoto Cristão. Somos todos convocados a amar o nosso próximo como a nós mesmos, independentemente da sua raça, condição social e proveniência (Levítico 19:18; Mateus 29:39). Tratar todos por igual e sem fazer discriminação negativa de pessoas (Tiago 2: 1-13). Por outras palavras, é viver autenticamente o amor Cristão na sua plenitude e várias dimensões humano-espirituais, tal como instam as Escrituras Sagradas. 

Tal nobre propósito, no entanto, só se torna exequível incorporando diariamente os imaculados Princípios e Valores do Evangelho. O Evangelho, tal como escrevia peremptoriamente o Apóstolo Paulo, “é o poder de Deus para salvar todos os que creem” (Romanos 1:16-17), bem como “é proveitosa para ministrar a verdade, para repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver; a fim de que todo homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar todas as boas acções” (2 Timóteo 3:16-17). Somente o Evangelho do Senhor Jesus Cristo é o único antídoto eficaz para erradicarmos definitivamente o cancro do preconceito no nosso modo de viver. 

E nós, que somos os eleitos filhos de DEUS, temos de pautar a nossa conduta com os frutos dignos de arrependimento, sobretudo com as virtudes do “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, modéstia, autodomínio” (Gálatas 5:22-23), uma vez que contra estas coisas não há lei (condenação, bem entendido). Que assim seja. 

O Antissemitismo da UNESCO


A recente e absurda decisão da UNESCO só pode ser qualificada de antissemitismo (ALI) e (AQUI). Não há outra explicação a dar pela torpe deliberação conspirativa da instituição da ONU contra Israel. Eu sei que, nos dias que correm, está bastante na moda defender a causa palestiniana, mesmo quando se desconhece absolutamente a génesis da renhida disputa territorial na Terra Santa entre os dois povos. No entanto, não temos o direito de escamotear a verdade histórica para fazer valer a todo o custo as nossas opções preferenciais. 

Desde logo o Judaísmo precede de longe o islamismo. Este só teve início depois de Cristo, isto é, no século VII com a hégira de Maomé de Meca para Medina em 622. Ao passo que aquele existia desde os tempos imemoráveis. Antes de ter sido escrito o corão ou erguida a esplanada das mesquitas (LER), o Monte do Templo já era o lugar sagrado dos judeus – a Cidade do DEUS vivo referenciada inúmeras vezes no Antigo Testamento e Novo Testamento. É a parte mais importante do Monte de Sião, aliás, o Sionismo advém dele. Foi ali que Salomão construiu o primeiro Templo no século XI a.C. e destruído com o cativeiro babilónico, dando depois sequência a sua reconstrução por Zorobabel e Herodes, respectivamente. É ali, da mesma sorte, que jazem os restos mortais do rei David e do seu filho Salomão (1 Reis 2:10-11; 11:42-43), bem como vários famosos sítios do Judaísmo e do Cristianismo. A "Via Dolorosa" ou vulgarmente conhecida pelos católicos por "Via-Sacra" (o sofrido percurso da Paixão de Cristo até Gólgota) atravessa este centro nevrálgico de Jerusalém. Tanto o lugar onde o Senhor Jesus Cristo foi crucificado como o Santo Sepulcro ficam a escassos metros do Monte do Templo. Há provas irrefutáveis desta afirmação, que consta nas Sagradas Escrituras e nos templos que foram construídos nestes importantes lugares de culto, que ainda hoje atrai peregrinos praticamente de todo o mundo. E sabemos que, em abono da verdade, a generalidade dos primeiros Cristãos era judia, visto que o Cristianismo teve a sua origem no Judaísmo. 

Por isso, é um facto manifestamente indesmentível que aquelas circunscrições territoriais (o Muro das Lamentações, o Monte de Sião e toda a mítica cidade de Jerusalém) foram e são afectos aos judeus desde os primórdios. Afirmar o contrário, tal como arbitrariamente fez agora a UNESCO, consubstancia uma autêntica adulteração da História e um indecoro para lamentar.          

A Incongruência Ideológico-política dos Cristãos


A perfilhação ideológico-política de um crente no Senhor Jesus Cristo não é um tema propriamente consensual no seio do Cristianismo. Tanto que, por esta razão, ele tem sido exaustivamente objecto de infindáveis querelas entre os fiéis Cristãos ao longo dos últimos séculos, com vista a procurar situar a ideologia política que se ajusta melhor às ordenanças bíblicas. As próprias Escrituras Sagradas não tomam uma posição linear sobre que orientação política o Cristão deve seguir na sua esfera cívica. Podem servir-se delas para defender uma concepção de direita e, concomitantemente, de esquerda. Igualmente podem usá-las para sustentar o conservadorismo, o reacionarismo, o progressismo, o liberalismo e o radicalismo, bem como a democracia cristã, o socialismo, a social-democracia e o comunismo. A Palavra de DEUS não se esgota unicamente numa ideologia política. Ela transcende, em larga medida, as redutoras mundividências do Homem e as suas polutas aspirações humano-sociais. Por isso, há espaço para albergar parcialmente cada uma das ideologias políticas naquilo que se destacam em termos positivos (LER)Talvez seja por esta razão que tem havido mal-entendidos, e até mesmo um certo tipo de aproveitamento, por parte de muita gente, sobre esta sensível questão. 

No “presente século mau” em que vivemos não há praticamente diferença assinável entre ser de esquerda ou de direita, tal como existia noutros tempos. Os temas ditos “fracturantes” tornam-se cada vez mais residuais. A tendência natural que os partidos políticos têm vindo a adoptar é tão-simplesmente de agradar ao eleitorado nas suas aliciantes propostas populistas e, deste modo, chegar ao poder o mais rápido possível. Apenas vamos notando algumas diferenças pontuais entre polos opostos. As opções socio-económicas dos partidos têm ganho cada vez mais relevo no eleitorado em detrimento das preferências ético-morais, que são relegadas para segundo plano. Nenhum partido político procura honrar o Eterno DEUS nas suas agendas políticas, antes pelo contrário afastam-No liminarmente do seu programa, preocupando-se unicamente em satisfazer o eleitorado, mesmo aqueles que se auto-intitulam inutilmente de “partidos Cristãos”. 

Nada disto deve ser uma surpresa para um devoto Cristão. Sabemos que tudo isso tem inevitavelmente de acontecer um dia. São manifestações visíveis dos “Sinais dos Tempos” (LER)que precederão a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo ao Mundo (Mt 24:1-51 e 25:1-46). A tendência é de as coisas piorarem à medida que o tempo vai passando. O Cristão jamais conseguirá mudar unilateralmente o curso funesto que a Humanidade toma paulatinamente, através da sua política profana, e, muito menos, julgar que consegue operar alguma alteração em sentido inverso. Deve, tal como bem ensina a Palavra de DEUS, orar pelas autoridades estabelecidas e os seus súbditos (1Tm 2:1-2; Rm 13:17; Tt 3:1). A verdadeira mudança política, se tiver mesmo de acontecer, terá de vir das elites governativas transformadas pelo poder do Espírito Santo. É por meio dos políticos autenticamente regenerados, e dos seus respectivos partidos, que pode surgir uma verdadeira mudança político-social. E julgamos objectivamente que, sem qualquer tipo de preconceito ou desprimor, os partidos mais equilibrados são os do centro – tanto de Esquerda como de Direita – sem prejuízo, obviamente, de reconhecer algum mérito nos outros. No entanto, todos estes partidos políticos estão inteiramente comprometidos com uma larga agenda satânica nos seus programas eleitorais e lobbies contrários aos sublimes Princípios e Valores das Escrituras Sagradas. 

Por isso, entendemos que não há solução viável que não seja a solução de não defender nenhum partido, ficando-se apenas neutro perante as opções ideológico-políticas que são apresentadas. O Cristão deve apenas trabalhar arduamente pelo bem das cidades em que esteja circunscrito, orando continuamente por elas (Jr 29:7). E o Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, na mesma esteira do pensamento, vai ao ponto de advertir os seus leitores a “submeter às autoridades públicas, pois não há autoridade que não venha de Deus”, pagando-lhes os devidos impostos e simultaneamente honrando-lhes naquilo que for necessário (Rm 13:1;7). É imperioso cumprir essas obrigações cívico-políticas, sem perder de vista o nosso foco principal neste pecaminoso mundo, que é promover firmemente o Reino de DEUS e glorificar o Seu Santo Nome. “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, encerra inequivocamente esta grande verdade soteriológica expressa pelo Senhor Jesus (Mt 22:21; Mc 12:17; Lc 20:25). 

Partindo de tudo o que ficou exposto, e em abono da verdade, o Cristão jamais poderá votar num partido ou candidato que defende o aborto aborto (LER), a homossexualidade (LER)a eutanásia, a barriga de aluguer, a adulteração da família, a relativização da Moral e os Bons Costumes, etc. Tal conduta entra flagrantemente em contradição com a Bíblia Sagrada. É claro que o Cristão, igualmente, não pode ser conivente com os partidos que promovem e acentuam as assimetrias sociais, a corrupção, a marginalização, as desigualdades, o sexismo, a xenofobia, o ostracismo, a delapidação do meio ambiente, o liberalismo económico que beneficia os poderosos em detrimento dos pobres, etc. A orientação de voto de um Cristão deve ser pautada, acima de tudo, pela coerência com os sagrados Princípios e Valores do Evangelho. Não podemos professar uma coisa e posteriormente legitimar, por sufrágio secreto, algo em sentido contrário. Seria um autêntico paradoxo, não é? 

E perante este grande dilema com que, infelizmente, estamos confrontados coloca-se uma pertinente questão para o Cristão: dos dois males destacados qual seria o menor? Obviamente o segundo. Jamais podemos comparar a hedionda legalização do aborto, a homossexualidade[1] com com qualquer outro tipo de injustiça ou despotismo governativo. Contudo, tal não deve servir de desculpa para validar políticas iníquas e/ou imorais a pretexto de serem “males menores”, até porque não existe hierarquização de pecados perante DEUS, não obstante terem implicações e penalidades diferentes. 

Somos inteiramente da opinião que o Cristão deve sempre abster-se ou votar em branco quando se confronta com os dois males supra-mencionados que, aliás, como é cognoscível, é uma realidade praticamente transversal a todos os países do mundo. É verdade que a abstenção e o voto em branco não têm consequências políticas imediatas, tal como votar num determinado partido ou num candidato em particular. O Cristão não deve ficar sumamente preocupado por não estar a “alterar nada” em termos políticos. O factor determinante é sermos fiéis, máxime coerentes com a profissão de fé que abraçamos no Senhor Jesus Cristo. Mais vale não “alterar nada” do ponto de vista humano-social e agradar a DEUS com o nosso nobre testemunho de vida do que contribuir para validar asquerosas injustiças e ser manifestamente desobediente para com os mandamentos bíblicos. 

E mais, a abstenção e o voto em branco consubstanciam uma falta de alternativa nos programas eleitorais apresentados pelos candidatos e partidos. O Cristão que se abstém ou vota em branco exerceu, pelo menos, condignamente, o seu dever de cidadania. Não é menos preocupado ou desleixado com a situação política do seu país do que aquele que vota numa determinada plataforma, partido ou candidato. Tão somente não se identifica ou comunga com nenhum projecto eleitoral que se propõe a sufrágio. 

Temos constatado uma efusiva manifestação de muitos Cristãos, que fazem a apologia de determinadas ideologias políticas, sobretudo apelando afincadamente ao voto em certos partidos e candidatos, não obstante estes já se terem provado publicamente aversivos aos ideais do Evangelho e serem em determinados casos anticristo. Tais Cristãos estão a ser claramente incongruentes com o seu testemunho de fé, esquecendo-se que a conversão que fizeram significa dar primazia à Palavra de DEUS em todos os domínios da vida – quer seja a nível familiar, relacional, profissional, social e político. Temos imensa pena dessas pessoas. Muita pena mesmo. Resta-nos, somente, usando a virtude do amor Cristão, pedir ao SENHOR que não lhes impute esta evitável falha espiritual, porque não sabem realmente o que fazem.


[1] este último considerado um pecado “abominável” e passível de morte à luz das Escrituras Sagradas [veja o Livítico 18:22 e 20:13; Romanos 1:32]. 

Astúcia da Razão


Exercitava a memória a propósito da tão propalada dívida grega que tem sido exaustivamente comentada pelos governos europeus e objecto de inúmeros debates pelos “donos da opinião” nos media. Até aqui nada que se afigure anormal. A poluta postura dos credores internacionais e dos tendenciosos analistas prende-se, sobretudo, com a prepotência que têm ostentado nos seus comentários, arrogando-se de "visionários políticos" que tudo sabem e ensinam na matéria das finanças públicas, conotando, explicitamente, a Grécia de prodigalidade orçamental. 

Longe de mim tal pretensão de querer julgar o governo helénico sobre os seus desequilíbrios financeiros. Não apenas não tenho autoridade moral para isso, como tenho imensas dívidas de gratidão para com a Grécia. Na minha passagem por aquele maravilhoso país recebi benesses que jamais tive em muitas terras pelas quais passei. Primeiramente estive em Atenas e posteriormente em Corinto. Durante a minha estadia nessas duas magnificas cidades, fui poupado a gastar aquilo que realmente deveria. Visitei os fabulosos monumentos gregos à borla. Comi na cantina da Universidade de Atenas sem pagar nenhum tostão. Andei de transportes públicos de forma praticamente gratuita, pagando apenas metade do preço do custo das viagens. Tudo saboreado à grande e à francesa. Na Grécia os alunos beneficiam de muitas isenções que, da mesma sorte, abrangem também os estudantes estrangeiros. E como transporto sempre o meu cartão de estudante para qualquer sítio que vou (que serve também de multibanco) acabei por aproveitar as regalias do "estatuto especial do aluno" consagrado na lei do país. 

Acresce ainda o facto que, para além dos “débitos” pessoais elencados, tenho ainda uma dívida religiosa e cultural para com a Grécia, nomeadamente a herança Judaico-cristã e Greco-romana de que sou produto. Da mesma forma, os Cristãos e o mundo Ocidental são aquilo que são graças à genialidade dos gregos. Reconhecendo esta grande verdade, o P. Gonçalo Portocarrero sustenta que "se a herança judaica situa a mensagem cristã no contexto da história de um povo, o pensamento helénico prepara o espírito humano para a compreensão da doutrina de Cristo como verdadeiro conhecimento" (LER), enfatiza. 

Subscrevo na íntegra esta inequívoca leitura. De facto a nossa espiritualidade seria mais pobre em todos os aspectos se não tivéssemos as epístolas de Paulo às igrejas de Tessalonicenses, Coríntios e Filipenses para sedimentar as nossas convicções doutrinárias. Não seriamos aquilo que somos hoje e tão-pouco a Europa teria granjeado o prestígio internacional ao ponto de ser considerada uma grande civilização ao longo da História. E tudo isto deve-se, em última instância, à sagacidade e argúcia dos gregos, a começar pelos seus distintos filósofos e a importância que tiveram no pensamento Ocidental, o contributo inegável da Democracia na valorização e afirmação do Princípio da Igualdade entre os seres humanos e a língua grega como trampolim e projecção do Cristianismo na Europa e no mundo inteiro. 

Obviamente que o tratamento especial que recebi na Grécia e a "formatação helénica" de que sou produto não se traduzem na dívida pecuniária, mas sim no espírito de enorme gratidão que guardo comigo. É verdade que a Grécia precisa fazer reformas estruturais para relançar a sua débil economia e, deste modo, saldar a exorbitante dívida pública para com os credores internacionais. No entanto, os governos europeus coadjuvados pelas ululantes vozes de "fazedores de opinião", não precisam de estar permanentemente a marginalizar os gregos e a lançar anátemas contra o seu país. Tal postura não se coaduna com os Princípios e Valores da União Europeia. É preciso compreensão e solidariedade para com o governo helénico, bem como ajudá-lo, com enorme paciência, a superar crise que a tem tornado refém dos mercados financeiros. 

Muitos países podem julgar-se neste momento justos credores da Grécia, mas se fizerem um esforço de memória e forem sinceros na sua auto-analise concluirão, de facto, que são eles os eternos devedores da Grécia e não vice-versa. Não é dívida em dinheiro, tal como ficou patente. É muito mais que isso. Não há nenhum valor pecuniário que consiga pagar a nossa identidade. É esta dívida que todos os cidadãos e países europeus têm com a Grécia.

O Islão: A Paz ou Espada?


A imagem que o islão projecta para o exterior é a de uma religião obsoleta, intolerante, apoiante de regimes teocráticos e ditatoriais, que oprime as pessoas, sobretudo as mulheres, e assaz violenta. Justamente por esta razão, o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1350-1425), no seu famoso diálogo com um muçulmano erudito persa, sobre a religião, reduziu o Islão, de forma peremptória, a estes termos: "mostra-me o que Maomé trouxe de novo. Só encontrarás coisas más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue". Na mesma esteira do pensamento, Samuel Huntington, o conceituado politólogo americano, chegou em 1939 à seguinte conclusão: “as fronteiras do Islão estão manchadas de sangue.”[1] São, infelizmente, estas pejorativas marcas a que as várias denominações dentro do Islão nos têm habituado ao longo dos tempos, fazendo com que  ganhasse, no Ocidente, a alcunha de "imagem do inimigo”

Não é preciso ser um perito religioso para compreender esta grande verdade. A realidade dos factos fala por si. O islão não está inocente em todo este imbróglio do fundamentalismo islâmico que tem estado a ameaçar, de forma galopante, as sociedades abertas. Isto porque, desde a sua génesis, é uma religião pautada pela violência. O mote lançado por Maomé no séc. VII era o de fazer uma guerra santa sob o pretexto de, quem nela perdesse a vida, ter lugar reservado junto a Deus no paraíso. A guerra santa é contra qualquer tipo de infiel que se recusa submeter aos preceitos islâmicos. Os quatro primeiros califas, ditos "os bem guiados" (entre 632 e 661, ou seja, desde a morte de Maomé até ao estabelecimento da dinastia dos Omíadas, apesar das constantes rivalidades internas que tiveram) adoptaram esta maléfica máxima e projectaram-na nas suas posteriores conquistas e escrupulosamente seguida até aos dias coevos. 

Esta teologia de combate está subjacente em muitos textos do alcorão, principalmente no que diz respeito ao ódio declarado aos Judeus e Cristãos, tais como: "combatei [os cristãos e os judeus] até eles pagarem directamente o tributo, depois de se terem submetido.” (Corão, 9:29); «… [os judeus] as palavras dos seus antepassados [isto é, são politeístas]. Que Alá os combata! Como se afastam da verdade!» (Alcorão 9:30); “Não tomeis os judeus e os cristãos como aliados: são aliados uns dos outros. Se algum de vós os tomar por aliados será um deles. Deus não guia os traidores (Corão, 5:51); "Já sabeis o que aconteceu àqueles, de entre vós, que profanaram o sábado. A esses dissemos: “que sejais transformados em símios desprezíveis! E foi um castigo que servirá de exemplo para os seus contemporâneos e para os seus descendentes, e uma exortação para os tementes a Deus (Corão, 2:25 e 66). O alcorão está repleto de inúmeros textos deste género, que instigam manifestamente a violência. Os islamitas radicais não hesitam em citá-los para justificar as suas acções terroristas. 

A nosso ver o problema do fundamentalismo islâmico não reside apenas nos crentes radicais, mas sobretudo em certos líderes e teólogos muçulmanos que deviam ter uma hermenêutica pacifista sobre o alcorão, enquadrando-o nos cânones do mundo pós-moderno em que vivemos. Sucede, infelizmente, que tal realidade não tem vingado, por vicissitudes várias e/ou supervenientes. São as pessoas que mais instigam, disfarçadamente, a mensagem do ódio e do terrorismo, tal como literalmente está encerrado no alcorão. 

Um dos piores males do islão prende-se com a jihad  (palavra que na sua raiz etimológica significa empenho, consubstanciando a luta interior e exterior em nome de Alá) e a sharia (legislação – o primado da lei islâmica face a qualquer tipo de Direito). Para superar as forças dos ímpios, pode ser necessário lançar mão da jihad contra os infiéis, o que por sua vez pode significar, em casos extremos, recorrer à guerra santa. O martírio está na essência do estado de pureza religiosa. Como afirma Hassan al-Banna, fundador e líder da Irmandade Muçulmana, assassinado em 1949: "o Corão é a nossa constituição, o Profeta é o nosso guia; a morte em nome da glória de Alá é a nossa maior ambição”[2]. O principal objectivo de todas as acções humanas, escreve ainda Manuel Castells, deve ser o estabelecimento da lei de Deus para toda a humanidade, colocando assim um ponto final na actual oposição entre Dar al-islam (o mundo muçulmano) e Dar al-Harb (o mundo não muçulmano). Verificado este processo "natural”  de harmonização deixa, automaticamente, de haver subjectividade e tudo se passa a desenrolar por meio de umma  (comunidade de fiéis, em que todos são iguais na sua submissão perante Alá): o individuo torna-se parte da comunidade dos fiéis, um mecanismo básico de igualdade que oferece apoio mútuo, solidariedade e significados compartilhados. Tudo isto fundando-se com base na sharia, que prevalece sobre a ideia do Estado-Nação e vincula toda a comunidade muçulmana. 

jihad e a sharia são conceitos maleáveis, objecto de múltiplas interpretações dos teólogos muçulmanos ao longo da história da religião islâmica. Talvez seja por esta razão que não há um único documento oficial que aborda, de forma nítida, as duas realidades, fazendo com que o islão enveredasse por uma deriva doutrinária e profunda crise de fé, com sérias repercussões negativas na vida das pessoas, bem como num radicalismo religioso sem precedentes. 

O austríaco Karl Popper (1902-1994), considerado por muitos intelectuais como um dos grandes pensadores do séc. XX, na sua emblemática obra "A Sociedade Aberta e os seus Inimigos" rejeita o uso da violência, proclamando a tolerância nos domínios político, religioso e ético. No entanto, adverte, como meio de prevenção, que a sociedade aberta não é uma forma plena e garantida, antes comporta inimigos, personificados nos nomes de Platão, Hegel e Marx, e nas ideias do historicismo, colectivismo e o naturalismo ético[3]. Afinal de contas, ele estava completamente equivocado nas suas redutoras previsões. De facto a miscigenada sociedade Ocidental confronta-se com inúmeros inimigos, quer a nível interno, quer a nível externo. Ali, desde logo, a relativização de grandes Princípios e Valores que outrora nortearam-na, especialmente a sua identidade Cristã que há muito foi posta em causa, somando isto às ideologias extremistas – tanto de Esquerda como de Direita, que têm vindo a crescer paulatinamente no seu seio. Aqui a ameaça real vem mesmo do islão e na maioria dos seus alucinados seguidores. 

Parece-nos, em abono da verdade, que o islão não está minimamente preparado para conviver num mundo globalizado e civilizado. É uma religião que marginaliza a Liberdade, a Democracia e os Direitos Fundamentais. Não folga com as diferenças ideológicas e o pluralismo de ideias. Quer sempre impor-se a todo custo, mesmo que para isso haja derramamento de sangue. Guia-se, acima de tudo, pelos princípios e valores autoritários e absolutistas. Os países mais atrasados do mundo são, na sua esmagadora maioria, muçulmanos não obstante disporem de enormes recursos naturais e serem objectivamente ricos. Rejeitam o secularismo a pretexto de ser um produto Ocidental – uma maldição, afirmam vivamente. Contudo, os produtos que consomem, até à exaustão, chegam-lhe do Ocidente. Um autêntico paradoxo! 

A liminar recusa em aceitar o modelo da laicidade do Estado, faz com que muitas pessoas de outras confissões religiosas sejam permanentemente perseguidas nos países islâmicos. Negam-lhes os Direitos Fundamentais que lhes assistem e, em determinados casos, são injustamente colocadas na cadeia ou mortos de forma arbitrária. Tal realidade é notória no Paquistão, Arábia Saudita, Irão, Eritreia, Egipto, Afeganistão, Sudão e Iraque (LER). O nível da intolerância religiosa vai ganhando contornos preocupantes quando um crente muçulmano pode livremente desposar uma Cristã, ao passo que as mulheres muçulmanas não podem, em circunstância alguma, ter um caso amoroso com um Cristão, tão pouco casar com ele, pois isso constitui uma tremenda apostasia e é digno de punição vigorosa. Esta limitada forma de pensar faz com que um forasteiro que viva num país islâmico seja obrigado a viver, praticamente, como um muçulmano, condicionando-o significativamente na sua liberdade e autonomia privada. Em sentido contrário, tal já não se pode verificar: um fiel muçulmano pode livremente viver no estrangeiro, sem qualquer tipo de constrangimento, professando a sua fé. Os Cristãos são impedidos de evangelizar nos países islâmicos e, muito menos, construir igrejas sob pena de incorrerem em infracções graves. Já um muçulmano sente-se no pleno direito de propagar a sua fé noutros países, nomeadamente aqui na Europa. 

De Paz o islão está inteiramente desprovido, apesar de se autoproclamar debalde pacifista e apropriar-se do sentido etimológico da palavra árabe "salam" (LER). É uma religião associada à violência e ao derramamento de sangue. E como justificava sabiamente o imperador bizantino Manuel II, "tal violência é contrária à natureza de Deus e à natureza da alma. Deus não ama o sangue e agir de maneira irracional é contrário à natureza de Deus. A fé é o fruto da alma e não do corpo. Aquele que quiser conduzir outros na fé deve ser capaz de falar bem e pensar de forma justa e não pela violência e ameaça", encerra advertidamente. Cada ser humano deve ser livre de pensar e de professar a religião que bem entender, uma vez que a religião forçada não é mais religião mas sim uma arbitrária imposição. E mais, quem prega a Paz e o Amor jamais é intolerante ao ponto de matar insensivelmente pessoas em nome de um "deus", tal como faz a religião islâmica. 

Obviamente que nem todos os muçulmanos adoptam esta maléfica forma de estar na vida. Felizmente. Há muitos fiéis que remam contra a maré, procurando, na medida do possível, ter uma abordagem religiosa de tolerância e de amor para com o próximo, nomeadamente com as pessoas que professam outra crença religiosa. Mesmo assim, não conseguem com o seu testemunho de vida "cobrir" os tremendos horrores dos fundamentalistas islâmicos. 

Os apologistas que defendem que o islão não é responsável pelas atrocidades cometidas em seu nome não são, de todo, razoáveis. Enquanto os líderes islâmicos não propuserem uma interpretação substancialmente pacifista do alcorão, parafraseando Hicham Bou Nassif, tanto os Judeus como os Cristãos e os Ocidentais (tidos como infiéis) continuarão a ser perseguidos e assassinados, como, aliás, têm sido reiteradamente. É este o motivo pelo qual os argumentos que proclamam a "inocência do islão" são inexactos e contraproducentes [4]. Não fazem mais do que atrasar o exame de consciência que os muçulmanos têm de fazer imperativamente, por si e pelos outros, para o supremo bem da Humanidade. 

Por isso, é preciso uma impreterível reconversão do Islão no sentido de abandonar, definitivamente, a cultura da intolerância religiosa e ajustar a sua hermenêutica corânica aos avanços civilizacionais do séc. XXI: respeitar, acima de tudo, os Valores da Democracia Participativa e a Vida Humana na sua verdadeira essência. Só assim estaremos em condições necessárias de construir um Mundo mais Justo, Harmonioso e Pacífico, onde todos, sem excepção, possam viver em clima de Amor e Fraternidade uns para com os outros, independentemente da mundividência que cada um adopta e ostenta na sua rotina de vida diária. 



[1] Hans Küng, Islão [Passado, Presente, e Futuro], Edições 70, Lisboa, 2010, p. 25
[2] Manuel Castells, O Poder Da Identidade [A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura], Fundação Calouste Gulbenkian, 2007, p. 14.
[3] Paulo Otero, Instituições Políticas e Constitucionais [Volume I], Almedina, Coimbra, 2007, p. 416
[4] Estará o Islão Inocente, título do artigo de Hicham Bou Nassif publicado na Revista Courrier Internacional, p. 52, Número 225, Novembro, 2014.

A Grande Guerra Pela Civilização


«Ouvi, Cádis [Juízes], Xeques e Imãs; ouvi, Sharbajiyya [Oficiais de Cavalaria] e homens de meios e dizei à nação que os franceses também são muçulmanos fiéis, e em confirmação disto invadiram Roma e destruíram a Santa Sé, que não parava de exortar os cristãos a fazerem guerra ao Islão. E depois foram à Ilha de Malta, de onde expulsaram os cavaleiros que afirmavam que Deus exaltado exigia que combatessem os muçulmanos.» 

(Texto retirado da Versão árabe em Aljabartis Chonicles of the First Seven Monts of the French Ocupation of Egypt [ed. c. trad. S. Morhe], Leiden, Brill, 1975, P.41).

Raciocínios Falazes de Richard Dawkins

[DEBATE] Deus, Um Delírio: O Debate - Richard Dawkins & John Lennox from Deus em Debate on Vimeo.



Não poderia deixar de me associar à total indignação e ao coro de críticas perante a vil afirmação do Biólogo e Cientista queniano/britânico, Richard Dawkins, ao considerar que "para uma criança, ser educada na fé católica era pior do que ser abusada sexualmente por um padre" (LER). Não é a primeira vez que Richard Dawkins profere palavras difamatórias, para não dizer insultuosas, contra a Igreja Católica, tudo porque se sente um ateu convicto e na sua plena liberdade de manifestar as suas controvérsias opiniões. Cada pessoa é efectivamente livre de seguir e defender as suas orientações ideológicas, desde que tal não exceda manifestamente os limites do bom senso e da razoabilidade. 

Fazendo jus à postura que Richard Dawkins tem assumido publicamente, devido à sua incapacidade de provar a existência de DEUS por meios humanos, e, sobretudo, os argumentos que esgrimiu no debate com o Dr. John Lennox cabe dizer o seguinte: Richard Dawkins revela uma enorme cegueira espiritual e nulidade total no seu insensato pensamento. Isto porque a ideia subjacente ao pensamento da generalidade dos ateus, e também de Richard Dawkins, é descredibilizar a impoluta imagem do Eterno DEUS e a Sua Santa Palavra. Richard Dawkins sente-se incapacitado de provar a existência de DEUS, com base na razão humana, e para tal nega a Sua existência, invocando os fundamentos científicos. Ele está, de longe, equivocado. Não é assim que se pode provar a existência de DEUS. Só podemos provar a existência de DEUS racionalmente quando esta é plenamente iluminada pelo poder do Espírito Santo e concomitantemente incorporada a fé Cristã; aí sim, a razão dá um salto enorme e consegue penetrar os mistérios do Divino. 

É milenar a querela no debate teológico entre a Fé e a Razão. Ela já vinha desde os primórdios do Cristianismo, passando a Reforma Protestante até chegar aos dias de hoje. Tanto a doutrina Católica como a Protestante padecem de sérios defeitos na explicação holística desta complexa temática. Os primeiros enfatizam demasiadamente a razão humana ao ponto de a colocar quase no mesmo patamar com a fé. A sua doutrina é fruto de influência do pensamento Escolástico, encabeçado por santo Tomás de Aquino e mais tarde por Francisco Suares, Padre António Vieira – ambos influenciados por Aristóteles. Procuraram, acima de tudo, fazer da filosofia aristotélica a preposição da doutrina Cristã, interpretando a revelação bíblica relativamente à "sofistica" pagã, e de reduzir os grandes temas das Escrituras Sagradas: a Graça, a Fé, e a Justificação, à algaravia escolástica. 

Contrariamente a esta posição da Igreja Católica, os Teólogos da Reforma Protestante desmarcaram-se radicalmente deste entendimento redutor, abraçando as concepções voluntaristas (doutrina filosófica que concede à vontade primazia sobre o entendimento) de santo Agostinho, nomeadamente Martinho Lutero, João Calvino, Ulrich Swinglio e Menno Simões. O primeiro, no Espírito de Tertuliano, questionava, de forma peremptória, "o que Jerusalém tinha a ver com Atenas, a igreja com a academia, e fé com a razão", qualificando a razão como sendo a "Meretriz do Diabo, a besta, a inimiga de Deus", para depois concluir "que todas as obras e palavras de Deus são contra a razão". Defesa essa que o levou a ser rotulado, pelos teólogos coevos, de "irracionalista". Todo este pensamento veio a influenciar decisivamente a totalidade das denominações Evangélico-protestantes, máxime com ênfase mais acentuada nos círculos pentecostais, neopentecostais que rejeitam por completo a faculdade da razão no plano espiritual. 

Da minha parte discordo parcialmente com as duas posições apresentadas. Jamais devemos hipervalorizar a razão humana, como faz a igreja Católica, nem tão pouco diabolizá-la como tem sido a postura reiteradamente seguida nos círculos Evangélico-protestantes ao longo dos tempos. Acredito plenamente que a razão transformada, que assenta nos fundamentos bíblicos está inteiramente habilitada em nortear-se com base na Palavra de DEUS. Ao passo que a razão degenerada quando tenta, usando a sábia expressão de Lutero, "investigar e discutir sobre os assuntos divinos, torna-se insuficiente" e fica muito aquém daquilo que é a realidade espiritual. E deste modo, de forma infeliz,  passa a entendê-la como loucura aos seus olhos, uma vez que os mistérios espirituais não se discernem racionalmente mas sim espiritualmente, contando para tal que aquela seja renovada e siga esta nos elevados propósitos divinos. 

Por isso, Richard Dawkins jamais conseguirá provar racionalmente a existência de DEUS unicamente pelos métodos das ciências naturais. A não ser que lhe aconteça um milagre extraordinário da salvação, que só o Espírito Santo pode realizar, dado que a sua mente contínua ainda obscurecida o que lhe dificulta imensamente a capacidade de compreender a verdade espiritual e consequentemente segui-la. 

E mais, a existência de DEUS é passível de ser provada por métodos científicos. Engane-se quem pense o contrário. A razão última de todo o saber científico nas suas múltiplas formas, parafraseando o Justino Mártir, vem de DEUS. ELE é fonte e a causa final de todo o saber humano. Com efeito, para conseguirmos chegar tal proeza, precisamos, em primeiro lugar, de reconhecer a nossa limitação humana e percorrer um caminho diferente do comum que é o caminho da fé para depois seguir a razão; e não vice-versa como muitos ateus têm estado a fazer, entre os quais Richard Dawkins, caindo assim na completa desgraça espiritual. 

Uma Visão Religiosa e Política das Eleições Norte-americana


Uns dias atrás numa conversa informal e animada que mantinha com um amigo e irmão na fé acerca da realidade sociopolítica universal dos nossos dias, nomeadamente a dos Estados Unidos, fui estranhamente surpreendido por este mesmo irmão que me interrogava preocupadamente sobre a posição da Convenção Baptista nas eleições americanas, com o intuito de saber qual é o candidato que esta instituição apoiaria. E a minha resposta foi logo imediata e peremptória: obviamente que não há, e jamais haverá, uma posição formal por parte da Convenção Baptista sobre quaisquer tipos de eleições, muito menos a dos EUA; ou de apoiar em concreto um determinado candidato, uma vez que o objecto finalístico da Convenção Baptista, visa única e exclusivamente alcances religiosos e não propriamente estar a imiscuir-se nos assuntos políticos (um Princípio unanimemente acolhido pelas igrejas evangélico-protestantes desde a Reforma Protestante do século XVI por Martinho Lutero).

De facto, à partida, pode parecer surreal a pergunta deste meu estimado amigo e irmão na fé; mas quem conhece bem a “mentalidade” dos evangélicos ditos tradicionais e a conjectura religiosa norte-americana, reconhecerá certamente a pertinência da pergunta e de toda a carga ideológica que lhe está subjacente.

Por maioria de razão - e também por uma questão de identidade religiosa - os protestante-evangélicos Norte-americanos têm mais tendência em apoiar candidatos republicanos, por entenderem que estes defendem melhor os princípios e valores bíblicos – embora tal seja discutível - e por serem acima de tudo, digamos assim, devotos praticantes do Cristianismo. Em certa medida com alguma razão. Basta pensarmos nos candidatos republicanos que governaram os EUA ao longo da sua história da independência nacional para constatarmos que todos eles foram predominantemente evangélicos-protestantes, excepto o primeiro presidente republicano na história do país, Abraham Lincoln, que não professava nenhuma crença religiosa, apesar de ter vindo de uma família oriunda e praticante da fé baptista.

Evidentemente, a identificação dos evangélicos norte-americanos com o partido republicano não se baseia somente nos argumentos acabados de se mencionar, mas também pelo facto de este partido ter tido ao longo da sua constituição uma posição altamente conservadora e tradicional no campo da ética, da moral, e na prática dos bons costumes que sempre nortearam a grande Nação Americana, diferente da posição um pouco liberal (para não dizer mesmo liberal) dos democratas que revelam sempre alguma precipitação e fragilidade nestas matérias, procurando conjugá-las com a moral e cultura dominante, o que certamente acaba por gerar certas reticências e até mesmo um preconceito generalizado na maioria dos evangélico-protestantes Norte-Americanos para com o partido democrata e os seus respectivos candidatos. 

Falando agora directamente do programa eleitoral de ambos os candidatos, do democrata Barack Obama, Joe Biden e do republicano Mitt Romey, Paulo Ryan, e começando em primeiro lugar por este último candidato no que toca às propostas orçamentais avançadas por ele para conter a insuportável dívida soberana Americana, reduzir o défice público e consequentemente gerar a riqueza do país através da criação dos novos postos de trabalho para levar os EUA novamente ao ritmo de crescimento económico. Para Mitt Romey tudo isto passa na redução dos impostos e cortes significativos na despesa pública. Mas a proposta orçamental não fica somente por aqui, Mitt Romey, vai ainda mais longe, prometendo 20% de reduções adicionais em todos os escalões do imposto sobre rendimentos e diminuindo o imposto sobre sociedades de 35% para 25%, para não falar da sua promessa de limitar 20% os gastos dos governos federais.

Levando avante essa promessa eleitoral caso vença as eleições – como tudo indica se ganhar - isto implica, como diziam alguns analistas e especialistas na matéria, que se afectaria drasticamente três importantes áreas que promovem o crescimento e das quais dependem empregos de salários elevados: educação, infraestruturas e investigação. Estas áreas são responsáveis por menos de 8% dos gastos federais e esta proporção tem vindo a decair continuamente. Com Romney, cairiam para novos mínimos.

Ora esta proposta de Mitt Romey, a meu ver, é de todo inviável, uma vez que não só especificou concretamente que política tenciona aplicar para conseguir de volta as receitas que o Estado deixariam de obter com as cortes, bem como a causa-efeito dessas medidas acabariam por ter enormes implicações nas famílias norte-americanas, sobretudo nas famílias de rendimento baixo e médio. Por isso, a especialista nos assuntos económicos, Laura Tyson no seu artigo de opinião, concluiu que esse plano de Mitt Romey, “aumentaria o défice de emprego, o défice de investimento e o défice de oportunidades, com consequências negativas para o crescimento e prosperidade futuros” (LER). 

Quanto à política externa de Mitt Romey, fazendo jus àquilo que tem demonstrado publicamente no seu último debate televisivo com Barack Obama e do périplo que fez recentemente a Inglaterra, Polónia e Israel, julgo que a sua agenda política externa – embora não tão diferente com a de Barack Obama – é um autêntico fracasso pelas seguintes razões. Primeiro, tem a ver sobretudo com o facto de Mitt Romey desconhecer completamente o dossier envolvente a crise Israelo Palestiniana, facto que se prova com o tremendo gaff que deu no seu discurso em Jerusalém, considerando esta cidade como capital de Israel (um insulto não somente para os israelitas bem como para os Palestinianos  – sem entrar ainda na querela da disputa territorial que envolve os dois povos na criação do Estado Palestiniano sobre os limites da circunscrição territorial na base da proposta avançada por cada Estado – ignorando assim, as vicissitudes e implicações políticas que essa grave afirmação pode representar no consenso político entre os dois povos. Mitt Romey, demonstrou ainda impreparação nos assuntos ligados com a guerra fria, tendo uma posição um pouco radical no que toca o relacionamento de EUA com a Rússia, Iraque, Afeganistão, Correia do Norte e no combate ao terrorismo. 

Falando do programa eleitoral de Barack Obama para reduzir o défice público Americano, contrariamente à posição defendida por Mitt Romey de fazer cortes nos impostos directos e indirectos, Obama tenciona aumentar a carga fiscal para os rendimentos mais elevados e com isso aliviar os rendimentos baixos e médios (a classe média baixa e média), e com isso, accionar as medidas fiscais adicionais e temporárias para promover a criação de emprego, através de subsídios adicionais aos governos estaduais e de gastos complementares em infra-estruturas. Uma proposta que mereceu reparos e duras críticas dos republicanos, sustentando que Obama está mais preocupado em repartir a riqueza do país com os pobres do que propriamente gerá-la, identificando-o com o modelo seguido pelos líderes dos países europeus, nomeadamente a Grécia, Espanha e Portugal que se confrontam com problemas de défice e graves riscos de falência e de bancarrota.

A meu ver, concordo em parte com este modelo traçado por Barak Obama, não só porque demonstra uma sensibilidade humanista, como também parece o mais razoável do ponto de vista social. Ao contrário do modelo de austeridade seguido aqui na Europa, no sentido de que todos devem pagar pela crise do país – embora de forma proporcional -, julgo-o um pouco desajustado, para não dizer injusto. Sem prejuízo, obviamente, do “Princípio de Igualdade”, parece-me não fazer nenhum sentido uma pessoa de rendimento mínimo estar a ser obrigada pelo Estado a contribuir na redução do défice público, uma vez que os rendimentos de que dispõe não dão para poder fazer esse mesmo sacrifício, tal como os outros com os rendimentos para tal. Por isso, concordo em parte com Obama no sentido de taxar mais os ricos para cobrir o défice aliviando desta forma as pessoas com os rendimentos mais baixos.

Embora, importa salientar, que a promessa eleitoral que Barack Obama fez há quatro anos atrás no sentido de relançar a economia Norte-Americana acabou por revelar um autêntico fracasso, visto que não só a sua Administração não conseguiu reduzir o número de desemprego nos EUA como até o aumentou por números galopantes como nunca vistos na história do país; ou seja, neste momento os EUA contam com mais de 28 milhões de desempregados. E para não falar ainda do descontrolo da dívida pública que a Administração de Obama não conseguiu conter, que levou neste verão uma depreciação de uma agência financeira sobre capacidade Norte-Americana de conseguir no futuro fazer face à dívida soberana.

Perante toda essa incapacidade económica demonstrada por Barak Obama, mesmo assim o ex-Presidente da República Português, Mário Soares, convicto admirador dele continua optimista quanto à sua reeleição, considerando que a sua vitória trará "um vento de mudança no mundo e em especial na Europa” (Ler). E ainda no seu artigo de opinião na revista Visão, Mário Soares reconheceu que de facto muitas das promessas eleitorais de Barack Obama há quatro anos atrás não se concretizaram tal como ele queria devido ao facto de estar “cercado como esteve pelos republicanos, racistas e incompetentes, não pôde cumprir algumas das suas promessas. É verdade. Mas agora é diferente. Vai fazer o que é necessário e mudar a América e a União Europeia, que tem ajudado” (Ler). 

Quanto à política externa de Barack Obama, em princípio pode parecer bastante eficaz, uma vez que há um consenso generalizado no mundo inteiro sobre a Administração Obama no que toca à imagem dos EUA e relacionamento do país com o resto dos povos, acrescentando ainda o facto de ter cumprido uma das suas bandeiras eleitorais de retirar as tropas americanas no Iraque e ao mesmo tempo neutralizar as acções de Al-Qaeda que terminou mais tarde com a morte do seu líder número um, Osama Bin Laden no ano passado.

Portanto, vendo as coisas numa perspectiva pormenorizada, chegaremos à conclusão de que muitas das promessas que Obama fez há 4 anos atrás ficaram ainda por concretizar, o que alguns consideram como uma desilusão total, nomeadamente a guerra no Afeganistão, a crise nuclear Iraniana e Coreana, o relacionamento com o aliado Paquistão que cada vez mais está agudizar-se, o dossier Russo que ficou muito aquém, incluído no "Tratado de Redução de Armas Extratégicas (START)" – não resultaram numa “reiniciação” genuína nas relações bilaterais, fazendo-nos lembrar a guerra fria do século passado, e para não falar do insucesso da primavera árabe e a desumanidade atroz que está acontecer neste momento na Síria e o processo de paz Israelo-Palestina que a administração Obama demonstrou uma posição ambígua na sua resolução. Todos estes desafios, pelo menos a administração de Obama não lidou com eles de forma mais eficaz como esperaríamos do presidente Barack Obama, tendo em conta a confiança e o entusiasmo envolto dele há quatro anos atrás.

Por esta razão, o Professor de Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Zaki Laïdi, não teve a menor dúvida em considerar a política externa de Obama ao longo de quatro anos de governação de insuficiente, justificando no entanto que embora “o primeiro mandato de Obama não possa ser considerado como uma decepção a nível da política externa, as suas conquistas – ainda que não triviais – foram limitadas. Se ele ganhar um segundo mandato, é provável que descubra que é cada vez mais difícil ganhar quando se joga para não perder” (LER). 

Voltando novamente ao assunto dos protestantes-evangélicos Americanos nestas eleições cabe dizer o seguinte: de facto estarão com um profundo dilema no sentido em quem votar, visto que não têm desta vez – como nas outras eleições – nenhuma identificação com o candidato republicano, por este não ser evangélico-protestante, mas sim um devoto mórmon, que para os evangélico-protestantes não passa de mais uma seita que andam por aí a deturpar a mensagem do Evangelho. Enquanto que Barak Obama, um assumido evangélico-protestante da denominação Igreja Unida de Cristo, que presumidamente podemos considerar como um irmão em Jesus Cristo, no entanto não vai beneficiar dessa presunção, ou seja receber o apoio dos evangélicos-protestantes Americanos, não só pela encarnação das suas ideias liberais, que têm a ver sobretudo com a sua identificação com o casamento das pessoas do mesmo sexo, a questão do aborto e da eutanásia, mas também pelo preconceito de pertencer as origens muçulmanas e de ser acima de tudo um negro. Todos estes factores, levarão a maioria dos evangélicos Norte-Americanos a não votar nele, preferindo até votar no profano Mitt Romey, abster-se ou votar em branco.

Por conseguinte, fazendo fé às ultimas sondagens divulgadas nos EUA, as previsões avançadas pela Euronews (LER) e dos comentários dos blog “especializados” nestas eleições Americanas e nas suas apostas (LER) e também AQUI, parece-me - embora sem certeza absoluta – que Barack Obama vai ganhar como tudo indica (e assim estaremos a presenciar o cumprimento integral da profecia feita no século XIX por Alexis de Tocqueville na sua grandiosa obra “Da Democracia na América, II, III parte cap. 21º (p. 772)”, onde sustenta que  “se algum dia houver grandes revoluções na América, serão geradas pelos negros, e não serão provocadas pela igualdade de condições, mas antes pela desigualdade das mesmas”. Estaremos nós perante uma revolução na América com a vitória esta noite de Barak Obama? Eis o mistério e a grande questão.

Em suma, até lá teremos que aguardar pacientemente o fecho das urnas dentro de algumas horas e conhecer o justo vencedor. Da minha parte, resta somente desejar maiores êxitos e felicidades para o novo presidente norte-americano, independentemente de quem ganhar as eleições, peço a DEUS a mais ricas bênçãos sobre ele; e que possa de facto conduzir EUA para um bom porto e ao mesmo tempo influenciar positivamente os outros líderes mundiais na luta e defesa de causas nobres e sublimes para o bem-estar de toda a Humanidade!