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Acordo de Paz Entre Israel e o Hamas


Registo com enorme satisfação o acordo de paz anunciado esta madrugada ao mundo, no âmbito do conflito armado entre Israel e o grupo terrorista Hamas (LER). Há muito tempo que ambas as partes beligerantes poderiam ter alcançado um entendimento que poupasse as vidas de milhares de pessoas, deliberadamente dizimadas ao longo destes dois dolorosos anos de chacina e sofrimento. Morreram, de forma injusta e desnecessária, milhares de inocentes, e milhões ficaram diretamente afetados por esta bárbara guerra, alimentada por um clima de ódio exacerbado entre palestinianos e judeus (LER)

Nada justificava o traiçoeiro e brutal ataque que o grupo terrorista Hamas perpetrou em Israel no dia 7 de outubro de 2023, episódio que nos chocou profundamente (LER). Este hediondo e macabro atentado ultrapassou todos os limites do bom senso e da razoabilidade, revelando a verdadeira face do Hamas: um movimento terrorista que despreza por completo a vida humana em todas as suas dimensões, repudiando os princípios fundamentais do humanismo e da humanidade. 

Contudo, a resposta do governo de Israel foi também desproporcional à luz do Direito Internacional Público, resultando em inúmeros crimes atrozes contra a humanidade (LER). Não se pode punir um povo inteiro pela conduta criminosa de uma parte da sua população. O governo de Israel, tal como os terroristas do Hamas, matou deliberadamente crianças, mulheres, idosos e homens inocentes. 

Nada disto deveria ter acontecido. Tanto o Hamas como o governo de Israel agiram de forma condenável nestes dois horripilantes anos de guerra, que ceifaram milhares de vidas e deixaram um rasto de destruição sem precedentes em ambos os territórios. Assim como não hesitei em condenar o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro (LER), também não hesitei em reprovar a resposta violenta e desproporcional de Israel (LER). Creio que cada um de nós deve defender intransigentemente o valor sagrado da vida humana, independentemente das nossas afinidades sociais, políticas, religiosas ou ideológicas. 

Obviamente, “nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade”, exortava o Apóstolo Paulo (2 Co 13:8). E o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo afirmou, de forma manifesta e perentória, que somente a verdade do Evangelho nos libertará da condenação eterna (Jo 8:32). Por isso, devemos pautar a nossa conduta pela defesa firme da verdade e pela promoção da paz entre povos e nações, evitando cair no fanatismo e no radicalismo que em nada contribuem para a convivência pacífica e a verdadeira solução dos conflitos. A paz e a harmonia só se constroem com moderação, diálogo e respeito pelas diferenças — virtudes que, infelizmente, têm faltado nas relações entre palestinianos e israelitas. 

Espero, sinceramente, que este novo acordo de paz agora anunciado possa consolidar-se e prevalecer. Que os reféns israelitas regressem às suas casas e reencontrem os seus familiares e amigos. Que os palestinianos possam retomar a sua vida normal, sem bombas nem morte. E que, acima de tudo, triunfem o perdão, a reconciliação, o amor e a paz entre judeus e palestinianos — para o bem de toda a humanidade. Que assim seja.

Os Horrores da Guerra na Faixa de Gaza

Ninguém pode ficar indiferente com a catastrófica situação humanitária que se vive há muito tempo na Faixa de Gaza. Ninguém que esteja no seu perfeito juízo pode folgar-se com a indiscriminada mortandade das criancinhas palestinianas, mulheres e homens que, diariamente, de forma bruta e sem piedade, morrem perante as bombas e a fome provocada pelo bloqueio israelita. Realmente, nenhum ser humano pode ficar alheado, omitir, consentir ou aprovar a carnificina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia que está a ser perpetrada arbitrariamente pelas tropas israelitas (LER)

Levantar ousadamente a voz para denunciar o despotismo, o abuso, a guerra e a matança deliberada dos inocentes palestinianos nas mãos das tropas israelitas é uma questão de bom senso e de razoabilidade. É uma questão de não pactuar com o esmagamento, a injustiça, a impunidade e a ditadura. Denunciar todos estes desumanos horrores da guerra é uma questão de humanismo e de humanidade.  Denunciar os deliberados crimes de guerra e a propagação do mal é, acima de tudo, uma questão de defesa intransigente dos Direitos Humanos. 

Esta monstruosa guerra ultrapassa qualquer tipo de crenças firmadas e status quo. Também ultrapassa as diferentes ideologias, modus vivendi e as mundividências que cada um de nós possa ter sobre a legitimidade, ou não, de uma guerra. Ultrapassa ainda qualquer tipo de querelas políticas e as crónicas disputas territoriais na Terra Santa entre os judeus e palestinianos. Esta vergonhosa guerra ultrapassa todos os pressupostos axiológicos da Carta das Nações Unidas, bem como tudo aquilo que é o mais correcto, sensato, justo, aceitável, tolerável e humano. 

Por isso, é urgente que o mundo inteiro levante a sua voz para travar definitivamente a ocupação israelita na Faixa de Gaza e a escandalosa política dos colonatos na Cisjordânia. É preciso, mais que isso, que o mundo e todos os homens e mulheres de “boa vontade” convirjam num único esforço de, com carácter de urgência, obrigar Israel a cessar imediatamente com a descabida guerra e negociar a libertação dos reféns israelitas que ainda estão nas mãos dos terroristas do Hamas. 

Se na primeira fase da guerra, depois do inesperado massacre que Israel foi vítima por parte dos terroristas do Hamas, culminando na injustificada e horripilante morte de mais de mil inocentes israelitas, fazia todo o sentido que Israel reagisse e defendesse a sua integridade, isto é, responsabilizar os perpetradores desta inenarrável barbaridade humana. A pronta e justa resposta de Israel, no início, tinha a completa justificação legal, política, ética e moral à luz do Direito Internacional (LER)

No entanto, depois de algum tempo, já não fazia sentido continuar teimosamente com a prejudicial guerra, tal como Israel tem vindo a fazer, ignorando todas as evidências e chamadas de atenção de países e entidades internacionais. Continuar ad aeternum com esta mortífera guerra colide frontalmente com todos os princípios e disposições de Direito Internacional, sobretudo o Direito Internacional Humanitário estabelecido nas Convenções de Genebra e os seus Protocolos Adicionais (LER)

Neste momento, não se pode falar da legítima defesa por parte de Israel, tendo em conta a desproporcionalidade abismal do saldo da guerra para ambos os lados. Estamos a caminhar para aproximadamente 60 mil mortes e milhares de feridos palestinianos contra mil e tal mortes e algumas centenas de feridos por parte de Israel. 

Da mesma sorte que não hesitei em condenar publicamente o horripilante massacre do Hamas contra Israel no dia sete de Outubro de 2023 (LER), também não hesito em condenar aqui publicamente a mortífera guerra que Israel está a fazer de algum tempo a esta parte na Palestina, principalmente na Faixa de Gaza, ceifando milhares de vidas e deixando um rasto de destruição incalculável. 

É com bastante dor, e com o coração completamente dilacerado, que tenho estado a acompanhar de perto esta sangrenta guerra sem fim à vista (LER). É com bastante sofrimento e impotência que vejo a apatia, impotência e falta de boa vontade por parte dos actores políticos mundiais para solucionar definitivamente esta assustadora guerra. É, por fim, com bastante dor e coração partido que me tenho curvado diante do nosso Todo-Poderoso DEUS em oração, pedindo-Lhe a urgente ajuda para que acabe com esta loucura mortandade. 

Estão no meu coração todos os inocentes palestinianos que estão a ser diariamente atormentados pelas indiscriminadas bombas dos israelitas. Estão no meu coração todos os Cristãos palestinianos, os meus irmãos na Fé, que estão desesperados, com perdas humanas dos seus entes familiares e amigos. Estão no meu coração todas as inocentes vítimas de forma directa e indirecta desta maldita guerra – tanto do lado judeu como do lado palestiniano –, especialmente as vítimas mortais de ambos os lados. 

É impreterível acabar com esta terrifica guerra que não é benéfica para ninguém. Acabar com esta mortífera guerra, que não é proveitosa para as partes beligerantes e também para o mundo em geral. É extremamente importante acabar com esta hedionda guerra para, desta forma, o mais rapidamente possível, libertar todos os reféns israelitas que ainda estão no cativeiro do Hamas na Faixa de Gaza. Só cessando esta guerra se poderá abrir caminho para a libertação dos pobres reféns israelitas e a tão almejada paz naquela conturbada região do globo. 

Em suma, é importante acabar com a guerra para poupar vidas e, consequentemente, cessar os tremendos horrores humanitários que se vivem na Faixa de Gaza há muito tempo. Esta interminável e abominável guerra é uma autêntica desumanização e vergonha para toda a humanidade. E deve acabar já para o bem de todos! 

Irão: Um Estado Patrocinador do Terrorismo


A República Islâmica do Irão é um estado que promove, patrocina e dissemina o terrorismo pelo mundo, sobretudo no Médio Oriente. Está, desde a teocrática revolução de 1979 dos aiatolas, indissociavelmente ligado ao terrorismo. Tanto que, por esta razão, não hesita em financiar deliberadamente os grupos terroristas para espalharem o terror e instaurar um regime subversivo e anárquico no Médio Oriente (veja-se, por todos os exemplos, o caos que se vive no Iémen, na Síria, no Iraque e na Cisjordânia). É o Irão que financia monetariamente e com armamentos o grupo terrorista Hezbollah, Houthis, Hamas, etc., com o intuito de impor pela força armada o seu xiismo radical e, desta forma, afirmar a sua hegemonia regional no já conturbado Médio Oriente. 

Com base neste tresloucado desiderato ideológico-nacional persegue, saqueia, golpeia e mata sem piadade milhares de pessoas em nome deste descabido ideal político-religioso, criando sedições entre países, sociedades e povos em especial. O Irão é um estado que patrocina o terrorismo. Gasta rios de dinheiro para fazer valer o terrorismo nos países que considera seus adversários para desestabilizá-los e, consequentemente, controlá-los. Por isso, o premeditado, belicoso e perigoso ataque que lançou há uma semana contra as cidades israelitas enquadra-se nesta implacável lógica de implementação do terror no Médio Oriente do tirânico regime persa. Aliás, o Irão considera Israel o seu primeiro e arqui-inimigo que deve ser completamente eliminado do mapa (matar todos os judeus da face da Terra, bem entendido). Este odioso discurso foi reiteradamente afirmado pelos líderes iranianos ao longo dos anos e continua presente até à data presente. 

A “promessa honesta” do Irão contra Israel no sábado, bombardeando indiscriminadamente as cidades judias com mais 300 bombas, nomeadamente com os drones, misseis cruzeiros e balísticos, visava criar profundas perdas – tanto humanas como materiais – ao povo hebreu. Felizmente, graças à imprescindível ajuda dos EUA, Inglaterra, França, Jordânia, e também da própria robustez da capacidade ante-a érea de Israel, conseguiu-se controlar todos estes bombardeamentos maciços e não houve nenhuma morte ou danos assinaláveis. Graças a DEUS (LER)

Israel, a meu ver, não precisava retaliar o Irão, tal como fez há três dias, não obstante a gravidade do ataque deste no seu território. Esta retaliação não alterou praticamente nada em termos objectivos, antes pelo contrário podia perfeitamente contribuir para escalar ainda mais a situação no terreno. Neste momento, Israel tem de focalizar unicamente no cessar-fogo, resgatar os seus reféns ainda presos na Faixa de Gaza e, por fim, resolver definitivamente o seu conflito armado com o Hamas para o bem-estar de todos. Eis a minha humilde opinião. 

O Meu Coração Está Com o Sofrido Povo Palestiniano

Eu, Térsio Vieira, e mais duas crianças palestinianas na cidade de Hebrom, Cisjordânia, em Março de 2013.       


É com o coração dilacerado que tenho estado a acompanhar os bombardeamentos indiscriminados na Faixa de Gaza pelas tropas israelitas, vitimando milhares dos inocentes, sob pretexto de “eliminar” completamente os terroristas do Hamas. O mal não se combate praticando um outro mal. O mal combate-se com o bem. 

É verdade que nada justificava os atentados macabros do Hamas perpetuado no dia 07 de Outubro do ano passado no território israelita, que ceifou vidas de inúmeros inofensivos judeus e de outras nacionalidades (LER). É verdade que este acto ignóbil, bárbaro e deliberado do Hamas configura um flagrante desrespeito pela vida humana (LER). É verdade ainda que Israel, à luz do Direito Internacional, tinha todo o direito de se defender por legítima defesa pelo traiçoeiro e sanguinário ataque que sofreu por parte dos terroristas do Hamas (LER)

No entanto, esta legítima defesa não pode esvaziar o Direito Internacional Humanitário contemplado na Convenção de Genebra e, muito menos, a legitima defesa ser manifestamente desproporcional com a agressão sofrida. A verdade é que, desde início da invasão da Faixa de Gaza, as autoridades israelitas não têm respeitado estes postulados axiológicos da Carta das Nações Unidas, optando por via de confrontação da Comunidade Internacional, não obstante os reiterados apelos e pressões constantes dos países para que Israel protegesse os civis palestinianos, sobretudo que cessasse o conflito armado, e negociasse a libertação dos seus reféns que estão ainda nas mãos dos terroristas do Hamas. 

Da mesma forma que não hesitei em condenar o hediondo acto do Hamas para com Israel, também não deixarei de condenar a mortandade promovida pelas autoridades israelitas nos territórios palestinianos. Estão a matar, de forma indiscriminada e sem piedade, os palestinianos. Não podemos fechar os olhos com as chocantes imagens que nos chegam todos os dias da Faixa de Gaza. Estão a morrer civis inocentes que não mereciam morrer. A começar, desde logo, por bebés, doentes, mulheres, idosos, mulheres e homens. São seres humanos como nós, independentemente das suas origens e crenças. É imprescindível, com carácter de urgência, terminar com este desumano derramamento de sangue, libertar os reféns israelitas e negociar a paz para o bem-estar de todos. Todo o povo palestiniano não pode ser esmagado pela barbaridade do Hamas. É uma questão de bom senso e da razoabilidade, ou melhor, é uma questão do humanismo e humanidade. 

Sou, tal como oportunamente manifestei aqui publicamente, um convicto sionista (LER). Rejeito qualquer tipo de antissemitismo. Julgo que Israel merece ser protegido contra os hostis países do Médio Oriente que, a todo o custo, querem a sua aniquilação total. Há um ódio declarado dos países circunvizinhos para com Israel o que, em circunstância nenhuma, não posso subscrever. Agora, uma coisa é ser pró-Israel. Outra coisa, e bem diferente, é apoiar cegamente Israel, mesmo quando não está certo. Sim, sou defensor acérrimo de Israel, mas muito mais defensor da Verdade, pois só a Verdade libertar-nos-á, já dizia o Senhor Jesus Cristo (Jo 8:32). E a única e exequível verdade neste momento é a de Israel cessar a guerra e negociar um cordo de paz, com vista a formação do estado palestiniano.  Sou apologista da existência do estado palestiniano, sobretudo no que toca à sua coexistência pacífica com o estado hebreu, sem este contudo abdicar da parte dos territórios que actualmente ocupa, especialmente na cidade de Jerusalém. 

Visitei Israel e Palestina alguns anos atrás onde constatei in loco as tremendas rivalidades existentes e existenciais entre ambos, mormente o manifesto ódio que os dois povos nutrem um pelo outro (LER). Marcou-me profundamente a mundividência e idiossincrasias tanto dos judeus como dos palestinianos (LER). Estes estão completamente desprovidos dos elementos básicos de sobrevivência, vivendo num limiar da pobreza aviltante que não deixa qualquer pessoa indiferente. Foi neste contexto humilde que conheci pessoas fantásticas que abençoaram a minha vida e das pessoas que estavam comigo na viagem. Lembro-me, particularmente, da família Cristã Abu Sa'id que foi muito acolhedor, cordial e simpático connosco durante a nossa estadia na Cisjordânia. 

Há ainda, tal como a família Abu Sa'id, milhares de Cristãos palestinianos que estão neste momento a sofrer com efeitos colaterais e nefastos da guerra na Faixa de Gaza. O meu coração está com o sofrido povo palestiniano em geral, especialmente com estes nossos irmãos na fé Cristã que certamente alguns já perderam a vida e outros os seus ente-queridos. Que o nosso Todo-Poderoso DEUS console as almas destas pessoas e renove as suas esperanças unicamente Nele, principalmente que faça terminar a guerra e restaure definitivamente a paz para o bem-estar dos dois povos vizinhos. Que assim seja. 

O Ódio Declarado Entre os Judeus e Palestinianos


O conflito israelo-palestiniano vai muito além do que um mero reconhecimento e a formação de dois estados na Terra Santa. É um problema de visceral ódio declarado entre ambos os povos, sobretudo dos palestinianos para com os israelitas, que vai germinando em sucessivos conflitos violentos e com perdas infindáveis de vidas humanas nos dois lados da barricada. Os judeus detestam completamente os palestinianos e os palestinianos, por sua vez, odeiam manifestamente os judeus – por causa das significativas conquistas territoriais que estes alcançaram com as sucessivas intifadas ao longo das décadas e, concomitantemente, a sua intransigente política de colonatos na Cisjordânia, tendo em conta o falhanço do acordo de paz que foi assinada em 1993 no famoso “Acordos de Oslo”. 

A meu ver a fundação do estado palestiniano é uma questão meramente secundária neste momento. Ela não é propriamente crucial e determinante na resolução cabal do conflito em questão, diferentemente da visão tautológica e equivocada propalada pelos vários analistas e comentadores políticos. Desde 1993, até à data presente, houve uma mutação significativa no diferendo em torno da disputa territorial entre os judeus e palestinianos na Terra Santa. 

Admitamos até que o cerne do problema seja apenas a criação do estado palestiniano e a sua coexistência pacifica com Israel, tal como é defendido pela generalidade dos países e pelas Nações Unidas em particular: com que critérios tal se efectivaria? Quem ficaria com os lugares sagrados que são essencialmente afectos aos dois povos? A cidade de Jerusalém seria de quem, afinal? Israel, em circunstância alguma, abdicará do controlo pleno de Jerusalém e de considerá-la o seu capital político. Da mesma sorte, a Palestina jamais aceitará ser um país sem, no mínimo, poder contar com Jerusalém como sendo o seu capital político. Aliás, por causa da partilha de Jerusalém firmada nos Acordos de Oslo fizeram com que Yitzhak Rabin, o então Primeiro-ministro de Israel, foi friamente assassinado no ano seguinte por um extremista judeu. 

O grande impasse para formação do estado palestiniano tem a ver mormente com a disputa territorial de Jerusalém por ambos os povos. A cidade de Jerusalém representa tanto para os judeus como para os palestinianos. A resolução das Nações Unidas, que é acolhida por um leque de países, considera Jerusalém como neutra, ou seja, de ninguém, podendo simultaneamente ser partilhada pelos judeus e palestinianos, salvaguardando a liberdade de culto para a três religiões monoteístas, nomeadamente os judeus, Cristãos e islâmicos. No entanto, há muito tempo que esta posição das Nações Unidas não é bem acolhida pelas partes beligerantes, que reclamam exclusivamente o controlo efectivo da Cidade Santa. 

Por razões de força política, diplomática e armada, Israel tem conseguido manter em sua posse o domínio completo de Jerusalém. As coisas complicaram ainda mais por parte dos palestinianos quando administração americana decidiu em 2017 transferir a sua embaixada de Telavive para Jerusalém, reconhecendo assim unilateralmente Israel como sendo o dono peculiar da Cidade Santa. Uma decisão, igualmente, seguida por numerosos países aliados dos EUA, reduzindo cada vez mais a influência dos palestinianos na mítica cidade. 

Estive há dez anos no Médio Oriente, concretamente em Israel e nos territórios palestinianos, procurando inteirar-me da melhor forma possível do diferendo entre as disputas territoriais entre os judeus e palestinianos. A conclusão a que cheguei é que jamais haverá, aos olhos humanos, a tão almejada paz entre os israelitas e os palestinianos. 

Há muitos factores que concorrem e convergem para obstar significativamente ao entendimento entre os dois povos, nomeadamente a diferença ideológico-política, o fundamentalismo religioso que caracterizam ambos os povos, o preconceito generalizado e a conotação negativa que cada um tem do outro. São factores determinantes e desestabilizadores na consolidação do processo de paz naquele conturbado território do mundo. 

O Terrorismo Macabro do Hamas

O catástrofe humanitário que se vive neste momento em Israel e na Faixa de Gaza é da inteira responsabilidade dos terroristas do Hamas. Milhares de pessoas que perderam a vida são da inteira responsabilidade do Hamas. Esta monstruosa guerra foi provocada unilateralmente pelo Hamas. O Hamas que é o agressor neste sangrento conflito e Israel é a vítima. Foi o Hamas que atacou violentamente Israel, matando de forma macabra as crianças, os jovens, os idosos, as mulheres, os homens e os civis em particular. É o Hamas que carregará sangue de todas estas vidas perdidas – inutilmente – e das que ainda vão certamente morrer ao longo deste conflito armado de ambos os lados. 

O Hamas é um grupo fundamentalista, extremista e terrorista, que não valoriza o primado da vida humana. Não tem valores da civilização e da civilidade. Vive promovendo o ódio, a guerra, o terror e o derramamento do sangue. Tanto que, por esta razão, assim que teve a oportunidade pelo descuido dos serviços secretos de Israel, não hesitou em empregar os métodos mais hediondos para fazer valer a sua pretensão. Em consequência disso, disparou, decapitou e queimou friamente pessoas inofensivas, sobretudo as pobres criancinhas judias, deixando um horripilante rasto de destruição sem precedentes em Israel. Milhares de pessoas foram barbaramente mortas, sem dó nem piedade, apenas por serem sionistas. 

O despoletar desta guerra é da exclusiva responsabilidade do Hamas, independentemente da convicção a que cada um de nós possa ter sobre a já longa crise israelo-palestiniana. Se não fosse este cruento ataque premeditado do Hamas não estaríamos agora assistir as chocantes imagens de massacres dos civis, bombardeamentos indiscriminados, destruições de várias ordens e de mortandade em larga escala, que nos deixam completamente impotentes perante tais tamanhas devastações. O Hamas, sem qualquer tipo de dúvida ou justificação, para grande tristeza nossa, é o único culpado por toda esta tragédia humanitária. 

A Impiedade do Ser Humano


É com o coração dilacerado que tenho estado a acompanhar a barbárie que chega de Israel através dos media. A carnificina promovida pelo grupo terrorista Hamas, contra os inofensivos civis judeus, ultrapassa todos os limites do bom senso e da razoabilidade. Ultrapassa os valores do humanismo e da humanidade. Não há razão, por mais que seja manifesta, que possa legitimar matar indiscriminadamente civis, inclusive pessoas inocentes. Instaurar um clima de terror nunca é solução plausível para resolver os problemas de fundo, antes pelo contrário, contribui ainda mais para agravar o diferendo e radicalizar as posições. A guerra só traz o desgosto, o sofrimento e a matança. 

Lamento profundamente este derramamento de sangue deliberado promovido pelo Hamas contra a nação israelita e o seu território Israel. Lamento, igualmente, de forma profunda, pelas pessoas que perderam a vida de ambos os lados do conflito e, seguramente, vão continuar a morrer inocentes nas próximas horas, dias, semanas e meses. Oro para que o Todo-Poderoso DEUS possa derramar a paz nos corações dos homens e mulheres que têm um papel importante e determinante neste conflito, com vista a minimizar os efeitos devastadores que uma guerra sempre comporta. Estou completamente solidário com o povo judeu. 

O Valor Sagrado da Amizade


Considero-me uma pessoa extrovertida e com o espírito aberto. Tenho predisposição mental suficiente para me adaptar à generalidade de situações. Aprecio imenso as diferenças, o contraditório e a reciprocidade relacional. Apesar dessas evidentes qualidades que são inerentes ao meu substrato identitário sou, da mesma sorte, em determinadas situações, bastante circunspecto, eremita e com uma personalidade vincada e irredutível (LER). No entanto, mesmo assim, tendo em conta os impolutos Princípios e Valores Cristãos que me enformam desde a mais tenra idade, procuro diariamente libertar-me de tudo aquilo que poderá obstaculizar o meu vigoroso testemunho de vida como um fiel seguidor do Senhor Jesus Cristo. Tento cultivar na minha acção aquilo que entendo ser benéfico para com o meu próximo. 

Por isso, gosto da interculturalidade, da religiosidade, de lidar com as pessoas, de estimular novas amizades em todas as suas dimensões antropológicas. Todos estes atributos só serão exequíveis quando envolverem os terceiros, bem como a genuína amizade em última instância. Caso contrário, seria tudo uma autêntica fachada, desprovida de qualquer tipo de "humanismo social". A amizade, tal como escrevi num passado recente, é uma característica riquíssima nos seus vários sentidos etimológicos, especialmente nos tenebrosos dias que correm. É uma das nobres e maiores afeições naturais que o ser humano dispõe no seu relacionamento com o próximo. Encarná-la autenticamente é reflectir, em última instância, a natureza Divina na nossa identidade (LER)

O Padre Jacinto Bento é um amigo que consegui granjear aquando da minha grata passagem pela Terra Santa (isto demonstra claramente que os Protestantes e os Católicos podem ser perfeitamente amigos, sem prejuízo de cada um continuar a defender a sua convicção doutrinária). Foi uma pessoa extraordinária, que me marcou pela positiva, razão pela qual continuamos a dar-nos bem até aos dias de hoje (LER). É um conhecedor profundo da realidade do Médio Oriente, sobretudo de Israel e Cisjordânia. Já empreendeu dezenas viagens de peregrinação à Terra Santa, levando consigo inúmeros fiéis de várias profissões religiosas até à data presente. Em 27 de Fevereiro de 2017, o Padre Jacinto Bento foi investido Cónego Honorário do Santo Sepulcro de Jerusalém, na Concatedral, pelo Bispo Marcuzzo, Vigário Patriarcal para Jerusalém e Palestina, pelo Decreto nº 9/2017, do Administrador Apostólico, o Arcebispo Pierbattista Pizzaballa. É este Padre Jacinto que publicou este ano o livro "Terra Santa [Itinerário de uma Peregrinação", fazendo questão de oferecer-me um exemplar devidamente autografado. Muito obrigado, estimado Padre Jacinto. Que o Todo-Poderoso DEUS continue a abençoá-lo e a ajudá-lo em todos os seus desafios de vida. 

A Força da Verdade


Registo com enorme satisfação a intrépida e sábia decisão da administração americana de transferir a sua embaixada de Telavive para Jerusalém, reconhecendo assim unilateralmente Israel como sendo dono peculiar da mítica Cidade Santa (ALI) e (AQUI). Eu sei que nos dias que correm está bastante na moda defender a causa palestiniana, mesmo quando se desconhece absolutamente a génesis da renhida disputa territorial entre os dois povos. No entanto, não temos o direito de escamotear a verdade histórica para fazer valer a todo o custo as nossas opções preferenciais. 

Desde logo, a nação israelita precede a nação palestiniana, tal como o Judaísmo antecede de longe o islamismo. Este só teve início depois de Cristo, isto é, no século VII com a presumível "hégira" de Maomé de Meca para Medina, em 622. Ao passo que aquela já existia desde tempos imemoráveis. Antes de ter sido escrito o apócrifo livro de alcorão ou erguida a esplanada das mesquitas, o Monte de Sião, que representa o centro nevrálgico de Jerusalém, já era um lugar do culto e sagrado para os judeus – a Cidade do DEUS vivo referenciada incontáveis vezes no Antigo e no Novo Testamento. É a parte mais importante da "Terra Prometida". Foi ali que o rei Salomão construiu o primeiro Templo no século X a. C., posteriormente destruído durante o cativeiro babilónico em 609 a. C., dando depois sequência à sua reconstrução primeiramente por Zorobabel no séc. VI e depois remodelado no século I a. C. por Herodes o Grande, respectivamente. É ali, da mesma sorte, que jazem os restos mortais do patriarca David e do seu filho Salomão (1 Reis 2:10-11; 11:42-43), bem como várias proeminentes figuras hebraicas e famosos monumentos do Judaísmo e do Cristianismo. A "Via Dolorosa", ou vulgarmente conhecida pelos Católicos por "Via-Sacra" (o sofrido percurso da Paixão de Cristo até Gólgota), atravessa todo este centro histórico de Jerusalém. Tanto o lugar onde o Senhor Jesus Cristo foi crucificado, o Santo Sepulcro, o Monte de Sião, Muro das Lamentações e o Cenáculo ficam todos circunscritos em Jerusalém. Há provas irrefutáveis desta afirmação que consta das Sagradas Escrituras e nos templos que foram erguidos nestes importantes lugares de culto, que ainda hoje atraem peregrinos e forasteiros de todo o mundo. 

Por isso, é um facto notoriamente indesmentível que aquelas delimitações territoriais e toda a cidade de Jerusalém foram e são afectos aos judeus desde os primórdios. Afirmar o contrário, tal como arbitrariamente alguns presunçosos pró-palestinianos estão a fazer, consubstancia uma flagrante adulteração da História e um indecoro de lamentar. Isto porque, em abono da verdade, os palestinianos somente se apoderaram do vasto território da Terra Santa séculos ulteriores, depois da destruição de Jerusalém, pelo império romano nos anos 70 e 135 da nossa era, expulsando a generalidade dos nativos judeus da sua própria pátria. Mesmo nestes cenários humilhantes e bastante cruéis, somando o anti-semitismo e o holocausto nazi da Segunda Guerra Mundial, o resiliente povo hebreu não se vergou à opressão. Graças a DEUS e aos significativos esforços políticos de mulheres e homens de boa vontade, mormente de Theodor Herzl, Arthur James Balfour e David Ben Gurion, os israelitas voltaram a reconquistar a sua Terra, em 1948, tornando-se assim uma nação livre, independente, democrática, próspera e uma das maiores potências económico-militares do conturbado Médio Oriente. Uma proeza inigualável e inexplicável do ponto de vista político-diplomático. Israel, em suma, existe pela força da verdade e vai continuar sempre assim para infelicidade de todos os anti-semitas. 

Amor em Tempos de Guerra


Gestos elevados desta natureza somente engrandece e enriquece a Humanidade (LER). O sofrimento do povo sírio é também o nosso sofrimento. Somos todos da mesma natureza humana, razão pela qual devemos condoermo-nos com as dores uns dos outros. 

O Sionista


A fundação do Estado de Israel foi, sem dúvida, um dos acontecimentos mais relevantes do século passado no Médio Oriente. Excedeu todos os arbítrios dos responsáveis políticos e poderes vigentes na altura. Foi um acto extraordinário e miraculoso do Todo-Poderoso DEUS para com o humilhado povo judeu. O anti-semitismo moderno, o processo Dreyfus, a Declaração de Balfour e o holocausto Nazi da Segunda Guerra Mundial foram prenúncios profundamente marcantes que precipitaram e condicionaram decisivamente a agenda internacional, dando assim ensejo a tão almejada e legítima proclamação da Pátria Judaica no dia 14 de Maio de 1948. 

Tanto Theodor Herzl, bem como Arthur Balfour e Ben Gurion não tinham a noção exacta dos contornos e implicações práticas que os seus esforços políticos representariam nos anos subsequentes à emancipação de Israel como nação livre, democrática, independente, próspera e uma das maiores potências económico-militares do conturbado Médio Oriente. Foi uma proeza inigualável e inexplicável do ponto de vista político-diplomático. 

Posto isto, e sem qualquer tipo de juízo leviano ou subterfúgio assente no “politicamente correcto”, sou manifestamente sionista e serei sempre. Também, por uma questão de imparcialidade e justiça social, sou a favor da existência do estado palestiniano, sobretudo no que toca à sua coexistência pacífica com o estado hebreu, sem este contudo abdicar da parte dos territórios que actualmente ocupa, especialmente na cidade de Jerusalém. 

Israel existiu pela força Divina, e vai continuar sempre assim, para infelicidade de todos os revisionistas e anti-semitas.

Um Dia, Uma Fotografia


Eu e o Padre Jacinto Bento (LER)no Monte de Sião, em Jerusalém, concretamente no S. Pedro em Galicantu (o galo cantou – lugar onde Apóstolo Pedro terá negado três vezes o Senhor Jesus). A actual igreja foi erguida provavelmente sobre o palácio de Caifás, o então sumo-sacerdote, para onde o Senhor Jesus foi conduzido, após ter sido preso no Monte das Oliveiras com o propósito de ser ouvido pelos membros do Sinédrio (o supremo tribunal judaico). Depois de um intenso interrogatório noite adentro acharam-No culpado pelo crime de blasfémia contra DEUS, considerando-O digno de morte (Mateus 26:57-68; Marcos 14:53-65)

Crê-se, ainda, de acordo com a milenar tradição Cristã, que o Senhor Jesus esteve preso nesta cave subterrânea na noite de quinta para sexta-feira, antes de ser apresentado ao governador Romano Pilatos, culminando posteriormente com a Sua cruenta morte na Cruz do Calvário nas primeiras horas da manhã de sexta-feira. 

Foi, realmente, um dia bastante abençoado para mim (calhou ser num sábado, na véspera da Páscoa). Pude ali mesmo “sentir” profundamente o tremendo sofrimento que o Senhor Jesus suportou através da leitura audível do melancólico Salmo 88:1-18 (LER) e mais outras porções das Escrituras Sagradas, que ilustram muito bem o patente padecimento do Servo Sofredor. 

Durante o mesmo dia visitámos os importantes sítios e monumentos históricos de Jerusalém, na companhia do Padre Jacinto Bento (LER), nomeadamente o Monte das Oliveiras, Jardim de Getsémani, o Santo Sepulcro, Muro das Lamentações, o Cenáculo, Dominus Flevit/o Senhor Chorou, o Sinédrio, etc. 

Agradeço, por isso, de forma penhorada, ao meu eterno DEUS por me ter proporcionado a grata oportunidade de conhecer a Terra Santa (LER). Esta viagem ao Médio Oriente, que começou em Telavive, dando sequência depois a região da Galileia, Judeia e Cisjordânia, permitiu-me ampliar consideravelmente a minha mundividência espiritual sobre a revelação bíblica, bem como sedimentar ainda mais a certeza da minha fé no Senhor Jesus Cristo. A DEUS toda a glória pelos séculos dos séculos! 

Era Uma Vez no Médio Oriente


Faz hoje precisamente um ano em que decidi, juntamente com dois amigos, o Dénis da Graça Andrade e o Hugo Silva, aventurar-me numa tremenda viagem ao Médio Oriente, concretamente a Israel e à Cisjordânia/Palestina, com intuito de conhecer, de perto, a realidade viva e concreta da cultura Judaico-cristã e, consequentemente, experimentar a sensação única, enquanto crente no Senhor Jesus Cristo, de estar na Terra Santa onde Ele nasceu e exerceu o Seu incontornável Ministério Messiânico como Salvador da Humanidade. 

Foi, sem margem de dúvida, a melhor viagem que alguma vez realizei na minha vida. Saímos de Lisboa ao final da tarde do dia 20 de Março, em direcção, primeiramente, a Barcelona, onde fizemos uma rápida escala de duas horas. Por volta das 22:00h do mesmo dia deixamos Barcelona rumo a Telavive. Depois de aproximadamente 5 horas de intenso voo a atravessar o mediterrâneo chegámos, finalmente, ao nosso pretendido destino. Por vicissitudes várias, completamente alheias a nós, tivemos que passar por um controlo extremamente rigoroso no aeroporto de Ben Gurion, em Telavive, feito em nome da inquestionável “segurança nacional”, como se estivéssemos ali com duvidosas intenções. 

Mal saímos do avião já estavam alguns elementos da polícia da contra-inteligência militar com os nossos respectivos dados de viagem, a aguardar-nos serenamente – nem sequer nos deixaram entrar na camioneta que estava à nossa espera para nos conduzir ao sítio do controlo, onde verdadeiramente se costuma averiguar, até à exaustão, a documentação dos passageiros, para depois lhes ser emitido um visto de entrada no país, cuja validade é de apenas três meses de estadia. Superadas todas essas incomodas formalidades e demoradas interrogações a que fomos sujeitos (nem o facto de viajarmos com o passaporte Português, que se aplica ao regime dos cidadãos da União Europeia (UE), nos isentou de sermos “passados a pente fino” pelos serviços aeroportuários), lá seguimos nós, super-felizes para o nosso desconhecido mundo oriental. 

Primeiramente estivemos na cidade de Telavive, durante três dias, e, posteriormente, continuamos a excursão de norte a sul de Israel, abarcando algumas cidades da Cisjordânia, nomeadamente a cidade de Nazaré, Caná da Galileia, Tiberíade, Cafarnaum, Acre/Pletomania, Aifa, Jerusalém, Belém da Judeia, Hebron. Visitamos todos os grandes lugares históricos do Judaísmo, bem como os do Cristianismo. Falámos com inúmeras pessoas de diferentes culturas, nacionalidades e religiões – a nossa viagem calhou na mesma altura da páscoa judaica, e da celebração da Páscoa Cristã, eventos que costumam atrair muitos turistas por aquelas paragens, principalmente os fiéis de várias confissões religiosas, vindos de diferentes cantos do mundo a fim de fazerem a peregrinação. 

Procurámos inteirar-nos, na medida do possível, da real situação sociopolítica do país, particularmente do conflito israelo-palestiniano, tentando perceber no fundo o âmago de todo o problema, as motivações e rivalidades existentes entre os dois povos irmãos, separados profundamente pelas concepções ideológicas, políticas e religiosas, completamente distintas umas das outras, e, sobretudo, o porquê daquelas renhidas disputas territoriais que ambos travam ininterruptamente, ao longo dos tempos e sem fim à vista. 

Caminhámos imenso e reflectimos sobre a verdade do Evangelho (tínhamos sempre a Bíblia Sagrada na mão, em caso de alguma eventual dúvida que pudesse surgir nos lugares que estávamos a visitar). Uma das nossas inquietações era descobrir, pelo testemunho tanto dos judeus como dos palestinianos, por que razões eles não acreditam liminarmente em Jesus Cristo como Messias vindo da parte de DEUS. Queríamos também saber o que cada povo acha um do outro – os judeus dos muçulmanos e vice-versa -, e, acima de tudo, como vêm o desfecho final do conflito político-armado que travam há décadas. As respostas que ouvimos de ambas as partes não podiam ser mais incriminadoras. Cada povo reclama por si a verdade dos factos e tenta imputar a culpa na parte contrária. Os judeus não querem saber literalmente nada sobre os palestinos, e, da mesma sorte, os palestinianos detestam completamente os judeus. Um problema extremamente difícil de resolver do ponto de vista político-diplomático. 

Viajando praticamente em todo o território de Israel, fiquei com uma imagem muito negativa dos Judeus, ao contrário da visão que tinha antes de estar por lá. Além de serem demasiado presunçosos e terem uma postura de supremacia em relação aos outros povos, julgo que a maioria dos israelitas vive num mundo totalmente diferente do mundo real. Falam muito mal dos Cristãos e são, na generalidade, anti Jesus Cristo. Consideram-No uma pessoa a quem DEUS conferiu imensos poderes mas que, infelizmente, acabou por os usar para o mal, assumindo o protagonismo – que nunca chegou a ter – de ser o Salvador do mundo, arrogando-se da grandiosa promessa que é dada exclusivamente ao Patriarca Abraão, que será concretizada na pessoa do messias prometido, que eles ainda estão pacientemente a esperar. Para a maioria dos judeus, Jesus Cristo não passava de um impostor, cheio de si, que teve, felizmente, o destino trágico que bem lhe merecia. Recebemos este relato de um judeu emigrante na Argentina, que nos deu boleia da cidade de Cafarnaum até Tiberíade, uma vez que já não tínhamos como conseguir transportes públicos que nos levassem para Nazaré, onde nos encontrávamos hospedados, por ser num sábado – cujo significado no hebraico shabat (não imaginam as imensas inconveniências que o shabat nos criou durante toda a nossa viagem. Alterou, de forma significativa, as agendas de visitas que, à priori, tencionávamos efectuar. Só quem teve alguma vez em Israel consegue compreender na íntegra a implicação prática do shabat na vida das pessoas, principalmente nas de turistas. Fica tudo fechado a partir das 5:00h de sexta-feira até às 6:00h do dia seguinte. O calendário judaico muda-se ao pôr do sol e não como a aqui e no resto do mundo, que é às 00:00h). 

De facto os judeus não diferem tanto dos muçulmanos. A única diferença substancial que ambos têm é que estes traduzem a sua forma de pensar – em caso de oposição religiosa – em actos de violência, nomeadamente os fundamentalistas islâmicos, ao passo que os judeus, neste aspecto, são mais passivos e tolerantes, não obstante terem a firme convicção do judaísmo antiquado, voltado para um legalismo exacerbado na sua convivência diária, e detestarem totalmente os muçulmanos - o ódio é mútuo entre os dois povos. 

O pior pesadelo dos judeus é a mesquita do Omar ou “Cúpula da Rocha”, construída no séc. VII em pleno coração de Jerusalém, no "Monte do Templo", concretamente no lugar onde era o Templo Sagrado do rei Salomão, a escassos metros do “Muro das Lamentações”. É a terceira mesquita mais importante do mundo islâmico, depois de Meca e de Medina. Os muçulmanos construíram a referida mesquita em 685-691 sob pretexto do que foi ali que o Patriarca Abraão foi provado por DEUS para oferecer o seu filho Isaque em sacrifício vivo, contrariamente ao que consta nos relatos bíblicos, que tal acontecimento teve lugar na região do Monte Mória, aos redores do Sião (Génesis 22:1-2). Os ultraconservadores judeus fazem de tudo para arrasar definitivamente a “Cúpula da Rocha” mas são, no entanto, constantemente travados pelas autoridades através de uma barreira de separação e de um controle extremamente apertado pelo MOSSAD - os judeus não podem entrar lá. Isto ocorre porque qualquer tentativa por parte dos judeus contra a "Cúpula da Rocha”, segundo o que nos disseram, desencadearia automaticamente uma luta armada sem precedentes no Médio Oriente, ou seja, todos os países muçulmanos possivelmente atacariam a Israel, visto que foi aí que, para eles, se deu o Al Miraaj – viagem ao céu realizada pelo profeta Moahmmed e para não falar do "sítio sagrado" do patriarca Abraão que eles tanto veneram. 

Uma outra realidade bastante preocupante em Israel tem a ver com o número reduzido dos Cristãos, que não ultrapassa os 2%. A religião predominante é o Judaísmo e de seguida o Islamismo. Como já ficou referido as duas religiões odeiam-se mutuamente. Todos estes factores acabam por acentuar as tensões e rivalidades já existentes entre as duas comunidades. É um país praticamente sem paz e carente dela, apesar de ser uma das palavras mais proferidas na Terra Santa, encarnando-se na efectuosa e distintiva saudação hebraica, shalom. Em todos os sítios é manifestamente notório a presença da MOSSAD fortemente armada, temendo eventuais atentados dos radicais islâmicos. 

Aos olhos humanos, aquela região jamais experimentará a estabilidade e, muito menos, a duradoura paz; só mesmo um milagre de DEUS para reverter este curso funesto das coisas. Nota-se isso mesmo na sensação das pessoas na rua. Os palestinianos reclamam a todo custo a posse da maioria das terras de acordo com a divisão feita em 1967 – que vieram a perder na guerra dos seis dias e na expansão sucessiva e massiva da política dos colonatos desencadeado pelo governo judaico depois da referida guerra - e, principalmente, da parte oriental de Jerusalém, opondo-se a criação de dois estados na base dos critérios da ocupação actual, por Israel possuir mais terras do que aquilo que outrora tinha. Por conseguinte, fazem de tudo para entrar em território israelita e perpetuar os atentados contra os seus cidadãos sendo, em consequência disso, severamente punidos e controlados, passando a viver encarcerados, praticamente sem contacto físico com o mundo exterior, numa gritante miséria que desperta a atenção especial de qualquer ser humano. Estivemos na parte da Cisjordânia sob alçada das autoridades de Ramallah, e fiquei bastante sensibilizado pela forma como eles foram reduzidos pelos israelitas no seu impingido muro de sofrimento. É tudo vedado, sendo que o "Muro da Vergonha” ou “Muro do Apartheid”, como peremptoriamente alguns círculos árabes o intitulam, não se limita apenas a parte da Cisjordânia, mas também vai ganhando outra configuração - de Bloqueio à Faixa de Gaza, que não deixa nada escapar o MOSSAD, estando integralmente controlada pelas autoridades israelitas, excepto o canal que os liga com o Egipto, que por vezes é aberto para lhes proporcionar algumas ajudas pontuais de produtos básicos essenciais e, ocasionalmente, produtos ilícitos como armamentos provenientes do Líbano e do Irão, países declarados inimigos de Israel. 

Um dos momentos altos da nossa viagem foi a estadia em Jerusalém (visitamos o Jardim das Oliveiras, o Muros das Lamentações, o Monte de Sião, O Santo Sepulcro, Lugar da Caveira, Sinédrio, etc) – uma cidade extremamente fantástica e, ao mesmo tempo, a “pólvora” do Médio Oriente. Tal como ela foi fatalmente descrita por Amos Oz, “Jerusalém é uma velha ninfomaníaca que esmaga amante após amante, e a seguir os afasta com um bocejo entediado; uma viúva negra que devora os machos no próprio acto de acasalamento” (Simon Sebag Montefiore, in Jerusalém [A Biografia], pág. 5, Alêtheia, Lisboa, 2011). De facto, continua a ser uma cidade que atrai amores, ódios e vinganças entre os Judeus e os Palestinianos, somando outros países árabes ao redores. 

Aprendi imenso durante os 15 dias que fiquei no Médio Oriente: fez-me pensar seriamente em muitas coisas que dantes não tomava muito em consideração, sobretudo na miséria e precariedade da vida humana. Tomei consciência plena do clima de terror instaurado entre os Judeus e os Palestinianos. Reflecti imenso na história do Novo e do Velho Testamento e de forma muito especial na maneira como vivo a minha espiritualidade diária. Emocionei-me imenso a visitar os sítios históricos que falam muito das nossas origens Cristãs e da forma tremenda como DEUS actuou no curso da História Humana para a nossa salvação. A minha oração durante a viagem foi para que DEUS abrisse os olhos daquelas pessoas, no sentido de enxergarem e verem o quão urgente precisam da Sua maravilhosa graça nas suas vidas e simultaneamente da paz no Médio Oriente. 

Foi tanta viagem, foi tanta aventura, foi tanta demanda, foi tanta odisseia, foi tanta emoção, foi tanta espiritualidade que enriqueceu, de forma significativa, a minha mente. Foi um autêntico momento de encontro e reencontro com a História Bíblica e com as mundividências filosóficas e Cristãs em torno do Senhor Jesus Cristo e a Sua Santa Palavra. Cresci bastante a todos os níveis. Saí de Israel com a minha fé em DEUS ainda mais reforçada, pronto para continuar diariamente, com o ânimo forte, o combate espiritual contra as forças do mal que influenciam este mundo tenebroso, anunciando incansavelmente Jesus Cristo dentro e fora do tempo no meu testemunho Cristão diário, tal como o Apóstolo Paulo nos insta constantemente a fazer. Felizmente, só tenho mesmo que agradecer imensamente a DEUS por me ter dado esta nobre e distinta oportunidade de conhecer e compreender melhor a realidade do Médio Oriente, e, de forma especial, a Terra Santa.